Sobre a estupidez humana: março 2007 Archives

Pois é,

Sobre o caso de plágio, escancarado pela Sandra.

De inicio, um trecho (p.205) do texto "Variabilidade comportamental", de autoria de Josele Abreu-Rodrigues, publicado no livro "Análise do Comportamento - Pesquisa, Teoria e Aplicação", de Josele Abreu-Rodrigues e Michela ROdrigues Ribeiro (orgs)1(negritos meus):

"O que é um comportamento criativo? Winston e Baker (1985) apontam que o termo criatividade tem sido comumente identificadao com diversidade/variabilidade e novidade/originalidade. Esses termos, por sua vez, podem ser multiplamente definidos. Um livro técnico, por exemplo, pode conter diversidade em termos da quantidade de tópicos abordados ou da quantidade de análises diferentes apresentadas para um mesmo tópico. Pode também ser considerado original porque é diferente de tudo aquilo que o autor fez antes ou porque apresenta análises nunca antes oferecidas naquela área de conhecimento. Diante disso, qual seria a dimensão relevante para considerar este livro um exemplo de comportamento criativo? Essa questão, ainda não resolvida na literatura pertinente, aponta para o fato de que a definição de criatividade deve considerar o contexto sociocultural em que o comportamento ocorre. Assim sendo, todo trabalho criativo envolve diversidade e originalidade, mas o contrário nem sempre é verdadeiro. Winston e Baker argumentam que, para um comportamento ser considrado criativo, é necessário também que ele seja apropriado, relevante, útil ou valioso de alguma forma, dentro de uma certa cultura e em um determinado momento no tempo. Dessa forma, o livro seria um exemplo de criatividade quando, além de apresentar alguma das (ou todas as) características mencionadas, fornecesse uma contribuição efetiva para o desenvolvimento da área de conhecimento."
Bueno, o que dizer diante de uma situação como a ocorrida com a Sandra?

Eu, particularmente, desde que comecei este blog (lá no blogspot), fiz questão de colocar no "Código do Chato" o meu pensamento a esse respeito. A mim não incomoda que porventura copiem o que escrevo, citando ou não a fonte. Não me creio dono de nada, sequer de idéias.

Nem sempre foi assim. Houve tempos em que brigava por isso. Principalmente de idéias profissionais. Sempre argumentei com a famosa pergunta: "Porque todo mundo sabe que a galinha coloca ovo, mas não sabe que a pata também coloca?".

Mas há que respeitar quem pensa diferente. E a Sandra pensa! Tanto é, que faz questão de colocar, ao final dos seus posts, a observação "Texto registrado. Proibida reprodução sem prévia autorização", o que evidencia seu pensamento. Assim, não há porque desrespeitá-la.

Não por que a lei assim o determina, mas por pura questão de respeito humano. E quando desrespeitamos um ser humano, estamos sendo estúpidos; estamos propagando a estupidez humana, que dá título a essa categoria de posts que escrevo. O comportamento é anterior à lei e não, como talvez muitos pensem, condicionado pela lei. Agimos certo porque é certo agir certo e não porque temos medo da punição. Assim deveria ser, ao menos. E o que observamos, hoje em dia, é que as pessoas se esquecem disso!

Agimos por ação ou por omissão. Ao alegar, o autor do fato, que recebeu o texto de um amigo e que este lhe garantiu "não ter dono", é, no mínimo, um atentado à inteligência humana, acumulada durante milênios de evolução. Peca, esse rapaz, por ação e por omissão. Por ação, por ter aceito algo que não era seu - mesmo que "sem dono" - e, com pequenas e deliberadas alterações, publicou-o. Por omissão, porque diante de tanta tecnologia, jamais poderia ter deixado de fazer uma pesquisa, mínima que fosse, para verificar se já não existia algo semelhante publicado. Aqui sequer podemos alegar ignorância (no sentido estrito da palavra) das ferramentas , pois o mundo está aí, exposto na internet.

O que se observa, no caso - em em todos os similares de plágio, é, indiscutivelmente, uma má formação de caráter. Está na origem, na educação recebida dos pais, da família. Talvez não tenha sido educado, estimulado, quando criança, a obter resultados pelo próprio esforço e, sim, aplaudido quando "imitava" o que os outros faziam. Soe acontecer...

Ninguém está livre de cometer enganos, de escrever algo que alguém já tenha escrito. Foi-se o tempo dos "enciclopédicos"; o tempo em que as pessoas podiam conhecer tudo, ou quase tudo, o que tinha escrito no mundo. Impossível para qualquer ser humano, nos dias correntes, conhecer tudo o que está escrito. Não por outra razão é que se desenvolvem ferramentas de buscas e comparação de textos na internet.

A um ser humano que não seja estúpido, cabe a obrigação de utilizá-las, sob pena de tão somente conseguir o desprezo de todos quantos ainda podiam nele acreditar. De toda sorte, cabe-nos esperar que esse rapaz tenha aprendido com a experiência. Se assim for, ótimo! Que retorne ao convívio da blogosfera com a grandeza de quem soube admitir o erro e de pedir desculpas.

Caso contrário, que o inferno o tenha!


Artmed Editora S.A., 2005



Pois é,

Ontem viajei. E a rotina do Chato foi pro beleléu.... Cheguei depois das oito da noite em casa. E os comentarios aos comentários e as leituras foram pro beleléu... também! E agora ando correndo pra fazer dois posts. E faltam, ainda, mais dois. Que acho que vão pro... beleléu... também! A Condessa mudou de turma e seria importante esse registro. Mas como estamos próximos do fim-de-semana, aproveito e escrevo. Isso, se EU não for pro beleléu!!!

Dizem que uma das caracteristicas de ser chato é, num mesmo parágrafo, escrever uma palavra quatro vezes. Viram por que sou chato? Mas vamos ao que interessa, antes que esse post também vá pro...

Há um comentário, no entanto, que tomo como tema do post: o do Valter. Diz ele:

"(...) Êsse teu trabalho reflete na melhoria de vida dos velhinhos, pois a instituição sente-se vigiada e ainda tem o cnontato humano que vc trava com êles.(...)".

Como que num transmimento de pensação, eu proferi frase quase igual hoje, lá em Taquari. Sim, voltei a Taquari. Precisava analisar com mais vagar os detalhes do expediente investigativo. Dito assim, até me sinto um "detetive" de série americana, que sai à procura de detalhes que ninguém até então tivera capacidade para perceber. É parecido, só que sem o glamour televisivo.

Sem dúvida que nossa intenção é a preservação da instituição e, principalmente, fazer com que os mantenedores se apliquem na melhoria das condições de vida dos idosos e crianças/adolescentes. E uma das forma é fazer com que a instituição sinta-se "vigiada", permanentemente fiscalizada.

São gente séria, sem dúvida. As pessoas que compõem a mantenedora pertencem a um ramo do cristianismo do qual não há que falar uma vírgula sequer. Mas há o amadorismo no trato de certas situações. E uso a expressão "amadorismo" sem sentido pejorativo. Até porque, é um amadorismo carregado de amor.

Mas não se lida com idosos e com pessoas portadoras de necessidades especiais, além de crianças/adolescentes, com amadorismo, mesmo que calibrado com amor. Infelizmente (ou felizmente, não sei) o mundo é outro. E é um mundo que requer profissinalismo. A lei assim o exije. E a lei, não esqueçamos, é produto da sociedade; produto nosso.

O Estatuto do Idoso e o Estatuto da Criança e do Adolescente são produtos de reivindicações sociais. Não se pode ignorar, em nome do amor, as denúncias feitas por pessoas que lá trabalharam. Não se pode ignorar as denúncias feitas por adolescentes que de lá fugiram. Não uma, nem duas, mas várias vezes. Há que se analisar com a frieza da técnica e o rigor da lei.

Não podemos esquecer que a maldade humana é a ordem primeira, a natureza primordial do ser humano (quem me acompanha há bastante tempo sabe que penso assim). Muitas vezes, sob o manto da bondade, as pessoas nada mais fazem do que auferir vantagens para si e para os seus. Não nos cabe a inocência de pensar que tudo é amor; que tudo são flores.

Taquari é uma cidadezinha, com seus trinta e poucos mil habitantes, às margens do rio que lhe empresta o nome: o Rio Taquari. De origem indígena, inicialmente, e portuguesa (açoriana), posteriormente. Apegada a tradições, é conhecida por seu "Natal Açoriano". Já foi um porto próspero, antes de que alguns brasileiros vendessem nosso sistema de transporte aos americanos e transformássemos tudo em estradas asfaltadas.

Não da para dizer que seja uma cidade arborizada, no sentido urbano que damos ao termo, porque na realidade é uma cidade no meio do mato. Caminha-se algumas poucas quadras para fora da região central e entra-se diretamente na Mata Atlântica (ou o que sobra dela). É mato mesmo! Mas e somente na área urbana, pois a zona rural está tomada pela atual praga da monocultra sílvicola do eucalípto.

Na hora e meia que me foi dado pela lei para arrefecer a ânsia estomacal que, diga-se de passagem, era mais ânsia pela perspectiva da gororoba que me restaria num finzinho de mundo desses, do que pela fome em si, fiz um passeio turístico pela cidade.

Munido do espírito caminheiro que insiste tomar conta do meu ser, recusei carona e, pasmem, deixei meu carro estacionado exatamente no local onde o havia deixado quando lá cheguei. Fui a pé! Andando. Isso mesmo, podem acreditar! Um calor desgraçado, diga-se de passagem. Tão quente que o céu desabou lá pelas três da tarde.

Depois de umas duas voltas pelo centro, e já começando a suar, entrei num restaurante que observei estar cheio. A velha história: se está cheio é por que deve ser bom. Santo e inocente Chato!

E, se me dão licença, vou escrever o post do "Faça a sua parte". Vão lá, vão lá...



Pois é,

As investigações iniciais apontavam para uma situação bastante grave quanto ao tratamento que era dado aos idosos do asilo. Denúncias, inclusive, de abuso sexual contra idosas incapacitadas e trabalho escravo, pois os próprios internos seriam obrigados a trabalhar nas plantações e com o gado sem que, para isso, tivessem a contrapartida financeira. Ao contrário, uma das denúncias era de que o benefício daqueles internos que recebiam da previdência era todo tomado pela instituição, sem que nada ficasse de posse das pessoas. O Estatuto do Idoso prevê que as instituições podem ficar com o máximo de 70%.

Diante de um quadro desses, formou-se uma equipe multidisciplinar composta por dez profissionais: 1 administrador, 1 médico clínico, 1 médico psiquiatra, 1 psicólogo, 2 enfermeiros, 2 assistentes sociais, 1 engenheiro sanitarista e 1 arquiteto. Cada um atuaria na especificidade da sua área. A mim, coube a análise das questões ligadas à gestão do asilo.

A visão que tivemos ao entrar no asilo começou a mudar nosso pré conceito. A área mais de acesso público é muito bem cuidada. Linda até, diria. O local é uma fazenda com seus quase 900 hectares. Mas não é disso que vou falar hoje e, sim, de um fato ocorrido na hora de ir embora.

Sexta-feira é dia de distribuição de erva-mate, fumo e balas para aqueles que não ganham (da familia ou da prefeitura da cidade que os mandou para lá) ou que não tem como comprar (muitos, por lá, são sustentados exclusivamente pelo asilo, segundo informação do Diretor). A distribuição incia por volta das 16:00h. Os velhinhos, no entanto, começam a chegar no local a partir das duas e meia, mais ou menos. Vi porque nessa hora estava lá conversando com o Diretor. Um por um, os velhinhos iam chegando, com suas latinhas e potes, e sentando nos bancos para esperar. Alguns fumando um palheiro, feito, talvez, com o último fumo que lhes restava naquela semana.

Conversa vai, conversa vem (na realidade, quase um interrogatório que eu fazia, como parte da investigação) e começamos a tomar chimarrão. Nisso se aproxima um velhinho numa cadeira de rodas (ele não tinha uma das pernas) e começa a falar em alemão como Diretor. Claro que não entendi patavinas, mas logo percebi o que ele queria: estava com uma fotografia antiga na mão e queria que eu visse. Assim que o Diretor traduziu, peguei a foto para olhar. Enquanto olhava o alemão falava e o Diretor ia traduzindo.

Resumindo: ele queria me mostrar a foto da família e que era uma foto do tempo em que ele ainda tinha as duas pernas. Ficamos ali, eu sentado na mureta, o Diretor em pé servindo o chimarrão e o velhinho com a foto, que vez por outra me alcançava e contava tudo de novo. Carregava sempre aquela foto, não importava onde fosse.

Logo, aproxima-se de nós uma - já não digo velhinha, pois não aparentava - senhora, com visíveis ares de demência, passando a mão na barriga como se estivesse grávida. Pediu que eu passasse a mão também. Passei. E ficamos os quatro ali, vendo a foto, a outra passando a mão na barriga e falando coisas evidentemente desconexas e o Diretor, servindo chimarrão para todos, numa bela roda de chimarrão, tal qual descrevi na série anterior.

Pois bem, chegada a hora de ir embora, fui para a van e sentei no banco da porta. Deixei aberta porque ainda faltava chegar um dos colegas. Foi quando a senhora da barriga veio correndo emminha direção e, de surpresa, pegou minha mão e começou a beijar. E dizia: obrigado, obrigado...

Um tanto quanto constrangido, peguei a mão dela e coloquei entre as minhas, apertando e fazendo sinal de despedida. O colega chegou e saimos.

Mesmo que com alguns problemas (de caráter mais organizacional do que que humanos), os velhinhos estão fisicamente amparados. Tem teto, comida, assistência médica, televisão, fumo, chimarrão, balas.

Mas não tiveram, quem sabe, o mais importante: o amparo de simples gestos por parte da família. A Fernanda fez um post (que eu recomendo a leitura), onde ela, lá pelas tantas, coloca:

"Poderia até ser que ele não me reconhecesse, não me visse, nem me ouvisse, nem me respondesse, mas quem garante que ele não iria sentir a minha mão a acariciar a dele? O meu beijo na testa?"

Abandonados como se fossem mais do que dementes; como se fossem além disso, insensíveis! E nos é cômodo, como diz a Fernanda, querer que as coisas sejam assim. Já somos assim com os "sãos" que nos rodeiam diariamente - e que muitas vezes apenas nos cobram um beijo, um toque - mais fácil ainda com quem pensamos que nada sente.

Aquela senhora mostrou que um simples beijo na mão pode ser a representação de toda uma carência de vida. E se ela deu, é porque certamente sente. O insensivel ali talvez fosse eu!



84 - Triste sina

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Pois é,

Triste a sina de um povo que ainda não aprendeu a cuidar dos seus velhos e das suas crianças e adolescentes.

Inicio uma série de posts desabafo. Desabafo por uma realidade que por vezes esquecemos.

Será uma série confusa, tão confusa quanto fiquei, ou melhor, quanto ainda estou.

Hoje, sexta-feira (o post será publicado no sábado), fui visitar - na realidade, inspecionar - uma instituição que abriga crianças, adolescentes e velhos (idosos). Por razões óbvias, não vou identificar o local. Não que não merecesse a identificação, por tudo de bom que fazem, mas também por todas as falhas que cometem. E, sem dúvida, por ser assunto de trabalho, resguardado pelo sigilo.

Há que ter estômago para certas coisas. Coragem, melhor dizendo.

Há coisas lindas e maravilhosas para escrever; há coisas tristes para escrever. Há um sentimento de decepção com a humanidade; há um sentimento de esperança com as pessoas, pelo exemplo de dedicação, de carinho e de abnegação.

Confusa a série, tanto quanto ainda estou.

Sequer imagino por onde começar. Se pela barbárie das pessoas que abandonam seus velhos, quase todos dementes - um fardo que ninguém quer suportar - ou se pelas ações para que crianças e adolescentes possam ter a esperança de uma vida digna. Já não falo sequer dos velhos, pobres coitados, que estão ali sem saber que apenas aguardam a morte.

Velhos que um dia criaram e sustentaram os filhos que hoje os jogam num asilo. Trapos que não servem mais para vestir, mas um dia foram vestido de baile.

Me emociona a tristeza da realidade e me emociona o esforço de pessoas que têm a grandeza de fazer exatamente aquilo que podem fazer. Somos criticos ao ver certas condições, mas esquecemos que, muitas vezes, bem ou mal, é o que as pessoas podem fazer. E fazem de coração! Simples. Nós é que complicamos!

Duas fotos para tentar explicar sentimentos confusos:







Ao longo da semana desenvolvo o resto!

Triste sina!

E bate uma tristeza ao pensar que essas crianças que são educadas para acreditar numa "base sólida", amanhã poderão ser os velhos da foto, ou, pior ainda, poderão jogar fora os pais, como o velho da foto foi jogado!



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