Será que eu sei escrever?: dezembro 2005 Archives

Pois é,

Para os que lerão esse post, um breve comentário. A Verbeat, numa brilhante idéia dos seus administradores, fez um amigo secreto entre os moradores. O presente? Um post, no dia 23, sobre o sorteado.

Coube-me, pela sorte, tarefa difícil. Mais que difícil. Fora difícil, teria sido fácil (Certo, certo! É um trocadilho sem graça, mas serve para deixar-me mais à vontade!). É um desafio. E dos grandes. Na verdade, um desafio que me impus há algum tempo. Coincidência das coincidências.

Sem dúvida, o rigor formal da escrita assusta. Não estamos mais acostumados - eu, pelo menos - à leitura de textos que primam pela correição no uso da língua. E esse é um dos fatores que proporciona prazer na leitura do blog. Faz-nos lembrar o quanto linda é a língua portuguesa. Faz-me lembrar de tempos outros, quando sonhava saber escrever.

Por outro lado, a mescla com expressões francesas leva-me a recordar minha própria origem francesa. Meu bisavô, recente portanto, veio da França. Chamava-se Pierre. Viajo pela França nas páginas da internet. E viajo a cada "courrier" que leio no blog.

O desafio? O desafio consiste na visão de mundo diferente. Ele, católico; eu, batizado. E só.

Mas há mais entre "isso" e "aquilo". Há mais entre a expressão de uma religiosidade e a expressão de um conhecimento que a todos pertine. A filosofia, a moral, os ensinamenos de vida que independem de religião. Que são de todas as religiões, pois buscam o bem supremo a ser alcaçado por uma humanidade que é criatura e almeja, um dia, tornar-se criadora.

Com sabedoria , ele consegue o equilíbrio entre a defesa de uma crença e a defesa de uma crença. A crença religiosa e a crença em princípios éticos, que, para ele, certamente são a mesma coisa. Sem dúvida que a ética nasceu da religiosidade. Aqui, não há confundir religião com religiosidade. Não há confundir o Cristianismo com a Igreja Católica Apostólica Romana que, por momentos, e a uma leitura superficial, parecem ser a mesma coisa ao leitor mais rápido.

Ele crê e é isso que importa. Daí o desafio. É desnudar-se dos preconceitos religiosos para poder abraçar a religiosidade. É ler; é aprender. É ver os ensinamentos antepostos aos santos. Ser santo é um conceito católico; ser sábio é ser "humano" na manifestação e divino na concepção, antes de tudo. E isso ele nos mostra.

Zadig é humano antes de tudo. O blog, não é um blog de debates; não é um blog para comentar. É um blog para ler e pensar. BetoQ é uma pessoa para se conhecer, para partilhar. Para compartilhar. Para ter persitência. Não serve para ler apenas um post. Devemos acompanhar a trajetória. É daquelas pessoas que se formam diante de nós aos poucos; que se revelam como uma foto, mas que devem ser apreciadas depois que são colocadas no álbum. Olhadas aos detalhes, pelo entorno, por tudo que não está necessariamente à vista primeira. Fotos que gostamos de mostrar a todos os amigos. Coloquem Zadig nos seus álbuns de vida.

Natal.

Para ele significa algo mais do que significa para mim. Para ele, uma esperança, certamente; para mim, há muito, apenas uma lembrança.

Caríssimo Adalberto (Zadig):

Tens sido um desafio para mim. Que continues sendo, em 2006.

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