A psicanálise é um novo avatar do poder pastoral. Em que ele se define? Os padres não são a mesma coisa que os tiranos, mas eles têm em comum o fato de manterem-se no poder através das paixões tristes que eles inspiram aos homens. Do tipo: "Arrependam-se em nome da dívida infinita, você é objeto da dívida infinita". Por esse caminho, eles têm poder! O poder é sempre um obstáculo diante da efetuação das potências. Eu diria que todo poder é triste. Mesmo se aqueles que o detêm se alegram em tê-lo. Mas é uma alegria triste. Sim, existem alegrias tristes. Mas a alegria é uma efetuação das potências. Eu repito: não conheço nenhuma potência má. O tufão é uma potência. Alegra-se na alma, mas não por derrubar casas, mas simplesmente por ser. Regozijar-se é estar alegre pelo que somos, por ter chegado onde estamos. Não se trata da alegria de si mesmo, isto não é alegria, não é estar satisfeito consigo mesmo. É o prazer da conquista, como dizia Nietzsche. Mas a conquista não consiste em servir pessoas. A conquista é, para o pintor, conquistar a cor. Isso sim é uma conquista. Neste caso, é a alegria. Mesmo que isso não termine bem, pois nestas histórias de potência, quando se conquista uma potência, ela pode ser potente demais para a própria pessoa e ela acaba não suportando. Van Gogh!
O Abecedário de Gilles Deleuze. "Joie".




ah~h~h~~~
:)
Aaaah... tá!
Eu entendo sua dor, rapaz. Já passei por isso. Ela vai voltar.
Há os que digam que há um paralelo entre a clínica psicanalítica e o confessionário... com a difderença que no confessionário o "paciente" se exime imediatamente de toda a culpa, e no consultório ele sai se sentindo mais culpado ainda... !
Entendo o sentido das orações, mas a idéia geral do texto continua um mistério. E olha que já li três vezes!
Legal isso: "A conquista é, para o pintor, conquistar a cor."