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Pois é,

Um dia: 8 de março.
As mulheres? Bem, é o dia delas!
A natureza? É o que veremos.
O desafio? Bueno, de conversas no Faça a sua parte nasceu a questão: será que mulheres e homens percebem a natureza - e, consequentemente, atuam na sua conservação - de forma diferente?

Eu e a Lucia Freitas resolvemos transformar o papo em um desafio: eu escreveria sobre as mulheres e ela escreveria sobre os homens. Tudo, claro, sob o enfoque do meio ambiente, da natureza.

Por essas coincidências, recebi esta semana o exemplar da edição especial da revista "Mente e Cérebro", "As Faces do Feminino - Dimensões Psíquicas da Mulher". É dela que tiro a inspiração para o post.

A natureza é feminina. Sobre isso não há e, que eu saiba, nunca houve discordância. Veja-se o que diz o texto "O Arquétipo da mãe", de Johann Rossi Mason:

"O conceito de Grande Mãe surgiu por volta de 7000 a.C., no Neolítico, mas traços desse culto já estão presentes no Paleolítico. Trata-se de uma figura religiosa, uma divindade feminina a quem se atribui a gênese de todas as coisas vivas: plantas, animais, homens. O culto certamente se originou em comunidades sedentárias que viviam da agricultura, em harmonia com os ciclos da Natureza e da Lua, símbolo tipicamente feminino".

Machos brigam pela oportunidade de fecundar fêmeas. Esta é uma razão, senão a única, pela qual deveríamos aceitar que a divindade suprema - se é que existe - é uma fêmea. E digo fêmea, para não dizer apenas mulher, porque o feminino está na natureza e não apenas na mulher, nome atribuido à fêmea da espécie humana.

Mas vejamos o que diz o artigo "O Arquétipo da Mãe" (referências ao final) sobre o mito de Deméter:

"Deméter é a deusa das colheitas e ícone de um instinto materno que não tem sossego. É mãe de Perséfone, cujo pai é seu irmão Zeus. Segundo a mitologia grega, certo dia, enquanto colhe flores, Perséfone é raptada por Hades (deus dos mortos e dos subterrâneos), que se apaixonara por ela. O rapto acontece graças à cumplicidade de Zeus. Ao perceber o desaparecimento da filha, Deméter a procura em vão durante nove dias e nove noites. Ao alvorecer do décimo dia, por sugestão de Hecate, Deméter pede a Hélios, o Sol, que lhe revele a identidade do responsável.

"Louca de raiva pela traição, a deusa abandona o Olimpo e, por vingança, decide impedir que a Terra dê seus frutos, para que a raça humana seja extinta na escassez. Na tentativa de aliviar a própria dor, Deméter vaga pelo mundo, surda às lamúrias dos humanos que já não tem o que comer. Assume o semblante de uma mulher idosa, ocultando seu aspecto esplendoroso, e encontra abrigo numa casa, onde se torna ama-de-leite do filho do rei de Ática. Apega-se logo ao bebê que alimenta com a divina ambrosia para torná-lo imortal. O amor pelo menino finalmente alivia a sua dor, até que a rainha a descobre e a obriga a revelar sua natureza divina.Lançada de volta a seu desespero, Deméter refugia-se no monte Calícoro, sem se importar com as súplicas dos mortais dizimados pela carestia.

"Zeus então intima Hades a devolver a filha da deusa, e o final feliz parece estar prestes a acontecer, mas, antes disso, Hades faz Perséfone comer uma semente de româ, o que a obrigará a voltar periodicamente a ele. Tamanha é a alegria da mãe que, no momento em que abraça a filha, a Terra volta a ser fértil, e os frutos recomeçam a amudurecer. Mas há um preço a pagar: nos meses em que Perséfone voltar ao marido, sobre a Terra reinarão frio e penúria. Nascem o outono e o inverno.

"Deméter é, portanto, a Terra-Mãe, o símbolo da mãe que ama a prole acima de tudo. Deusa das terras cultivadas, ela rege a abundância das colheitas. Representa o instinto materno que se realiza na gravidez e no alimento físico e psicológico. A mulher Deméter realiza-se plenamente nessa tarefa, mas corre o risco de se deprimir caso sua necessidade de se alimentar seja recusada.

" Esse senso de maternidade não se limita ao aspecto biológico, mas pode se expressar na adoção de profissões que implicam dedicação aos outros. Deméter é nutriz, mãe perseverante ao procurar o bem-estar dos filhos, generosa. Uma deusa profundamente ligada a suas origens, que dão um significado adicional à sua essência: com efeito, ela é filha de Rea e neta de Gaia, a Mãe Terra original, da qual deriva toda forma de vida
". (negritos meus)

Tantos sejam os seres humanos existentes na Terra e tantas serão as interpretações do texto. A minha? Bueno, a minha tem a ver exatamente com a retomada do mito de Deméter, a neta da Mãe Gaia.

As mulheres, diferentemente dos homens, trazem em si esse senso de proteção. Mulheres cuidam, homens descuidam; mulheres constroem, homens destroem. E é desse olhar feminino que estamos precisamos para resolver os problemas que estamos causando para a grande Mãe Gaia. Do olhar que alimenta, pois estamos deprimindo Deméter e ela está fazendo conosco o que já fez quando Perséfone foi raptada: está novamente impedindo que a terra dê seus frutos e a humanidade parece fadada a ser "extinta na escassez".

Sim, as mulheres, por serem Deméter, percebem a natureza de forma diferente dos homens.

Também publicado no Faça a sua parte



A hora do Planeta

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Pois é,


Hora do Planeta
8:30PM Saturday 28 March 2009



COP15

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Pois é,

Entre os dias 7 e 18 de dezembro deste ano ocorre a 15ª Conferência das Partes (COP15), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, na capital do Reino da Dinamarca, Copenhague.

Tri-legal, Chato, que bom saber disso. Afinal, eu sequer sabia que já ocorreram outras 14 dessas tais convenções. Mentira, né? Uma pelo menos todos conhecem: a COP3. Tá, talvez conheçam mais pelo resultado dela, o tal famoso Protocolo de Quioto, ou Kyoto como é mais conhecido. Aliás, diga-se de passagem, o filho se tornou mais conhecido que a mãe (a Convenção) e que a avó (a RIO92). Da bisavó (ESTOCOLMO, 1972) seque há que falar, de tão esquecida que anda...

Dizem que quem sai aos seus não degenera. Não é o caso. Bem que o menino tentou crescer e vingar. Até contou com a ajuda de um monte de tios e amiguinhos, mas não houve jeito. Está fadado à morte por inação dos seus grandes irmãos. Ou, melhor dizendo, por asfixia causada pelos grandes.

Pensando bem, acho que o guri não degenerou. Afinal, nem  a bisa, a avó e nem mãe deram certo na vida. Só para relembrar (os menos preguiçosos podem ler o texto integral no link acima) os ensinamentos da bisa que, parece, foram para o brejo preparar o terreno para o netinho, cito o princípio 6, que tem tudo a ver com a COP15:

"Princípio 6 - Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias e à liberação de calor, em quantidade ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente de modo a evitarem-se danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Deve ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição".

Uma breve pausa para uma continha elementar: 1972 - 1982 - 1992 - 2002 - 2012 = 40 anos.

Putz, metade dos meus cinco leitores - não, é melhor achar que tenho seis, senão vai dar quebrado, né? - sequer tem essa idade. E devem estar se perguntando: PQP, tiveram 40 anos para melhorar e só fizeram piorar?

É véio, a bisa falou e disse! Pena que poucos deram bola pra ela. Mas a bisa queria porque queria preservar o sangue da família. Mocinha crescida, já com seus vinte anos, casou e teve uma filhinha, a ECO92. Beleza de filha. E não poderia ter nascido em melhor lugar: a cidade maravilhosa, símbolo dos símbolos da natureza. E a filhinha, bem educada que foi, repetia os ensinamentos da mamãe Estocolmo. De tanto falar, deu à luz a mais uma mulher: a Convenção para o Clima (dentre outras maninhas: a Carta da Terra, a Convenção sobre Biodiversidade e a Convenção sobre Desertificação, além de uma filha enjeitada, a Agenda 21).

Parece que o Reino das Boas Intenções Humanas estava fadado a não ter um filho varão. Mas eis que a Convenção para o Clima, a mais rebelde das filhas da ECO92, resolveu por um fim nessa longa cadeia feminina que parecia não estar dando certo. Fuçou, fuçou com as partes até que no terceiro encontro gerou seu filho macho: o Protocolo de Quioto.

Eis a breve história do futuro defunto (se bem que alguns sempre disseram que era um nati-morto).

Querem saber a moral da história? É que para dezembro esperamos o parto do filho do Protocolo de Quioto. Ou ao menos que ele arranje uma namorada até lá e que possamos, em 2012, ter um sucessor à altura do Reino.

E que preste! Senão...

Os sinais estão aí, só não vê quem não quer. Mas mais do que ver, há que fazer. Como por exemplo, acompanhar as ações, notícias, sites, blogs e tudo o mais que estaremos divulgando por aqui.

Essa é a importância do título: COP15. Nosso futuro!


 



Pois é,

Antes, tem novidade na Condessa, no Ambiarte e no Faça a sua parte...

O comentário da Nívea Ribeiro, no post do Jubal (A Disputa da Água, no Faça a sua parte), "acho que a população esta sendo informada do que esta acontecendo,apenas informada.mas muita das vezes, não tem como por em pratica seu conhecimento" aponta para uma questão das mais importantes para a humanidade e que tem me intrigado muito: o que há entre o filosofar e o agir?

Dizem os entendidos que vivemos na tal da Sociedade do Conhecimento. Pura filosofia, pois como bem aponta a Nívea, nada mais temos feito do que disponibilizar informações (e, em boa parcela dos casos, apenas dados). Beira às raias do primarismo ter que diferenciá-los, mas é necessário, visto que, no caso do meio ambiente, a quantidade de informação disponível está definitivamente dissociada da qualidade. Qualidade aqui entendida como informação realmente capaz de produzir alterações positivas na realidade do meio ambiente e não meramente qualidade no sentido de eficácia. O sentido é ideológico, sem dúvida.

A pergunta básica, então, é: por que somos capazes de produzir tanta informação e tão pouco conhecimento sobre o meio ambiente?

Transformar informações em conhecimento é um ato que implica mudança. Mas, diferentemente do que muito se divulga por aí, essa mudança é, necessariamente, interna. É somente pela mudança de nossas crenças e valores que podemos gerar conhecimento a partir das informações que recebemos. Caso contrário, as informações estão fadadas ao esquecimento.

E como mudar as crenças e os valores das pessoas quanto ao meio ambiente?

Duas citações para começar. A primeira, do Fritjof Capra; a segunda, mais recente, do Leonardo Boff:

1. "O novo paradgma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo 'ecológica' for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos)."1

2. "Para onde iremos? Nem o Papa nem o Dalai Lama, nem Barack Obama nem muito menos os economistas nos poderão apontar uma solução. Mas pelo menos podemos indicar uma direção. Se esta estiver certa, o caminho poderá fazer curvas, subir e descer e até conhecer atalhos, esta direção nos levará a uma terra na qual os seres humanos podem ainda viver humananente e tratar com cuidado, com compaixão e com amor a Terra, Pacha Mama, Nana e nossa Grande Mãe.

Esta direção, como tantos outros já o assinalaram, se assenta nestes cinco eixos: (1) um uso sustentável, responsável e solidário dos limitados recursos e serviços da natureza; (2) o valor de uso dos bens deve ter prioridade sobre seu valor de troca; (3) um controle democrático deve ser construído nas relações sociais, especialmente sobre os mercados e os capitais especulativos; (4) o ethos mínimo mundial deve nascer do intercâmbio multicultural, dando ênfase à ética do cuidado, da compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal; (5) a espiritualidade, como expressão da singularidade humana e não como monopólio das religiões, deve ser incentivada como uma espécie de aura benfazeja que acompanha a trajetória humana, pois ancora o ser humano e a história numa dimensão para além do espaço e do tempo, conferindo sentido à nossa curta passagem por este pequeno planeta.
"2

Bonito filosofar. Mas faço com a Nívea e pergunto: e daí? Como transformar, na prática, o meu paradgima, se somos, como pais ensinados, responsáveis perante a sociedade por transmitir justamente o paradigma dominante? Se somos as pessoas que continuam a dirigir bêbados, falando ao celular e matando, no trânsito, mais do que se mata nas atuais guerras? Como mudar essas crenças e esses valores?

Por outro lado, a direção apontada por Boff também requer uma mudança mais profunda ainda, pois depende de que mais gente, além de mim, mude seu paradigma, sob pena de que querer um "controle democrático sobre os mercados e capitais especulativos" não passe de mera ... especulação; sob pena de que o "intercâmbio multicultural" não passe, como sempre foi, de um intercâmbio de bombas... Bonito filosofar.

Num mundo onde trilhões de dólares são gastos ou perdidos tão somente para recuperar os "mercados e capitais especulativos", a miséria e a fome continuam matando crianças, jovens e adultos.

Há muito mais entre o filosofar e o agir: existem as crenças e valores que adotamos. Devemos oferecer um caminho prático para que as pessoas primeiro acreditem que mudar é possível e que a mudança não lhes causará prejuízo (as pessoas não mudam pensando nas vantagens que poderão obter e, sim, nos prejuízos que poderão evitar); segundo, que queiram mudar, por verem que uma nova crença - esta sim, baseada em uma "ética do cuidado, da compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal" é boa para todos; terceiro, que seja um exercício (agir) que se adpte facilmente a vida das pessoas e não algo radical como muito das propostas que andam por aí.

Precisamos contruir esse caminho prático, que nos fará sair do filosofar e passar para o agir.

O mundo está sendo destruído pelos que fazem e não pelos que pensam.

Também publicado no Faça a sua parte.


Notas:
1 Capra, Fritjof. A teia da vida. uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. 13ª ed. São Paulo. Cultrix. p.25.
2 Leonardo Boff. Os limites do capital são os limites da Terra. Agência Carta Maior.


Pois é,

É desses textos que voam pela internet, sem fonte, mas sempre atribuídos a alguma personalidade. Seja verdadeiro ou não o fato e sua autoria, bem como o texto, é um belo exemplar da espécie:

"Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF,  ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

- 'De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

- 'Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

- 'Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o  bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.

- 'Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada ela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

- 'Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande  mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

- 'Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo,deveria pertencer ao mundo inteiro.

- 'Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de  brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

- 'Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha  possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

- 'Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. 'Só nossa!'
"

Pois é,

Habemos novidades na Condessa e no Ambiarte.

Abro aspas para uma afirmação:

"Nós aplaudimos os donos do City Crab and Seafood por sua decisão compassiva em permitir que este nobre ancião viva seus últimos dias em paz e liberdade."

Não é necessário citar a quantidade enorme de dinheiro gasto em guerras e para gerar mais dinheiro, o que mata além de milhares de "anciãos", milhares de crianças pelo mundo.

O ancião tem nome. Chama-se George. O detalhe é que o George da notícia é uma lagosta, cuja idade foi estimada em 140 anos por causa dos seus 9 quilos. Uma ONG se movimentou para salvá-la da panela, apesar das declarações dos donos do restaurante de que não fariam isso.

Há limites para a insanidade defensora da natureza. Assim como algum dia descobriremos limites para a insanidade destruidora, não da natureza, mas de nós mesmos.

Outras aspas:

"Nós sabemos que algumas pessoas podem ser um pouco sensíveis em relação a isso (comer esquilos), então decidimos tentar fazer um patê, de forma que não fique tão óbvio que se trata de carne de esquilo."

Declaração do dono de um restaurante inglês, referindo-se às panquecas feitas com carne de esquilo cinzento, considerado uma praga que está acabando com os esquilos vermelhos.

Será que não existem alguns esquilos cinzentos anciãos virando panqueca?

Limites, limites...




Interessante a notícia da BBC:

"Desastres naturais mataram 220 mil em 2008". (texto completo aqui)

A medida, na verdade, é o rombo que uma seguradora teve: nada menos que "cerca de US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 475 bilhões) em 2008, bem acima dos US$ 82 bilhões (R$ 195 bilhões) registrados em 2007". E mais interessante ainda é o fato do grupo afirmar "que as mudanças climáticas estão agravando o poder de destruição dos desastres naturais e diz que um acordo sobre o clima é urgente".

Certo, certo! Já ouvia, desde criança, que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Hipocrisia dessa empresa à parte, o fato é que parece que a natureza está descobrindo por onde se vingar.

O maior sinal, no entanto, está no fato de que o número de "catástrofes" diminuiu: de 960, em 2007, para 750 em 2008, segundo contabilizado pela seguradora. Onde está, então, o problema?

Em 2008 Santa Catarina veio, literalmente, abaixo. Em qualquer site ou retrospectiva jornalística é possível rever, senão todos, quase todos as 750 catástrofes.

O problema é que a ação destruidora humana é irreversível, assim como a reação da natureza, também destruidora. O homem destroi a natureza para construir seu mundo; a natureza, por sua vez, destroi as construções humanas e mostra, com isso, que só existe um mundo, o seu mundo.

Queiramos ou não, a guerra final entre os homens e a natureza já começou. Não importa, para a natureza, que os homens se matem no Oriente Médio ou em qualquer parte da Terra, ou seja lá por que razão façam isso. Importa que ela sabe que sobreviverá, segundo os cânones da ciência, por no mínimo mais cinco bilhões de anos.

Não importa, para a natureza, se viverá apenas de pedras, feito Marte, ou de gases, feito Júpiter. Continuará sendo natureza. Biodiversidade é um conceito temporal. Depende de que época estamos falando. A biodiversidade no tempo dos dinossauros é tão diferente da biodiversidade dos tempos primitivos, quanto é da atual e será da futura. A dinâmica da natureza é tão dinâmica que muda conforme o "ser" predominante. Nosso fim foi decretado quando adquirimos aquilo que nos fez pensar sermos "superiores": a inteligência (entendida, aqui, como conceito que nós mesmos inventamos).

Junto com a inteligência adquirimos, também, a incrível capacidade de pensar que somos eternos. Criamos religiões, crenças, filosofias - ou seja lá que nome se queira dar - que criaram rituais que nos dizem isso. Que nos fazem pensar que não pertencemos a esse mundo. Daí podermos destuí-lo! Afinal, depois da morte teremos a vida eterna.

A quem, então, queremos "salvar" fazendo a nossa parte, se somos eternos? À natureza? Não creio! Ela não precisa de nós. Não precisou para existir por cinco bilhões de anos e não precisará pelos próximos.

Não há como salvar a natureza (que, repito, não precisa de nós para continuar existindo) se não salvarmos a nós mesmos.

Primeiro por acabar com a ilusão da eternidade. Seja aqui, seja no reino dos céus. Segundo, por entender que, assim como dinossauros e tantas outras espécies que por aqui já tiveram seu tempo, o nosso um dia acabará. O máximo que podemos fazer é prolongar esse tempo, mas não eternamente. Terceiro, por entender, finalmente, que a única coisa que podemos fazer - e aí reside, quem sabe, o sentido de "fazer a sua parte" - é buscar uma vida saudável para cada um de nós e para os nossos descendentes.

Como genealogista amador, que já descobriu antepassados nos idos de 1600, me pergunto: será que eles imaginavam como seria o mundo ao tempo da minha vida, tanto quanto eu tento imaginar como será a vida dos meus descendentes daqui a 400 anos? (e olha que já cataloguei mais de mil descendentes, nesses 400 anos, desse único casal de seres humanos! Será que nos mesmos 400 anos eu terei, também, mil descendentes?)

Não faço a minha parte por defender a natureza, mas por defender, quem sabe, uma existência digna para essas prováveis mil pessoas. E se cada um de nós tiver mil descendentes para defender?

"O homem é a medida de todas as coisas". Nada mais certo e nada mais errado. Errado, quando nos tornou o que somos; certo, quando nos faça ver que é a nós que devemos preservar. Infelizmente, pensamos quase que somente na preservação do patrimônio. Passamos a vida trabalhando para "adquirir" bens e depois deixá-los para os nossos descendentes. Todo um sistema moral-jurídico-econômico foi construído pela humanidade somente para a preservação do "ter". É recente a possibilidade de defesa jurídica do "ser". E mesmo assim voltada apenas para uma compensação material.

E é desse sistema que deriva outro. Ou melhor, esse sistema precisa que outro funcione a sua imagem e semelhança: o sistema educacional. Sistema institucionalizado pelo estado e pelas religiões, filosofias, seitas, etc. As religiões, por sinal, fariam um grande serviço à humanidade se parassem de prometer vida eterna lá fora e buscassem mostrar que devemos ter, ao menos, ou pelo menos, uma vida digna aqui mesmo. E vida digna aqui mesmo significa uma coisa muito simples de ser feita: comunhão com a natureza.

Então, adianta querer fazer a sua parte?

Adianta se pensarmos que o que mais esse modelo tem nos roubado é o tempo. O pouco tempo que temos, se comparado ao tempo que a natureza tem. O pouco tempo que temos para fazer as "pequenas" coisas que siginficam o "fazer a nossa parte".

Pensamos que o que mais nos faltará é a água, mas na verdade nossa maior falta é o tempo. Água é uma questão meramente econômica, tempo é uma questão de vida. E reproduzo, aqui, os sábios versos do Eclisiástes:

"Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu.
Tempo de nascer,
tempo de morrer;
tempo de plantar,
e tempo de arrancar a planta.
Tempo de matar,
e tempo de curar;
tempo de destruir,
e tempo de construir.
Tempo de chorar,
e tempo de rir;
tempo de gemer,
e tempo de bailar.
Tempo de atirar pedras,
e tempo de recolher pedras;
tempo de abraçar,
e tempo de se separar.
Tempo de buscar,
e tempo de perder;
tempo de guardar,
e tempo de jogar fora.
Tempo de rasgar,
e tempo de costurar;
tempo de calar,
e tempo de falar.
Tempo de amar,
e tempo de odiar;
tempo de guerra,
e tempo de paz.

Que proveito o trabalhador tira de sua fadiga? Observo a tarefa que Deus deu aos homens para que dela se ocupem: tudo o que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou no coração do homem o conjunto do tempo, sem que o homem possa atinar com a obra que Deus realiza desde o princípio até o fim." (Bíblia de Jerusalém, Eclesiastes, 3, 1-11).

E eu diria, como desejo para 2009:

Que a natureza possa ter seu tempo de nascer e seu tempo de morrer, e que possamos ser apenas seus cuidadores e não seus algozes;

que possamos plantar e arrancar as plantas na única medida da nossa irmandade com a natureza;

que possamos utilizar a natureza para curar a todos os que padecem e não apenas para matar em proveito de lucros;

que possamos chorar e rir de alegria e não de tristeza por ver a devastação da natureza;

que bailemos com o murmurar das árvores ao vento e não com o gemer das árvores que caem pelas nossas mãos;

que possamos atirar pedras apenas em lagos, para fazer felizes nossos filhos, e que possamos recolher pedras apenas para construir nossa sobrevivência;

que tenhamos a sabedoria de abraçar a tantos quantos passam por nós, pois do abraço nasce o querer; e que a vida nos ensine a separar a estupidez que destói a natureza da sabedoria que nos faz perceber unos;

que possamos buscar a harmonia da vida e que possamos perder a arrogância que nos faz sentir superiores;

que possamos guardar a flor seca entre as páginas de um livro e não apenas jogá-la fora quando pensarmos que não mais nos serve o presente;

que possamos rasgar as roupas da hipocrisia e que possamos costurar o manto da sinceridade;

que jamais calemos diante da nossa destruição e que possamos falar, sempre e enquanto tivermos voz, contra tudo e contra todos os que querem ver o fim da natureza;

que tenhamos tempo, mais do que simplesmente o tempo, para amar; amar uns aos outros. Não porque Deus assim o fez, mas por entender que só assim realizaremos a plenitude da natureza; e que possamos ter, com naturalidade, ódio de tantos quantos destróem a natureza pura e simplesmente por egoísmo;

que tenhamos paz em nossos corações para evitar as guerras.

Por fim, não saberia desejar outro 2009.

Mas de uma coisa eu sei: que 2009 seja um tempo de

amar,
falar,
costurar,
guardar,
buscar,
abraçar,
recolher pedras,
bailar,
rir,
construir,
curar,
plantar,
nascer.

Talvez isso seja fazer a sua parte.

FAÇA A SUA PARTE em 2009.


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