Sobre a estupidez humana: dezembro 2006 Archives

Foi-se mais um...

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Pois é,

Foi-se mais um. E mesmo assim algumas pessoas não se convencem de que - bem ou mal - um dia tudo acaba. E continuam agindo como se fossem eternos. Eterna, mesmo, só a maldade humana, pois se morre um, outros tantos nascem e logo, logo, começam a por em prática uma maldade que parecem trazer de priscas eras.

E já notaram como gente ruim dura? O mal deve fazer bem para a saúde!

Seria interessante ter tempo para divagar sobre os motivos íntimos que levam certas pessoas a praticarem o mal. Tentar entender o que leva essa gente a fazer o que fizeram - e que alguns ainda fazem - contra outros seres iguais, mesmo sabendo que um dia morrerão e que tudo aquilo pelo qual aplicaram tanto mal vai-se junto com eles. Que prazer terão na outra vida, se existe uma?

Não há nenhuma diferença entre esse da foto e o assassino de um pacato empresário (post anterior): ambos são animais da pior espécie.

Pois é,


Ontem foi cometido mais um assassinato em Porto Alegre. É mais um dos tantos que se comete por esse país não sem segurança, mas sem tudo aquilo que poderia impedir a criminalidade: um mínimo de condições de vida para as pessoas.

Teria sido mais um para mim, não fosse o fato de ter sido o namorado da minha ex-mulher, a mãe da Fernanda. E de forma brutal. Estava em sua empresa quando dois assaltantes entraram para roubar o dinheiro do pagamento dos funcionários. A polícia imagina que ele possa ter feito algum movimento que os assustou. Sem a mínima cerimônia, deram um tiro na cabeça e fugiram, sem sequer levar o dinheiro. Morreu na hora. Apenas 56 anos.

Eu estava almoçando com a Fernanda. Nos encontramos para que eu pudesse lhe entregar a autorização de viagem, pois eles passariam o Natal em Punta del Este, Uruguai. Cheguei a perguntar se o Augusto iria junto, ao que a Fernanda me respondeu que achava que sim. Os pratos recém haviam sido servidos quando ela recebeu uma ligação telefônica. De pronto desabou a chorar, o que me assustou. Pensei que algo havia acontecido coma mãe dela. Assim que pode falar me disse: - mataram o Augusto, pai! Perguntei se tinham dito onde foi e fomos para lá. Os garçons devem ter ficado supresos ao ver dois pratos cheios abandonados.

Acabei saindo no jornal (foto acima, no jornal Zer@ H@ra), mesmo que de costas. Sou eu em primeiro plano, calças jeans e camisa cinza, com meus cabelos já grisalhos de tanta estupidez humana. A Fernanda, ao fundo, é a de calças jeans claras e cabelos pretos sendo abraçada por alguém.

O Augusto era um cara legal. Muito tranqüilo, por diversas vezes teve sabedoria na forma de como e quando interferir em crises que tínhamos, eu e a mãe da Fernanda. Sempre foi muito bom para a Fernanda, que o adorava.

Ele não merecia isso. Nenhum de nós merece isso!

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