Pois é,
Quando comecei a digitar o título, vi que já existiam dois outros posts, a formarem uma série. Não os reli para saber se há alguma continuação. Por sinal, tenho um grave defeito: primeiro penso no título, depois escrevo. Do título derivo tudo. Ou melhor: ao pensar em determinado tema, vou tentando organizar as ideias. Um monte delas, que só tomam forma a partir do momento que escolho o título. Aí fica fácil. Basta controlar a mente para que tudo fique dentro da trilha imposta pelo título.
Há exatos 21 anos que dexei de assistir ao J@rnal N@cional. Há exatos dez anos cancelei minhas assinaturas dos jornais que lia.
E, mesmo antes da internet, vivia muito bem sem eles. Já devo ter escrito por aqui, que só fiquei sabendo do ataque ao W.. T.. C... lá pelo meio dia, quando cheguei ao trabalho.
Notícias que se não fossem dadas fariam muita falta ao bolso de muita gente, a mim não fazem falta alguma. Mas essa é justamente a função da publicidade: encher as burras de uns poucos com o pouco que muitos possuem.
Que me perdoem os amigos publicitários - e os desconhecidos também - mas esse não será um post muito agradável. Reducionista, dirão uns; generalizador, dirão outros. Não sei, Só sei é que considero a publicidade a maior estupidez humana. E viva Niccoló Machiavelli. Sua máxima, os fins justificam os meios, é o princípio basilar (redundância, eu sei) deste ramo do conhecimento humano.
Deus é pai de todos, mas é, em especial, dos publicitários, pois foi o primeiro deles ao anunciar a existência do fruto proibido. E aqui se adentra à velha questão da galinha e do ovo, tão discutida ainda hoje nos meios (lembro-me das aulas de Administração de Marketing, onde o tema já era debatido): a publicidade cria desejos ou apenas mostra onde podemos satisfazer desejos existentes?
Adão, Eva e a cobra completam o sistema que mais tarde viria a se chamar capitalismo. A cobra, fornecedora; Adão, os meios de comunicação, interessados no lucro (no caso, comer a Eva) e a Eva, coitada, já prenunciava nosso futuro de consumidores: se fudeu. Aliás, foi fodida pelo sistema: um fornecedor de maçãs, um publicitário que teve a idéia de como convencê-la e um meio para que ela passasse a desejar algo que jamais conhecera, como sendo uma necessidade a ser satisfeita.
Quem lucrou com isso - e até hoje ainda lucra? Adão, porque faturou a Eva; a cobra, porque vendeu sua maçã, e Deus, porque ficou olhando a festa (afinal, como Deus, seu prazer era mais.. digamos... platônico). Apesar de o dinheiro ainda não existir naquela época, ali mesmo nasceu o conceito de lucro. Lucraram todos, menos Eva.
É assim ate hoje, quando querem nos fazer pensar que também lucramos ao satisfazer desejos que não são nossos por natureza. Ah! Mas que seria do vermeho se todos gostassem do somente do azul? (para nós, gremistas, o mundo seria infinitamente melhor...). Essa é a desculpa que tentam nos incutir: respeito à individualidade. Na verdade, respeito ao individualismo, disfarçado de individualidade.
Esses dias, vi umadesivo na janela de um carro: "honestidade começa por você." Pensei, cá com meus botões: típica frase que jamais veremos numa propaganda comercial. E não é por ser comercial que não possa ser honesta. Claro que pode.
E é por aí que deveríamos mudar. Tarefa um tanto quanto difícil, por implicaria em convencer pessoas que passaram quatro ou cinco anos em uma faculdade sofrendo uma verdadeira lavagem cerebral. E convencer pessoas dos meios de comunicação a não venderem a alma em troca de salário.
É possível termos um sistema mais justo? Sim! E podemos continuar com a cobra e com Deus? Sim! E Adão? Também! Bastaria que Adão começasse por amainar a sua sede de prazer; que parasse de dizer "a Eva precisa disso, a Eva precisa daquilo" e realmente se preocupasse com o que a Eva quer. Talvez ele cobrasse preços mais justos. Talvez a cobra também cobrasse um preço mais justo para fornecer maçãs e, claro, o Grande Publicitário, vivesse uma vida mais adequada... e não no fausto.
Há que romper o sistema. E de todas as partes envolvidas, só há uma por onde podemos começar: pela Eva. Eva que somos!
Não fora Deus, e a cobra jamais teria convencido Adão, pois, sem vislumbrar o lucro, ele não teria perdido tempo com aquele ser estranho e diferente que estava por ali, "dando sopa!".
Produzir e querer algo em troca da sua produção é justo. Mas a pergunta que fica é: o que considero justo é o que é realmente necessário para uma vida digna ou é o que a publicidade me empurra goela abaixo?
Há quem defenda que aumentar seus próprios salários, em detrimento de outras aplicações para esse dinheiro, seja justo. Pior, há quem, mesmo não tendo seu salário aumentado, acha justo que outros se dêem esse aumento! Quem faz isso? Deus, ora! (deixando uma beirada para a cobra e para Adão, claro!).
Pobre Eva!
Imagem, daqui: http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=3345








































