Pam, pam, pam!

Não, não é a música do Roupa Nova - ...batem na porta! Não precisa ver quem é! aaahhh - é uma tirinha antiga da Mafalda. As crianças brincam de polícia e ladrão ou algo assim, e o Manolito grita, brandindo a arma: bang, bang, bang! E, ouvindo alguém onomatopeizar "pam!", parou tudo. "Pam? Quem foi o obsoleto que gritou 'pam'?"

No último quadrinho, Felipe olha para sua arminha de plástico, desapontado.

~ . ~

Se essa baciada de enganos a que chamamos "vida" não serve pra muita coisa - tente barganhar um desconto por aquele Uno 92 no picareta da esquina com o argumento de estar vivo -, perdê-la é definitivamente uma péssima idéia, principalmente se o fiador do apartamento é alguém com quem nos importamos.

Agora, do jeito que tá, vai ser difícil permanecer vivo.

Porque havíamos saído do Ossip, sexta, circa 3h30 da manhã, e nos afastamos uma quadra em direção ao carro, quando ouvimos os disparos. Risadas nervosas, nah, não é, não deve ser. Passamos pela frente do bar indo embora; la policia já chegava.

No outro dia, oito da noite, liga lá pra casa minha querida amada amiga Raq. Havíamos nos encontrado por acaso, mais a Leti, na noite anterior. Ela me xingando, porque tu não atende essa porra desse celular? Tava no silencioso, esqueci, que houve? Mataram um na frente do Ossip ontem, e nós sem notícias de vocês!

Tipo, que merda. Eu não quero dividir um lugar com nada que possa me trespassar letalmente. Até por isso evito clubes de adagas, happenings samurais, festas do Charlton Heston Commitee etc. Há tempos eu tinha desistido da Cidade Baixa - por causa dos seqüestros relâmpagos; eu não tenho carro, mas os meus amigos têm. Agora que a poeira parecia ter baixado e voltávamos aos bons bares daquele bairro, tem tiroteio em plena esquina.

Ontem, preferimos um chope agüado a 3 contos - 3! - na Tortaria. (Comparez-vous: Original 600ml a $4,25 no Ossip.) No Moinhos de Vento. Na falsa sensação de segurança. (Principalmente depois que fuzilaram aquele cara no Cherry Blues Pub.)

Por volta da meia-noite, estou saindo do banho quando escuto, dos fundos do prédio, na direção da Bagé, tiros, e então pneu cantando.

Some-se a isso o ataque do gelo, no sábado (vide post anterior), e é um milagre que eu esteja vivo hoje pra contar essas histórias.

Que saco! Parem de dar tiro na minha volta.

5 Comments

Lamentável. E qualquer hora destas os meus filhos vão estar à noite na rua, que merda! Não há solução para nós. Recebeste um e-mail que te mandei sábado ou domingo? Abraço.

Eu me pergunto como é que você faz para cortar carne...

feliz estou por viver longe desta violência absurda... se bem que tive a impressão de ouvir um certo "conluio confabulístico" no congelador de casa este fim de semana... espero que não evolua...

Tiros não combinam com o mundo líquido. Ou combinam?

De dia no trabalho, à noite em casa. Levas fumo mas não levas bala.

na escuta


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Esta página contém um post de tiagón publicado em março 7, 2005 8:33 AM.

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