.: Começou o inverno!
.: De novo!
.; Quinch!
.: Mas ontem foi a abertura oficial: meu chuveiro queimou. Claro.
.: Peor q'Eu não tenho la mínima vocação pr'essas cousas da manutenção doméstica. Nenhuma. Não herdei a habilidade que meu pai tem. Com pregos. Lá em casa ele resolvia tudo com prego. Caiu a prateleira, paf, toca prego. Quebrou o sofá, paf paf, um preguinho maior resolve. Estragou o alternador do Passatão? Deixa que eu paf! Brabo era quando alguém machucava um braço ou uma perna.
.: Meu "jogo de ferramentas": um martelo grande (para degelo), uma chave de fenda pequena, outra philips, um alicate de corte, muitos rolos de fita isolante - e esse é o meu arsenal. Mas não me serve muito. O espelho do quarto vive caindo, porque eu não consigo fazer um buraco decente: tem o furo do prego e uma cratera em volta.
.: Trocar chuveiro até rola, mas sinto falta de um multímetro. Quem confia em disjuntores? Um disjuntor está funcionando até que se prove o contrário, ou seja, quando o incauto for arremessado ao chão com a descarga de corrente elétrica.
.; Odeio tomar choque.
.: O choque mais divertido que eu levei foi certo dia no interior de Viamão. Assava um churrasquinho, pé descalço na lajota, temporal se armando, nuvem formando, e ao longe pero no mucho cae um rayo. Tomei uma descarga nas duas solas dos pés. Fraquinho, rapidinho, mas - - - puta merda, vocês não imaginam o cagaço que eu tomei.
.: Aliás, alguém gosta de levar choque?
.: E isso que eu sou Técnico em Eletrônica. Sério. Estudei quatro anos. Tem diploma e tudo. E claro, choque era mato. Só de capacitores carregados, devo ter uns 450 mil volts no cartão de milhagem. Com certeza tomei muito mais choque do que vocês.
.; O que explica muuuita coisa.
.: Ao sair do primeiro grau, eu tinha uma dúvida: Engenharia Elétrica ou Publicidade? Meu pai, entre uma martelada e outra, sugeriu que eu cursasse segundo grau técnico naquela área, pra ver se era por aí.
.: Não era. Mas não era *mesmo*. Precisei de uns três meses pra decobrir isso. Mas já que estava por lá mesmo, terminei o curso.
.: Domingo eu lembrei dos diagramas esquemáticos que a gente era desenhava. Aí deu vontade de brincar disso; botei um resistor, juntei um transístor, enfiei um led na saída (?), bateria conectada e voilà -
.: Olhei de novo, a corrente voltando pro positivo da bateria. E ela explodindo na minha cara. Voilà um belo curto, isso sim!
.: Eu fiz até um curso de soldagem. Soldo horrores. Numa dessas, eu devia tentar soldar as coisas lá em casa. A borracha da porta da geladeira, por exemplo, que jaz pendurada ao lado da monstra há meses.
.; Bloqueios.
.: Ou soldar a mim mesmo. Meu fígado ia curtir uma bela camada de estanho. Posso tentar soldar as articulações enregeladas pelo vento sul (beijo, Lisi!), que sopra inclemente e me fez acordar com 5°C. Soldar uma falha no incisivo superior direito. Ou, quem sabe, minha reputação?
.: Vou ter que almoçar, comprar o chuveiro e ir pra casa trocar a joça. Risco máximo.
.: Se eu não voltar, preguem minhas cinzas numa chopeira e distribuam na Oktoberfest de Blumenau. Hic.




Fiz curso técnico em eletrônica também pra ver se descobria o que eu queria. Capacitor? Ah, aquele que eu gostava de explodir nas aulas de laboratório? Além disso, me lembro bem do hamburger da cantina.
Cara, a solda é a evolução. Teu pai resolvia tudo com pregos, está escrito que tu resolverás com solda. Solda tudo! Só me avisa antes... pra eu deixar o 193 a apenas um "send" do celular.
Ah... reputação não solda. Ou pelo menos estanho não. Experimenta solda de cerveja.
Reputação soldada com cerveja? Ihhh, já tentei. Não funciona meesmo. Mas é divertido!
Mas você não tomou *mesmo* mais choques do que a Luiza-mãe. Ela toma choques na porta do carro. E no portão de casa. *Todos* os dias.
Eu tomo choques com uma gotinha de limão. Fica mais gostoso, além de azedo.