Música: agosto 2005 Archives

The Pelvis

| | Comments (10)

16 agosto 1977


And now the end is near
So I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain

I've lived a life that's full
I've traveled each and every highway
And more, much more than this
I did it my way

Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exception

I planned each charted course
Each careful step along the byway
Oh, and more, much more than this, I did it my way

Yes, there were times, I'm sure you know
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out
I faced it all and I stood tall, And did it my way

I've loved, I've laughed and cried
I've had my fails, my share of losing
And now as tears subside
I find it all so amusing
To think I did all that
And may I say, not in a shy way
Oh, no, no not me, I did it my way

For what is a man, what has he got
If not himself, then he has not
To say the words he truly feels
And not the words he would reveal
The record shows I took the blows, And did it my way
The record shows I took the blows, And did it my way

EQM

| | Comments (9)

Pois é,

Gracias a todos que por aqui passaram e desejaram um feliz dia dos pais.

Um dos primeiros sentimentos esquisitos de que tenho lembrança, era quando meu pai ouvia o Lago dos Cisnes do Tchaikovsky. A música me causava um misto de terror e medo. Costumava ter pesadelos que associava à música, principalmente à abertura. Era como se estivesse sendo levado para um outro mundo, um mundo de fantasmas e caveiras. Diversas vezes acordava no meio da noite e enxergava as caveiras dançando no meu quarto. Coisas de criança, é claro!

Talvez a música realmente expresse um sentimento profundo de dor e abandono. Afinal, Pyotr Ilyich Tchaikovisky (07.05.1840 - 06.11.1893) era homossexual num país que considerava isso como um crime e bania as pessoas para a Sibéria. Para evitar maiores incomodações, casou-se com um aluna que só veio a lhe arranjar mais problemas, mesmo após a separação, ocasionada pela falta de cumprimento dos deveres maritais. Era um homem atormentado e algumas de suas composições podem muito bem ser resultado desses mergulhos pelo reino da depressão, a tal ponto que a história registra que teria se suicidado ao tomar, propositadamente, um copo de água não tratada durante uma epidemia de cólera, com apenas 53 anos.

Ainda hoje, ao ouvir a música, fico em estado de tensão. É linda, sem dúvida, mas se tivesse que escolher alguma música para associar ao frio e ao vazio, duas das piores coisas da vida, essa música seria o Lago dos Cisnes. O início e a valsa.

E por falar em morte, o artigo de capa da Superinteressante desse mês é sobre as experiências de quase-morte (EQM). Pessoas que foram dar uma espiadinha do outro lado e voltaram. Lars Grael, iatista medalha de ouro nas olimpíadas, é um dos que relatam EQM. É dele a seguinte frase:

"É uma coisa muito difícil de descrever. Nem imaginava que isso pudesse acontecer. Tive uma morte momentânea e me senti mais leve, com menos dor. Senti muita paz. Também me vi levantando do meu corpo. Voltei à vida, mas tive uma segunda parada e de novo me senti saindo do corpo. Era uma sensação menos nítida, acho que estava partindo mesmo. Foi coisa de segundos. Mas parece que o tempo ficou parado. Hoje vejo a vida por uma outra ótica. Meus valores mudaram e aprecio as coisas mais simples - um gole de água, um beijo de cada um da minha família. Tudo, tudo mudou" (negrito meu).

Já havia escrito sobre as mudanças que a gente tem ao perceber a finitude da vida. Não é necessário passar por uma EQM para ver isso. Por que será que tanta gente complica tudo, mesmo sabendo que vai morrer e que daqui não se leva nada? Nem mensalão?

Pois é,

Foi lá pelos idos dos anos 70, mais precisamente em 1974, que passei a escutar, definitivamente, música clássica. Já tinha o ouvido treinado, pois meu pai era quase fanático por música clássica e comprava todas aquelas coleções em fascículos (que guardo até hoje), além de diversos discos. Quando ele faleceu, em 1972, fiquei com a coleção de discos dele, mas não escutava.
Uma aposta feita no carnaval de 1974 acabou por me ligar à música clássica. Passávamos, meu irmão e eu, o carnaval em Santana do Livramento - nossa família é de lá - e numa das noites fomos apresentados a duas uruguaias amigas de uma amiga de infância. Prontamente nos dispomos a ciceronear as moçoilas castelhanas, uma loira e outra morena. A língua não era problema, pois criados ali pela fronteira, o espanhol era coisa corriqueira para nós.
Na segunda noite fizemos uma aposta: escolheríamos uma para cada um e quem conseguisse "ganhar" a sua levava um engradado de cerveja. Fiquei com a morena e não deu outra, ganhei. Ambas, é claro, a menina e as cervejas. Começamos a namorar. Afinal, sempre fui um rapaz respeitador e honesto.
Quando terminou o verão e ela foi embora para Montevideo, combinamos que eu iria visitá-la nas férias de inverno. E assim eu fiz. A primeira namorada estrangeira e a primeira visita a Montevideo (outras viriam, namoradas e viagens a Montevideo). Como tinha primos e tios morando lá, ficava fácil. Fiquei por uma semana na casa deles. Aí também tive outra primeira experiência: arroz gelado com maionese. E não tinha como negar o oferecimento da minha tia: come, Afonso, é um prato típico daqui. Logo eu, que detesto qualquer coisa fria à exceção de cerveja. Nunca mais esqueci.
Montevideo, naquela época, era uma cidade bonita (não sei como anda hoje em dia), levava jeito de cidade européia. Na 18 de Julho, principal avenida da cidade, havia um sem número de galerias com tudo o que se podia imaginar. Foi numa dessas galerias que, passando em frente a uma loja de discos, vi uma capa muito bonita. Entrei na loja e comprei. Não fazia a mínima idéia de quem era o compositor e nem da música. Só fui ouvir quando retornei para Porto Alegre. E nunca mais deixei de ouvir aquele que foi o meu primeiro LP: a Sinfonia do Novo Mundo de Antonin Dvorak.
Foi o estopim de uma era: ao longo dos anos virei freqüentador e sócio assíduo da OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) e de tudo quanto era concerto que por aqui havia. Comprei mais de 850 LPs, que até hoje escuto. Nesse mesmo ano acabei por namorar uma pianista clássica, tal era meu envolvimento. A bem da verdade, diga-se que o fato dela ser pianista foi pura coincidência, pois a conheci na rua, mas isso já é outro post.
Essa sinfonia, e principalmente o segundo movimento, que deve estar tocando, ficou associada a tudo o que acontece pela primeira vez comigo. E é o que ela representa, o novo.

Recententemente foi utilizada em um experimento que comprovou que "uma pessoa com sólida formação musical tem mais de 4 áreas diferentes do cérebro ativadas quando ouve música. Isso é o que demonstra uma experiência proposta pelo Museu da Ciência de Barcelona e apresentado por seu diretor, o físico Jorge Wagensberg, no último dia 9 de abril, durante o 4.º Congresso Mundial de Museus e Centros de Ciência, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro.
O fenômeno pôde ser claramente observado em duas ressonâncias magnéticas funcionais feitas simultaneamente, em uma violinista profissional e em outra voluntária com curso superior, sem nenhuma formação na área, que não tinha sequer o hábito de ouvir música. As duas se submeteram ao exame ouvindo a 'Sinfonia do Novo Mundo' de Dvorak.
Na mulher sem qualquer formação musical, a peça ativou apenas o córtex cerebral responsável pela audição.
Já na profissional de música ativaram-se sucessivamente essa área, uma outra relacionada à linguagem musical, uma terceira, considerada uma região pré-motora, na qual o cérebro 'planeja' os movimentos do corpo, e, em menor intensidade, uma quarta cujas funções ainda são desconhecidas".

Fonte: http://www.antena1.com.br/content.php?recid=979

Pois é,

Príncipe, o que és, és acidentalmente por nascimento; o que eu sou, sou por mim mesmo. Há e haverá muitos príncipes, mas não existe mais que um Beethoven. (palavras de Beethoven para o príncipe Lichnowsky, um dos mecenas que lhe alcançava um mensalãozinho).

Aos meus irmãos Karl e Johann,

Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantrôpo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. Iludido constantemente, na esperança de uma melhora, fui forçado a enfrentar a realidade da rebeldia desse mal, cuja cura, se não for de todo impossível, durará anos talvez! Nascido com um temperamento vivo e ardente, sensível mesmo às diversões da sociedade, vi-me obrigado a isolar-me em uma vida solitária. Por vezes, quis colocar-me acima de tudo, mas fui então duramente repelido, ao renovar a triste experiência da minha surdez!
Como confessar esse defeito de um sentido que devia ser, em mim, mais perfeito que nos outros, de um sentido que, em tempos atrás, foi tão perfeito como poucos homens dedicados à mesma arte que eu possuíam! Não me era contudo possível dizer aos homens: "Falai mais alto, gritai, pois eu estou surdo". Perdoai-me se me vêdes afastar-me de vós! Minha desgraça é duplamente penosa, pois além do mais faz com que eu seja mal julgado. Para mim, já não há encanto na reunião dos homens, nem nas palestras elevadas, nem nos desabafos íntimos. Só a mais estrita necessidade me arrasta à sociedade. Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava!
Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! Pareceu-me impossível deixar o mundo antes de haver produzido tudo o que eu sentia me haver sido confiado, e assim prolonguei esta vida infeliz. Paciência é só o que aspiro até que as parcas inclementes cortem o fio de minha triste vida. Melhorarei, talvez, e talvez não! Mas terei coragem. Na minha idade, já obrigado a filosofar, não é fácil, e mais penoso ainda se torna para o artista. Meu Deus, sobre mim deita teu olhar! Ó homens! Se vos cair isto um dia debaixo dos olhos, vereis que me julgaste mal! O infeliz se consola quando encontra uma desgraça igual à sua. Tudo fiz para merecer um lugar entre os artistas e entre os homens de bem.
Peço-vos, meus irmãos (Karl e Johann) assim que eu fechar os olhos, se o professor Schimith ainda for vivo, fazer-lhe em meu nome o pedido de descrever minha moléstia e juntai a isto que aqui escrevo para que o mundo, depois de minha morte, se reconcilie comigo. Declaro-vos ambos herdeiros de minha pequena fortuna. Reparti-a honestamente e ajudai-vos um ao outro. O que contra mim fizestes, há muito, bem sabeis, já vos perdoei. A ti, Karl, agradeço as provas que me deste ultimamente. Meu desejo é que seja a tua vida menos dura que a minha. Recomendai a vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou de minha miséria. Só a ela e à minha arte devo não ter terminado em suicídio os meus pobres dias. Adeus e conservai-me vossa amizade.
Minha gratidão a todos os meus amigos. Sentir-me-ei feliz debaixo da terra se ainda vos puder valer. Recebo com felicidade a morte. Se era vier antes que realize tudo o que me concede minha capacidade artística, apesar do meu destino, virá cedo demais e eu a desejaria mais tarde. Entretanto, sentir-me-ei contente pois ela me libertará de um tormento sem fim. Venha quando quiser, e eu corajosamente a enfrentarei.
Adeus e não vos esqueçais inteiramente de mim na eternidade. Bem o mereço de vós, pois muitas vezes, em vida, preocupei-me convosco, procurando dar-vos a felicidade.
Sêde felizes!
Helligenstadt, 6 de outubro de 1802.
(a) Ludwig Van Beethoven

Esse é galo. Que me perdoe o Conselheiro-Mor, que tanto gosta de Bach, mas não é para menos que Beethoven (17.12.1770 - 27.03.1827) é considerado o maior compositor de todos os tempos. O trecho acima é o "Testamento de Helligenstadt" e mostra todo sofrimento de um homem atormentado com a surdez e com o isolamento que esta lhe impusera. Otto Maria Carpeaux desmistifica um pouco essa questão ao afirmar que Beethoven teria ficado realmente surdo apenas no últimos dez anos. Não importa o que possam pensar as pessoas mais de 200 anos depois. O fato é que o sentimento que motivou o testamento foi verdadeiro para Beethoven.

A Sétima Sinfonia, da qual reproduzo o 2º Movimento - Allegretto, é, nas palavras de Otto "a mais poética de todas: o sonho serenamente fúnebre do Allegretto, a poesia íntima do Scherzo, a tempestade diabólica do finale - esta é talvez a maior sinfonia que existe". Esse movimento foi tema do filme Zardoz, estrelado por Sean Connery em 1974.

"A arte de Beethoven é o maior documento humano em música. Se desaparecesse do nosso horizonte espiritual, a humanidade teria deixado de ser humana. Estão indissoluvelmente ligados o destino da musica beethoveniana e o destino da nossa civilização".(Otto Maria Carpeaux).

Aparentemente não há nada de mais com a Clarissa, segundo o médico. Mesmo assim ele resolveu conversar com o médico que fez a ecografia. De qualquer forma, repouso para a dona Kaya enquanto aguardamos a conversinha deles.

Imagens:
Beethoven aos 13 anos (1783)
Beethoven aos 49 anos (1819)
Beethoven aos 53 anos (1823, quatro antes de morrer)
Máscara mortuária de Beethoven
Túmulo de Beethoven em Viena (fica ao lado dos túmulos de Mozart e de Schubert)
Casa em Helligenstadt, onde Beethoven escreveu o testamento

Fontes imagens:
http://home.swipnet.se/zabonk/cultur/ludwig/
http://www.kingsbarn.freeserve.co.uk/
Texto do Testamento:
http://www.unb.br/coral/Repertorio/kompositores/testamento_de_heiligenstadt.htm
Frase inicial: Historia General de la Música, A. Robertson y D. Stevens

O Inverno

| | Comments (9)

Pois é,

Por uma questão de coerência, eu deveria pular essa. DETESTO INVERNO! DETESTO INVERNO! DETESTO INVERNO! DETESTO INVERNO! DETESTO INVERNO! DETESTO INVERNO!

Vá lá! Vocês nâo têm nada a ver com isso e, além do mais, a segunda melodia mais bonita, em violino, está no Inverno. A primeira é um trecho do Concerto para Violino do Beethoven. E não é pra menos que a melodia é linda, pois é a hora em que "o poeta se acha sentado e aquecido ao pé do fogo". Eu não falei? Só o calor para produzir algo tão lindo. É a parte da chuva, fácil de identificar. Vamos ao texto, com comentários intercalados:

Resta apenas uma estação e, consequentemente, as notas repetidas que abrem o Quarto Concerto simbolizam 'o tiritar de frio [tiritar de frio, eu sei bem o que é isso. É como estou agora enquanto escrevo] por entre as neves glaciais do Inverno'. O solo de violino faz sua entrada ao 12º compasso, disfarçado de Vento Amedrontador [certamente é o maldito Minuano que sopra por aqui. Acho que Vivaldi conhecia o RS], e, casualmente une-se ao seus companheiros da orquestra, mesmo num ajuste de notas mais ligeiras e que se repetem: 'batendo os pés para aquecer-se'. [O vizinho de baixo já veio aqui reclamar de tanto que eu bato os pés, mas não adianta, estão sempre gelados] Pausas duplas de tempo ligeiro descrevem queixos que batem, [viu só? Quem é que agüenta viver seis meses de queixo batendo? E são seis meses sim, pois a primavera por aqui também é fria, embora menos que no inverno] após o que o movimento volteia glacialmente [olha a espressão 'glacialmente'. Quer mais frio que isso?] para sua brilhante conclusão. Um sentimento mais de contentamento ocupa o movimento lento e, não há que estranhar - o poeta se acha sentado e aquecido ao pé do fogo, animadamente a observar enquanto 'a chuva lá fora vai ensopando as pessoas as centenas'. [é, até pode ser contentamento por estar quentinho ao lado do fogo enquanto as pessoas se ph...do lado de fora, na chuva. Mesmo assim, essa melodia com os pingos caindo, me dá uma angústia braba, uma melancolia, tristeza até. Mas é linda e só por isso escuto] Estamos de volta ao ar livre [gente mais maluca, trocar o quentinho do fogo para ficar ao ar livre num lugar 'glacial'!] para o entusiástico final, com as movimentadas figuras evocativas de 'tropel, escorregão, corrida e desmoronamento, até que o gelo começa a rachar e a derreter-se' [aí dá enchente, morre gente nas favelas, parece que o Vivaldi conhece o Rio de Janeiro]. Os ventos ligeiros [em ritmo de samba-enredo: olha o Minuano de novo aí, minha gente!!] retornam via solistas, e nos últimos compassos violino e orquestra unem-se para comunicar o aforismo triunfante: 'Este é o inverno; mas oh! que alegria ele encerra'. [aí ó: o cara endoidou de vez! Deve estar revirando na tumba até hoje por ter pensado que inverno encerra alegria. Bebeu o desgraçado, só pode! Pois tomara que esteja bem gelado lá onde ele está!]

Sempre tive a impressão de que em alguma encarnação eu fui um náufrago e, após horas e horas de sofrimento no mar gelado, morri. Essa é a sensação que tenho no frio. Isso é o que o frio representa para mim. Não apenas o frio, mas o mar também. Não há o que me faça chegar perto do mar à noite.
Essa é a razão da associação que fiz entre vazio e frio naquele poema. Embora o poema retratasse um indigente qualquer em uma rua qualquer das nossas capitais, a sensação é a de estar perdido, à noite, na imensidão do mar gelado... e morrendo.
O inverno pode ter seus encantos, mas notem como todos eles estão mais relacionados ao calor do que ao frio: o vinho, a lareira, as roupas, o "aconchego do lar", os cobertores e edredons, inclusive os de orelha, tudo está associado ao calor. O brasileiro é o que é por viver no calor; a cultura predominante no Brasil é a cultura do calor - Rio de Janeiro pra cima. E por favor cariocas exagerados: não me digam que dezoito graus é frio.

O Outono

| | Comments (10)

Pois é,

O Outono parece ser a época mais agitada: beberragens, bacanais e caçadas (será que o Ibama deixaria?). Uma pouca vergonha!

O 'Concerto de Outono',n. 3, se desenvolve a partir de um começo impetuoso, descrevendo uma dança campestre ao tempo da colheita. Airosos arpejos do dolo de violino anunciam o Bêbedo, e quando outras cordas tomam o tema nós sabemos (e a orquestração nos diz, apenas para uma maior certeza) que ele não mais se acha solitário. A Bacanal, prossegue até que 'sua orgia vem resultar em sono dos participantes'. O segundo movimento é um propício canto de triunfo 'ao doce deleite de um sono tranquilo' (sic), porém todos já despertam com a Chamada da Caça que anuncia o Finale. Juntamo-nos à caçada, movendo-nos com dificuldade junto com a presa ferida, e por fim estacamos, enquanto o valoroso animal se debate e morre.

Há uma certa preocupação no ar. Ontem fizemos outra ecografia e a Clarissa parece estar um pouco abaixo do peso esperado para a semana em que se encontra. Isso, por si só, não seria quase nada, afinal somos ambos, altos (1,78 e 1,72), magros e de famílias magras, o que poderia indicar que ela também será esbelta. O que preocupa mais é o fato de o volume de líquido amniótico ter aparecido no "limite inferior de normalidade". Enfim, quinta-feira veremos o que o médico há de dizer.

O Verão

| | Comments (5)

Pois é,

Na seqüência das Quatro Estações temos a melhor delas, o Verão. Aliás, pra mim poderia ser verão sempre. Tá bom, já que dizem que as plantinhas precisam das quatro, vamos fazer assim: dàs 6h às 22h teríamos verão; dàs 22:01h às 01:00h teríamos o outono; dàs 01:01h às 03:00h o inverno e dàs 03:01h às 05:59h a primavera. Assim todo mundo fica contente. Enquanto isso,

"O segundo, ou "Concerto Verão", em cada trecho musical tao cativante quanto o Primeiro, mas o poeta parece considerar aqui a Mãe Natureza com um olho mais judicioso. 'Na estação severa, abrasada pelo sol', lamento do título do primeiro movimento, 'o homem e o animal desfalecem, e o pinheiro fica em chamas'. As coisas vão serenando, à medida que o cuco começa a chamar, seguido do pintassilgo; então os ventos começam a fazer redemoinho e nosso amigo pastor rompe em lágrimas 'pois ele teme a força da tormenta ameaçadora e por sua sorte'. As coisas vão de mal a pior no segundo movimento: ele não apenas tem de fazer frente ao relampejar e trovejar, mas a 'furioso enxame de moscas e marimbondos'. Você pode pensar que o auxílio está a caminho no terceiro movimento, mas nã: 'Ai dele! seus temores não são infundados' diz o poeta, e o trecho final, vigoroso e emocionante, descreve os relâmpagos e a trovoada numa intensidade dramática".

Não precisa dizer que é o meu favorito, apesar de não concordar muito com a desgraceira pintada por ele. Bueno, pra quem ficar escutando, tem outro post abaixo.

A Primavera

| | Comments (8)

Pois é,

Para acompanhar a música de hoje. As Quatro Estações de Antonio Vivaldi (04.03.1678 - 28.07.1741) é uma das mais belas obras clássicas. Não conheço quem não goste. Um pouco da história da música, até porque poucos devem saber que Vivaldi compôs (dizem que) um soneto para a música.

As Quatro Estações pertencem a série de Concertos para Violinos - os quatro primeiros, dentre os doze que compreendem o Opus 8. Temos aqui uma diferença importante, contudo, "As Estações" não é um mero título reverente: cada um dos Concertos vem revestido de seu plano particular, a música moldada estrita e especficamente conforme os versos de umsoneto. A paternidade dos versos nunca foi realmente estabelecida, e existe uma hipótese simpática de que o próprio Vivaldi foi o poeta misterioso.

Está claro que maiores detalhes são quase impossíveis de se obterem, dada a distância de quase dois e meio séculos que nos separam, porém geralmente se presume que Vivaldi descreveu verbalmente seu intencionado programa aos seus músicos, quando da ocasião da estréia. Mais tarde, descontente com o pouco realismo da execução, tratou de cortar o soneto, inserindo gradualmente os versos na partitura, de modo que os músicos poderiam saber sem dúvida que fenômeno natural eles estariam supostamente imitando a um dado momento.

O Primeiro, ou "Concerto da Primavera", conduz o motto de abertura "A Primavera chegou". Quatorze compassos depois de uma explosão violinística emocionante; designado como "A Canção dos Pássaros", e logo após o solista é devidamente levado a notar que "Os regatos, enquanto zéfiros sopram suavemente, em doce murmúrio vão deslizando". Uma arremetida súbita de 32 notas anunciam a trovoada, "envolvendo" o ar com um manto de escuro", porém justo ao tempo do primeiro movimento do finale, "os pequenos pássaos retornam ao seu encantamento melodioso". O Largo dá o colorido a uma pintura idílica de um rebanho de cabras que dormitam pela campina florida. Violoncelos, contrabaixos e, ato contínuo tudo estaca; é a viola que descreve o ladrar do cão fiel. O finale abstem-se de comentário descritivo, dentro do próprio movimento, mas a disposição está claramente assentada no começo "Ninfas e Pastores dançam sob o seu amado céu, ao apelo festivo de uma gaita pastoril".

Texto da contracapa do LP "Vivaldi - The Four Seasons", poduzido pela London, 1970.

Pois é,

A religião, a par dos rompantes da Igreja Católica (vide post abaixo), foi inspiradora das manifestações musicais mais belas já produzidas pela humanidade. As "Ave Marias" incluem-ne dentre elas. Sei de cinco compositores que escreveram "Ave Marias": Bach, Bruckner, César Frank, Gounod e Schubert, sendo que a de Gounod é das mais tocadas em casamentos.

O Papa João Paulo II, em uma audiência disse:

"A primeira invocação mariana conhecida remonta ao século III e inicia com as palavras: «Sob a tua protecção (Sub tuum praesidium) procuramos refúgio, Santa Mãe de Deus...». Contudo, desde o século XIV, a «Ave-Maria» é a oração à Virgem mais comum entre os cristãos.

Ao retomar as primeiras palavras dirigidas pelo Anjo a Maria, introduz os fiéis na contemplação do mistério da Encarnação. A palavra latina «Ave» traduz o vocábulo grego «xaire»: constitui um convite à alegria e poderia ser traduzido com o «Alegra-te». O hino oriental «Akathistos» reafirma com insistência este «alegra-te». Na Ave-Maria a Virgem é chamada «cheia de graça» e assim reconhecida na perfeição e na beleza da sua alma."

Como o Conselheiro-Mor do condomínio disse que aos domingos só podemos escutar Bach, aí vai, ao fundo, Prelude & Fugue, "Ave Marie".

About this Archive

This page is a archive of entries in the Música category from agosto 2005.

Música: outubro 2005 is the next archive.

Find recent content on the main index or look in the archives to find all content.