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Pois é,

Por uns dias esse blog deverá abandonar a habitual característica de ser um blog "coisinhas-caseiras-diarinho-infanto-juvenil-amontoado-de-bobagens-etc-e-tal-que-só-
meia-dúzia-se-dão-ao-trabalho-de-ler", para parecer, aos novos visitantes, se é que haverá, um blog sério.

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É que esse chato que vos chateia, recebeu a honra - "e ainda hoje me arrepia" (como diz o grande poeta gaúcho Jayme Caetano Braun) tanta honra - de ser publicado numa das mais conceituadas revistas eletrônicas: a GERMINA, Revista de Literatura e Arte. E friso a palavra "recebeu", pois acredito que não poderia ter usado "mereceu", como sói acontecer.

Estar ao lado de grandes pode ter dois efeitos: ou nos faz sentir pequenos, ou nos ilude de que também somos grandes. Tanto faz para os que tem um pingo de consciência: A sensação é a mesma, a de que ainda temos muito que aprender.

Há uma frase (que vai aqui de memória, portanto pode estar mal reproduzida) que diz: "por trás de todo homem, há sempre uma grande mulher!" Pois esse crédito devo a Mariza Lourenço, uma das editoras, junto com Silvana Guimarães, da Germina.

Não sei se por causa do meu olhar profundo (que ela nunca viu, diga-se de passagem), ou dos meus já grisalhos cabelos (que teimam enganar as mulheres com a aura da experiência...), mas o fato é que ela, como a gente vê em alguns filmes norte-americanos, resolveu apostar no azarão da vez. Tadinha! Não a crucifiquem, por favor, se daqui a alguns dias, ela resolver confessar no seu blog: "gente, errar é humano!".

Vão lá! Cliquem no banner aí em cima ou no link e leaim. Toda a revista, claro. Está ótima. Eu? Bom, eu estou em "Variedades"...

Em tempo: tem novidades lá na Condessa Clarissa.





Tá certo!

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Pois é,

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Foi carnaval, muita gente viajou. Então pra compensar, fica aqui a chance de apreciar a estréia do Chato no blog literário do Projeto Macabéa, o Macabelagem.


DEZ QUASE HAI KAI

I

Contrario-me!
Ou será,
que por ser do contra,
rio-me?


Vão ler os outros nove aqui. O Chato agradece!

Ah! E tem post novo lá no Faça a sua parte.


Pois é,

Para os que lerão esse post, um breve comentário. A Verbeat, numa brilhante idéia dos seus administradores, fez um amigo secreto entre os moradores. O presente? Um post, no dia 23, sobre o sorteado.

Coube-me, pela sorte, tarefa difícil. Mais que difícil. Fora difícil, teria sido fácil (Certo, certo! É um trocadilho sem graça, mas serve para deixar-me mais à vontade!). É um desafio. E dos grandes. Na verdade, um desafio que me impus há algum tempo. Coincidência das coincidências.

Sem dúvida, o rigor formal da escrita assusta. Não estamos mais acostumados - eu, pelo menos - à leitura de textos que primam pela correição no uso da língua. E esse é um dos fatores que proporciona prazer na leitura do blog. Faz-nos lembrar o quanto linda é a língua portuguesa. Faz-me lembrar de tempos outros, quando sonhava saber escrever.

Por outro lado, a mescla com expressões francesas leva-me a recordar minha própria origem francesa. Meu bisavô, recente portanto, veio da França. Chamava-se Pierre. Viajo pela França nas páginas da internet. E viajo a cada "courrier" que leio no blog.

O desafio? O desafio consiste na visão de mundo diferente. Ele, católico; eu, batizado. E só.

Mas há mais entre "isso" e "aquilo". Há mais entre a expressão de uma religiosidade e a expressão de um conhecimento que a todos pertine. A filosofia, a moral, os ensinamenos de vida que independem de religião. Que são de todas as religiões, pois buscam o bem supremo a ser alcaçado por uma humanidade que é criatura e almeja, um dia, tornar-se criadora.

Com sabedoria , ele consegue o equilíbrio entre a defesa de uma crença e a defesa de uma crença. A crença religiosa e a crença em princípios éticos, que, para ele, certamente são a mesma coisa. Sem dúvida que a ética nasceu da religiosidade. Aqui, não há confundir religião com religiosidade. Não há confundir o Cristianismo com a Igreja Católica Apostólica Romana que, por momentos, e a uma leitura superficial, parecem ser a mesma coisa ao leitor mais rápido.

Ele crê e é isso que importa. Daí o desafio. É desnudar-se dos preconceitos religiosos para poder abraçar a religiosidade. É ler; é aprender. É ver os ensinamentos antepostos aos santos. Ser santo é um conceito católico; ser sábio é ser "humano" na manifestação e divino na concepção, antes de tudo. E isso ele nos mostra.

Zadig é humano antes de tudo. O blog, não é um blog de debates; não é um blog para comentar. É um blog para ler e pensar. BetoQ é uma pessoa para se conhecer, para partilhar. Para compartilhar. Para ter persitência. Não serve para ler apenas um post. Devemos acompanhar a trajetória. É daquelas pessoas que se formam diante de nós aos poucos; que se revelam como uma foto, mas que devem ser apreciadas depois que são colocadas no álbum. Olhadas aos detalhes, pelo entorno, por tudo que não está necessariamente à vista primeira. Fotos que gostamos de mostrar a todos os amigos. Coloquem Zadig nos seus álbuns de vida.

Natal.

Para ele significa algo mais do que significa para mim. Para ele, uma esperança, certamente; para mim, há muito, apenas uma lembrança.

Caríssimo Adalberto (Zadig):

Tens sido um desafio para mim. Que continues sendo, em 2006.



Livros - II

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Pois é,

Foi aí que senti a minha vaguinha no céu indo pro purgatório. Na minha arrogância, pensei dar um nó no Mestre. E agora, que livro emprestar a Ele? Não sabendo o que indicar, tentei dar uma disfarçada.

- Caríssimo, façamos o seguinte. Temos, lá embaixo, um coisa parecida com livro, só que é cheio de figurinhas. Sabe? Mulher pelada e coisa e tal? Não aprecias?
- Afonso! Esqueces que fui eu o criador dessas preciosidades? E, de mais a mais, ainda prefiro a Eva. Aquilo sim era mulher de verdade...
- Ei, ei, conheço essa. Seja original, ao menos!
- Sim, sim, mas e aqueles peitinhos da Eva. Ah! Afonso, vou te confessar uma coisa.
- Fala! Tenho a eternidade para te ouvir!
- Isso é o que pensas, meu caro. Dependendo do que vais me indicar, te mando de volta logo, logo. Mas como ia dizendo, sacaneei o Adão. Admito. Nem eu resistiria se estivesse no lugar dele.
(hummm, algo me diz para continuar por esse caminho. Talvez ele esqueça do livro.)
- Querido, não tive a oportunidade de conhecer Eva pessoalmente, mas pelo que falas devia ser uma mulher e tanto, não?
- Ô se era! E ainda tinha uma paciência de Jó. Não, Jó não. Jó veio depois. Uma paciência divina, hahahaha!
- hahahaha (sacana, ainda me faz rir de piadinha boba, só pra não arriscar meu lugarzinho) Por quê?
- Imagina agüentar o Adão! Eu sei que fui eu quem o criou, mas, tadinho, ficou tão cheio de defeitos, maniático. Não parava de reclamar do tédio que era o paraíso. Um ingrato, isso sim!
- Ei, ei, defeito tinha a ...ops! Eu! É! Eu sou cheio de defeitos (ih! dancei).
- Afonso?
- Sim?
- Estás querendo me enrolar?
- Longe de mim, Altíssimo! Quem sou eu! Só pensei que estavas tendo prazer com as lembranças da Eva.
- E estou, não posso negar.
- E por falar nela, por onde anda?
- Pois é, Afonso, fugiu com o Demo!
- Como assim?
- É... Afonso. Bem sabes que as mulheres adoram um cafajeste. Bem que eu tentei. Fiz algumas sacanagens do tipo inundação, destrui umas cidades, essas coisas, sabe? Pra ver se ela voltava, mas não deram certo. Ele é bem mais competente que eu.
- E por que não fizeste outra igual?
- O problema é que isso não estava nos meus planos. Queria que os homens fossem capazes de criar outra Eva. E sou meio birrento. Depois que coloco uma idéia na cabeça, nem eu mesmo tiro.
- Sei, sei, conheço vários assim!
- Quem? Quem?
- Aqui tem delação premiada também, é? Tá, deixa pra lá.
- Afonso, Afonso, e meu livro?
- Errrr! Deixa eu ver... Pelo jeito, acho que andas precisando de algum livro de auto ajuda!


Alguém se arrisca a sugerir um livro para emprestar a Deus?

Livros

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Pois é,

Vamos supor que exista o Criador. Mais, vamos supor que eu tenha levado uma vida merecedora de, ao menos, uma breve entrevista por parte d'Ele.

- Afonso?
- Senhor!!?? Permita-me, antes de mais nada, expressar minha surpresa. Nada há de mais imprevisto que Sua existência. Hás, com perdão da intimidade, de concordar comigo!
- Afonso, deixa pra lá essas questões filosóficas. Queres permanecer aqui no céu?
- Putz! Ai, desculpa o cacoete terreno! E o que é preciso fazer mais do que já fiz lá na Terra para merecer o céu?
- Responder a uma única pergunta!
- Só uma? Uminha?
- Só!
- E não tem pegadinha?
- Afonso!!!
- Tá legal, desculpa. Manda ver!
- De todas as coisas que a humanidade produziu, qual terá sido a maior delas?
- PQP! Putz, falha minha! Não tens mãe, né? Só teu filho teve uma.
- Afonso!!!?
- Sim?
- Não sejas chato!
- Mas, Senhor, esse é o blog do Chato! Como não sê-lo? E se não sê-lo, como sabê-lo?
- Mais uma e vais pro Inferno!
- E tem picanha mal passada por lá? Hummm, já fiquei em dúvida se quero responder.
- Última vez: de todas...
- Ai, que meda! Tá bom, meu caro! Demorei porque estava em dúvida entre o livro e a música. Entre os dois, fico com o livro. A música é uma criação tua. Tens essa mania de ficar soprando nos ouvidos dos homens as melodias maravilhosas que eles produzem. Devias parar com isso, sabes? Sei, sei. No século vinte deixaste todos por conta própria e deu no que deu! Mas, de qualquer forma, a música é a natureza. Os livros não. Livros são uma genuína criação do homem.
- Como assim??? Nada se cria debaixo do céu que não seja por minha vontade, insolente!!!
- Ei, peraí, ô onipotente! Perdeste de há muito o controle das cousas lá pela Terra! Cá pra nós, quem mandou criar mais mundos do que podias controlar? Teu amiguinho, o Demo - lembra? - andou se aproveitando da tua ausência desde que resolveste descansar no tal sétimo dia e nos ensinou a escrita.
- Que história é essa, se eu joguei esse cara lá no quinto dos infernos?
- Esse foi teu problema, jogá-lo no quinto dos infernos (com o perdão da Vossa Pessoa, que dizem ser brasileiro, mas, sabes que dizem ser o Brasil esse tal de quinto dos infernos?). De lá ele arranjou tudo: deu ao homem, que dizes ser tua imagem e semelhança, a imaginação. Mais, deu a ele onde colocar essa imaginação. Criou o livro. E tão poderoso é o livro, que por diversas vezes jogaram-no ao fogo, crentes que estavam a eliminá-lo, quando na realidade nada mais faziam que devolvê-lo ao seu criador. Teria sido o Senhor dos Fogos Eternos?
- Afonso?
- Sim, caríssimo? Posso chamá-lo assim, né? A essas alturas da conversa...
- Vá lá! Mas diz-me uma coisa!
- Se estiver ao alcance de uma simples figura, tão somente semelhante...
- Esquece isso e me responde: o que tem de tão grandioso esse tal de livro?
- Arrá! Admites, não? Vamos combinar uma coisa: eu falo, tá? Mas sem punições, Ok?
- Putz (com tua licença, Afonso, tá?), mas nem eu seria capaz de criar alguém tão chato como tu! Fala logo!
- hahahahah Começamos a nos entender! Nos livros, meu Senhor, os homens descobrem o mundo. Neles, os homens amam e odeiam. Nos livros os homens descobrem o que são e o que gostariam de ser. Nos livros eles se tornam eternos. Tu nos expulsaste do paraíso! Pois nos livros retornamos a ele sem te pedir licença. Nos livros nos revoltamos contra a tua vontade, falamos mal e bem de ti. Dizemos da desgraça humana, contamos números da morte e registramos nossas tragédias. E registramos nossa vontade de sermos iguais a ti. Neles somos a favor e somos contra. Dizemos do sim e do não. Nos livros escrevemos a fórmula da morte e a fórmula da vida...
- Afonso, chega!
- Como assim, chega? Querias saber, não querias?
- Já me é suficiente a tua resposta. Tenho, porém, outra pergunta para ti?
- Arrá! E para quem mais terias, ó Divino, se estamos só nós dois aqui, Sábio dos Sábios?
- PQP! Afonso!!! Sem gozação, tá?
- Opa! Já te disse! Pelo que sei, só teu filho tem mãe. Se tu não tens mãe, eu tenho!!! Mantenha o nível!
- Certo! Mas vamos lá! Valendo um lugar no céu, última pergunta: podias me emprestar algum livro?



A estante vazia

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Pois é,

Ontem tive que montar uma estante. Primeiro sinal de que tem gente nova na casa. Tão pequenininha e já está tomando conta do meu cantinho. Minha bagunça deverá ser arrumada, pois devo guardar o carrinho da Clarissa no escritório. Não dá pra deixá-lo aberto, pois os gatos descobriram que podem dormir ali dentro. Tenho que dobrá-lo, e aí só tem o meu escritório para guardar. Na sala fica feio, no quarto não tem lugar. O que significa isso? Significa que todas as minhas coisas atiradas pelo chão terão que dar espaço para o carrinho.

Adoro estantes vazias. Estantes vazias são um prato cheio para a imaginação. Há mais de cinco horas que estou olhando para ela e imaginando o que colocar. Como colocar também é muito importante: as coleções vão na prateleira de cima ou na de baixo? E as revistas? Essas devem ficar mais a mão, pois posso precisar. E a caixa com minha coleção de canetas, vai aonde? Troco meus LPs de lugar e coloco na estante nova, ou deixo na velha, onde estão atualmente?

Detesto estantes vazias. Estantes vazias são um prato cheio para o desespero. Há mais de cinco horas que estou olhando para ela e não sei por onde começar. Como colocar até sei: vou acabar jogando tudo de qualquer jeito. Não sem antes fazer uma promessa de um dia arrumar. É assim que está a outra: tudo jogado por cima de uma forma que nem mesmo eu acho mais nada por aqui.

É muito difícil arrumar uma estante. E se depois de pronta eu não gostar do arranjo? Puxa vida, não dei o devido destaque pra coleção de livros que era do meu avô. E esse que minha mãe deu para o meu pai no primeiro aniversário de namoro? As cores das capas também importam muito: há que se ter harmonia numa estante. E os livros de Filosofia devem ficar junto aos de Direito ou junto aos de Administração? Depois de carregar trocentos livros, acabar por não gostar, não dá. Tudo de novo não! E as apostilas do pós e os xerox ficam onde?

Por outro lado, adoro estantes vazias. Estantes vazias são um prato cheio para o meu eu compulsivo. Sou terminantemente proibido de entrar na Saraiva e na Cultura. Ordens médicas. Livros e CDs os males do Afonso são! "Afonso, não esquece o leitinho da Clarissa, não vai gastar o salário todo em livros e CDs". Não doutor, eu deixo um pouquinho pro cigarro e pra cerveja, serve? E o leitinho quem dá é a Kaya.

Por isso detesto estantes vazias.



Pois é,

A sala "Será que sei escrever?" ainda está fechada, mas podemos dar uma espiadinha pelo buraco da fechadura:

VAZIO

Um vazio que enche, sufoca.
Um vazio do frio,
muito frio.
Vontade de correr do corpo,
corpo preso, imobilizado
pelo frio.
Corpo preso, congelado
pelo vazio.

Uma dor que enche, sufoca.
A dor do vazio,
pior que a dor do frio.
Ninguém olha para o corpo,
encolhido de frio.
Corpo quase morto,
na rua,
vazio.

Pior que morrer de frio,
é sentir-me morrer de vazio.
Do vazio da vida,
do vazio das pessoas.
Do frio vazio da indiferença,
que não olha para quem eu sou.
Que não sabe, que a pior morte
é morrer vazio, de frio.

Já vejo meu corpo ali
estendido, mendigo.
corpo preso, acabado.
Não tenho mais frio,
não vou morrer de frio.
Só há um vazio que enche, sufoca.
Um vazio frio, muito frio.
Não quero morrer vazio!



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