Pois é,
Justo nos dias que antecederam esse Dia Internacional das Zonas Úmidas, no ano de 2008, uma das oito áreas brasileiras, consideradas sítios Ramsar, pegou fogo! Dia 28 de janeiro. Parece ter sido um ato da natureza (nenhuma causa foi divulgada ainda) para mostrar a importância da proteção que devemos as Zonas Úmidas. (cliquem nas fotos para vê-las ampliadas).


Estou falando da Estação Ecológica do Taim, localizada aqui no extremo sul do Brasil. Graças a ação imediata do pessoal do IBAMA, bombeiros e voluntários, gente pra quem não era apenas uma "graminha" queimando, a fogo foi apagado. Até avião da FAB ajudou. A natureza também deu sua ajudinha: choveu por lá. Reproduzo duas fotos como homenagem a todos os que se dedicaram:


Talvez pudessemos extrapolar o cansaço do bombeiro - e não seria má idéia - para um cansaço geral que sentimos quando a questão é a conservação do meio ambiente. Por incrível que possa parecer - e em pleno século XXI -, o meio ambiente ainda depende de gente disposta a exaurir suas forças.
A Estação Ecológica do Taim é um patrimônio mundial. É um sítio Ramsar. O tema desse ano, escolhido pela Convenção, é
Healthy Wetlands, Healthy People", que, em tradução livre, poderia ser "Zonas Úmidas saudáveis, Gente saudavel".
Não vou falar aqui da Convenção de Ramsar sobre a proteção das zonas ùmidas. Há farto material no
Calendário Verde do Faça a sua parte. Vão lá e leiam. Vou falar do Taim.
O Taim é uma Estação Ecológica. Segundo o site do Ministério do Meio Ambiente (
nesta página), uma Estação Ecológica "Tem como
objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas.
É de posse e domínio públicos.", o que a diferencia das demais Unidades de Conservação.

Quem percorre a BR-471, em direção ao extremo sul do Brasil (lembram, do Oiapoque ao Chuí? Cliquem na imagem ao lado para vê-la ampliada) passa, ao longo de 16 Km, por dentro do Taim. Quem já teve essa oportunidade sabe bem que é um retão monótono cercado de arrozais e gado, de um lado (em parte), e de outro por um banhadinho sem graça.
Só percebe a diferença quando se vê obrigado a frear ao ver algum dos tantos animais ali existentes atravessando a pista. Isso quem respeita as placas de sinalização, que avisam para andar a 60Km/h. Muitos, infelizmente, ainda aproveitam o retão para "ganhar tempo" e acabam por matar capivaras, tartarugas e outros bichinhos que desconhecem os prazeres do petróleo.

O Taim é um spa natural. E uma maternidade. Aves migratórias fazem dele seu descanço e seu berço. Tem algo mais inteligente que isso? Por que será que bichos que não "pensam" escolhem um lugar desses - perdido num aparente fim de mundo como é o sul do Rio Grande do Sul - para fazer aquilo que Deus teria dito apenas aos homens, crescei e multiplicai-vos?
Por que será que que as aves viajam milhares de quilômetros, do Hemisfério Norte à Patagônia, e vice-versa, e ali param para procriar?
Para dar vida à vida! Para fazer aquilo que ainda não aprendemos.
Notícia de ontem (Zero Hora) dá conta de que foram queimados 5 mil hectares da estação, podendo chegar a 7 mil hectares, segundo o chefe da Estação. O Taim tem 33.815 hectares e pode ter perdido quase 20% nesse incêncio. A estação foi criada em 1986 pelo Decreto 92.693, de 21/07, e, posteriormente, seus limites foram ampliados pelo Decreto de 05/06/2003.
Veja um belo álbum de fotos do Taim, no site da
Zero Hora.
Há um grupo, o
Jeep Clube Mergulhões do Taim, que organiza "Travessias do Taim" e fotografa tudo. Um site e tanto. Vale e pena ver. Há, inclusive,
fotos aéreas. A imagem abaixo é só um exemplo:

Um site com textos interessantes:
aqui.
Por fim, poesia em forma de imagens e palavras. Uma paixão e uma dedicação a servir de exemplo.
Felipe Dumont é um fotógrafo apaixonado pelo Taim. Vejam algumas das lindas fotos que ele fez,
aqui. Fez, também, um livro com fotografias do Taim: "
Taim, uma reserva de vida". Reproduzo suas palavras na apresentação. Poesia pura:
"Meu amigo o Taim
O início da relação com o Taim foi difícil. Ele não se revelava. Tudo que eu conseguia dele eram dores nas costas por ficar horas agachado, molhado até a cintura, esperando um jacaré ou um cisne, esperando a luz melhorar, esperando... sempre esperando. Aos poucos eu fui aceitando o jeitão dele. Fechado, arredio, cara de poucos amigos. Também pudera. Tantos anos de maus tratos, tantas agressões que ele sofreu. Acho que um dia ele entendeu que eu queria apenas ser seu amigo. E aí permitiu que eu conhecesse sua intimidade. Hoje temos uma amizade sólida e de respeito. Embora eu receba dele muito mais do que dou. Espero que com este livro eu esteja ajudando meu amigo Taim. Mostrando suas criaturas, suas luzes, suas belezas, tenho a esperança que outras pessoas venham a se tornar seus amigos."
"Embora eu receba dele muito mais do que dou". É assim. Tiramos mais do que damos. Até o dia que pega fogo e perdemos.
Estamos menos saudáveis, ou ficaremos menos saudáveis. E, com toda a certeza, menos saudáveis ficarão os animais que fazem do Taim suas moradias, seus ninhos ou tão somente um local de repouso. E seus amigos.
Quando vier ao Rio Grande do Sul, experimente sair um pouco das rotas "turísticas". Visite o Taim. Olhe os jacarés, as capivaras, os cisnes, os juncos - agora queimados -, as flores, toda a flora e fauna de um dos lugares que a natureza escolheu para nos dizer: "aqui eu me faço. E me fazendo, posso fazer vocês, bichos humanos".
Certamente obterão a resposta para a pergunta que fiz acima:
por que será que bichos que não "pensam" escolhem um lugar desses -
perdido num aparente fim de mundo como é o sul do Rio Grande do Sul -
para fazer aquilo que Deus teria dito apenas aos homens, crescei e
multiplicai-vos?
Fontes:
Todas foram devidamente citadas ou lincadas diretamente no texto. Não há objetivo de proveito pessoal nas citações e cópias. Todas foram utilizadas para colaborar na divulgação do Dia Internacional das Zonas Úmidas e na divulgação de um patrimônio da natureza; um patrimônio de todos nós, os amigos do Taim. Qualquer insatisfação, por favor, basta deixar um comentário.