~ p r o é m i o ~
Daniel: Isso é ridículo. Tudo isso.
Roberto: Func! Porra! Func!
Mariana (aproximando-se): Olha, moço, não vejo necessidade alguma para violência. Eu tenho as respostas, mas não consigo responder amarrada assim. (miando) Se você me soltar, podemos conversar com mais calma. Posso vestir algo mais confortável e...
Tiagón: Fica na tua, ô espertinha. Vocês precisam cooperar comigo ou não sairão daqui! Agora todo mundo fica quieto! Quem pergunta aqui sou eu!
Daniel (ajoelhando): Má, eu te amo! Eu ti amu!
Roberto: Eu só queria um danoninho.
Tiagón: Olha aqui. Eu cheguei no meio da história e não estou entendendo direito o que acontece.
Roberto: Dá uns tiro num danonito. Eh, eheheheh. Func.
Daniel: Esse aí tá travadaço.
Mariana (gemendo): Ai... dói todo meu corpitcho... tiuô, me soltaaaa...
Tiagón: Droga. Preciso ter as respostas, e rápido! Eles já estão se transformando em meus personagens, e então nada fará sentido! Tu, ô bocaberta! Me diz: o que é que tá acontecendo nessa história?
Daniel: Eu sou um palermão. Ela é a malvada que partiu meu coração. Ele é o machão violentão.
Mariana: Eu sou a gostosa. Os outros são os outros. E isso é tudo. Tu-do! Olha, que tudo? Sou ou não sou tudo?
Roberto: Eu tive um sonho, vou te contar: eu me atirava no oitavo func.
Tiagón: Concentrem-se!
Daniel: Ahem. Eu ia casar com a Má, mas ela me largou pelo cretino aí do lado, me fez traficar droga e tentou me matar.
Mariana: Eu apenas me deixei levar pela promessa de uma vida excitante e cheia de dinheiro.
Roberto (voltando da onda): E eu vô passá fogo nocêis tudo! Zuzo! (espumando) Gargh-
Tiagón: Hm. Tá. Acho que dá pra seguir assim.
Roberto (azul): Engraçado... que vontade louca de cair no chão e estertorar.
Tiagón: E aí, professor? Que te parece?
Ideber Avelar (saindo de um monolito): É. Esse Roberto aí, com tanta farinha, não come mais ninguém.
Tiagón: Obrigado. Pterodáctilo, leva Daniel e Mariana de volta para o carro. E Roberto... tira bem o pó dele e pode fazer um lanchinho.
Pterodáctilo: Graaaaaaak! Feito!
Tiagón: Eu disse pra limpar o pó, hein?! Hmpf!
~ c a p . X I X : C O N T R A - A T A Q U E ~
-- Mariana, o que aconteceu?
Daniel olha para a estrada deserta. A inundação parece ter baixado num piscar de olhos. Mariana também está confusa; não lembra quando pararam o carro, quando desceram dele ou o motivo de estar completamente nua - os gloriosos mamilos arrepiados com a brisa fresca. Ela ouve em sua cabeça uma voz dizendo-lhe para tocar-se, sentir o corpo delicioso, entregar-se ao prazer - mas a voz é interrompida quando, em outro plano, a esposa de Milton Ribeiro aparece no quarto e ele é obrigado a desligar o computador.
-- Daniel! O Roberto...!
Ambos olham para dentro do carro: lá está o corpo de Roberto, atirado sobre o volante. Mariana entra e puxa a cabeça do morto para trás, revelando um grande rastro de espuma branca, logo abaixo de dois olhos injetados de horror.
-- Uma hora isso ia acontecer.
-- Roberto... não... não...
-- Não chora, amorzinho.
-- No fundo, ele era apenas...
Não chegou ao fim da frase: tombou ao chão, golpeada com a porta do Karmann-Ghia na cabeça ao sair do veículo. Daniel sorri. A metade superior de Azhad, levado pela Ex-Virgem Feiosa num 'canguru' como aqueles de bebê, ainda segura a porta, satisfeito.
-- Me ajuda aqui, Feiosa. Vamos jogar ela no carro.
-- Zeca... Pegar Zeca! Feiosa! Pegar Zeca!
-- Calma, pequeno príncipe. Já vamos cuidar disso, fofinho.
-- Demorar muito tempo! Ficar sem ar escondido atrás de banco de carro minúsculo!
-- Ainda bem que sua metade de baixo preferiu a Broadway do que continuar contigo, senão não ia caber. Venham, fiquem na frente. Vamos embora. Feiosa?
-- Ele não quer ir.
-- Mas o quê?
-- ...Porco!
-- Porra, Azhad! Dá um tempo!
-- ...Poooooorcooooo!
-- Tá, larga a granada. Toma aqui um lombinho. Isso. Feiosa, vai dando de comer pra ele. Mas entrem no carro, pelo amor.
Na viagem até Montreal, Daniel dirige apressadamente, mas sem medo. Não que tenha ficado corajoso; está simplesmente cansado. Nos últimos dias foi agredido, baleado, chifrado, conversou com fantasma, e agora é aliado de um paquistanês pela metade. Não bastasse isso, leva no carro a esposa feiosa do árabe, um defunto e a ex-futura-mãe-de-seus-filhos, amarrada e amordaçada. A pressa que faz seu pé acelerar não é a do medo, mas a da impaciência. Sobretudo consigo mesmo; sabia que, não fosse burro, jamais teria se metido numa enrascada dessas. Burro, mas não culpado: Daniel só quer ir para casa. É um inocente perdido numa confusão, como costuma acontecer com os heróis - e com os idiotas que se metem com gente sem caráter. Ele não sabia se era um ou outro. Talvez fosse os dois. Sentiu saudades do pai. Quis ligar para o velho Julhão, mas não era uma boa idéia. A bateria do celular estava fraca e ele precisaria do telefone quando chegasse a seu destino. Desligou-o para poupar energia.
* * * * *
-- Oi, Maíra! Func! É o Roberto! Func!
-- Quem tá falando? Roberto? Que voz é essa?
-- Func! Eu preciso do func do Zeca! Do telefone!
-- Como assim? Tu tem o telef-
-- Eu perdiiiii! Guh! Func! Eu berdi o telefone! Me dá! Tem que ser agora! Fanc!
-- Roberto, você está tão estran... É, tá tudo bem mesmo. Anota aí: 2498...
* * * * *
-- Oi, Zeca! Func! É o Roberto! Func!
-- Mentiiiira, seu filho da puta.
-- Quê? Deixa de ser imbecil, eu juro que...
-- Aaaaah, te peguei! Rá rá rá! Bobalhão! Pô, tava te esperando ligar. E aí, acabaram com o paquistanês?
-- Oh, sim, func, claro. Acabemo com ele.
-- Ótimo.
-- Olha só... func. Tô precisando de mais func. Posso pegar aí?
-- Porra, vacilão. Tu é muito mancada. Trouxe o nariz do árabe pra mim?
-- Bã.
-- Tá. Então pode vir. Tô na fundição toda a tarde. Chega aí.
-- Pode deixar, idiota.
-- Que foi que você disse?
-- Tô a func! A caminho!
* * * * *
O plano era tão simples que não parecia plano. Deixar Azhad fazer seu serviço. Com Zeca fora da jogada, Mariana estaria livre para recomeçar sua vida. Se ao lado dele, já não sabia. Daniel ainda a amava, mas não poderia confiar no coração dela outra vez. Talvez pudesse confiar em seus magníficos peitos. Talvez. Talvez pudesse confiar agora, agorinha mesmo, ela toda nua, amarrada no banco de trás da Cherokee, amordaçada, olhar ora assustado, ora raivoso, ora sedutor. Hoje, não sabia o que esperar de Mariana. Qual delas era a verdadeira? Talvez todas fossem. Talvez ela devesse morrer com Roberto e Zeca. Talvez. Talvez. Mas qualquer coisa era melhor do que ficar ao lado daquele paquistanês bizarro, fazendo malabarismos com granadas enquanto espera o sinal para entrar na antiga fundição usada como matadouro e quartel-general de Zeca, o escroque-mor.
~.~
Porto do Desespero é uma novela bloguística coletiva, criação da Ana Lucia. Os capítulos anteriores:
• I : A Carne
• II: Historia de violência
• III: O noivado
• IV: A Encruzilhada
• V: A Malvada
• VI: Os Paquistaneses
• VII: A Virgem celestial
• VIII: As contas
• IX: A Notícia
• X: O Flashback
• XI: O Fantasma
• XII: O Cheiro
• XIII: O Fantasma explicativo
• XIV: Até parece ministro
• XV: O Detetive
• XVI: A Banheira
• XVI : Os vôos
• XVIII: Mais Vôos
Parece que a regra previa a duração de vinte capítulos - o que deixa nosso próximo autor com a responsabilidade do fecho. Ou não? Será que a novela segue? Bueno, já não é mais comigo. Agora é tudo com o Marcão!




Adorei, Tiago! Vou lá avisar pros outros novelistas que o seu capítulo ficou pronto! bjs
Muito bom! Func! gostei, Tiagón! func, func!!!
...e meu tesão pela Mariana aumenta a cada capítulo!!!! func!
Também func adorei func Tiagón ha ha ha :-) Até a Feia e a metade do paquistanês voltaram à cena. E o pior é que dada a atual conjuntura canadense, essa novela está ficando atualíssima :-) Beijocas.
E eu vou ter que ler tudinho outra vez porque me perdi no nono func!!! Daqui a pouco eu volto!
Beijos,
Vanessa
Soh pra avisar o Marco que nao precisa fechar no XX nao, pode continuar à vontade :-)
Aí, quando foi que o Zeca morreu?
Cumpadi, il petit finale já está no ar. Ufa.
esse "func" do Roberto, é rinite fio?
gênuis
Porra, e eu, func!, não tinha lido.
Teu capítulo foi - func! - ótemo!
Eu tb tenho o maior tesão pela Mariana!