A verdade sobre o trânsito é que seu sistema de sinalização é muito precário. As placas são pouco informativas, confusas e ineficientes em sua comunicação. Por isso. Bereteando propõe uma nova linha de sinais - mais equilibrados, inteligente, práticos e focados em você, motorista. Nas ruas, é preciso estar atento e forte. Pergunte-nos como.
THE TRENCHTOWN THEORY - Quem, hoje em dia, está a salvo de um alagamento? Uma placa como essas tem muitos usos. Por exemplo: Jarbas estaciona o sedã de luxo e madame desce do carro, toda pimpona, pra aterrissar com seu escarpã de duas milhas numa piscina natural que engole seu pé até o tornozelo. O que acontece? Jarbas é demitido e madame ganha uma cistite. Ou: irmão caminhoneiro pára no acostamento para atender às suas necessidades fisiológicas mais urgentes, e, na descidinha do barranco ao lado da estrada, blosh, enfia as sandálias num lodaçal. Além de ter que mijar com os pés enterrados na lama, vai imundiciar toda a cabine do "bruto". A placa também pode ser utilizada para avisar áreas pantanosas.
PROZAC AREAS - É, a vida tem seus altos e baixos. Ninguém consegue ser alegre o tempo inteiro, os chefes brigam com todo mundo e ameaçam cortes, acabou o uísque em casa e em março os analistas sempre reajustam o preço da consulta. Pra onde vai toda essa instabilidade neural? Para o trânsito, claro. É difícil dirigir quando sua mulher anda transando com o professor de yoga. Se ao menos ela fizesse yoga! Não, ela pegou o seu professor. E ela está eufórica, porque aquela sopradinha no ouvido na hora do orgasmo a faz sentir a mulher mais sexy do mundo - e por isso, ela vai cortar a frente daquele Fiesta que está se arrastando na sua frente e vai buzinar, buzinaaaar! Num mundo onde as avenidas da cidade são passarelas da neurose, é preciso equilíbrio emocional, seja lá o que isso signifique. Por isso, áreas onde a taxa de variação de humor for maior que 1,658¹ terão essa placa indicativa de perigo, indicando cuidados redobrados ou lembrando que você não tomou sua fluoxetina hoje. As pessoas ficam mais tranqüilas e você até esquece que foi fazer yoga para ser mais calmo no trânsito.
¹Cfme. Manual de Diretrizes de Segurança, OTAN, Cap. 16, Mísseis Terra-Ar,
Granadas Automáticas e Diretrizes de Trânsito. Boca Ratón, Ed. Kissinger, 1999.
DUCK TALES - Sim, patos. Ora! Tadinhos dos patinhos! Ou será que eles não têm o direito de locomover-se? É a selvageria do mundo moderno - enquanto o Homem se mata no asfalto, o patinho não pode nem circular tranqüilo. Pato também pode! Pato, ganso, marreco, e até ornitorrinco, se ele existisse. Se até a galinha atravessa a rua! No perímetro urbano, ao avistar essa placa, cuidado: pode ter um plumoso por perto, e um ativista do WWF está no seu bico. Em áreas onde a caça é permitida, os patos da placa são substituídos por ativistas do WWF, para que eles possam atravessar sem ser alvejados. Perto de prédios do governo, acelere. O pato, no caso, é você mesmo.
EU ENQUANTO EXTENSÃO DE MIM MESMO - Dentro dumas, claro. Ou numa dessas, sei lá. No trânsito, como fora dele, somos uma imagem projetada de nossos atos e pensamentos. Em tudo o que tocamos, deixamos nossa marca. Mas não somos invencíveis ou eternos; por isso, há que se conjurar a proteção divina para enfrentar o dia-a-dia sem esquecer que a vulnerabilidade também é parte da força do homem, pois que sua mortalidade apenas o faz crescer. Uma placa dessas, tamanho gigante, em uma sinaleira programada para ficar fechada durante 6 minutos - isso é tudo que precisamos para rever nossos conceitos sobre vida, futuro, a concentração cancerígena de brometo colocado no pãozinho e as reprises do Homem Elástico no SBT.
GEFILTE FISH, GAFAGA, JELLY ROLL - Placas indicando restaurantes todo mundo conhece. Mas isso não é ser pouco específico? Na estrada, por exemplo: família feliz pára com o intuito de comer um pastel e tomar um café no meio da viagem, e é surpreendido com um twister envelopado em gordura e uma calda de cevada. Essa placa resolve o problema indicando os locais onde a comida é uma droga; passe longe. Ou você pretende encarar uma batata atrofiada, leite numa caixinha furada e uma maçã dentro de pão de sanduíche?
RODÔ, PAGÔ - O trânsito é um lugar caótico, uma terra sem lei; poucas convenções são respeitadas e os sentimentos dominantes são a fúria, o ódio e a impotência. Para mudar esse triste retrato, é preciso reavivar certos valores - como por exemplo, o cavalheirismo e a elegância. Avisar ao motorista que ele está chegando perto de mais um maldito pedágio, ou que se aproxima de uma daquelas lombadas eletrônicas mentirosas que vão o multar mesmo que ele passe caminhando - isso é um ato de civilidade e cortesia. Se for em francês, então, nem se fala. Luxo!
O MOTORISTA ENQUANTO REFEIÇÃO - Não basta o Fiat 147 a 120 km/h grudado na sua traseira, buzinando enquanto solta um nitro. Nem a moça que resolve parar em pista dupla só porque o batom precisa de retoque. Ou o carroceiro sentando o chicote no pobre pangaré. Ou o preço da gasolina, que sobe com a NASDAQ. Agora, também há ursos na área. E eles estão com fome. A melhor coisa a fazer ao se avistar essa placa é fugir - mas cuidado com os patinhos, por favor.
Amanhã, como usar um drive-thru sem ter vontade de socar a atendente que vai entregar o lanche errado.




"Eu enquanto extensão de mim mesmo" é a melhor. Aliás, eu sou totalmente a favor de absolutamente qualquer coisa, desde que ENQUANTO alguma outra coisa qualquer. Ou não, sei lá.
Os ornitorrincos não existem? Ah!!!! Voce acabou com a minha visão de mundo, surgiu uma experiencia negativa e aquela coisa toda!
Onde diabos você achou essas placas?
Os ornitorrincos existem, bem como as équidnas. O problema é que nem Deus assume ter feito aquilo. Efeitos de um porre de ambrosia, talvez ? Breve, mais um palpitante post em Marrakech sobre o assunto.
AGORA SIM! Todo mundo vai saber se é por aqui que vai pra lá! Muito bem, Tiagón, fazendo esse serviço de utilidade púnica. um bom exemplo pras criancinhas. Se bocê subesse quantas vezes eu, inadvertidamente, comi pão com maçã dentro, ou fui devorado por ursos no trânsito... Ah, mas meus problemas acabaram, definitivamente!
Salva pelo "gongo", quer dizer, pelo Tiagón...na verdade não foi eu quem vc salvou, mas o meu instrutor das aulas de volante que começam hoje! Ufa!
Meu deus, Tiago: cá estou eu, segurando todos os pleonasmos relativos a você. A Day falando das aulas de volante e eu me lembrando das questões da prova teórica... você supera! O DETRAN precisa conhecer esse post para dar uma atualizada e, quem sabe, deixar o povo mais relaxado durante a prova... pelo menos para jsutificas as risadas de nervosismo que a gente costuma dar. No mais, preciso confessar: quando vi a primeira placa, juro que fiquei me achando uma tola por não ter prestado atenção direito nas aulas. Por três segundo, acreditei nela.
Brilhante aula. E aquela flecha para cima? Significa "suba? (Análise profunda sobre o Grêmio em meu blog...)
Podíamos sair por aí grudando essas placas pelas ruas. Aliás, no chão. Aviso no chão é um troço muito divertido: não se sabe para que lado vale a advertência, até que você descobre que já está onde não deveria.
Perfeito. E no quesito Prozac Areas, não esquecer das ciclovias ciclotímicas. Para motoristas maníacos-depressivos (ou seja, os maníacos por andar depressa - ugh!)