Pois é,
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- Kaixo, meu irmão!
- Que saudades dessa expressão. Era nossa língua na época.
- Era!?
- Certo, vocês não podem saber. É que hoje falamos uma única língua.
- Não pode ser! Mesmo agora ainda existem alguns milhares...
- Sim, mas foram acabando aos poucos. E de forma natural. Não houve prevalência de nenhuma delas. Foram se misturando... se misturando... até que surgiu uma língua comum.
- Imagino então que vocês não devem estar me entendendo.
- Por quê?
- Porque sou o mais antigo de nós e ainda falo nossa língua.
- Não, não és! Tivemos outro antes de ti, lembram?
- Já disse que nasci um camponês analfabeto e de poucos pensares. Não tinha tempo para ficar pensando nessas coisas.
- Ele tem razão. Eu fui o primeiro de nós a se dar conta disso.
- Sim, sabemos.
- Eu mesmo, só descobri essa língua há pouco tempo...
- Pois devias estudá-la mais. É a língua do nosso povo.
- Não perde teu tempo, vai desaparecer. No que te resta ainda de vida, nada vai mudar. Todo sentido de preservação não trará resultado algum.
- Começo a pensar que vocês estão de brincadeira comigo! Estou no meio e não sei nada da vida de vocês.
- Eu também não!
- Nenhum sabe da vida do outro. Mesmo eu, distante no tempo em relação a vocês, nada sei. Pensando bem, até que gostei da tua idéia de fazermos essa reunião.
- Eu não sei. Não gosto muito de pensar no futuro. Ainda mais tendo a certeza de que voltarei mais duas vezes...
- No mínimo, meu caro, pois tenho alguns indícios, aqui dentro, sobre a existência de outros.
- E o primeiro virá?
- É difícil. Éramos muito primitivos naquela época. Mal comparando, era como se fossemos um bebê, pouco teria de lembranças para trazer. Fiquemos sem ele.
- Penso que deveríamos trazê-lo. Afinal, daqui onde estou, talvez seja importante ver onde tudo, exatamente, começou. Aqui não temos ligação com o passado.
- Mas, e onde - ou quando, seria melhor dizer - estás?
- Muitos e muitos anos na frente de ti. Alguns milhares. E de ti mais ainda...
- Sempre sonhei com a vida num futuro. Viagens espaciais, outros planetas...
- Pois eu não. Mal tenho tempo para pensar no inverno que se aproxima.
- Esqueçam! Não há nada disso.
- Como assim?
- Calma! Não vamos inverter a ordem. Estávamos falando do nosso encontro com o irmão daquela época.
- É, foi quando vocês me interromperam.
- Prossiga, então!








































