da radicalidade [nunca] perdida

| 5 pê ésses

Alguns dias atrás revi esse amigo; esse de um coletivo que fiz parte nos meus últimos anos em Divinópolis. Fomos a um gig no Impróprio, outro do Cólera na Barra Funda, trocamos novidades e brindamos por três bons dias. Nos encontramos com dois suecos que vieram para o Brasil encontrar uma parente, e que resolveram conhecer alguns poucos lugares - dentre eles, um fim-de-mundo de 200 mil habitantes, sem atração turística nenhuma e anônima para todas as maiorias absolutas. Acho que não foram nem ao Rio, mas foram lá, e isso e algumas outras coisas me fizeram ter um orgulho gigante da cidade.

Apesar de ter uma cultura conservadora, com as três poucas "grandes atrações" sendo rodeio, festa à fantasia e festa da cerveja, levando bandas de pop rock em decadência e reunindo jovens que em geral seguem um modelo globo/mtv way-of-life, Divinópolis conta com um movimento underground pequeno porém FORTE. Músicos, poetas, videomakers, punks, rappers, headbangers, indies, loucos que fazem uma grande diferença na cultura local. Gente que se sente incomodada com algo e passa isso claramente com uma mensagem construída na base do do-it-yourself.

Então ontem rolou um papo com alguns comparsas da Verbeat sobre o fazer acontecer, motivações, mudanças, e tudo me fez lembrar mais uma vez de que devo a mim mesmo a divulgação desse trabalho. Meu tcc, um documentário de 26' sobre os produtores independentes da cidade e onde eles firmam suas raízes. Gente que me serviu como exemplo de que "outra coisa" é possível, por mais romântico que isso possa soar.

"Em busca da radicalidade perdida".

(Ou no youtube, em três partes.)


5 comentários

Pô! Quando rolar uma Excursão(tm) Verbeat® pra Divinópolis, me mandem um email aí!

(Tinha falado meio brincando, mas sabe que Excursão Verbeat não parece má idéia?)

Na verdade, a tal cena underground em Divinópolis é coisa mais risível do que o tal do Pablo conseguiu fazer parecer por aqui.

Gente imbecil ouvindo metal, gente imbecil pretensiosa se achando o máximo por ler, gente imbecil que se acha super punk e revoltada mas é só um mama's boy que volta pra casa pra tomar leite quentinho da mamãe, e por aí vai.

E ler que o tal do Misael é um pensador é igualar Sartre ao meu cachorro, só porque os dois possuem cérebro.

(e olha que eu nem falei da pífia referência ao pífio livro do francês bicha.)

Henrique, você certamente não conhece as pessoas de quem falo. Não conhece o movimento punk, o coletivo, os músicos, ninguém que se tenha citado. No mínimo, não conhece DIREITO.

Não sei quantas vezes eu já ouvi esse tipo de insulto... "mama's boy que volta pra casa pra tomar leite quentinho da mamãe". Eu gostaria de saber de onde você tirou suas conclusões. Se conversou com essa "gente imbecil", ou se só está repetindo o que ouviu por aí. A maior parte das pessoas que aparecem no Radix são pessoas super humildes, inteligentes pra caralho e que AGEM de uma forma ou de outra para mudar as coisas que lhes incomodam. Gostaria sinceramente também de saber o que VOCÊ faz (mas aí você teria que se identificar).

O documentário tem alguns defeitos e às vezes é pretensioso, como todo e qualquer documentário, então pode ter dado impressões exageradas a um ou outro fato. Cresça e aprenda a lidar com isso.

Numa coisa eu concordo: que o cérebro do seu cachorro é mais desenvolvido que o seu.

São pessoas pretensiosas, com arrogância desproporcional ao tamanho do conhecimento e, principalmente, da inteligência.

Um exemplo?O Thyer(ou Thier, sei lá o nome que a Sra. Mamãe escolheu pra ele), que tinha uma comunidade "Vida inteligente em Divinópolis".

Sujeito pegou meia dúzia de bandas e filmes alternativos ruins na seção ALLMovie/Music e já se acha o máximo por não ouvir sertanejo ou ver Spielberg. Ui.

Outro?Qualquer um do "movimento punk" (aka: pirralhada que frequentava o Dublin). Tinham até programa na Rádio, com aquele gordo que jogava Magic.

O que eu faço para "mudar a situação"?Nada. Porque é simplesmente arrogante e prepotente pensar que há algo errado com tudo.

Acha Festa da Cerveja e afins ruins? Pode ser, mas porque você e seus amiguinhos cults não experimentam trabalhar, aguentar um chefe filho da puta, uma família problemática e uma escola ruim(pública), quero dizer, por que não experimentam a vida?

Todo mundo que vai a esse tipo de festa só está cansado do dia-a-dia e quer, apenas, se divertir. Acabar com o stress. Ninguém quer que um desses cantores ganhe um Nobel por suas poesias ou coisa do gênero. Só querem se divertir.

Eu também não vou às festas, mas, mesmo tendo bagagem cultural muito mais ampla que você e seus amiguinhos, não critico quem frequenta. Porque são pessoas simples, que só querem um momentinho de descanso. Só isso.

Nada mais pretensioso do que achar que os outros não têm cultura e devem compartilhar suas preferências.

E meu cachorro é batuta mesmo. Até diploma em Publicidade ele tem, veja você.

Abraços

Cara, ninguém criticou QUEM FREQUENTA a Fenacer. Gosta? Vai! Eu mesmo ia bastante. Mas acho a festa uma bosta. Veja bem: "a festa".

Não sei qual é o seu estilo, do que você gosta, mas não importa o que é, respeito seu gosto e suas opiniões. Eu poderia até mesmo bloquear os seus comentários do meu blog, mas preferi publicar e discutir. Você, ao contrário, se fechou nos seus preconceitos e rejeita a opinião e o gosto de outras pessoas sem as conhecer. Generaliza. Não entendo porque é só uma pessoa dizer que tem gosto pra algo alternativo, sempre tem alguém dizendo que é pretensioso.

Você diz que não faz nada pra mudar a situação porque é "arrogante e prepotente pensar que há algo errado com tudo". Mas logo no parágrafo seguinte, você fala justamente sobre como a "vida de verdade" é uma merda, com todos esses problemas. Então, se a vida está, SIM, uma merda, por que não mudar as coisas? Ou pelo menos tentar?

Exemplos: O Pinguim luta e sempre lutou por uma pista de skate (e finalmente conseguiu) para as crianças passarem seu tempo com algo pra se divertir. O pessoal do hip-hop está do lado do Ponto de Cultura formando festivais e oficinas culturais (pelo menos estava, até eu me mudar). O David tem sempre um projeto novo envolvendo música e poesia (e poesia é essencial pra MUDAR COISAS). O Felipe é professor de história no Niterói, o que por si só já diz muita coisa sobre ele. O Chegado, assim como o Felipe, é um dos caras mais batalhadores que eu já conheci e está sempre lutando pra fazer os festivais do Coletivo, trazer bandas de outros países, mostras de vídeo e o caralho. Provavelmente, TODOS ELES trabalham, aguentam um chefe filho da puta, uma família problemática (quem não tem?) e passaram por escolas públicas. Pode ter certeza disso, nenhum desses é playboyzinho vindo de Integral ou Pitágoras.

ps.: não conheço o sujeito que fez essa comunidade, mas acho uma coisa bem idiota.

ps2.: a tirada do diploma em publicidade foi boa (:

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