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Pois é,

pedras.jpgNão conheço e nunca vi mais gordo ou mais magro. Ainda bem!

Antes, abro uma exceção para a possibilidade desse sujeito ter escrito isso de forma irônica, imbuído da vontade de "levantar" a lebre do assunto. Fora isso, não resta dúvida de que deveria ser banido do mundo. Mantido preso nessas prisões estelares das obras de ficção científica. Eternamente, para nunca mas  voltar a por os pés na Terra. Essa mesma Terra que ele acredita "gozar de plena saúde". E que leve junto uma assinatura, também eterna, do jornal que se digna a publicá-lo!

Por sorte, sei lá, o mesmo jornal, e talvez para não parecer que não é "democrático", publicou a réplica do Arnaldo Antunes.

Leiam os dois textos. E concluam por si mesmos.

"http://www1. folha.uol. com.br/fsp/ ilustrad/ fq0402200818. htm

São Paulo, segunda-feira, 04 de fevereiro de 2008
NELSON ASCHER

Quente ou frio?

O lobby mais poderoso e articulado é, sem dúvida, o dos verdes ou
ecologistas

QUANDO VIERAM atrás das lâmpadas incandescentes, não protestei porque já me
habituara a ler à luz de outras; quando baniram os bifes, não disse nada
porque podia comer pizzas; quando eliminaram os transgênicos, tampouco
reclamei, pois meu salário bastava para comprar alimentos orgânicos; quando
proscreveram os vôos internacionais, dei de ombros, pois já conhecia Paris,
Londres, Veneza; quando tornaram proibitivo o uso de automóveis, obrigando
todos a se aglomerarem em ônibus e metrôs, calei-me porque trabalhava em
casa; quando plastificaram as genitálias alheias para limitar a produção de
bebês, ri da história porque não me dizia respeito; quando criminalizaram a
sátira, os comentários politicamente incorretos, a obesidade, o fumo etc.,
aí, obviamente, já era tarde demais para abrir o bico.

Poucas décadas atrás, todas as proibições mencionadas teriam parecido
ridículas, quando não absurdas. Dependendo de onde a vítima viva, hoje a
maioria delas se tornou real demais. E muitas estão sendo impostas aos
cidadãos não por meio de mecanismos democráticos, como a discussão e o voto,
mas através de lobbies endinheirados que pressionam governos para que estes
imponham à sociedade as manias desta ou daquela minoria obsessiva.
O lobby mais poderoso e articulado é, sem dúvida, o dos verdes ou
ecologistas. Esse pessoal não apenas meteu na cabeça que, devido a algumas
variações de frações de graus nos últimos cem anos, o planeta está prestes a
se derreter, como se convenceram também de que nós, ou seja, os seres
humanos, é que somos a causa do suposto desastre. Gente como Al Gore, os
militantes do Greenpeace e os burocratas transnacionais da ONU selecionam a
dedo, entre inúmeras hipóteses contraditórias, as poucas que lhes confirmam
os preconceitos, obtêm apoio de alguns cientistas que acreditam nelas,
conseguem o silêncio de muitos outros e, valendo-se de modelos
computacionais às vezes duvidosos, muitas vezes discutíveis e discutidos,
transformam em verdade absoluta o que mal passa, no momento, de uma
especulação entre tantas, declarando, precipitada e acientificamente, que se
trata de consenso indiscutível. Para completar, demonizam ou isolam quem
quer que levante a menor objeção.

Mas, como não faltam mais aqueles que estão devidamente habituados a/e
vacinados contra seu terrorismo conceitual (e, não raro, seu terrorismo
propriamente dito), o fato é que, se submetidas aos processos decisórios
normais de uma democracia, as medidas que eles reivindicam para combater
tais males imaginários jamais seriam referendadas pelo grosso do eleitorado.
Aí entram milionários como George Soros, companhias preocupadas com o efeito
da propaganda negativa, firmas interessadas em vender produtos
ecologicamente corretos, economias estagnadas que vêem nessa medida uma
maneira de prejudicar as que andam a pleno vapor, países, ou antes, governos
e elites do Terceiro Mundo aos quais se promete certa vantagem financeira em
troca de apoio e assim por diante.

Um exemplo ajuda: pouco antes de deixar a presidência dos EUA para se tornar
uma presença requisitada em Davos e lobbista internacional, Bill Clinton
assinou o Protocolo de Kyoto. Por que é que só o fez então? Porque sabia que
o documento não tinha a menor chance de passar pelo Senado. Embora seu gesto
fosse, como tal, inútil, este aumentava sua popularidade entre o jet-set
internacional em detrimento, é claro, da imagem de seu país. E isso apesar
de sabermos que Kyoto era praticamente inútil, que as nações mais vocalmente
empenhadas em seu sucesso têm sido as que mais longe ficaram das metas
propostas.

A preocupação exacerbada com o clima e o meio ambiente, coisas cujo
funcionamento se conhece pouco e mal, já resultaria em problemas imediatos,
pois, para a parcela miserável da humanidade, dificulta cada vez mais a
superação de seu estado. O que a faz ainda pior é o fato de que seja usada
para encobrir ou eclipsar as questões verdadeiramente urgentes, os perigos
autênticos que nos rondam: fanatismo religioso e conflitos interétnicos,
terrorismo e banditismo internacionais, contrabando de armas e narcotráfico,
migrações descontroladas, ditaduras genocidas em vias de adquirir armamentos
nucleares. Nada disso, porém, desviará a atenção de milhares ou milhões de
militantes que, como os adeptos de qualquer seita, são movidos por dois
desejos prazerosos, a saber, o de policiar a vida alheia e o de punir o
sucesso de sociedades inteiras que não comungam de sua fé apocalíptica.

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http://www1. folha.uol. com.br/fsp/ ilustrad/ fq1702200819. htm

São Paulo, domingo, 17 de fevereiro de 2008

RÉPLICA

Uma piada de mau gosto

Em resposta a texto do colunista Nelson Ascher, o músico Arnaldo Antunes
destaca a urgência da questão ambiental

ARNALDO ANTUNES
ESPECIAL PARA A FOLHA

É DE derrubar o queixo o artigo de Nelson Ascher de 4 de fevereiro, nesta
Ilustrada, em que declara que "o lobby mais poderoso e articulado é, sem
dúvida, o dos verdes ou ecologistas" , que estaria impondo ao mundo inúmeras
restrições, baseado em "males imaginários".

Tendo em conta as enormes dificuldades para conseguir reduzir minimamente os
efeitos de uma situação planetária que vem se revelando muito mais alarmante
do que até então todos supúnhamos, tal afirmação do colunista parece uma
piada de mau gosto.

A urgência em se tratar da questão ambiental vem sendo comprovada por
inúmeras pesquisas científicas e evidências incontestáveis, a despeito das
já reportadas pressões que o governo americano vem exercendo sobre seus
cientistas para atenuarem, retardarem, alterarem ou excluírem suas
conclusões sobre o meio ambiente dos relatórios oficiais.

Nelson Ascher repete aqui a ladainha do "não é bem assim", que vem sendo
usada com freqüência pelos representantes dos interesses das indústrias
poluentes para tapar o sol com a peneira e não alterar suas condutas em
relação ao meio ambiente. Faz isso desde o título de seu texto ("Quente ou
frio?"), pondo em dúvida, não só o aquecimento global, como também a
responsabilidade humana sobre ele.

É claro que medidas ecológicas implicam diretamente reduções drásticas nos
lucros imediatos de determinados grupos empresariais, diante dos quais as
reivindicações dos ambientalistas (como reduções nas emissões de CO2,
tratamento adequado do lixo, descontaminaçã o das águas, restrição ao
desmatamento das florestas) ainda engatinham, contra muita resistência e
pouca consciência.

Metáforas medonhas
Ao mesmo tempo, não é de espantar a postura de Nelson Ascher, para quem já
vem acompanhando, em doses semanais, sua campanha a favor da desastrosa
política externa da administração Bush e de seus métodos para combater o
terrorismo internacional.

Nos primeiros momentos da invasão norte-americana no Iraque, Ascher
comemorou com entusiasmo a suposta vitória (com metáforas medonhas como as
de bombas caindo como pizzas "delivery"), sem perceber o quanto não se
tratava de um termo, e sim do início de um conflito armado que se estende
até hoje, sem uma solução à vista.

Dessa visada, seu artigo parece fazer sentido, pois serve bem ao que almeja
a nova ordem americana (marcada pela intolerância nas relações exteriores,
assim como pela recusa em aceitar as restrições internacionais para controle
do aquecimento global), contra o que já chamou, em outros artigos, de "velha
Europa".

Ainda, para Nelson Ascher, os defensores do meio ambiente seriam
responsáveis por uma série de "proibições" que, "poucas décadas atrás,
teriam parecido ridículas": "baniram os bifes", "eliminaram os
transgênicos" , "proscreveram os vôos internacionais" , "tornaram proibitivo o
uso de automóveis", "plastificaram as genitálias alheias para limitar a
produção de bebês", "criminalizaram a obesidade, o fumo etc.".

Um mínimo de sensatez basta para duvidar da maioria dessas colocações. O
culto à forma física e a proibição ao fumo têm origem mais ligada a questões
de saúde pública e conservadorismo moral do que à defesa do meio ambiente.
Por sua vez, o uso de preservativos -apesar de atualmente ter mais relação
direta com a ameaça da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis
do que com causas ecológicas, como o controle de natalidade- apresenta uma
alternativa libertária e necessária, contra a qual o puritanismo das forças
neoconservadoras (as mesmas que tentam substituir Darwin por Adão e Eva no
ensino primário) investe com a defesa das relações monogâmicas e do sexo
apenas com fins de procriação. Quanto às outras restrições, parecem
ilusórias ante a constatação da realidade cotidiana.

As ofertas para consumo de carne aumentaram em quantidade e variedade nas
últimas décadas, e não parece preciso lembrar aqui que parte da floresta
amazônica vem sendo devastada para se tornar pasto. Os preços das passagens
para vôos internacionais caíram consideravelmente. As facilidades de compra
parcelada de automóveis também aumentaram, ao ponto de o número de veículos
nas ruas levar a uma situação indomável, da qual nenhuma espécie de rodízio
parece dar conta.

Enfim, por mais que nos queira fazer crer no contrário o colunista, o fato é
que venceu a cultura do excesso, do desperdício e da irresponsabilidade em
relação a um futuro que não seja imediato.

É por isso que, a cada dia mais, temos que conviver com insanidades como,
para ficar em pequenos exemplos, guardanapos de papel embrulhados um a um em
embalagens plásticas, canudos de plástico revestidos um a um em embalagens
de papel, sachês de material plástico embalando pequenas porções de
mostarda, ketchup, azeite, maionese etc., que, numa estúpida assepsia (que
há poucas décadas, sim, pareceria ridícula), vêm, gota a gota, degradando o
planeta.

Era Bush
E, é claro, esse estado de coisas combina bem com a conjunção de
intransigências que marca a era Bush, apoiada principalmente pelos lobbies
das indústrias petrolífera e armamentista, não só imensamente mais poderosas
do que as que lutam pela preservação do meio ambiente, como também com
interesses antagônicos a elas.

Muito mais graves do que as "proibições" atribuídas por Ascher aos
ecologistas são as restrições à liberdade individual levadas a cabo pelo
governo americano em sua campanha antiterrorista -correspondências violadas,
prisões sem mandados ou advogados, perseguições a pessoas que se oponham à
guerra, cerceamento de manifestações de rua, restrições crescentes para
concessões de vistos a imigrantes.

Mas o que é mais inaceitável é a afirmação de que "a preocupação exacerbada
com o clima e o meio ambiente, coisas cujo funcionamento se conhece pouco e
mal, já resultaria em problemas imediatos, pois, para a parcela miserável da
humanidade, dificulta cada vez mais a superação de seu estado", ante a
evidência de que os mais desfavorecidos economicamente são também os que
mais sofrem as conseqüências das contaminações tóxicas e dos desvios
naturais decorrentes delas.

Além disso, Ascher ignora os inúmeros projetos de inclusão social
relacionados à coleta seletiva de lixo e reciclagem, por exemplo, entre
outras iniciativas ecológicas.

Quanto ao Protocolo de Kyoto (que os EUA não assinaram, apesar de serem os
maiores contaminantes) , cujas metas parecem hoje insuficientes diante dos
mais recentes relatórios sobre a situação ambiental, o articulista afirma
"sabermos que era praticamente inútil, que as nações mais vocalmente
empenhadas em seu sucesso têm sido as que mais longe ficaram das metas
propostas", como se uma lei devesse deixar de existir apenas pelo fato dela
não estar sendo devidamente cumprida.

Há pessoas que defendem esse estado de coisas dizendo: "poderia ser pior",
como no caso da ordem mundial ser tomada pelo fundamentalismo islâmico, em
que todos os considerados "infiéis" poderiam sofrer violência desmedida.
Eu acho que deveríamos pensar: "poderia ser melhor", se os Estados Unidos e
os países que os seguem assumissem seus compromissos com o controle de
abusos ambientais; se houvesse maior liberdade de trânsito entre as
fronteiras; se a intolerância desse lugar ao diálogo; se todos pensassem não
só nos seus filhos e netos, mas também nos tataranetos dos seus tataranetos.

ARNALDO ANTUNES é poeta, compositor e cantor"

Pensem a respeito...


Direitos e Pedofilia

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Pois é,

inocenciaelyj3.gifOs Estados matam milhares e milhares de pessoas todos os dias, seja por falta de uma verdadeira opção no sentido de resolver a miséria (falta de alimentação, saúde, educação, trabalho, etc) em que a grande maioria da população mundial vive, seja em guerras ou ações terroristas disfarçadas de guerra.

O trânsito mata outras milhares. No mundo inteiro. No Brasil a situação já beira ao surrealismo, pois independente de qualquer campanha que seja feita, o número de mortos no trânsito só aumenta. Aqui o Estado também tem sua parcela de culpa: leis ainda brandas, justiça morosa, os chamados "direitos" acima de qualquer coisa, filinhos de papai que se safam, o que permite a verdadeiros assassinos andarem dirigindo por aí.

Pois bem, se o Estado mata tanta gente de forma oficiosa, porque não tornar oficial ao menosum dos piores crimes que se  pode  cometer contra um ser humano, a pedofilia?

Se para adultos ditos "normais", sexo já é um problema (tabus, vergonhas, dificuldades físicas e psicológicas e tantas outras coisas) o que dizer de crianças que sequer fazem idéia do que lhes esteja acontecendo?

É o rompimento do elemento central de toda formação de um ser humano: a inocência. Inocência que não deve ser perdida, mas transformada pela educação e pelo amor dos pais e da sociedade. O ato praticado na pedofilia arranca de vez essa inocência, impossibilitando que a criança, vítima, possa livremente desenvolver-se.
 
Talvez esteja na hora da sociedade rever alguns direitos. Uma sociedade que não pune de forma definitiva essa barbárie, está a um passo de se tornar tão bárbara quanto qualquer pedófilo. E bem sabemos que sociedade somos nós. Estamos nos tornando bárbaros!

Vejam mais no blog da Luma. Nesse post há uma lista dos participantes. É informação de sobra.




Lentes

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Pois é,

A metáfora das lente é sempre muito apropriada. Vemos o mundo conforme as lentes que usamos. É o caso da minha amada Sandra (primeiro o carinho, né?). Não querendo provocar, reproduzo o comentário que ela fez ao post anterior, sobre a sobremesa de R$26.700,00, mesmo porque, é um pensamento recorrente. Portanto, os comentários que farei não se dirigem a ela, mas ao pensamento expresso:

Se formos pensar assim, meu filho não pode estudar em escola particular quando tantos sofrem com a decadência no ensino "público". Eu não posso ter plano de saúde particular porque o "público" é uma merda. Não deveria ter um automóvel porqu o transporte "público" deveria suprir todas as carências.

Resumindo: o país é pobre por causa de um governo corrupto e mal estabilizado. Agora, se eu posso, com minha renda, pagar escola particular, plano de saúde e automóvel, porque os mais ricos não podem comer uma sobremesa com pedras preciosas?

O foco não É o restaurante, Afonso. É, como sempre, o governo.

Vamos, então, por partes:

Um dos piores efeitos da chamada economia de mercado, principalmente do jeito que ela anda por essas bandas, é a perda da capacidade de comparação. Comparamos alhos com bugalhos para justificar o valor das coisas.

Não se está, aqui, a criticar quem queira gastar R$26.700 numa jóia acompanhada de doces. Como disse no título do post, é um direito. Não se discute o direito das pessoas. Mas a moralidade do ato sim. Essa pode e deve ser debatida e rebatida, se for o caso.

Quer queiramos ou não, vivemos numa transição paradigmática (para usar a expressão do Boaventura de Souza Santos) onde justamente esse tipo de valor esta sendo questionado. O direito vem depois, sempre depois. Daí que, usar o exemplo da educação para justificar uma estupidez, é tão somente colocar uma lent cor-de-rosa para ver o mundo; uma lente que nos permite achar que tudo é lindo e maravilhoso,

Não há como comparar o valor (não confundir com preço) da educação com o valor de uma jóia (mesmo que tomado, aqui, o valor pessoal que cada um poderá atribuir aos bens que deseja). Mais ainda quando se quer apenas conduzir o pensamento para uma crítica ao governo, como se o governo fosse, de fato, o responsável por tudo.

E aqui temos mais um efeito da lente cor-de-rosa: ela nos faz ver que a culpa é sempre dos outros. Afinal, já cumpri com a minha obrigação votando nos governantes; agora, eles que façam o seu trabalho direitinho, né? Sintomático, incluisive, que os exemplos tenham sido exatamente aqueles direitos mínimos que os governantes deveriam se empenhar em garantir: educação, saúde e transporte. Faltou falar em alimentação, né?

Uma coisa é pagar por educação, saúde, transporte e alimentação. Quem faz isso é um ser humano do qual ainda se pode esperar tenha consciência de pertencer a uma espécie; do qual ainda se pode esperar que um dia possa realizar atos de solidariedade. De quem come chocolate acompanhado de pedras preciosas - e pensa sinceramente que está fazendo algo moralmente adequado - não se pode esperar absolutamente nada.

E o mundo precisa cada vez mais de gente consciente e solidária e não de gente que "come pedras".

A diferença é comparativa, de grau. E essa capacidade parece que já perdemos.

De fato, Sandra, o foco não é o restaurante. Mas também não é o governo. Somos nós o foco. Somos nós, os que comemos pedras preciosas, e somos nós, os que calamos diante da inépcia do governo. E preferimos justificar um com o outro.

É de valores que se fala e não de direitos. É da falta de valores - ou de valores espúrios como os que hoje tendemos a ter - que nos faz, inclusive, pensar que só temos direitos e não, também, obrigações. É da falta de valores que faz com que as pessoas bradem em qualquer lugar "é meu direito", mas que esqueçam de dizer, mesmo que baixinho "é minha obrigação".

Sabe a tal da "cidadania sustentável" sobre a qual eu vinha escrevendo? Pois é, hoje, cidadania é sinônimo de "exigir seus direitos" e, quando muito, praticar ações de benemerência, muitas delas travestidas de solidariedade apenas para satisfazer o ego.

A cidadania só será sustentável, isto é, poderá ser transmitida como conceito e prática para nossos filhos, netos... quando incorporar definitivamente as nossas obrigações morais (e legais).

É de valores que se fala e não de direitos.



Pois é,

A estupidez humana não pára de crescer. E ainda vem justificada... Notícia da BBC:

"Restaurante no Sri Lanka cobra R$ 26 mil por sobremesa

sobremesa preciosa

Sobremesa de chocolate vem com uma jóia de 80 quilates
O restaurante de um luxuoso hotel no Sri Lanka incluiu no cardápio uma sobremesa que custa US$ 14.500 (R$ 26.700).

O prato feito de chocolate, champagne e açúcar caramelizado vem acompanhado de uma pedra água marinha de 80 quilates, o equivalente ao diâmetro de uma colher de sopa.

O gerente do hotel The Fortress, Axel Jarosh, disse que a sobremesa foi criada especialmente para a "clientela exclusiva".

A ousadia, no entanto, tem sido alvo de críticas de grupos de direitos humanos, que consideram "obsceno" cobrar uma fortuna por um doce, enquanto muitas pessoas lutam contra a pobreza no país.

"Publicidade de mau gosto"

"Muitas pessoas no Sri Lanka lutam para sobreviver por causa dos efeitos da guerra local e do tsunami", afirmou o porta-voz de um grupo de ajuda humanitária baseado na capital, Colombo.

"Nestas ciscunstâncias, uma publicidade como essa é de extremo mau gosto", acrescentou.

Jarosh argumenta que não há nada de excessivo no preço da sobremesa preciosa.

"Nós tivemos uma reação positiva local e internacionalmente e não acreditamos que o prato deveria ser vendido em outro país, mesmo que o Sri Lanka tenha índices de pobreza consideráveis", disse Jarosh à BBC.

"Diante de tantas notícias tristes sobre o nosso país, nós quisemos criar algo para levantar os ânimos", disse o empresário, acrescentando que já vendeu uma porção "da jóia".

Com a publicidade que se criou em torno do prato, o empresário espera atrair turistas para o país.

"Estamos confiantes de que quando a alta temporada começar, em dezembro, vamos ter várias reservas do exterior."

O hotel The Fortress fica na cidade de Galle, no sul do Sri Lanka, e é um dos mais caros do país, chegando a cobrar até US$ 1.700 (R$ 3.100) a diária."



Pois é,


Quando comecei a digitar o título, vi que já existiam dois outros posts, a formarem uma série. Não os reli para saber se há alguma continuação. Por sinal, tenho um grave defeito: primeiro penso no título, depois escrevo. Do título derivo tudo. Ou melhor: ao pensar em determinado tema, vou tentando organizar as ideias. Um monte delas, que só tomam forma a partir do momento que escolho o título. Aí fica fácil. Basta controlar a mente para que tudo fique dentro da trilha imposta pelo título.

Há exatos 21 anos que dexei de assistir ao J@rnal N@cional. Há exatos dez anos cancelei minhas assinaturas dos jornais que lia.

E, mesmo antes da internet, vivia muito bem sem eles. Já devo ter escrito por aqui, que só fiquei sabendo do ataque ao W.. T.. C... lá pelo meio dia, quando cheguei ao trabalho.

Notícias que se não fossem dadas fariam muita falta ao bolso de muita gente, a mim não fazem falta alguma. Mas essa é justamente a função da publicidade: encher as burras de uns poucos com o pouco que muitos possuem.

Que me perdoem os amigos publicitários - e os desconhecidos também - mas esse não será um post muito agradável. Reducionista, dirão uns; generalizador, dirão outros. Não sei, Só sei é que considero a publicidade a maior estupidez humana. E viva Niccoló Machiavelli. Sua máxima, os fins justificam os meios, é o princípio basilar (redundância, eu sei) deste ramo do conhecimento humano.

Deus é pai de todos, mas é, em especial, dos publicitários, pois foi o primeiro deles ao anunciar a existência do fruto proibido. E aqui se adentra à velha questão da galinha e do ovo, tão discutida ainda hoje nos meios (lembro-me das aulas de Administração de Marketing, onde o tema já era debatido): a publicidade cria desejos ou apenas mostra onde podemos satisfazer desejos existentes?

Adão, Eva e a cobra completam o sistema que mais tarde viria a se chamar capitalismo. A cobra, fornecedora; Adão, os meios de comunicação, interessados no lucro (no caso, comer a Eva) e a Eva, coitada, já prenunciava nosso futuro de consumidores: se fudeu. Aliás, foi fodida pelo sistema: um fornecedor de maçãs, um publicitário que teve a idéia de como convencê-la e um meio para que ela passasse a desejar algo que jamais conhecera, como sendo uma necessidade a ser satisfeita.

Quem lucrou com isso - e até hoje ainda lucra? Adão, porque faturou a Eva; a cobra, porque vendeu sua maçã, e Deus, porque ficou olhando a festa (afinal, como Deus, seu prazer era mais.. digamos... platônico). Apesar de o dinheiro ainda não existir naquela época, ali mesmo nasceu o conceito de lucro. Lucraram todos, menos Eva.

É assim ate hoje, quando querem nos fazer pensar que também lucramos ao satisfazer desejos que não são nossos por natureza. Ah! Mas que seria do vermeho se todos gostassem do somente do azul? (para nós, gremistas, o mundo seria infinitamente melhor...). Essa é a desculpa que tentam nos incutir: respeito à individualidade. Na verdade, respeito ao individualismo, disfarçado de individualidade.

Esses dias, vi umadesivo na janela de um carro: "honestidade começa por você." Pensei, cá com meus botões: típica frase que jamais veremos numa propaganda comercial. E não é por ser comercial que não possa ser honesta. Claro que pode.

E é por aí que deveríamos mudar. Tarefa um tanto quanto difícil, por implicaria em convencer pessoas que passaram quatro ou cinco anos em uma faculdade sofrendo uma verdadeira lavagem cerebral. E convencer pessoas dos meios de comunicação a não venderem a alma em troca de salário.

É possível termos um sistema mais justo? Sim! E podemos continuar com a cobra e com Deus? Sim! E Adão? Também! Bastaria que Adão começasse por amainar a sua sede de prazer; que parasse de dizer "a Eva precisa disso, a Eva precisa daquilo" e realmente se preocupasse com o que a Eva quer. Talvez ele cobrasse preços mais justos. Talvez a cobra também cobrasse um preço mais justo para fornecer maçãs e, claro, o Grande Publicitário, vivesse uma vida mais adequada... e não no fausto.

Há que romper o sistema. E de todas as partes envolvidas, só há uma por onde podemos começar: pela Eva. Eva que somos!

Não fora Deus, e a cobra jamais teria convencido Adão, pois, sem vislumbrar o lucro, ele não teria perdido tempo com aquele ser estranho e diferente que estava por ali, "dando sopa!".

Produzir e querer algo em troca da sua produção é justo. Mas a pergunta que fica é: o que considero justo é o que é realmente necessário para uma vida digna ou é o que a publicidade me empurra goela abaixo?

Há quem defenda que aumentar seus próprios salários, em detrimento de outras aplicações para esse dinheiro, seja justo. Pior, há quem, mesmo não tendo seu salário aumentado, acha justo que outros se dêem esse aumento! Quem faz isso? Deus, ora! (deixando uma beirada para a cobra e para Adão, claro!).

Pobre Eva!

Imagem, daqui: http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=3345



43 - Pessoas

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Pois é,

Como me diz a Kaya, com alguma freqüência: "Quanto mais convivo com as pessoas, mais gosto dos animais".

Tem dias que ela tem razão...



Pois é,

Sobre o caso de plágio, escancarado pela Sandra.

De inicio, um trecho (p.205) do texto "Variabilidade comportamental", de autoria de Josele Abreu-Rodrigues, publicado no livro "Análise do Comportamento - Pesquisa, Teoria e Aplicação", de Josele Abreu-Rodrigues e Michela ROdrigues Ribeiro (orgs)1(negritos meus):

"O que é um comportamento criativo? Winston e Baker (1985) apontam que o termo criatividade tem sido comumente identificadao com diversidade/variabilidade e novidade/originalidade. Esses termos, por sua vez, podem ser multiplamente definidos. Um livro técnico, por exemplo, pode conter diversidade em termos da quantidade de tópicos abordados ou da quantidade de análises diferentes apresentadas para um mesmo tópico. Pode também ser considerado original porque é diferente de tudo aquilo que o autor fez antes ou porque apresenta análises nunca antes oferecidas naquela área de conhecimento. Diante disso, qual seria a dimensão relevante para considerar este livro um exemplo de comportamento criativo? Essa questão, ainda não resolvida na literatura pertinente, aponta para o fato de que a definição de criatividade deve considerar o contexto sociocultural em que o comportamento ocorre. Assim sendo, todo trabalho criativo envolve diversidade e originalidade, mas o contrário nem sempre é verdadeiro. Winston e Baker argumentam que, para um comportamento ser considrado criativo, é necessário também que ele seja apropriado, relevante, útil ou valioso de alguma forma, dentro de uma certa cultura e em um determinado momento no tempo. Dessa forma, o livro seria um exemplo de criatividade quando, além de apresentar alguma das (ou todas as) características mencionadas, fornecesse uma contribuição efetiva para o desenvolvimento da área de conhecimento."
Bueno, o que dizer diante de uma situação como a ocorrida com a Sandra?

Eu, particularmente, desde que comecei este blog (lá no blogspot), fiz questão de colocar no "Código do Chato" o meu pensamento a esse respeito. A mim não incomoda que porventura copiem o que escrevo, citando ou não a fonte. Não me creio dono de nada, sequer de idéias.

Nem sempre foi assim. Houve tempos em que brigava por isso. Principalmente de idéias profissionais. Sempre argumentei com a famosa pergunta: "Porque todo mundo sabe que a galinha coloca ovo, mas não sabe que a pata também coloca?".

Mas há que respeitar quem pensa diferente. E a Sandra pensa! Tanto é, que faz questão de colocar, ao final dos seus posts, a observação "Texto registrado. Proibida reprodução sem prévia autorização", o que evidencia seu pensamento. Assim, não há porque desrespeitá-la.

Não por que a lei assim o determina, mas por pura questão de respeito humano. E quando desrespeitamos um ser humano, estamos sendo estúpidos; estamos propagando a estupidez humana, que dá título a essa categoria de posts que escrevo. O comportamento é anterior à lei e não, como talvez muitos pensem, condicionado pela lei. Agimos certo porque é certo agir certo e não porque temos medo da punição. Assim deveria ser, ao menos. E o que observamos, hoje em dia, é que as pessoas se esquecem disso!

Agimos por ação ou por omissão. Ao alegar, o autor do fato, que recebeu o texto de um amigo e que este lhe garantiu "não ter dono", é, no mínimo, um atentado à inteligência humana, acumulada durante milênios de evolução. Peca, esse rapaz, por ação e por omissão. Por ação, por ter aceito algo que não era seu - mesmo que "sem dono" - e, com pequenas e deliberadas alterações, publicou-o. Por omissão, porque diante de tanta tecnologia, jamais poderia ter deixado de fazer uma pesquisa, mínima que fosse, para verificar se já não existia algo semelhante publicado. Aqui sequer podemos alegar ignorância (no sentido estrito da palavra) das ferramentas , pois o mundo está aí, exposto na internet.

O que se observa, no caso - em em todos os similares de plágio, é, indiscutivelmente, uma má formação de caráter. Está na origem, na educação recebida dos pais, da família. Talvez não tenha sido educado, estimulado, quando criança, a obter resultados pelo próprio esforço e, sim, aplaudido quando "imitava" o que os outros faziam. Soe acontecer...

Ninguém está livre de cometer enganos, de escrever algo que alguém já tenha escrito. Foi-se o tempo dos "enciclopédicos"; o tempo em que as pessoas podiam conhecer tudo, ou quase tudo, o que tinha escrito no mundo. Impossível para qualquer ser humano, nos dias correntes, conhecer tudo o que está escrito. Não por outra razão é que se desenvolvem ferramentas de buscas e comparação de textos na internet.

A um ser humano que não seja estúpido, cabe a obrigação de utilizá-las, sob pena de tão somente conseguir o desprezo de todos quantos ainda podiam nele acreditar. De toda sorte, cabe-nos esperar que esse rapaz tenha aprendido com a experiência. Se assim for, ótimo! Que retorne ao convívio da blogosfera com a grandeza de quem soube admitir o erro e de pedir desculpas.

Caso contrário, que o inferno o tenha!


Artmed Editora S.A., 2005



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