Uma resenha haute-cuisine de supleménte gastronomique, eu acho
No programa de hoje: Donutz Perdigão.
Donutz é integrante da nova safra tecnorgânica de subprodutos de frango, que promete muitas novidades em termos de forma e consistência. No formato de uma prosaica rosquinha, o fabricante não pretende apenas mostrar uma nova apresentação do já tradicional acepipe, mas ousa querer lançar um estilo.
Apesar da proposta, começa fracassando no design. A rosquinha de frango da Perdigão é menos rosquinha e mais bolinho; o furo central é pequeno, e depois de assado acaba fechando-se em torno de si mesmo, evocando o mítico San Andrea num retorno à unidade da carne de onde veio. (Autofagia Cósmica e a Teoria das Espirais, de Darwin a Sanders: Para Compreender o Bife Rulê. J. San Andrea, Vermeat Press, 2001.) Um bolinho de dois dedos de altura; alto, pesado, imponente. Basta notar que cada embalagem traz 300 gr em seis unidades. E por isso, exige mais tempo na frigideira ou no forno (como testado): em nossa cozinha experimental, o produto levou 25 minutos para assar e dourar, em temperatura média-alta, ou o que o valha.
Durante a cocção, Donutz apresentou aroma identificado à média dos produtos similares e não provocou reação nos testes com insetos ou animais de pequeno porte.
Uma vez pronto, o empanado revelou-se com crocância e umidade bastante equilibrados, textura superior e bastante peso na língua. Foram identificados retrogostos de milho, couro e cânfora. Por ser uma peça compacta e firme, pede molhos mais densos, como o barbecue ou o tártaro. Donutz interage a contento com shoyo, mas não se sai tão bem quando servido em mostarda holandesa.
Dica do sommelier: Por ser um petisco habitualmente servido salgado e picante, lhe caem bem os tintos mais vigorosos mas não demasiadamente tânicos, como alguns cabernets chilenos ou mesmo o já popular tannat argentino. Tente beber tudo antes de comer.
Avaliação final: Donutz é bastante saboroso dentro de seu escopo, mas é mais caro (custa quase duas caixas da marca de nugget regular em promoção) e acaba não valendo a pena. NOTA: 3,8/5




Eu gosto muito destes testes gastronômicos que você faz. Não tenho a intenção de (e espero nunca precisar) provar nenhum destes maravilhosos quitutes reprocessados, verdadeiros ícones da reciclagem. Assim se algum dia eu sentir vontade de comprar alguma desses Soylent Green, vou lembrar do seus posts, sentar num cantinho e esperar a vontade passar.
Por que você tem andando tão centrado neste tema, Frango? O_o