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Empreitada

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Pois é,

"Quando observamos o desenrolar de uma vida humana, vemos que o destino de alguns e mais determinado pelos objetos de seu interesse e o de outros mais pelo seu interior, pelo subjetivo. E, como todos nós pendemos mais para este ou aquele lado, estamos naturalmente inclinados a entender tudo sob a ótica de nosso próprio tipo.

Mas é difícil, muitas vezes, descobrir em qual tipo se enquadra alguém, sobretudo quando se trata de nós mesmos. O julgamento sobre a própria personalidade é sempre muito confuso. Essas confusões subjetivas de julgamento são muito numerosas, porque a todo tipo mais declarado corresponde uma tendência especial a compensar a unilateralidade de seu tipo, uma tendência que tem seu conveniente biológico, pois luta por manter o equilíbrio psíquico". (itálico no original) (C.G.Jung, in Tipos Psicológicos) .

Jamais havia imaginado que, depois de velho, despertaria um interesse pela Psicologia, mais especialmente os aspectos relativos às questões da motivação e do comportamento humano. Logo, pela personalidade.

Na Administração, fala-se e escreve-se muito sobre motivação e comportamento organizacional. Pelo que tenho visto, não passam de meros "resuminhos" para vender livros. Há que beber direto na fonte.

Pois estamos, então, a caminho das fontes.

Pois é,

2. Breve revisão

Para entender onde quero chegar, temos que rever o que já foi pensado sobre a motivação pelos estudiosos do assunto. É chato, eu sei, mas esse é "O Chato", certo? Poderia ir direto, mas ficaria faltando elementos para a crítica. Ao final da série cito as biblios para quem gostar do assunto.

Existem alguns modelos de classificação das teorias sobre motivação, conforme os diversos aspectos considerados na análise. Basicamente, quatro são esses aspectos: ênfase, foco, pergunta e resposta. As teorias sobre a motivação elegem um desses aspectos como determinante (objeto de estudo) da motivação.

"A ênfase diz respeito ao que se elege como importante para abordar a motivação (ativação, direção, intensidade, e persistência); o foco é o alvo ou objeto de atenção que está intimamente relacionado com a ênfase de abordagem escolhida (estado inicial, alvo, força, e manutenção); a pergunta é a indagação que se faz ao objeto, e a resposta é o nível de explicação ou de compreensão que se pretende obter".

Parece complicado, mas não é. Repito: é importante compreender isso, pois é com essas teorias que os "gurus" fazem os "programas de motivação" que atingem a todos nós.

Continua, devagarinho, que é pra não ser muiiiiiiito mais chato do que o normal...e pra quebrar um pouco a chatisse, tem um terceiro post logo ai abaixo...

Pois é,

1. Breve introdução

O tema motivação não importa apenas para o ambiente de trabalho, importa sob quaisquer circunstâncias onde devemos agir. É costume ver a palavra motivação como sendo o “motivo” para a “ação”, isto isso, as razões pelas quais agimos. Em verdade, o foco dos estudos deveria ser outro: as razões para a falta de motivação.

E por quê? Porque o ser humano é motivado por natureza. A educação é que, ao longo do tempo, acaba por desmotivar as pessoas. Os constantes “nãos” recebidos desde a mais tenra idade, e depois pela sociedade que nos exige comportamentos padronizados, nos fazem abandonar os pequenos sonhos que vamos construindo ao longo da vida.

Uma situação prática, a mim apresentada na semana passada, ilustrará esse pitaco sobre motivação ou da falta dela.

O caso foi relatado pela chefia de dois servidores, ambos concursados e ocupando o mesmo cargo. Um, dizia a chefia, estava constantemente estudando, querendo fazer outro concurso para uma carreira considerada “top de linha” das carreiras jurídicas, queria ganhar mais, queria ser mais. Por isso, vivia fazendo perguntas sobre temas jurídicos, debatia as questões, enfim, “é um rapaz motivado”, disse-me; o outro, no entanto, parecia acomodado ao cargo, satisfeito com seu salário (embora pequeno) e não demonstrava a mínima vontade de fazer mais do que lhe era exigido. Não consigo entender, dizia a chefia, como alguém pode aceitar viver o resto da vida assim, sem perspectiva.

Coloque-se, agora, ambos em um curso - ou palestra – motivacional. Ensine a ambos as teorias de Maslow, Herzberg e tantos outros autores (que não é mais do que esses cursos fazem). O que acontece? Acontece que as organizações dão-se por satisfeitas achando que estão motivando seus empregados/servidores.

Vamos mais longe, coloquemos os dois em um grupo para desenvolvimento interpessoal e de equipes. O que acontece? Nesse caso, pode-se observar uma pequena melhora nas relações interpessoais e uma aparente configuração de equipe, para o que até então parecia um bando ou, no máximo, um grupo.

Qual a diferença entre os servidores? Continua...

Pois é,

Bem que eu gostaria de não ser chato e não precisar repetir certas coisas por aqui, mas é impossível. Olha só:

"Depois de temperaturas que chegaram a 33,6°C nos últimos dias em pleno inverno, o Rio Grande do Sul poderá ter neve entre domingo e segunda-feira. Conforme a Rede de Estações de Climatologia Urbana, um nova massa de ar polar, que deverá entrar no Estado neste fim de semana, irá derrubar a marca nos termômetros e poderá criar condições que podem propiciar neve."

Alguém agüenta isso? De 33 a zero em menos de 24 horas?

Por outro lado, Fela Moscovici escreve:

"O que mais parece pertubar a compreensão do comportamento humano nas organizações é a insistente tendência de abordagem predominantemente racional. No ambiente de trabalho, supõe-se que a interação se dê de acordo com um esquema inteligível de ação, isto é, que as pessoas façam o que se espera delas. Entretanto, as pessoas nem sempre fazem ou dizem o que é esperado, e deixam os outros surpresos e confusos com algumas de suas respostas ou atos insólitos"
.

Houve época que achava que todo mundo deveria conhecer e estudar Direito; ao menos noções básicas. De certa forma ainda penso assim, que deveríamos ter uma disciplina, desde as turmas do ensino fundamental até o ensino médio, para ensinar cidadania, direitos e DEVERES básicos.

Hoje começo a ir um pouco mais longe. Deveríamos ensinar conceitos básicos de psicologia comportamental para os adolescentes e, de forma obrigatória, para todos os universitários, seja de qual curso for. E por quê? Porque todos seremos trabalhadores e teremos comportamentos no ambiente de trabalho que determinarão nossa saúde e a saúde dos colegas.

Muito se fala sobre qualidade de vida no trabalho, sobre desenvolvimento humano, de equipes e desenvolvimento interpessoal. Já disse por aqui que não gosto de gurus americanos da área de Administração, pois a abordagem dos autores americanos privilegia o foco na organização em detrimento do foco nas pessoas: suas crenças, comportamentos e atitudes.

Um exemplo claro disso é a "moderna" teoria que privilegia o trabalho em equipe. Não sou contra o trabalho em equipe nas organizações - e nem poderia sê-lo; o que me preocupa é que a visão americanista, a reboque do privilégio para os aspectos organizacionais, simplesmente ignora a existência do EU. É comum ouvirmos que "não existe EU nas equipes; somente o NÓS". E aqui começam os problemas.

Todo o trabalho de desenvolvimento das pessoas é dirigido para um alinhamento com os objetivos e competências organizacionais em detrimento de um verdadeiro desenvolvimento humano. É um paradoxo querer desenvolver equipes sem antes desenvolver o indíviduo. Por essa razão o fracasso de tantas intervenções nessa área. O consultor entra na organização, faz um trabalho de desenvolvimento de equipes e vai embora (com os $$$$$ na mala). Pouco tempo depois tudo retorna - com raras exceções - ao estado anterior.

E porque falo de trabalho por aqui? Ora, porque somos todos trabalhadores. Não somos máquinas, devemos pensar cotidianamente nossa inserção no trabalho e nas relações que ali acontecem. Pena que a maioria aja como se autômatos fossem: batem ponto pela manhã e se mexem durante o dia apenas esperando para bater o ponto à noite. E depois querem falar de qualidade de vida no trabalho.

E depois querem falar de qualidade de vida à zero grau. Impossível!

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