Sobre a estupidez humana: setembro 2005 Archives

Pois é,

Vamos deixar uma coisa bem clara, pela primeira, única e última vez: o Chato só tem orgasmos com a dona dos olhos que brilham. Não vou, nunca, entrar em discussões bloguísticas estéreis. Tenho mais o que fazer na vida do que dar trela pra vagabundo; do que ficar me masturbando respondendo a provocações de gente (se é que pode chamar de gente) que se cair de quatro não levanta mais.

Aqui deleto sumariamente o imbecil esférico1 que postar comentários que eu não goste. SEJA DE QUE NATUREZA FOR. Se não gostar, deleto. E sem conversa. A tua mãe deveria ter te abortado, infeliz. Teria poupado a atmosfera desse ar podre que teus pulmões exalam, seu excremento humano. Aliás, nem para adubo serves, seu merda! Aqui quem manda sou eu. Se quiser tiro o blog do ar e quem vai ficar "no ar" és tu, sem ter onde despejar essa massa informe e esverdeada que deves ter dentro do crânio.


Heheheh, se até as Forças Armadas treinam em tempos de paz, porque o Chato não poderia também? Vá que alguém, nesses tempos de briguinhas internáuticas, resolva invadir a minha caixa de comentários. Com esse exercício acho que estarei bem preparado.

Vejo-me obrigado a fazer um post escriptum após os 10 primeiros comentários: PESSOAL, ESSE POST FOI APENAS UMA BRINCADEIRA. Tá escrito logo após a imagem que é um exercício apenas. É uma suposição. A expressão "Vá que alguém..." demonstra claramente que ainda não houve o suposto ataque. Estava apenas fazendo um exercício.

Não ficou claro que era uma brincadeira? Putz, magoei. Acabo de descobrir que, das duas uma: ou não sei brincar, ou escrevi tão bem que vocês acabaram acreditando, heheheh.

1Imbecil esférico é aquele imbecil que, por qualquer ângulo que seja olhado, sempre será um imbecil.
imagem furtada de "www.rafa_the_unic.blogger.com.br/".



Aborto

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Pois é,

Este post vai parecer radical, e é.

Começo com uma pequena, porém importante, classificação: existem duas maneiras de se falar em aborto: tendo experimentado o aborto ou fazendo elucubrações mentais.

Dentre os que fazem masturbação, ops, elocubrações mentais, temos duas categorias: os que se agarram em conceitos religiosos e os que se agarram em conceitos científicos, sendo que a diferença entre eles resume-se a definir quando começa a vida ou a quem pertence a vida. Há, ainda, uma subcategoria, a qual sequer vou me referenciar mais do que essa frase já escrita: os políticos. Desconsidero por completo a opinião de QUALQUER POLÍTICO QUE SEJA, a menos que fale em nome de uma experiência própria e, aí, estará falando como pessoa.

Dentre os que têm ou tiveram experiência, devemos destacar os profissionais de saúde. Eles sabem, em boa parte, do que falam, quando falam sobre aborto. Sobram, finalmente, aqueles que SOFREM o aborto. Esses, e somente esses, para mim, são os que podem realmente falar sobre o aborto.

Aos que criticarem esse pensamento, achando que é possível falar de algo que NÃO CONHECEM E NÃO SABEM O QUE É, só digo uma coisa: nada, mas ABSOLUTAMENTE NADA do que disserem será válido diante da opinião que teriam, caso tivessem passado pela experiência.

Aos que usam argumentos religiosos (e aqui é importante fazer uma pequena diferença entre religiosos udi-grudi e pessoas de bom senso), digo logo (e pra encerrar o assunto com eles): se algo vai contra a lei de Deus, DEIXEM QUE DEUS JULGUE. E pronto. Não queiram transformar julgamentos humanos em divinos. Não usem o santo nome de Deus em vão! Não atribuam a ele pensamentos e morais pessoais, no mais das vezes pura hipocrisia.

Aos que se agarram ao Direito como base da sua defesa contra o aborto, afirmando ser crime, vamos deixar bem claro: o aborto legal existe, restrito ou não, mas EXISTE. Assim, a questão não é ser contra ou a favor: é de em quais casos aceitar ou não. É PURA HIPOCRISIA declarar-se contra o aborto mas aceitá-lo em alguns casos e em outros não. É o mesmo caso de se dizer que não existe pena de morte no Brasil. EXISTE E ESTÁ LÁ NA CONSTITUIÇÃO. Por hora, apenas num caso restrito. Mas quem garante que amanhã não ampliam os casos passíveis? Isso só será possível porque a pena de morte e o aborto FAZEM PARTE, SIM, DA CULTURA brasileira. Repito: é hipocrisia e mais um exemplo da ESTUPIDEZ HUMANA pensar que restringir é não existir.

Postas as condições, sigo.

Quem nunca experimentou um aborto JAMAIS saberá o que se passa no período que vai da descoberta da gravidez até o momento da decisão de fazer o aborto. É muito mais do que pensar em tirar "uma vida". A luta contra a moralidade imposta pode, na maioria das situações, significar a destruição de uma vida já existente. Exceções, que porventura confirmem a regra, existem. Pessoas há que não pensam duas vezes antes de "passar a faca" na besteira que fizeram. São a minoria. A maioria é constituída - quer queiramos ou não - de gente sem instrução, educação e alimentação suficiente para SABER o que está fazendo quando realiza seus instintos. Por essa razão é que não adianta usar o fácil argumento de que prevenir é fácil, de que tudo hoje em dia está disponível e de graça. ESQUECEM-SE, os defensores dessa tese, da ignorância e da miséria em que vivem mais de 50 milhões de brasileiros. Esquecem-se de que é muito fácil falar sem NUNCA ter pisado numa vila, numa favela.

Outra parcela, talvez um pouco maior, tem consciência do risco que corre ao transar sem as mínimas precauções, mas aí entram dois aspectos: acidente ou ignorância (ignorância, aqui, no sentido pejorativo, de mau caráter, de gente que está pouco se lixando para o que pode acontecer - homem e mulher, diga-se de passagem).

Tirando as exceções, a imensa maioria vê-se diante de uma situação que mudará suas vidas para sempre. E talvez isso seja muito mais importante do que "retirar" algo que sequer sabem se é vida ou não.

São dez, quinze, por vezes vinte dias em que as vidas envolvidas - homem e mulher - são sopesadas, pensadas, avaliadas. É puro sofrimento. Não pensem os masturbólogos que abortar seja uma decisão como escolher entre pepsi ou coca cola. Não imaginem que ver o sofrimento de uma mulher ao ter que tomar a decisão ou não pensem que manter-se consciente de que a decisão somente cabe a ela, seja fácil. E nisso não há diferença entre ricos e pobres: fazer aborto com algum açougueiro ou numa clínica chique, dá no mesmo em termos psicológicos. E mais, existem as famílias envolvidas, pois são muitos os casos em que os familiares acabam sabendo.

Aí reside a questão da descriminalização do aborto: provendo condições de minimizar os riscos físicos, teríamos melhores condições de dar assistência psicológica para homens e mulheres que o praticam. Aqui há um aspecto a diferenciar: homens participam, sim, do processo. Embora possam representar um número pequeno, muitos homens acompanham e NÃO APENAS PAGANDO, mas sofrendo junto.

Outro ponto - e certamente o mais importante - é que, QUER QUEIRAM OU NÃO os masturbóides de plantão, aborto É UMA DECISÃO DA MULHER. Os homens podem opinar e sofrer, mas é o corpo e a mente da mulher que estão envolvidos, E SÓ! O resto? Bem, o resto é querer aparecer dando uma de "entendido" no assunto.

Se alguém nesse país entende e respeita o significado da "dignidade da pessoa humana", há de querer a descriminalização do aborto. A sociedade deve dar amparo físico e psicológico para que as pessoas possam tomar decisões como essa, de abortar ou não. Sem que isso seja crime definido por um bando de hipócritas.

Façam aborto, depois venham conversar comigo sobre se isso é crime!



Pois é,

Onde está o poder da televisão?
ou
de como certas pessoas ainda insistem em dizer que TV é bom.

Isso é reflexo da estupidez humana. E é assim é que se faz a cabeça de um povo: deixa-o na ignorância (ver notícia a seguir) e enfia-lhe novelas e telejornais que cospem sangue e programas de auditório conduzidos por gente que sequer vergonha na cara tem, porque se tivesse jamais colocaria a cara na tv. Entope a cabeça com propagandas que só fazem aumentar o nível de frustração de um país cuja população possui 40% do seu povo vivendo abaixo do nível de miséria. Só faz aumentar a violência. A programação infantil é absolutamente violenta e induz às crianças a encararem a violência como coisa normal, natural. Afinal, vêem todos os dias isso na televisão.

Mais, um país que ocupa a vergonhosa 9ª colocação, entre os onze países da América Latina, na taxa de mortalidade infantil, só perdendo para Bolívia e Guiana. No Brasil, de cada 1000 nascidos vivos, 33 morrem antes de completar 1 ano e 35 antes de completar 5 anos (site da UNICEF www.unicef.org/brazil/).

Este é o povo que elege seus representantes. Como exigir de um povo, ignorante e esfomeado, que saiba punir os corruptos? Que saiba escolher seus representantes? E tem gente que ainda defende a anulação do voto, como se isso fosse resolver o problema!!! De que adianta, cara pálida, anular o voto? Sabem quantas pessoas são capazes, nesse país, de entender um mínimo que seja do que estão lendo? Sabem quantas pessoas, nesse país, são capazes de ler?

Ignorância, miséria e mortalidade. Esse é o retrato do Brasil. O poior cego é aquele que não quer ver, diz o ditado. Enquanto não pararmos de nos enganar achando que o Brasil é maravilhoso jamais esse país será um bom país para seu povo. Maravilhoso pra quem, cara pálida? Para os APENAS 26% que sabem ler e entender o que leem? E O RESTO, cara pálida? Faz o quê?

Um país que tem mais ONGs cuidando de crianças abandonadas do que o número de crianças abandonadas e, MESMO ASSIM, as crinças continuam abandonadas nas ruas. Como se explica isso? Um país de empresários que reclamam dos impostos quando na realidade não são eles que pagam os grandes impostos que oneram o povo (IR e ICMS), não pode ser sério. Um país cujo governo descaradamente desvia recursos da sáude e da educação para propósitos no mais das vezes escusos e escondidos em rubricas orçamentárias genéricas, não pode ser sério. Um país onde 66% dos analfabetos e 57% dos alfabetizados em nível rudimentar são negros, pode dizer se si que é um país que libertou seus escravos e que não é um país racista?

Pra quem duvidar, continue lendo a barbaridade que segue:

O Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa divulgaram, recentemente, o V INAF - Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (íntegra do relatório em pdf).

Segundo a UNESCO, "é considerada alfabetizada funcional a pessoa capaz de utilizar a leitura e escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e usar essas habilidades para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Pelo critério adotado, são analfabetas funcionais as pessoas com menos de 4 anos de escolaridade".

O relatório explica por que realizar uma pesquisa sobre esse tema:

"A iniciativa de fazer um levantamento nacional sobre o alfabetismo dos jovens e adultos é inédita no Brasil. Seu objetivo é gerar informações que ajudem a dimensionar e compreender o problema, fomentem o debate público sobre ele e orientem a formulação de políticas educacionais e propostas pedagógicas.

· Quais são as habilidades de leitura e escrita exigidas na vida cotidiana, no universo do trabalho e da participação social e política?

· Quantos anos de escolaridade e que tipo de ação educacional garantem níveis satisfatórios de alfabetismo?

· Que outras condições favorecem o desenvolvimento de tais habilidades ao longo da vida?

· Que subgrupos da população encontram-se em desvantagem e mereceriam atenção especial?

· Quais seriam as melhores estratégias para elevar as condições de alfabetismo da população?

Respostas a perguntas como essas podem orientar políticas, currículos e metodologias de ensino da educação básica. São úteis também para o desenho de políticas de educação continuada que garantam oportunidades de auto-desenvolvimento e qualificação profissional a todos os cidadãos".

Os resultados apontam para uma situação estarrecedora:


Analfabetos

No grupo dos que, segundo o INAF, estão na condição de analfabetismo, a maioria é do sexo masculino (64%), tem mais de 35 anos (77%) e pertence às classes D e E (81%). Uma boa parte deles não está ocupada (41%) e, entre os ocupados, 41% trabalham na agricultura. Parte deles (22%) não chegou a completar nem um ano de escolaridade, mas 60% completaram de um a três anos de estudo. A desigualdade no acesso a oportunidades educacionais resulta numa distribuição desigual do analfabetismo entre negros e brancos: entre os analfabetos, 66% se declaram negros enquanto 28% se declaram brancos.
Outros dados relevantes sobre o perfil desse grupo são:

· 50% não recebem correspondência em casa;
· 38% verificam data de vencimento de produtos e lêem bula de remédio;
· 86% nunca vão ao cinema, mas 33% vão às vezes a shows e/ou espetáculos;
· 28% têm biblioteca pública a uma pequena distância (possível percorrer a pé) de casa ou do trabalho;
· 19% “lêem” algo do jornal e 12% algum tipo de revista;
· Não usam computador.

Alfabetização - Nível Rudimentar

Nesse grupo, há uma participação semelhante de homens e mulheres. Em relação aos analfabetos, aumenta a proporção entre 15 e 34 anos, passando de 23% para 39% do grupo. Quase um terço pertence à classe C e 64% às classes D e E. A taxa de ocupação desse grupo é próxima a do conjunto da população: 63%. A maior parte deles (49%) tem de 4 a 7 anos de estudo e 33% menos de três; 57% são negros, 39% brancos, 4% indígenas ou amarelos. Além disso:

· 47% recebem cartas e/ou cobranças em casa;
· 67% verificam data de vencimento e 77% lêem bula de remédio;
· 20%vão ao cinema e 43%vão a shows e/ou espetáculos;
· 41% têm biblioteca a uma distância pequena de casa ou do trabalho;
· 52% lêem alguma parte dos jornais e 48% algum tipo de revista;
· Somente 6% usam computador.

Essas pessoas só conseguem resolver as questões mais simples do teste.

Alfabetizados - Nível Básico

Nesse grupo, a participação das mulheres é um pouco maior que a dos homens (53% contra 47%). Também estão concentrados nas classes C (40%), D e E (45%) e a maior parcela (40%) tem de 4 a 7 anos de estudo. Outros dados a respeito desse grupo:

· 57% recebem cartas e/ou cobranças em casa;
· 41% vão ao cinema e 66% vão a shows e/ou espetáculos;
· 46% têm biblioteca a uma distância pequena de casa ou do trabalho;
· 72% lêem alguma parte dos jornais e 67% algum tipo de revista;
· 23% usam computador.

Que tarefas de leitura essas pessoas mostraram que conseguem realizar com facilidade? Por exemplo, num dos itens do teste, há uma notícia que informa que morreram num deslizamento a engenheira Maria Araújo, a médica Lucia Penteado e sua filha Alice. Ao ler a notícia, uma grande maioria dessas pessoas respondem corretamente à pergunta: Quantas pessoas morreram no acidente? Nas perguntas mais difíceis, a probabilidade deles acertarem é pequena.

Alfabetizados Nível Pleno

Como as mulheres têm, em geral, mais escolaridade que os homens, elas são maioria nesse grupo (53% contra 47%). Pelo mesmo motivo, também predominam aqui os mais jovens: 70% têm até 34 anos. Mais de um terço do grupo pertence às classes A e B e 41% à classe C. A maioria (60%) têm pelo menos o ensino médio completo, outros 25% têm de 8 a 10 anos de estudo, ou seja, no mínimo completaram o ensino fundamental. Além disso:

· 67% recebem cartas e/ou cobranças em casa e 53% recebem correspondência de banco;
· 64% vão ao cinema e 77% vão a shows e/ou espetáculos;
· 54% têm biblioteca a uma distância pequena de casa ou do trabalho;
· 83% lêem alguma parte dos jornais e 84% algum tipo de revista;
· 54% usam computador.

As pessoas nesse grupo conseguem realizar corretamente a maioria das questões do teste. Conseguem, por exemplo, localizar informações que constam de um documento para preencher um formulário. Comparando as resenhas de filmes da programação de TV, sabem reconhecer qual filme tem o comentário menos favorável. Conseguem buscar e relacionar vários itens de informação em textos mais longos, por exemplo, uma matéria de página dupla que descreve a anatomia e os hábitos da onça pintada".

Mais,

"A escolaridade da população brasileira refletida pelo INAF revela essa grande dívida educacional do Brasil: entre os brasileiros de 14 a 64 anos, só 47% chegaram a completar a 8ª série do ensino fundamental. Isso quer dizer que 63% não têm o nível escolar mínimo que a Constituição afirma ser direito de todos os cidadãos".

Sem dúvida que o relatório não poderia terminar de outra forma:

"O INAF perguntou aos entrevistados quais fontes eles mais utilizam para se informar sobre assuntos da atualidade. A televisão e o rádio confirmam ser as fontes mais populares, que atingem também os que têm nível de alfabetização mais baixo".

Ligar "A" e "B" agora é fácil. Com o nível de instrução existente e sendo a tv o meio mais utilizado para se informar e sendo esse meio o que é nesse país... chega-se a perfeita conclusão... E nós, aqui na blogosfera, por vezes discutindo tanta bobagem... é bom ler todo o relatório. Tem outras informações muito interessantes.



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