Pois é,
Estamos acostumados a chamar de preconceito qualquer idéia formada sobre algo, sem que tenhamos conhecimento desse algo.
"A palavra “preconceito” tem como significado uma opinião ou um conceito formados por antecipação, geralmente com precipitação, destituídos de análise mais profunda ou conhecimento de determinado assunto, sem levar em consideração suficientes argumentos contrários e favoráveis, sem o devido cotejo entre os múltiplos aspectos que incidem sobre os fatos, por conseguinte, sem a suficiente e necessária reflexão."1
Dizer que não gosta de Toddy porque prefere Nescau, sem mesmo ter conhecido Toddy, não é preconceito contra o Toddy. Não somos obrigados a experimentar de tudo para, então, escolhermos aquilo de vamos gostar. Podemos gostar de algo e passarmos o resto da vida apenas com aquele algo, sem que isso seja preconceito com os similares.
Preconceito é algo que não existe. O que existe são pós-conceitos. Explico.
Ninguém forma conceitos por conta própria. Os conceitos nos são ensinados. Nascemos e vamos crescendo sem conceito algum. Os primeiros a nos trasmitir conceitos são nossos pais, e aqui as mulheres exercem papel de protagonistas, notadamente as mães. E se não temos conceitos, tudo o que vier após, são pós-conceitos.
Há um momento, no desenvolvimento humano, em que o bebê realiza uma identificação com a pessoa do mesmo sexo que está próxima (pai, mãe, avó, avô, etc.). Até aí tudo bem. O problema começa na fase seguinte, quando a criança se des-identifica e, com a identificação gerada, passa a disputar a relação com o sexo oposto dentro da familia. Uma questão de modelo. O menino cria a identidade masculina pelo modelo do pai. Depois, com o modelo estabelecido, vai disputar a mãe.
Aí tem início o processo de formação dos conceitos.Na chamada fase "fálica" ou "genital", as crianças sequer imaginam o que seja sexo. Mexem em si mesmas tão somente pelo prazer que isso lhes proporciona. Os pais, no entanto, estabelecem o primeiro conceito: meninas não podem sentar no colo do pai e meninos não podem roçar nas pernas da mãe: é sexo, dizem.
A partir desse momento, os pais - e, repito, notadamente as mães - começam a formar o conjunto de conceitos que levaremos para o resto da vida. Quando, ao final da infância e início da adolescência, tomamos contato com o sexo, não mais como mero prazer próprio, mas como descoberta do outro, já estamos com nossos conceitos formados. O que vier daí sempre será PÓS-CONCEITO.
Podemos ter pênis, mas não podemos ser gentis, carinhos, suaves, amorosos, delicados. Esse é o "papel" reservado a quem tem vagina. Meninos "dão porrada!". Se não derem, serão viados. O mesmo, no outro sentido, vale para as meninas.
Está na hora de des-confundirem sexo de gênero. Masculinidade, ou feminilidade, não tem nada a ver com sexualidade. O grande problema é que as próprias pessoas adoram fazer barulho com essa confusão. O dia que homens homossexuais pararem de desmunhecar; pararem de agirem com se mulheres fossem e simplesmente optarem por uma relação homoafetiva e não "homoafetada", pode ser que a sociedade os aceite com naturalidade.
Homosessuais deveriam lutar não contra "preconceitos" mas, sim, contra manifestações que sempre os associaram ao "ser mulher", ou ao "ser homem".
Sejam homens, sejam mulheres. Depois escolham suas preferências sexuais.
Só o sistema muda o sistema.
1www.dhnet.org.br/oficinas/scdh/parte1/conceitos/preconceito.html
Primeira foto: www.cadaumdaoquetem.blogger.com.br
Segunda foto: diferentblog.blogs.sapo.pt