um toco refrescante

não dá outra: se eu passar algum tempo sem comer halls de cereja, na próxima vez em que eu sentir o sabor, pronto: volto aos 13 anos.

explico: eu tinha 13 e comecei a fazer festinha. aos 13 era 1991, logo, eu era uma mistura de flanela xadrez com jaqueta jeans e cabelão pelo meio das costas. já tinha cabelão porque era guitarrista de uma banda podre; nem sonhava que o grunge faria a moda. fiquei descobrindo quando começaram as "baladas" e amigo Alexandre invejava minha sorte com o sexo oposto na pista de dança. ah, as melenas. era chegar no meio da pista do Cord ou da Croco, agitar os cabelos à headbanger e depois só separar a melhorzinha, entre todas que se dependuravam nos cabelos. é, eu já fui centroavante artilheiro.

bueno. mas eu tinha 13 e fiquei com essa menina, a Carolina, primeira de uma série, que morava (mora?) lá no Sabará. morena, cabelão, bocão, bem-bonita. aí combinamos de sair de novo. ela não tinha telefone em casa, combinamos hora e dia de ligar pra casa da amiga. liguei. marquei. cinema. shopping: Praia de Belas, era um dia de tarde, um dia morto de tarde, era férias da escola, era julho. tão tá, combinado.

*clic* no telefone e a mãe aparece, olhos arregalados, sorriso indisfarçavel, e aí, e aí, filho? pues quarta, quarta às 15h, mãe. foi então que ela teve um ataque de corujice, me agarrou beijou lambeu e me levou pra comprar roupas novas, um jeans verde-musgo e um moleton mostarda (?!) na Wrangler. te mete. não satisfeita, no dia marcado me levou até a parada do T2, toda orgulho. e na passada em frente ao boteco, como era mesmo o nome daquele boteco, mãe?, aquele quase do lado de casa?, (lembrei?: Sagres?) - vamo de novo. e na passada em frente ao boteco ela pensou em hálito e - entra fanfarra grandiosa - me comprou um halls de cereja.

ooooh. ou êta porra, como diz o marcelino.

chegando lá, eu lindão cheiroso bonitão pura refrescância e adivinhem o que aconteceu? ô, deu tudo certo, tão torcendo contra, é? nos encontramos, eu esperava sentado num banco, ela veio pro meu colo e ali ficamos amasso agarro ignorando o mundo externo até que o segurança veio nos dar um "código 20", seja lá o que isso signifique, e nos pedir pra acalmar, fassavor. e então todos riram.

foi tão bom que ficamos de sair outra vez. eu, essas alturas, já tinha entregue toda minha alma pra ela. todinha. liguei. marquei. cinema. shopping: Bourbon da Assis Brasil. era um domingo de tarde. te encontro na parada do ônibus, bem em frente.

arrã.

sei lá. acho que fiquei uma hora e meia esperando, eu acho. e e meu hálito de halls de cereja. e ventava. ventava como o diabo, naquela tarde nublada.

o primeiro toco, a gente nunca esquece. num patrocínio Cadbury Adams do Brasil.

13 Comments

E o halls é que leva a culpa. abs

Ah, Tiagón...as lembranças que o Hall's de cereja suscita...

E que mãe a sua, hein? Uma fada madrinha não faria melhor!

Beijo.

Seguranças de shoppings são realmente delicados.

Uma vez, não sei em que pé estava a situação entre uma namorada e eu, não faço idéia, mas posso imaginar ao lembrar das palavras do delicado varão:

- Boa noite. É... é... num pode ficar entre as perna.

O gosto do meu primeiro toco (que no Rio chamamos de bolo, ou ao menos chamávamos no meu tempo) é bem pior, de pastel de padaria. O nome dele era Marcel e hoje trabalha como vendedor de seguros.

Beijos

Ana

Ah, gurias: aqui no RS também se usa "bolo". Mas a proporção é assim: quem vai a festas, leva bolo; quem vai pra balada, toma toco. Enfim, neologismos. Beijos!

Tadinho do Tiaguinho de 13 anos!!!

No Rio de Janeiro, a gente diz "bolo", e não toco. Eu soube que na França eles usam a expressão "poser un lapin" (colocar um coelho), porque o coelho foge correndo e pulando.

Melhor comentário! Coelho, é? Essa informação explica muita coisa! :D

Hahahahaha
"Colocar um coelho"!

É impressionante como esses franceses sabem das coisas. Muito!

Coelho é o mal. Canta Pitty, coelho, canta!

:DDDDD HAHAHA

Memória gustativa!

Lisi

Eu tb não sabia da diferença do toco pro bolo.... mas enfim...
escuta, o coelho come halls de cereja tb? hahahaha!

Hehehe... Eu sei de uma outra forma de usar o Halls também muito interessante, mas o horário não me permite falar sobre. =P

Você com o halls de cereja e eu com o Trident de canela... Ô lembranças!!!

O primeiro halls que eu gostei foi o preto: extra forte! Mas o de cereja veio logo em seguida...Me lembra um rapaz (quando eu ainda não havia me apaixonado realmente por uma mulher, mas já sabia que seria assim algum dia), voltando, esse rapaz era apaixonado por mim e era um cara decente, bacana, "certinho". Eu resolvi tentar. Ele sabia, eu fui bem clara que não era apaixonada por ele. Ele aceitou. Mas ele gostava de tomar uma cervejinha, quando saia da faculdade... eu detesto cerveja! E ele me procurar chupando halls de cereja pra ver se eu não percebia a cerveja! rs Não adiantou. Na verdade, eu sabia porque não adiantava: porque eu não estava emocionalmente envolvida. Se eu estivesse, não me importaria com o gosto da cerveja, por baixo do halls de cereja.
Decidimos que o melhor seria ficar amigos. E ficamos.
That's my halls' story.
Beijo!

em 1991 eu tinha quatro anos e estava mui preocupado com a proporção geográfica do rio amazonas.

Ô dó! Mas que ninfeta desalmada essa!E elas (as ninfetas) melhoraram com a idade?

na escuta


Type the characters you see in the picture above.



Este post

Esta página contém um post de tiagón publicado em agosto 5, 2005 12:09 PM.

Oferta de emprego é a postagem anterior.

insert title here é a próxima postagem.

Posts fresquinhos na página principal - ou mexa nos arquivos pra ver outros posts.

v e r b e a t  b l o g s

microblog, twittered

foi pra conta

rss's selessionadoss

blog 'n' roll