Com aquele som diante de meus olhos, não hesitei e mordi logo a maçã, esperando que o ruído cessasse. Inútil. Continuou apitando, silvando, às vezes chiando como tevê fora do ar. Joguei a fruta pela janela. Não adiantou nada. Virei para os lados, procurando a fonte; corri pelo apartamento, mas o som era onipresente. Entendi que o barulho estava na minha cabeça. Não era um simples zumbido, um tinitus; eram variações diversas de discos riscados, cliques, notas de baixa freqüência. Então começou a microfonia e eu pensei que minha cabeça fosse explodir.
Continue lendo "Efeito", um de meus contos preferidos - que lambo a cria, ah se -, publicado na edição nº 20 do Bestiário, a revista de contos de Charles Kiefer, Assis Brasil e Schmitt-Prym.
Fiquei feliz, feliz, feliz pra caramba. (E obrigado por ter avisado, amigo.)




Salve grande Tiagon!
Consegui parar um pouco na frente do computador para fazer o que devo. Uma dessas coisas que devo era passar por aqui e receber uma bela dica.
Outra era colocar no Idéias um post sobre a pesquisa! Está lá e usei parte do seu e-mail mesmo para compô-lo! http://www.ideiasmutantes.com.br/archives/2005/11/pesquisa_blogos.html
T+
Muta
Tiagón, que conto fantástico! Acho que não tinha lido nada seu assim, nesse estilo. Adorei. Mesmo.
Maravilhoso o conto, Tiago! Só tinha lido um fragmento, no PDF dos e-néditos. Adorei, parabéns!
imprimi pra ler em casa. que preciso de intimidade para essas coisas.
dá pra ler muita coisa no écran luminoso. dá. mas os contos, ah. contos são para serem saboreados. não meramente lidos.
depois volto. hasta.
muito bom o conto. Feliz feira do livro! A primavera dos livros começa aqui em Sampa e eu devo ir até o lançamento do "blog de papel".
Um bom abraço!
Tiagón.
Seu conto é uma revelação.
Ele é extremamente desconfortável, mas o leitor não consegue largar, não consegue parar. É uma história que não consegue ser plenamente captada só com o consciente. Não faz muito que a li e a impressão primeira é que ela foi completamente entendida, mas não completamente compreendida. Há um quê de compreensão que remanesce indefinido e provavelmente se revelará quando estiver maduro.
A sensação física enquanto lia o conto era idêntica à que tive ao assistir 'Irreversível'. Aquela imagem oscilante, a angústia.
Gostei muito.