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Overdose!

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Pois é,

Overdose de Chato:

- tem Personalidade, lá no As Aventuras da Condessa Clarissa
- tem Duna - II, lá no Ambiarte
- tem Consciência, lá no Faça a sua parte
- tem Analfabetismo, lá no Lili faz a sua parte

Não cansou? Então, pra terminar de torrar a paciência de vocês, tem esse aqui:


O ano? 1986. Só desgraças. Fiquei desempregado, o Brasil eliminado da copa (talvez a mais inesquecível para mim, em função de toda a conjuntura), a primeira das separações (a primeira a gente nunca esquece), a decisão de nunca mais ver telejornal e, do que me lembro hoje, tive que dar o gato, que acabou ficando comigo. Acho que o coitado sofreu mais do que eu com a separação, mas não tinha como ficar com ele.

As lembranças começaram a aparecer ao me deparar com uma matéria no jornal Correio do Povo (edição de 23 de março), que vi ao visitar meu atual sogro (sim, sogro(a) e mulher sempre devem ser referidos como "os atuais"). O título é "Cohn-Bendit pede aos jovens que esqueçam 1968".

Diz ele, na materia: "Meu conselho é que esqueçam maio de 1968. Por quê? Porque acabou! Foi extraordinário, mudou nossas vidas, mudamos a vida. Mas não vamos voltar ao tema eternamente."

Conversando esses dias com a minha filha, Fernanda (a Condessa ainda não está preparada para esse tipo de conversa), fiquei literalmente apavorado ao ver que a geração dela (a atual, pois tem 18 anos) não tem nada do que se recordar. Nenhum movimento político, nenhum movimento cultural, nenhuma rebeldia, nada, nada que possa fazer deles pessoas que digam mais do que ela me disse, quando perguntei se estava sentindo algo diferente, importante, por ter entrado na faculdade: "pai, não mudou nada!"

homem.gifJuntei as duas coisas e foi como se estivesse num jogo de futebol ao receber uma bolada bem ali, ali onde dói mais. Uma me diz que não tem nada do que lembrar; outro me pede para esquecer! Pra completar a dor, ela ainda me sai com essa: "pai, queria ter vivido na tua época!".

Terminei de morrer ali mesmo! Percebi o pecado que cometi ao contar para ela como havia sido a minha infância e, depois, a minha juventude. A "revolução", a Jovem Guarda, os festivais de música, ver "Pra não dizer que não falei das flores" virar hino, Monterey, Woodstock, Beatles, Roling Stones, maio de 68, Chico, Gil, Gal, Bethânia, Elis, Bossa Nova, Tropicália, Cinema Novo, a revolução feminista, a Guerra Fria, a Cortina de Ferro, a Primavera de Praga, Cream, The Who, Pink Floyd, Led Zeppelin, Yes, Hendrix, Joplin, o sonho de liberdade, calça boca-de-sino, usar cabelos compridos, ver  tanques apontando os canhões pra minha casa em Brasília, o Brasil ser eliminado da copa de 66, a Sônia - primeira grande paixão (e também a única primeira grande paixão que me lembro) -, e muito, mas muito mais mesmo.

E tudo isso desemboca na entrada na UNIVERSIDADE, na década de 70. Na década da plena vigência do AI5, do 477, do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, da abertura "lenta, gradual e segura", dos senadores biônicos (Pacote de Abril), da "Disco", da guerrilha, do "Ame-me ou deixe-me!", do "Tri", das crises do petróleo, do computador, da calculadora eletrônica,

E hoje, minha filha diz que entrar na universidade é a coisa mais normal do mundo. Algo tipo "sem graça, sabe!". E o outro me pede para esquecer! Como esquecer as duas décadas mais inesqucíveis que esse país e o mundo já tiveram? (fora, claro, as que eu não vivi)

E por que 1986? Porque está entre 1984 e 1988. Porque está entre a última genuína manifestação de uma geração e a primeira manifestação (porque nascendo) de várias gerações absolutamente inexistentes.

"Diretas Já", gritávamos pelas ruas e comícios! "Impeachment", gritou a geração seguinte, movida apenas por uma mídia interessada em exorcisar "aquilo" que tinha colocado no lugar de Presidente da República. Essa mesma mídia que tratou de pasteurizar uma geração inteira e que continua a pasteurizar as atuais.

Estamos precisando de um maio de 2008 e o tal Daniel nos pede para esquecer maio de 68. Tá certo, vou esquecer. Mas o que devo dizer para a minha filha? Que esqueça os exemplos da história? Que não tenha sonhos, pois os esquecerá, quando tiver 63 anos (Daniel é de 1945)? Que não crie ideais e lute por eles? Se esquecermos de maio de 68, é bem possível que esqueçamos, também, maio de 1945 e de tudo o que representou a IIGG.

Que péssimo exemplo, seu Daniel. Espero que não tenha educado seus filhos, ensinando-os a esquecer o próprio pai.

Imagem: http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/homem.gif


Pois é,

Quousque tandem abutere, legisladores, patientia nostra?




Vereadores da Capital reajustam os próprios salários em 19,66%

Ganhos dos parlamentares passam para mais de R$ 8,5 mil

Os vereadores de Porto Alegre aprovaram nesta tarde um reajuste de 19,66% para os próprios salários. A decisão foi tomada de forma unânime, com os 26 votos dos vereadores presentes na sessão. Dez parlamentares não compareceram.

O índice de 19,66% é equivalente aos ganhos dos servidores municipais nos últimos quatro anos. O salário dos vereadores passam de R$ 7.155 para R$ 8.561,67.

Na mesma sessão ordinária, foi aprovado, por unanimidade, o reajuste de 2,25%, para os funcionários da Câmara Municipal. O novo valor será concedido da seguinte forma: 1% a partir de 1º de maio de 2007; 0,5% a partir de 1º de janeiro de 2008; 0,25% a partir de 1º de maio de 2008; e 0,5% a partir de 1º de setembro de 2008.

Mais uma turba de palhaços a engrossar o coro. Mês passado foram os deputados da Assembléia Legislativa que se fizeram cafuné com 32% a mais no bolso. Um mês antes, recusaram um aumento para oos servidores do Judiciário, de 6,5%, que apenas repunha a inflação de três anos passados sem ver a cor do dindim aumentada, sob a alegação de que o "Estado vai mal, precisamos fazer economias...".

O pior de tudo é que, quando é para eles, o aumento é direto e recai já para a próxima folha (isso quando não é retroativo); mas, quando se trata de servidores - essa classe de palhaços que só atrapalha o país -, aí pode fazer parceladinho... Dois e meio em mais de um ano.

Seria hilário, não fosse triste. Muito triste um país em que um dos poderes tem plena liberdade de dar aumentos para si e de negar aumentos para os demais. Onde estão os freios e contrapesos? Enterrados junto com Montesquieu?

Até quando vamos aceitar que essa gente possa, a seu bel prazer, aumentar seus próprios salários sem que ninguém mais, dentre os mais de 190 milhões de habitantes desse país possa fazer algo a respeito?

Este caso se repete nos mais de 5.000 municípios, nos 26 estados e, claro, em Brasília. Nâo estava na hoa de dizer "CHEGA!"?

Noticia do ClicRBS

E não deixem de ler O Chato lá no Faça a sua parte.



Palhaços!

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Pois é,

Quousque tandem abutere, legisladores, patientia nostra?




Somos uma nação de PALHAÇOS!

A platéia, cujos integrantes se autodenominam de "agentes políticos", e que pertencem, evidentemente, aos três ditos poderes, ri às gargalhadas de nós.

Recentemente, um ministro japonês cometeu suicídio por simplesmente terem sido levantadas suspeitas. Pobre alma! Deve ter chegado no céu e perguntado a Deus por qual razão não o reencarnara brasileiro. Alem de vivo, estaria gozando e rindo de nós. Certamente na companhia da colega brasileira autora do dito que passará para a história junto com a famosa Lei de Gerson. Agora temos a Lei da Marta.

A um agente político não é dado o direito de cometer gafes. Ao menos no que se pressupõe seja um país civilizado; a um agente político não deveria ser dado o direito de renunciar quando, sobre ele, pairam suspeitas. Mais ainda quando, explicitamente, a renúncia serve para preservar direitos políticos e possibilitar um retorno triunfal.

Que se mate ou enfrente o julgamento dos pares e do povo.

Mas somos palhaços, né? Nossa única função nesse país é fazer rir a essa escumalha. E fazemos muito bem isso ao escutar a desculpa - E FICARMOS QUIETOS - de que o julgamento, se houvesse, seria político.

Somos milhões de palhaços dormindo nos aeroportos e nas ruas. MIlhões de palhaços que trabalham e pagam impostos para sustentar o salário de um cafajeste desses. Sim, o FDP sequer honra o fato de que recebeu do povo até o dia de ontem. POIS QUE DEVOLVA TUDO QUE GANHOU. Talvez sobrasse dinheiro para investir na criação de empregos para os milhões de palhaços desempregados.

Assim é fácil: vou lá, vivo bem às custas do povo e, quando me convém, renuncio!

É honesto? É inocente? Que seja! Enfrente de cara limpa e aberta o julgamento, então. Mas não! É covarde e foge! E foge porque sabe que continuaremos a rir. Afinal, somos palhaços e para isso servimos!

Minhas filhas, que certamente herdarão esse país, não merecem o sofrimento de terem que dizer do próprio pai, que foi um palhaço.

Por elas, CHEGA!

Imagem gentilmente copiada de um post da Cris, via Google



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