Pois é,
Algo deve ser feito e já. E que não se alegue feriadão! Tanto o MP quanto a Justiça têm plantões. Estão esperando o quê? Ver mais uma centena de vezes o vídeo:
;
Se a todos os que cometem crimes nesse país bastasse pedir desculpas, não teríamos problemas de superlotação nos presídios:
O pior da hipocrisia é ter chamado de "vazamento de áudio". Não me venha distorcer os fatos, senhor Casoy. Preconceito é uma postura de vida e não de áudio vazado. Corrupção é uma postura de vida e não de notícias vazadas.
Mesmo que não tivesse vazado, o senhor deveria ter vergonha de ser e pensar como é e pensa!
O mais interessante de tudo é chamar um crime de "GAFE"!
Cadê o Ministério Público?
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Pois é,
Há uma tênue linha entre o "ser público" e o "ser privado". A mesma linha que separa hipocrisia e realidade. A conveniência desenha a linha.
Há uma tênue linha entre o "ser público" e o "ser privado". A mesma linha que separa hipocrisia e realidade. A conveniência desenha a linha.
Pois é,
O mundo dá voltas em torno de si e do Sol. Ao menos é o que parece!
Já notaram - ou sou eu que ando completamente atrasado - que a política brasileira está repleta dos "ex-qualquer-coisa da ditadura"?
A pergunta pra eles é: agora vale estar no sistema?
(por outro lado, parece que ter sido "ex-qualquer-coisa da ditadura" serve de currículo...)
O mundo dá voltas em torno de si e do Sol. Ao menos é o que parece!
Já notaram - ou sou eu que ando completamente atrasado - que a política brasileira está repleta dos "ex-qualquer-coisa da ditadura"?
A pergunta pra eles é: agora vale estar no sistema?
(por outro lado, parece que ter sido "ex-qualquer-coisa da ditadura" serve de currículo...)
Pois é,
Tarefa das mais difíceis é explicar a um jovem o que é "aposentadoria". Aposentar-se ainda é sinônimo de morrer. Fomos, os de meia idade pra cima, criados num mundo sem alternativas para a chamada "velhice". E a velhice chegava com a aposentadoria. Era o que nos ensinavam.
Todo um mundo foi criado em cima disso. As pessoas queriam "fazer carreira" para chegar ao fim da vida (leia-se aposentadoria) em situação de "bem viver a velhice". Poupança, segurança para si e para a família, planos de saúde que só pensavam nos "anos tristes", carro, casa própria, eram todos objetivos da nossa felicidade.
Felicidade que duraria pouco, pois não restaria muito a fazer, a não ser ajudar a (des)criar os netos, fazer festas de fim de ano para reunir a família e rezar para não ficar doente.
Quando comecei a vida, lá pelos 20 anos, aposentadoria era uma palavra desconhecida. Talvez por ter começado em uma atividade puramente intelectual, a Física - e depois a Astrofísica -, não imaginava o cérebro "parando" de trabalhar.
Trinta anos passados e o que percebo é que não há como fazer o cérebro parar. Ao contrário, não há tempo suficiente para o cérebro funcionar o tempo todo.
Há tanto o que fazer na internet, que 24 horas são, definitivamente, insuficientes.
O ponto de mutação entre as últimas gerações se deu entre o "não ter o que fazer" e o "ter demais o que fazer". Antes os pais colocavam os filhos para "tocar" o negócio que eles criaram e desenvolveram. Hoje? Hoje os pais tentam tocar os filhos pra fora de casa, para que se virem. Os filhos da internet não sabem mais o que fazer diante de tantas escolhas.
Dito de outra forma: "não tenho o que escolher" e "tenho que escolher". O que antes significava o "justo descanço", agora significa "o justo estresse". A "falta de escolha' contra "não sei o que escolher".
A internet trouxe estresse. Comunidades, grupos, comunicadores instantâneos, necessidade de estar "a par de tudo", de estar sempre on-line para não perder nada, não tem idade. O que antes era a busca pela segurança virou o estresse da falta de segurança.
Quem tem um blog sabe o quanto é difícil escolher sobre o que escrever. Lembrando, claro, que toda regra tem exceções.
O Chato passou, ou passa, por essa crise. Ou se aposenta, ou segue em crise!
Tarefa das mais difíceis é explicar a um jovem o que é "aposentadoria". Aposentar-se ainda é sinônimo de morrer. Fomos, os de meia idade pra cima, criados num mundo sem alternativas para a chamada "velhice". E a velhice chegava com a aposentadoria. Era o que nos ensinavam.
Todo um mundo foi criado em cima disso. As pessoas queriam "fazer carreira" para chegar ao fim da vida (leia-se aposentadoria) em situação de "bem viver a velhice". Poupança, segurança para si e para a família, planos de saúde que só pensavam nos "anos tristes", carro, casa própria, eram todos objetivos da nossa felicidade.
Felicidade que duraria pouco, pois não restaria muito a fazer, a não ser ajudar a (des)criar os netos, fazer festas de fim de ano para reunir a família e rezar para não ficar doente.
Quando comecei a vida, lá pelos 20 anos, aposentadoria era uma palavra desconhecida. Talvez por ter começado em uma atividade puramente intelectual, a Física - e depois a Astrofísica -, não imaginava o cérebro "parando" de trabalhar.
Trinta anos passados e o que percebo é que não há como fazer o cérebro parar. Ao contrário, não há tempo suficiente para o cérebro funcionar o tempo todo.
Há tanto o que fazer na internet, que 24 horas são, definitivamente, insuficientes.
O ponto de mutação entre as últimas gerações se deu entre o "não ter o que fazer" e o "ter demais o que fazer". Antes os pais colocavam os filhos para "tocar" o negócio que eles criaram e desenvolveram. Hoje? Hoje os pais tentam tocar os filhos pra fora de casa, para que se virem. Os filhos da internet não sabem mais o que fazer diante de tantas escolhas.
Dito de outra forma: "não tenho o que escolher" e "tenho que escolher". O que antes significava o "justo descanço", agora significa "o justo estresse". A "falta de escolha' contra "não sei o que escolher".
A internet trouxe estresse. Comunidades, grupos, comunicadores instantâneos, necessidade de estar "a par de tudo", de estar sempre on-line para não perder nada, não tem idade. O que antes era a busca pela segurança virou o estresse da falta de segurança.
Quem tem um blog sabe o quanto é difícil escolher sobre o que escrever. Lembrando, claro, que toda regra tem exceções.
O Chato passou, ou passa, por essa crise. Ou se aposenta, ou segue em crise!
Pois é,
Quem diria, o presidente dos EUA, ao receber o Prêmio Nobel da Paz (o que, por si só, é um absurdo! Ou absurdo seria esse tal de Nobel da Paz?) disse:
"Não se enganem: o mal existe no mundo. Um movimento de não violência não poderia ter parado os Exércitos de Hitler. Negociações não podem convencer os líderes da Al-Qaeda a depor suas armas. Afirmar que a força é necessária em algumas ocasiões não é um chamado para o cinismo, é um reconhecimento da história, das imperfeições do homem e dos limites da razão." (BBC)
Não há dúvidas de que o mal existe no mundo, assim como movimentos de não violência sequer conseguem parar o trânsito. Será que ele pensa que chamar o Bin Laden para um chopinho ia resolver alguma coisa?
Agora, reconhecer e utilizar como argumento as imperfeições do homem e os limites da razão, para justificar aquilo que eles mesmos (os norte-americanos) fazem como necessário é ultrapassar qualquer limite da "razão".
Defender-se é diferente de atacar. Mais ainda quando os motivos são puramente econômicos, como no caso do Iraque. Usar da força para defender-se está até previsto no nosso código penal. Mas há que lembrar da proporcionalidade da força usada na defesa em relação à força utilizada no ataque. Havendo proporcionalidade é legítima defesa; caso contrário é crime.
E é isso que o atual Nobel da Paz faz: usa de força desproporcional sob a alegação de que está defendendo seu povo. Que ameaça o povo do Iraque representava para o povo norte-americano? E mesmo o Saddan? Se Bin Laden representou ameaça foi por causa da "mosconice" do governo norte-americano, "que não soube remar...".
Vai mal o mundo! Muito mal. Quando esse tipo de gente ganha reconhecimento por mandar matar e ainda vem a público dizer que não é cinismo, algo vai mal, muito mal.
Concordo que não é cinismo, é hipocrisia mesmo. Do mais puro malte.
Quem diria, o presidente dos EUA, ao receber o Prêmio Nobel da Paz (o que, por si só, é um absurdo! Ou absurdo seria esse tal de Nobel da Paz?) disse:
"Não se enganem: o mal existe no mundo. Um movimento de não violência não poderia ter parado os Exércitos de Hitler. Negociações não podem convencer os líderes da Al-Qaeda a depor suas armas. Afirmar que a força é necessária em algumas ocasiões não é um chamado para o cinismo, é um reconhecimento da história, das imperfeições do homem e dos limites da razão." (BBC)
Não há dúvidas de que o mal existe no mundo, assim como movimentos de não violência sequer conseguem parar o trânsito. Será que ele pensa que chamar o Bin Laden para um chopinho ia resolver alguma coisa?
Agora, reconhecer e utilizar como argumento as imperfeições do homem e os limites da razão, para justificar aquilo que eles mesmos (os norte-americanos) fazem como necessário é ultrapassar qualquer limite da "razão".
Defender-se é diferente de atacar. Mais ainda quando os motivos são puramente econômicos, como no caso do Iraque. Usar da força para defender-se está até previsto no nosso código penal. Mas há que lembrar da proporcionalidade da força usada na defesa em relação à força utilizada no ataque. Havendo proporcionalidade é legítima defesa; caso contrário é crime.
E é isso que o atual Nobel da Paz faz: usa de força desproporcional sob a alegação de que está defendendo seu povo. Que ameaça o povo do Iraque representava para o povo norte-americano? E mesmo o Saddan? Se Bin Laden representou ameaça foi por causa da "mosconice" do governo norte-americano, "que não soube remar...".
Vai mal o mundo! Muito mal. Quando esse tipo de gente ganha reconhecimento por mandar matar e ainda vem a público dizer que não é cinismo, algo vai mal, muito mal.
Concordo que não é cinismo, é hipocrisia mesmo. Do mais puro malte.
Pois é,
Três datas marcam a vida:
- o dia mais triste do ano: quando começa o verão;
- o dia mais alegre do ano: quando começa o inverno;
- o dia mais feliz do ano: quando começa o horário de verão, que, casualmente (!), é hoje.
Mas não pensem que adoro o inverno e detesto o verão. É justo o contrário. Detesto o inverno e adoro o verão. Acontece que o início do inverno marca a noite mais longa do ano. Dali pra frente os dias duram cada vez mais e as noites cada vez menos. É isso que significa: chega de escuridão; chega de sair do trabalho no escuro. O início do inverno significa LUZ. Mais luz a cada dia que passa. Por isso é um dia alegre.
Infelizmente essa luz só dura até o início do verão, dia mais longo do ano. Depois disso, os dias começam a ficar mais curtos, até chegar o outono. E daí é uma desgraceira só até a entrada do inverno. A entrada do verão significa que a escuridão se aproxima. Por isso é um dia triste.
Mas o dia que começa o horário de verão é um dia feliz. Acordo, em geral, pelas seis da manhã. No inverno, acabo perdendo o nascer do sol (fenômeno que posso ver aqui de casa...). Com a mudança do horário, acordo mais cedo e vejo o nascer do sol. No inverno, acabo perdendo o pôr-do-sol (ainda tem hífen???) (fenômeno que posso ver aqui de casa...). Com a mudança do horário, chego mais cedo em casa e vejo o pôr-do-sol.
Tem coisa mais feliz do que ver o sol do início ao fim do dia?
Eu posso ser chato, mas chato, mesmo, é quem não gosta do horário de verão...
Três datas marcam a vida:
- o dia mais triste do ano: quando começa o verão;
- o dia mais alegre do ano: quando começa o inverno;
- o dia mais feliz do ano: quando começa o horário de verão, que, casualmente (!), é hoje.
Mas não pensem que adoro o inverno e detesto o verão. É justo o contrário. Detesto o inverno e adoro o verão. Acontece que o início do inverno marca a noite mais longa do ano. Dali pra frente os dias duram cada vez mais e as noites cada vez menos. É isso que significa: chega de escuridão; chega de sair do trabalho no escuro. O início do inverno significa LUZ. Mais luz a cada dia que passa. Por isso é um dia alegre.
Infelizmente essa luz só dura até o início do verão, dia mais longo do ano. Depois disso, os dias começam a ficar mais curtos, até chegar o outono. E daí é uma desgraceira só até a entrada do inverno. A entrada do verão significa que a escuridão se aproxima. Por isso é um dia triste.
Mas o dia que começa o horário de verão é um dia feliz. Acordo, em geral, pelas seis da manhã. No inverno, acabo perdendo o nascer do sol (fenômeno que posso ver aqui de casa...). Com a mudança do horário, acordo mais cedo e vejo o nascer do sol. No inverno, acabo perdendo o pôr-do-sol (ainda tem hífen???) (fenômeno que posso ver aqui de casa...). Com a mudança do horário, chego mais cedo em casa e vejo o pôr-do-sol.
Tem coisa mais feliz do que ver o sol do início ao fim do dia?
Eu posso ser chato, mas chato, mesmo, é quem não gosta do horário de verão...
Pois é,
Poucas deveriam ser as coisas a me tirar do "retiro" espírito-bloguístico por onde ando. Incomodar o pobre Einstein, fazendo-me relembrar sua frase, quase símbolo deste Chato, é uma delas. A cada dia passado nessa vida, maior é o número de pessoas que dão razão a que a estupidez humana não tem limites, que é infinita.
Chegado de viagem, recebo notícia de que o Milton Ribeiro está sendo processado por uma escritora. Motivo? Um post que ele escreveu expressando sua opinião sobre uma das obras dessa escritora (para um resumo da história, ver este post. Aqui a sequência.). Não foi a primeira vez que algum crítico comenta a tal obra. O Idelber Avelar, neste post, publica uma resenha feita pelo Marcelo Backes. É bom ler todos os posts e críticas, bem como todos os comentários, em ambos, Milton e Idelber.
Mas onde está, afinal, a estupidez humana nesse caso? Está na demonstração do pleno estado de barbárie que vivem essa senhora e seu representante. De um advogado, infelizmente, não poderíamos esperar outra atitude, tendo em vista que vive de fazer prosperar as pendengas humanas, notadamente aquelas que mais poderão render, por envolverem pessoas ou empresas cujas rendas são suficientes para alimentá-lo - e certamente a sua prole - por um bom par de décadas. Não são capacitados, treinados, nas faculdades, para o prévio diálogo, para a composição amigável, para o acordo. Somente enxergam a via judicial para a solução de tudo. Muito se fala do Poder Judiciário e muito se diz sobre a morosidade dos processos. Nada, porém, é dito sobre advogados. E antes que algum advogado apressadinho resolva me processar por escrever isso, aviso logo que não estou generalizando, que sei bem que existem os bons advogados.
A estupidez da senhora escritora está em não aceitar o seu lugar no mundo das letras. Um pais, cuja população tem algo em torno de 75% de seus membros considerados alfabetizados funcionais, isto é, mal e porcamente conseguem compreender um parágrafo de conteúdo simples, deve ter escritores que escrevam para esse público. Quanto a isso não há questionamentos: ela é escritora e pronto! Esses 75% gostam e entendem (e talvez não mais que isso) o que está contido no lugar-comum "cortando a noite fresca e estrelada como uma faca que penetra na carne tenra e macia de um animalzinho indefeso".
Mas daí a supor que toda a literatura nacional está nivelada por esses 75% são outros quinhentos (e não esqueçamos que nossas redes televisivas também atendem somente a esse público). Ainda temos 25% que são capazes não apenas de entender o que lêem, mas de fazer o que de mais importante as pessoas podem fazer: criticar aquilo que consomem.
É da natureza da estupidez humana o extrapolar o conteúdo de uma crítica. Assim o fez o advogado ao desviar o foco da questão, que deveria ser o conteúdo da crítica elaborada pelo Milton, para uma tentativa de desqualificação pessoal. Não tenho dúvidas que a estagiária do juiz dará boas gargalhadas ao preparar uma minuta de decisão.
Vivemos momentos perigosos. Momentos em que a defesa da liberdade de expressão só vale para os tais meios de comunicação e seus profissionais. Teça um comentário sobre um jornalista ou tente impedir a veículação de uma matéria e logo os arautos da volta da censura se atirarão por cima como abutres em carniça (certo, certo, mais um lugar-comum, tsc...). Só eles têm direito à total liberdade de expressão.
Como dizia meu falecido padrinho: "pobre humanidade!"
Das duas uma: ou esta senhora e seu representante pensavam tirar uns trocos de um desconhecido qualquer, ou não sabem quem é Milton Ribeiro. O universo e a estupidez humana são coisas infinitas, já dizia Einstein, sem ter certeza da primeira.
Poucas deveriam ser as coisas a me tirar do "retiro" espírito-bloguístico por onde ando. Incomodar o pobre Einstein, fazendo-me relembrar sua frase, quase símbolo deste Chato, é uma delas. A cada dia passado nessa vida, maior é o número de pessoas que dão razão a que a estupidez humana não tem limites, que é infinita.
Chegado de viagem, recebo notícia de que o Milton Ribeiro está sendo processado por uma escritora. Motivo? Um post que ele escreveu expressando sua opinião sobre uma das obras dessa escritora (para um resumo da história, ver este post. Aqui a sequência.). Não foi a primeira vez que algum crítico comenta a tal obra. O Idelber Avelar, neste post, publica uma resenha feita pelo Marcelo Backes. É bom ler todos os posts e críticas, bem como todos os comentários, em ambos, Milton e Idelber.
Mas onde está, afinal, a estupidez humana nesse caso? Está na demonstração do pleno estado de barbárie que vivem essa senhora e seu representante. De um advogado, infelizmente, não poderíamos esperar outra atitude, tendo em vista que vive de fazer prosperar as pendengas humanas, notadamente aquelas que mais poderão render, por envolverem pessoas ou empresas cujas rendas são suficientes para alimentá-lo - e certamente a sua prole - por um bom par de décadas. Não são capacitados, treinados, nas faculdades, para o prévio diálogo, para a composição amigável, para o acordo. Somente enxergam a via judicial para a solução de tudo. Muito se fala do Poder Judiciário e muito se diz sobre a morosidade dos processos. Nada, porém, é dito sobre advogados. E antes que algum advogado apressadinho resolva me processar por escrever isso, aviso logo que não estou generalizando, que sei bem que existem os bons advogados.
A estupidez da senhora escritora está em não aceitar o seu lugar no mundo das letras. Um pais, cuja população tem algo em torno de 75% de seus membros considerados alfabetizados funcionais, isto é, mal e porcamente conseguem compreender um parágrafo de conteúdo simples, deve ter escritores que escrevam para esse público. Quanto a isso não há questionamentos: ela é escritora e pronto! Esses 75% gostam e entendem (e talvez não mais que isso) o que está contido no lugar-comum "cortando a noite fresca e estrelada como uma faca que penetra na carne tenra e macia de um animalzinho indefeso".
Mas daí a supor que toda a literatura nacional está nivelada por esses 75% são outros quinhentos (e não esqueçamos que nossas redes televisivas também atendem somente a esse público). Ainda temos 25% que são capazes não apenas de entender o que lêem, mas de fazer o que de mais importante as pessoas podem fazer: criticar aquilo que consomem.
É da natureza da estupidez humana o extrapolar o conteúdo de uma crítica. Assim o fez o advogado ao desviar o foco da questão, que deveria ser o conteúdo da crítica elaborada pelo Milton, para uma tentativa de desqualificação pessoal. Não tenho dúvidas que a estagiária do juiz dará boas gargalhadas ao preparar uma minuta de decisão.
Vivemos momentos perigosos. Momentos em que a defesa da liberdade de expressão só vale para os tais meios de comunicação e seus profissionais. Teça um comentário sobre um jornalista ou tente impedir a veículação de uma matéria e logo os arautos da volta da censura se atirarão por cima como abutres em carniça (certo, certo, mais um lugar-comum, tsc...). Só eles têm direito à total liberdade de expressão.
Como dizia meu falecido padrinho: "pobre humanidade!"
Das duas uma: ou esta senhora e seu representante pensavam tirar uns trocos de um desconhecido qualquer, ou não sabem quem é Milton Ribeiro. O universo e a estupidez humana são coisas infinitas, já dizia Einstein, sem ter certeza da primeira.
