Sobre a estupidez humana: dezembro 2005 Archives

Ainda o Congresso

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Pois é,

"Confira a lista dos que já renunciaram ao extra:

Câmara:
» Orlando Fantazzini (Psol-SP)
» Dr. Rosinha (PT-PR)
» Walter Pinheiro (PT-BA)
» Linconl Portela (PL-MG)
» Mauro Passos (PT-SC)
» Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ)
» Luciano Zica (PT-SP)
» Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP)
» Paulo Rubem Santiago (PT-PE)
» Orlando Desconsi (PT-RS)
» Chico Alencar (Psol-RJ)
» Armando Monteiro (PTB-PE)
» José Chaves (PTB-PE)
» José Múcio Monteiro (PTB-PE)
» Íris Simões (PTB-PR)
» Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP)
» Gustavo Fruet (PSDB-PR)
» Henrique Fontana (PT-RS)
» Tarcísio Zimermman (PT-RS)
» Carlos Sampaio (PSDB-SP)
» Maurício Rands (PT-PE)
» Nelson Proença (PPS-RS)
» Luciana Genro (Psol-RS)
» Raul Jungmann (PPS-PE)
» Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP)

Senado
» Serys Slhessarenko (PT-MT)
» Pedro Simon (PMDB-RS)
» Cristovam Buarque (PDT-DF)
» Eduardo Suplicy (PT-SP) "

O seu deputad@ está aí? A minha está. Menos mal. Por que se a Luciana Genro não tivesse renunciado ao extra, certamente o país perderia um voto nas eleições do ano que vem. Infelizmente um dos senadores que ajudei a eleger ainda não renunciou. Tadinho do Paulo Paim. Se não renunciar, anulo meu voto para o senado. O outro está na lista, Pedro Simon. Mas esse, sempre foi homem íntegro.

Essa e tantas outras safadezas um dia têm que acabar!

Pois é,

"Congresso fica vazio no 11º dia de convocação extra

O Congresso Nacional, no seu 11º dia de convocação extraordinária, não registrou a presença de nenhum deputado ou senador. Apenas turistas e operários movimentaram a segunda-feira na Câmara dos Deputados. Com a aprovação da convocação extra, cada parlamentar vai receber oito salários de R$ 12.842,20 em três meses.

A convocação extraordinária custará R$ 95 milhões aos cofres públicos. Para o mês de trabalho - 16 de janeiro a 14 de fevereiro -, a pauta da Câmara prevê a apreciação de 65 matérias. Até agora, os parlamentares só aprovaram um relatório parcial da CPI dos Correios e uma verba adicional para o governo." (Fonte: Terra)

Bons tempos quando isso dava revolução e arrancavam fora a cabeça desses marginais!

Pois é,

Se ainda não leu, leia, antes, o post de ontem.

4. "A divisão do produto do trabalho entre salários e lucros foi determinada na luta entre trabalhadores e capitalistas para determinar qual seria o salário:

'O salário comumente pago pelo trabalho depende, sempre, do contrato que é feito entre as duas partes, cujos interesses não são, de modo algum, os mesmos. Os trabalhadores querem ganhar o máximo e os patrões querem pagar o mínimo possível. Aqueles se dispõem a juntar-se, para elevar os salários, e os patrões a juntar-se, para diminuir os salários pagos pelo trabalho.' (Smith)

Mas esta luta não era, de forma alguma, uma luta entre iguais. Smith não tinha dúvida alguma de que os capitalistas eram a classe mais poderosa e dominante neste conflito. O trecho que se segue, citado em toda a sua extensão, mostra que Smith identificava três fontes do poder dos capitalistas para dominar os trabalhadores. Sua maior riqueza permitia que eles esperassem mais tempo nas disputas industriais; eles podiam manipular e controlar a opinião pública e tinham a vantagem inestimável de contar com o apoio do Governo (que - lembramos uma vez mais - "tinha sido instituído para defender os ricos dos pobres"):

'Não é, porém, difícil prever qual das partes leva, em todas as ocasiões comuns, vantagem na disputa e obriga a outra a aceitar seus termos. Os patrões, em menor número, podem juntar-se com muito mais facilidade; a lei, por outro lado, autoriza ou, pelo menos, não proíbe estes conluios, ao passo que proíbe os dos trabalhadores. O Legislativo não toma medidas contra o conluio para baixar o preço do trabalho, mas tem muitas medidas contra o conluio para aumentá-lo. Em todas estas disputas, os patrões podem esperar muito mais tempo. Um proprietário de terras, um fazendeiro, um patrão industrial ou um comerciante, mesmo sem empregar um único operário, poderia, em geral, viver um ano ou dois do capital que já tivesse acumulado. Muitos trabalhadores não conseguiriam subsistir uma semana; poucos poderiam subsistir um mês e talvez nenhum conseguisse ficar um ano sem emprego... Os patrões estão sempre, e em toda parte, numa espécie de conluio tático, porém constante e uniforme, para não elevar os salários pagos pelo trabalho... Na verdade, raramente ouvimos falar destas combinações, porque elas são o estado comum e natural das coisas, do qual ninguém ouve falar. Os patrões também fazem, às vezes, combinações particulares para baixar mais ainda os salários pagos pelo trabalho. Estas são sempre feitas sob o maior silêncio e o maior segredo, até a hora de serem postas em prática, e, quando os trabalhadores cedem, como às vezes ocorre, sem resistência - embora gravemente prejudicados - elas nunca chegam ao conhecimento de outras pessoas. Essas combinações, porém, sofrem, freqüentemente, a risistência de uma combinação defensiva e contrária dos trabalhadores... Mas... suas combinações... são sempre muito comentadas... Os patrões, nestas ocasiões, também reclamam muito do outro lado e nuncam deixam de clamar pela ajuda do magistrado civil e de pedir o cumprimento rigoroso das leis aprovadas com tanta severidade contra as combinações de empregados, trabalhadores e tarefeiros.'

Assim, Smith via que o poder dos capitalistas advinha de várias fontes inter-relacionadas: sua riqueza, sua capacidade de influenciar a opinião pública e seu controle do Governo."

5. É incrível a atualidade desses escritos ainda hoje. Pensem nisso (talvez muitos não tenham lido Adam Smith)! A mídia só alardeia movimentos dos trabalhadores. Alguém já viu a Globo, ou similares, noticiar movimentos empresariais? No entanto eles acontecem!

6. Quando se fala que no Brasil ainda temos um "capitalismo selvagem", é pelo fato de ainda "funcionarmos" segundo o pensamento de 230 anos atrás. Nada mudou, por aqui, de lá para cá.

7. Repito: ainda tem gente que acredita nisso mesmo sem ser "industrial". Pensa que é "neo" quando, na verdade, defende idéias já perfeitamente analisadas há 230 anos.

8. O que é nosso país hoje? Mídia ("capacidade de influencia a opinião pública") nas mãos deles; Legislativo, Judiciário e Governo nas mãos deles.

Continua...

Dá pra agüentar?

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Pois é,

Em 1776, Adam Smith publica seu An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, mais conhecido como A Riqueza das Nações. Smith torna-se, a partir daí, o marco referencial teórico do que é conhecido, entre nós, como liberalismo econômico. O capitalismo, como sistema econômico, já existia em suas formas preliminares. Isso, e o que veio depois, é história e está nos livros e qualquer google nos ajuda a escrever.

Só para recordar, Smith escreveu:

"Todo indivíduo que emprega seu capital na promoção da indústria interna esforça-se para que o produto desta indústria tenha o maior valor possível.

O produto da indústria é o que ela adiciona às matérias-primas por ela adicionadas. Na medida em que o valor deste produto seja grande ou pequeno, os lucros do empregador serão grande ou pequenos, mas é apenas visando o lucro que alguém emprega um capital na indústria, e, portanto, ele sempre se esforçará para empregá-lo na indústria cujo produto tenha probabilidade de ter o maior valor ou de poder de ser trocado pela maior quantidade de moeda ou de outros bens.

A receita anual de toda a sociedade, porém, é sempre precisamente igual ao valor de troca de todo o produto anual da indústria... Portanto, quando todo indivíduo se esforça o mais que pode, não só para empregar seu capital na indústria interna, como também para que seu produto tenha o maior valor possível, trabalha, necessariamente, no sentido de aumentar o máximo possível a renda anual da sociedade. Na verdade, ele geralmente não pretende promover o interesse público, nem sabe até que ponto o está promovendo. Preferindo aplicar na indústria interna, e não na externa, só está visando à sua própria segurança, dirigindo a indústria de tal maneira que seu produto possa ter o maior valor possível, só está querendo promover seu próprio interesse e está, neste e em muitos outros casos, sendo levado por uma "mão invisível" a promover um fim que não fazia parte de suas intenções. Do mesmo modo, nem sempre é pior para a sociedade que não tenha sido esta a sua intenção. Cuidando do seu próprio interesse, o indivíduo, quase sempre, promove o interesse da sociedade mais eficientemente do que quando realmente deseja promovê-lo."

Alguns pontos merecem destaque, por ora:

1. Passados duzentos e trinta anos (2006 - 1776), os que se auto denominam de neo-liberais ainda defendem a mesma idéia. O mundo terá dado, ao final de 2006, exatamente 83.950 voltas ao redor do seu próprio eixo e andado alguns milhões de quilômetros em direção à constelação de Hércules, acompanhando o Sol, e, no entanto, essa gente continua com seu umbigo parado em 1776;

2. Muitos, por sinal a maioria, dos neo-liberais não passam de empregados dos capitalistas. Isso, ao fim e ao cabo, não passa de um reles masoquismo. "Acho bonito ser explorado. Nasci para isso! É justo que eu trabalhe toda a vida para sustentar a felicidade do dono do capital que me sustenta!". É gente que acredita na frase destacada em azul;

3. Que os capitalistas (mas só os donos do capital, viu? Não os palhaços que defendem a própria miséria) continuem acreditando nisso, vá lá. Por sinal é só o que eles querem, o deles ("só está querendo promover seu próprio interesse");

Continua...

De repente!

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Pois é,

- O que é isso, Afonso?
- Livros, Kaya.
- De quê?
- São livros que um dia foram sonhos e alegrias e hoje transformaram-se em livros de tristeza.
- Como assim?
- Vês, aqui, essas marcações em verde? Pois um dia, significaram a luta de uma pessoa. Foram o desejo de uma profissão. Era o esforço para alcançar um sonho. Não são apenas letras e palavras, são as ausências da vida em prol de outra vida.
- E o que fazes com eles aqui?
- Eles são a coragem do abandono, a coragem do desapego. De quem percebeu que desenvolver-se pode ser lido como (des)envolver-se, isto é, deixar de estar envolvido com um estágio da vida para envolver-se noutro. De quem sabe que as conquistas mais importantes são as pessoais e não as materiais.
- E por que representam, agora, a tristeza?
- Porque o mundo nos surpreende, nos testa. Porque sonhamos num dia para acordar, no outro, abraçados por um pesadelo. E não entendemos. E não entender transforma a nossa dor, faz doer no peito, sufoca, dilacera nossa razão que busca uma explicação e não encontra! E nos traz o vazio para preencher o que antes estava cheio. E o vazio dói. Dói mais que a dor mais doída, porque é dor que parece sem fim.
- E o que tens a ver com isso?
- Caminhos. Quaisquer, sejam reais ou virtuais. Caminhos de pessoas que olham o mundo com olhos de esperança, com olhos de vida.
- E o que vais fazer com os livros?
- Não são livros. É uma pessoa. São as marcas do que ela considerava importante. São marcas de alegria e de tristeza. E essas a gente guarda no coração.

Pois é,

Vire e mexe e sou obrigado a falar na maldade humana.

"Norte-americana coloca filho em máquina de secar roupas
Bebê de três meses morreu com queimaduras e traumatismo craniano

Uma mulher de 18 anos do Estado da Lousiana, nos Estados Unidos, foi acusada hoje de assassinato com agravantes por ter colocado seu filho de três meses em uma secadora de roupas. O bebê morreu com queimaduras de terceiro grau em 50% do corpo e por traumatismos por golpes na cabeça, informou a Justiça.

Segundo a polícia, Lakeisha Adams telefonou para as autoridades locais ontem para informar que havia matado seu filho. Ao chegarem no local, encontraram a criança sobre o sofá, já morto. Em depoimento, Lakeisha admitiu que colocou o neném na secadora e logo depois a ligou, sem dizer o motivo. A mulher tem um outro filho, de um ano, que foi colocada sob a custódia do Estado.

Lakeisha Adams pode ser condenada à morte por injeção letal, caso seja considerada culpada."1

Deconsidere-se o descuido da redação com o português, coisa que não deveria acontecer num site jornalístico.

Era, e ainda é, muito comum colocar as crianças dentro do forno para tentar matá-las por envenenamento com o gás. Mas essa de "secar" a criança, pra mim é nova.

Certamente a defesa alegará estado puerperal para salvar a menina da pena de morte. Não sei como é lá nos EUA, mas aqui no Brasil o infanticício é previsto no Código Penal como: "matar, sob influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após." Há inúmeras discussões a respeito do que seja "logo após".

De qualquer forma, doença ou não, é uma estupidez fazer isso com uma criança de três meses. Mas será que a pena de morte resolve?

De tempos em tempos mudo minha opinião sobre a pena de morte. Ora a favor, ora contra. Ando numa fase contra. Talvez fosse melhor a prisão perpétua. Sei lá, pode ser que sofrer pelo resto da vida seja mais produtivo como compensação pelo crime cometido. Depois de morta, a pessoa não está nem aí pro que fez.

1Fonte: http://www.clicrbs.com.br/ em 07/12/2005.

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