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Pois é,







Morreu ontem Joseph Afonso (Jojo), o patriarca dos nossos gatos. Muito cedo para um gato. Apenas seis anos. Um fulminante ataque do coração, logo após esforço para subir correndo as escadas. Não aguentou e, chegando no topo simplesmente caiu para o lado. Não tivemos tempo para acionar um pronto socorro. É possível que pela hora (23h) não encontrássemos um veterinário de plantão que se dispusesse a vir em casa.

Há pouco relatei o caso semelhante do filho, o Fafá. Este, ao menos, escapou. Dei o Joseph de presente para a Kaya, pensando que ele seria mais chegado a mim. Ledo engano. Chegando em casa e pelos seis anos de vida o amor foi apenas para a dona. Não que ele não gostasse de mim, mas devia ter suas reservas. Muito senhor de si, só me deixava pegar quando queria, o que era raro. Talvez o pedigree (era himalaia registrado, com ascendência e tudo o mais que tinha direito) o fizesse assim.

Não satisfeito com a situação, comprei a Natasha (Naná) um mês depois. Repetiu-se a história. Ficou só com a Kaya. Por sorte, não demorou muito e Joseph Afonso fez valer ser o macho da espécie: aos oito meses de casa, nasceram os quatro filhotes. Um deles, o Mimoso, é meu amigo. Onde vou ele está junto.

Joseph era um gato muito tranquilo. Carinhoso com todos os filhos, não escondia, porém, a preferência pelo mais velho, o Frederico (Fred). Dormiam sempre juntos. Imagino que todos estejam sentindo a falta do pai.

É a primeira perda da Condessa. Jojo foi morar com papai do céu, repete, depois que contamos que ele não mais moraria com a gente.

Joseph será cremado e suas cinzas guardadas em casa.



Michael Jackson

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Pois é,

Invariavelmente, aos finais de semana, escuto Michael Jackson. Alto, muito alto. Desopila, desobstrui as artérias, libera o cérebro, conecta com coisas boas. "Heal the world / make it a better place / for you and for me and entire human race"; "We are the World / we are the children".

É do "meu tempo". Não foi dos meus pais. Também não foi, ou é, o tempo da minha filha de 19 anos. Bastaria isso para tornar suspeito qualquer depoimento sobre MJ. Afinal, tudo que é do nosso tempo é melhor do que qualquer coisa de qualquer tempo.

Ainda bem que restam as exceções. Pessoas que obram na eternidade. Nessa pouca vida, vi somente (que me lembre) três que despertaram tamanha comoção: Elvis Presley, John Lennon e, agora, Michael Jackson (talvez coubesse um segundo lugar para Fred Mercury e Cazuza). E não se trata do fato de terem morrido em situações inesperadas. Muitas pessoas famosas morrem em situações inesperadas e as homenagens não passam de uma breve biografia nos nosticiários.

O que as fazem especiais, eternas, não é estarem vivas ou mortas; é serem parte constante da vida das pessoas. No mundo do descarte, do supérfluo, do vendável hoje, restam poucas capazes de permanecer em nossas vidas. MJ era uma dessas. Restam poucas.

Não vou chorar. Continuarei a escutar Michael Jackson aos finais de semana. Como faço há mais de 30 anos.






Pois é,

Hoje não sei mais como se chama. Em alguns países, governantes sob suspeita no mínimo retiram-se de cena; renunciam aos cargos públicos obtidos com a confiança do povo. Supõe-se que sejam pessoas honradas e que, por essa razão, admitem o erro (afinal, errar é humano) e afastam-se. Preferem a integridade íntima, característica da honradez, à vã tentativa de provar que onde há fumaça não existe fogo.

Mas, como dizem, somos um país jovem, forjado do estado para a sociedade e não como as grandes nações, onde nelas os homens já aprenderam a ter honra.

Por aqui não temos. Por aqui preferimos as pessoas que lutam para provar que a fumaça não vem do fogo, mas apenas da oposição; de gente interessada em destruir o que de bom o governo tenta fazer pelo povo!

Poderia falar apenas da atual situação do governo do meu estado. Afinal, há dois anos que a atual mandante vem afirmando que a fumaça não vem do fogo. Mas não, isso parece ser geral no País das Maravilhas.

Do Congresso não há mais o que falar; há, simplesmente, o que fazer: não mais votar. E que não se invoque a parábola do joio e do trigo, onde apenas, com certeza, só temos joio. Se algum trigo há, será como procurar uma agulha no palheiro.

Pois tanto o Congresso, quanto o governo do meu estado, atingiram o limite que, em alguns países, já levou pessoas ao suicídio.

Não que eu deseje isso para nossa atual governante, mas que ao menos tenha "vergonha na cara".

Ou, como diriam os gaúchos, que honre o fio do bigode!

Ops! Esqueci: é mulher e não é gaúcha. Vai ver é por isso...
 


Pois é,

Nasci e cresci ao tempo da Guerra Fria. Meu principal jargão incluia expressões como "Terceiro Mundo", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", "Guerra dos Seis Dias", "Brasília", "Ditadura Militar", "AI-5", "Brizola", "Cuba", "Ame-o ou Deixe-o", "Woodstock", "Hippies", "Revolução Feminina", "Bossa Nova", "Jovem Guarda", "Tropicália", "Beatles", Roling Stones", "The Who, Pink Floyd, Yes, Cream, Led Zeppelin...", o fim de "The Who, Pink Floyd, Yes, Led Zeppelin...", "Conferência de Estocolmo", "era acordado às seis da manhã para ir pra escola", "o governo vende o país para a Rede Bobo"... "éramos a décima-quarta economia do mundo", "Prenúncio da Era de Aquarios... When the Moon...", "Cinqüenta..."

Tornei-me adulto jovem e meu jargão foi quase todo para o espaço: "Terceiro Mundo" virou "Países em Desenvolvimento", "Cortina de Ferro", "Guerra Fria", "Guerra do Vietnam", Guerra dos Seis Dias" viraram "Queda do Muro de Berlim", "Disco", "MPB", "Anistia", "Abertura lenta e gradual", "Brizola", "Lula metalúrgico", "Rio-92",... "dois casmentos e uma filha", "me acordavam às seis da manhã para trabalhar", "a Rede Bobo toma conta do país", "C@llor na Presidência, junto com os outros...", "chegamos a ser a oitava economia do mundo", "computador e internet", "e a tal da Era de Aquários parece que afundou..."
 
Já ando um adulto de meia idade e novamente meu jargão está indo pro espaço: "Países em Desenvolvimento" virou "Economias Emergentes"; as guerras viraram "terrorismo" e "Israel massacrando Gaza", "três casamentos e duas filhas", "me acordo involuntariamente às seis da manhã...", "a Rede Seitas começa a tomar conta do país", "somos a décima economia do mundo, a "Jovem-Bossa-Tropicália-MPB-Nova" está quase esclerosada, caducando, trocada por uma joça que chamam de "Axé-Pagode-Hip-gente que mata gente-Madona-e-por-aí-vai", "trocaram o aquário pelo aquecimento global, mas parece que não adiantou...", "Pós-Modernidade", "C@llor no Senado... junto com os outros..."

Bueno, dava pra ficar uns bons dez anos enumerando comparações. Dava até pra pensar que meu tempo era melhor do que o tempo atual das minhas filhas, como por vezes cheguei a pensar em relação ao tempo dos meus pais, que viveram a Grande Depressão e Segunda Grande Guerra. Mas viveram o tempo das Grandes Orquestras... Por sinal, tudo nessa época era taxado de "Grande".

Deve ser isso: não temos nada de grande a não ser a merda global que criaram nos últimos trinta anos. GRANDE MERDA. Os historiadoes mais puristas chamarão, quem sabe, de SEGUNDA IDADE MÉDIA. Mas penso que deverá prevalescer, na história, a IDADE DA GRANDE MERDA. Como, aliás, foram todas as épocas de transição da humanidade. Veja-se os recentes casos da China e dos EUA: a China, de obscura sombra do comunismo, virou a terceira maior economia do mundo. Só sabe espalhar merda pro planeta; os EUA, de primeira potência do capitallismo, está virando num declarado comunista: o mundo inteiro sustenta a quebradeira que eles mesmos provocam. Além, claro, de outro "ismo" - quem sabe pior ainda - o consumismo.

 Enquanto isso, nós continuamos dançando e espalhando merda, alegres em torno das salas dos BBBsmerdas da vida...

Pensando bem, não dá uma certa sensação de inutilidade? Cinquenta anos (até isso mudou...) e nada! Pertenço a uma geração inútil que só fez disfarçar, para si mesma, que mudou o mundo. Mudar até mudou, sejamos francos. MAS PARA PIOR!

Nasci quando alguém dizia "50 em 5". Parece que nem em mais 500 vai dar... Cresci quando alguns diziam que "tomando conta do poder" iriam resolver os problemas do país... Foram embora sem que resolvessem nada... Saí às ruas berrando pelas diretas... e daí?

E daí, olhem para os quase tricentenários três poderes: continuam a ser apenas um, o PODER DO UMBIGO!

Vou começar a procurar alento na outra vida. Nessa já não há mais esperança!


Pois é,

Enfim, acabou. Ou acabará à meia-noite de hoje, para ser mais exato (e chato!).

Foi, sem dúvida, igual aos anteriores; e será, certamente, igual aos que ainda porventura virão.

Vai ano e entra ano e continuamos a nos iludir que cada novo ano será diferente - de preferência melhor - que os anos anteriores. Besteira, sabemos! Mas mesmo assim gostamos dessa ilusão. Mesmo eu, que penso ter chegado ao limite do meu descrédito com o mundo, mantenho uma pontinha de ilusão.

Atravesso o final de ano ainda montado no pangaré (alusão ao Don Quixote) que me propus a abandonar no final de 2005. Desacreditar totalmente é uma tarefa difícil. Estamos rodeados de gente pelas quais nutrimos um sentimento de responsabildade. Por elas é que mantemos um pouquinho de esperança.

O ano termina com o assasinato oficial - de estado - do Saddam. Com ele vai-se, também, um pouco daquilo que chamamos certeza. Termino o ano em dúvida. Se, por um lado, reconheço que as atrocidades por ele cometidas mereciam castigo de igual monta, por outro, penso que matá-lo resolve apenas o problema de quem deseja vingança. Teria sido melhor cortar-lhe as mãos e os pés e deixar que sofresse pelo resto da vida a consciência de que isto foi feito em razão dos crimes cometidos.

A morte acaba com tudo, menos com o prazer dos que continuam vivos.

E os outros líderes mundiais, RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE MILHARES DE INOCENTES, será que terão o mesmo destino?

- Afonso?
- Quié, Chato?
- Já não disseste que não acreditas mais em Papai Noel?
- Sim, mas o que isso tem a ver com o post?
- Tudo! Pensar que um dos maiores genocídas da humanidade - o tal de B@sh- poderia ser enforcado é a mesma coisa que acreditar em Papai Noel!
- Queres saber, Chato?
- O quê?
- Já não acredito em mais nada, essa é que é a verdade. De Clin..aos B#shs, os americanos já mataram - direta ou indiretamente - mais inocentes que muito ditador pelo mundo afora!
- Isso significa, então, Afonso, que a tua listinha de 10 coisas nas quais não acrefitas mais deverá aumentar?
- Antes fosse assim, Chato! O problema é o velho pangaré que sempre me acompanha.
- E o que vais fazer em 2007?
- Ja disse que em 2006 se esgotou meu estoque de certezas. Entro em 2007 com pelo menos três caminhos a seguir: ou largo tudo de mão e vou procurar a tal da paz de espírito, ou me revolto definitivamente e "pego em armas", ou abro uma Skol. Que te parece?
- Abre uma Skol!!!
- Quem dera a vida decesse tão redondinha feito uma Skol, Chato! Quem dera eu não tivesse esse pingo de consciência que tenho! Quem dera tivesse faltado alimento na minha infância e meus neurônios não fossem capazes de perceber e pensar o mundo! Quem dera eu não precisasse me incomodar com o mundo!
- Posso fazer uma perguntinha íntima, Afonso?
- Poder, pode. Mas quem pergunta o quer quer, pode ouvir o que não quer!
- Precisas mesmo te incomodar com o mundo?
- Porra, meu! Já não te disse que termino o ano e entro noutro somente com dúvidas?
- Caraca! Tô vendo que em 2007 vais incomodar no blog!
- E daí, Chato? Pra que serve um blog, afinal? E não te esqueças que ainda não terminei aquela história sobre teres me prendido no castelo. Lembra? As Aventuras da Condessa Clarissa? Pois é, fica quieto que qualquer dia desses resolvo liquidar contigo.
- Hehehe, isso é uma característica tua, Afonso. Começa e não termina!
- Tá, chega de papo! Passaste o ano inteiro me enchendo saco e agora não me deixa escrever um post de final de ano decente!
- E se puder não vou deixar, ora! Um post todo desanimado? Era só o que me faltava!
- Conta, então, o que pode ter sido animador em 2006?
- Compraste uma cobertura.
- Só deu trabalho!
- Tens emprego.
- Só deu trabalho!
- Chato!?
- Quié?
- Cala a boca e deixa eu terminar o post.
- Mas o que mais queres dizer que possa interessar a alguém?
- Sei lá, algo do gênero "sejam felizes em 2007"?
- Ah tá! Palhaçada, agora!? Desde quando acreditas nisso?
- Nunca é tarde!
- Conta outra!
- Que seja. Não quero que as pessoas sejam felizes em 2007. Quero apenas que possam realizar, cotidianamente, a vida. Seja ela qual for. Feliz ou triste, fácil ou difícil. Que morram se tiverem que morrer; que vivam se tiverem que viver. Façam tudo que a vida e a morte nos permitem fazer. Mas façam, também, uma coisa diferente, pra variar:

façam algo diferente! Não esperem morrer para se arrependerem daqulio que não fizeram. A vida começa ali e acaba logo ali, sem avisar. Numa esquina, num tiro, num câncer que mata em dois meses, num ônibus incendiado! Esqueçam a religião. Mas não esqueçam da maior lei da vida: não faças aos outros aquilo que não queres que façam a ti!

- Meu desejo para 2007, Chato, é que a vida e a morte continuem!

"- Severino, retirante,

deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.


E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."

(Morte e Vida Severina, João Cabral de Mello Neto)



Pois é,

Novamente a copa. As copas representam uma evolução.

Em 1958 tinha apenas um ano e, por óvbio, sequer me lembro. Morava no Rio de Janeiro.

Em 1962, apesar dos recém completados 5 anos, as lembranças são poucas e talvez confundam-se com o conhecimento adquirido posteriormente. Morava em Brasília.

Em 1966 as lembranças já são claras, pois estão associadas a primeira "derrota" da vida. Lembro-me, sobretudo, da sensação - nova, diga-se de passagem - do que seja não conquistar algo desejado. Era o esperado "tri". Morava em Porto Alegre.

Em 1970 - já contei aqui - quase fiquei cego por causa de um rojão. Mas foi o tri. Incomparável. Em todos os sentidos, pois também foi uma época de tudo: aos 13 anos iniciei-me em todos os vícios da vida. Fumar, trepar, beber, matar aulas... e pela primeira vez, também, realmente "curti" uma Copa do Mundo. Morava em São Luiz Gonzaga (cidade das Missões Jesuíticas, no RS).

Quatro copas, quatro cidades. Vitórias e derrotas. Não é fácil suportar tantas mudanças em tão pouco tempo de vida. Assim como a cada copa tínhamos um time diferente, a cada copa eu devia abandonar os amigos feitos na copa anterior e jogar-me, tal qual a seleção, em novas conquistas. Assim formei o que chamam de "personalidade". Mutável, adaptável, flexível, (in)felizmente por vezes desapegada. saudosa das conquistas.

Foi ruim. Tornou-se fácil conquistar e, logo, descartar as conquistas. Quaisquer que fossem. Desafios viraram o maior vício. Vencê-los era fácil. Difícil era manter.

Foi bom. Desenvolveu a força para enfrentar qualquer coisa. Cresci sem medo dos desafios da vida. Cresci sem esperar que outros fizessem o que era necessário ser feito. Quando se é novo numa cidade não se pode esperar que as pessoas venham te procurar. É necessário procurá-las sem medo.

Em 1974, primeira copa sem meu pai. Talvez não saiba, ainda hoje, se isso significa alguma coisa. Ao menos é um marco a ser lembrado. A vã esperança de um tetra; a vã esperança dos brasileiros, tão bem captada pelas novelas globais, de que tudo sempre acaba bem. Morava em Porto Alegre pela segunda vez.

Em 1978, a copa da ilusão. A mesma ilusão que embalava o meu sonho de ser um grande cientista. Daqueles de ganhar o Prêmio Nobel de Física. O sonho durou um pouco mais que a copa. Até descobrir que, como na copa, os sonhos podem ser desfeitos por uma "mãozinha" indevida.

Em 1982, a copa da esperança. A esperança do casamento. Mais tarde viria a saber que seria apenas o primeiro. Fui morar sozinho pela primeira vez. Casei pela primeira vez. Quem disse que aos 13 se faz tudo pela primeira vez? Eu? Engano. Todos os dias fazemos coisas pela primeira vez. A vida é feita de "primeiras vezes" a todo segundo. O melhor time depois de 70. Imbatível, assim como deveria ser o casamento. Morava em Porto Alegre.

Em 1986, a copa da separação. O Brasil separou-se, definitivamente, da ilusão de que o passado é suficiente para ganhar o presente. O casamento acabou. Larguei, também e definitivamente, a Globo e tudo o mais que representasse a criação de ilusões; tudo o que representasse uma realidade que não era a minha. Morava em Santana do Livramento, em trânsito de volta à Porto Alegre.

Em 1990, confesso que foi uma copa em brancas nuvens. Não como eu gostaria que tivesse sido o segundo casamento, já em curso. Nesse momento em que escrevo sequer me lembro do que aconteceu naquela copa. Sei que não ganhamos. Tavez não me lembre de nada por ter sido o ano de nascimento da Fernanda. Era dela a bola da vez. Ela ganhou a copa. A minha copa. Morava em Porto Alegre.

Em 1994, novamente a copa da separação. A segunda separação. O Brasil ganhou a copa. Eu pensei ter perdido a minha. Difícil separar-se dos filhos. Era necessário, no entanto. Ano de uma nova faculdade. Morava em Porto Alegre.

Em 1998 estava sozinho. Fazia parte daquele grupo de pessoas que adorava assistir aos jogos com os amigos, seja num bar ou na casa de algum deles. A vida de re-solteiro anda a tal ponto que sequer fiquei triste com a derrota do Brasil. Nada que umas e outras, sem compromisso, não resolvessem. E não eram cervejas.

E veio 2002. A copa da reconstrução. Para o Brasil o penta, para mim o tri. Inesquecível. Jogos de madrugada. Acordar ao ladinho da Kaya e assistir aos jogos na cama e juntinhos é algo impagável, como impagável foi o penta. Se de algo valeu essa vida o foi pela copa de 2002. Ou terá sido pela Kaya? Morava em Porto Alegre.

E chego a minha 13ª Copa do Mundo. E o ciclo recomeça. A Fernanda nasceu em ano de copa; a Clarrissa nasceu em ano de copa. Em 1990 assisti a copa com a Fernanda no colo; hoje assisto a copa com a Clarissa no colo.

Treze copas, cinco cidades, três casamentos e duas filhas.

É, pelos números, parece que minha vida é feita de copas!



Pois é,


Lembra?

Desse olhar?
Desse sorriso?

Eles estão aí.



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