: prólogo
De: Tiagón
Para: Gejfin[chê... o que aconteceu ontem?]
RE: [a gente foi tomar uma ceva, e depois jogou sinuca.]
: há uma ligação telephônica.
o quórum aumentou. não serão apenas os cariocas. na dúvida, troco de tênis e faço a barba. sabe como é. hm. sabe? alguém sabe? tchu ru ru ru.
: Gejfin passa lá em casa tipo oito.
havia sede. temperatura agradável. atmosfera tranqüila. Gejfin começa a reclamar da fome. é um problema mundial, retruco. ele não ouve. não houve. hou, hou hou. e um dois e-
: chegar ao bar demora pra sempre.
efeito da sede. desvios. a Pics errada, na ida. o retorno nunca chega. a Pics certa, na volta. bump.
: o bar tem mesas disponíveis na área ao ar livre.
(todo ar deveria ser livre. lutcha pela libertad del ar!) e o vento sopra louco e lindo. as frôzinhas roxas caem por sobre nossas cabeças e roupas e tingem-nos de primavera. um momento de poesia. SOBE TRILHA BG das Quatro Estações de Vivaldi e eis-nos n'um commercial de sabonê Vinólia, se lhe apraz.
: idéias com camisetas.
primeira frase à mesa. o ambiente favorece e sinto-me propício à criação. me aplaudo. o Fundo Internacional de Fomento à Camiseta Criativa precisa nos apoiar. não posso esquecer a idéia.
: veto.
eu geralmente peço Original, e às vezes Bohemia. mas ontem o garçom passou e eu pedi: Serramalte. era exatamente o que eu queria beber. na verdade era praticamente ela que desejava me beber, espocou em minha voz com viço e certeza, tanta que até ignorei protocolo comumente respeitado de consultar o desejo da mesa. "Serramalte". aí Pics fez cara feia e resmungou alguma coisa sobre um colar, uma dor no molar, as saudades do mar e pediu uma Polar, enquanto eu olhava as luzinhas piscando. derrubaram minha Serramalte.
: mas finalmente há o que beber.
e Gejfin come pastel enquanto tenho problemas com mensagens de texto: envio-as para mim, repasso ao Gejfin, que me devolve. Pics faz ameaças pela primeira vez. Gejfin diz que o pastel é de gorgonzola. todos riem.
: oferto uma flôr a uma dama.
ela diz que vai colocar na agenda. eu acho sarcástico e respondo com uma grosseria. ela faz beiço e mastiga a flor. não, não. ela guarda a flor. (nota: flôr com chapeuzinho fica bem mais verão.)
: chegam os cariocas e W.
a mesa cresce. as crianças riem. o palhaço chora. é o fim do caminho. duas garrafas por vez. André, como de praxe, começa a apontar o banheiro dos funcionários. Tati-Rio fala "meninhoish" e eu sinto uma pontada no peito. Gejfin leva as mãos ao rosto. estamos em casa. W. se recusa a dizer o resto de seu nome.
: de quando as coisas começam a perder o rumo.
as garrafas sucedem-se. uma. atrás. da. outra. olho para a comanda. é pouco. perco os sentidos, mas eles voltam logo depois, ofegantes e inchados. noto que estou com dois olfatos e polidamente devolvo-o à moça da mesa ao lado, que reclamava da falta de sabor da sua torrada de peito de jedi com flôres roxas.
: propaganda de telefone.
a ala dissidente, formada por Tatjana e Ene, agrega Raq. recebo sms sortidos. "oi". "oi". "o". "oi". a pressão funciona e tento trocar de operadora no mesmo instante, mas a Vivo entra com recurso no STJD. mais mensagens chegam: Gejfin recebe um "ceta" e vence.
: desvio de faixa-etária.
entro na área ao ar preso e todos olham para as tevês. é um devedê. todos cantam junto e parecem hipnotizados. reconheço a música: Sgt. Peppers Lonely Heart Etcetera. olho da fila do banheiro para a tela e reconheço Sir Macca e o U2. uma menina dança.
: aromas.
havia um cheiro de alho e óleo que ia e voltava de temps en temps (sic). não localizo a fonte. há uma pizzaria metida a besta do outro lado da rua. observo o vento e as flores voando. pergunto-me se as flores que vêm daquela direção trazem em seus pequenos copos o aroma do alimento. então acho tudo muito besta e começo a cantar Roupa Nova. mais! que a luz! das estrelas! aaaaah!"
: e bestas mitológicas.
alguém fala em dinossauros. Pics oferece dragões. eu aceito. mais tarde, dragão tatuado no braço é considerado demodê, mesmo que seja um dragão chinês. proponho dezembro, Gejfin repassa para janeiro. marco zero pontos.
: tudo é metáfora pra vida
em algum momento, falo em cristal japonês.
: of how to prove a point.
decido usar o banheiro dos funcionários, pressionado por André. digo-lhe: 'ok, agora vou usar o banheiro alternativo'. uso-o sem fila e esqueço de fechar a porta. na saída, observo à esquerda giz sobre quadro negro em seta e frase: "wc alternativo". André marca três pontos e eu fico confuso. as pessoas riem de mim às escondidas.
: sempre ele.
alguém, em algum momento, fala do anticristo.
: link direto/vivo.
Tati-Rio fala do Jobi. há chôro e ranger de dentes. Gejfin, impaciente, pede que eu pare de ranger os dentes dele. André liga para Sérgio. (impressionante como os telefones participam.) existem ameaças. há teorias sobre agentes psíquicos. Gejfin recebe a informação de que estava certo, marca mais pontos e comemora com "é!".
: que bate bate.
chega Ana T., com seus olhos faiscantes. (parece que foi um problema com o isqueiro, regulado na chama muito alta.) Ana T. conta sobre encontro com Ana G. logo depois recebo mensagem de Ana L. minha visão fica hescura e há suor nas mãos. então lembro que ainda tenho outras 23 letras no alfabeto.
: Ana L.
primeiro ela quer comer pizza no domingo, depois oferece ajuda na faxina. menos, mãe. só a pizza tá bom.
: hup hup hup grade
três garrafas por vez. não é uma mesa, é uma massa de risadas e ternura, conversas francas e amenas, amizade e alegria. por causa disso, a SMIC multa o bar.
: quem vem lá, quem vem lá.
em algum momento chegam Lisi e Xanda. mais espaço na mesa. as flores impedem novas cadeiras. a moça de Vinólia passa esvoaçando e se desintegra numa nuvem de fuligem branca. decido lavar minhas lentes de contato.
: erro.
alguém decide fazer um sorteio de amigo secreto. Gejfin escreve os nomes num guardanapo, depois os amassa em bolinhas. a combinação "bolinha amarfanhada + papel finíssimo" faz com que eu destrua o papelzinho ao tentar abrí-lo. jamais saberei quem é meu amigo secreto. no dia marcado para a entrega dos presentes vou estar na Botswana.
: enquanto isso, na Terra-8.
Ana T. me ajuda a abrir o papelzinho. observo o nome. respiro: consegui. estou inserido. [link temporal: acordo hoje, todo sujo de suco de laranja, com uma cicatriz fosforescente no rosto e o papelzinho no bolso da calça. minhas membranas dóem.]
: link direto/dormindo
Rafa na Brasília recebe nossa ligação para saber quem é seu amigo secreto. mas é despertado e por isso decide que não tem mais amigos. todos gritam. faço observações amplamente criticadas, inclusive via telefone, sobre a baliza de preço do evento. só de raiva, decido comprar 50 reais em bolinhas de isopor com cheiro de tangerina. (aromatizado artificialmente. contém gluten, fenilananina e maltodextrina.)
: you've got fucking mail
chega novo sms. é de Tatjana e Raq. elas dizem "foda-se". Raq viaja hoje rumo ao casamento do irmão, e logo em seguida para a Brasília. ela volta em uma semana, ou seja, jamais voltarei a vê-la. Tatjana é a culpada. eu choro as pitangas. dói quando passa pelo canal lacrimal, mas depois é divertido. colorido, e tals.
: vem que essa festa/não acaba nunca.
nunca. alguém fala sobre sinunca. sinuca, digo. Pics gosta. então leva a sério. então intima. aceitamos. só então conta que tem que ser no CheckPoint, por quê? eu acerto. porque é lá que o taco dela está guardado. então lembro de SaucerCrab ameaçando Space Ghost: "I'm here to give him the beating of his life".
: problemas com o tempo.
meu relógio marca 2h40. então lembro que não tenho relógio e sorrateiramente o jogo numa moita.
: o ápice do sujeito indeterminado. ou uh ele advérbio.
alguém levanta e decide ir embora. Lia faz um cameo e leva Ana T. embora. Lisi também vai embora em algum momento. depois todo mundo levanta e vai embora ao mesmo tempo. Tati-Rio vem conosco para a sinuca. Xanda também. André leva W. para comprar novas letras para seu nome.
: chave, mestra.
Tati-Rio precisa de chaves, e nós acordamos a velha ao esperar na frente do prédio. é um padrão: sempre que a gente bebe e pára na frente de um prédio, começa a falar alto altomaticamente. janelas batem. alguns se constrangem. André grita da janela. um gato mia e explode.
: checkpoint.
lembro que Fer mora nos arredores. meu celular fica sem bateria e ela ganha uma noite de sono tranqüila.
: play ball.
dis-cor-dar! todas as desculpas caem por terra quando o caos decide por meninos x meninas. argumento que já sou um homenzinho e por isso, francamente, vou fugir do jogo pra não apanhar de uma garota de tem seu próprio taco (sic). não consigo; subitamente descem do teto paredes de aço com 50cm de espessura e um néon luminosso: jogaremos em Pics' Steel Cage.
: embate e visão.
admito como objetivo não perder por capote. em algum momento justifico os problemas com tacadas de longa distância à miopia e ao fato de ter tirado a lente esquerda porque me incomodava ainda em casa. pela segunda vez esse ano, riem dos meus defeitos óticos. no fim das contas, 4 x 2.
: só alegria.
teve até volta olímpica das gurias em volta da mesa de sinuca. eu e Gejfin começamos a discutir quem era mais culpado, mas paramos quando Pics calculou 36 / 4 = 8. achamos que era alguma espécie de compensação e demos de ombros. peguei o meu de volta e partimos.
: para um retorno que durou horas
de cantoria de Roupa Nova no carro, como de praxe.
: deslizando no lençol espaço-temporal
hoje, meio-dia. Gejfin liga. chê, vamos almoçar em algum lugar. vamos. a comida pesa no estômago. o corpo assimila as parcas horas de sono. a vontade de morrer cresce. a piscina do Gejfin passa por nós, na avenida, pilotando um caminhão. a menina tinha uma camiseta de lembrança do Rio. a placa do carro na frente do prédio do André, ontem, era 2882. sacolinhas do supermercado Zona Sul pulam na mão do Gejfin. todos rimos.
: e assim, e agora, bem agora
encerra-se a noite do dia primeiro de dezembro de 2005, ano do Senhor.




tá muito comprido pra ler na hora do trabalho, vou deixar pra depois.
mas, ó: "W. se recusa a dizer o resto de seu nome"... plááááááágio!
(eu sei, eu tenho o livro original em inglês, tava lendo essa semana, inclusive. ah, como é bom ter esse livro...)
Pára, cara, pára.
mash ahhhh... tá tão bom....
gostei! saboroso. verânico.
(não! não pára. não pára. assim. ahh...)
Amém, amigo.
E eis que ainda peguei a noite me olhando pela janela da sala na expectativa de qual seria o bereteio conclusivo, mas tudo que consegui dar à ela, rindo, foi um: você é 'apenas' a primeira.
todos me olharam estranho no trabalho quando fiquei cinco minutos rindo sem parar. obrigada.
... e mais uma vez, ninguém comeu ninguém...
Eu não sou culpada de nada. Era só o que me faltava. Apenas fizemos uma reunião de meninas bêbadas cujo resultado lateja na minha cabeça até agora. Todas nós ainda te amamos. Vem buscar presente aqui em casa hoje, meu irmão que mandou!
Logo eu volto. Daí vou querer uma dose disso aí que vocês beberam.