Pois é,
Antes de iniciar o post, uma referência: novo blog "Para quem, por qualquer motivo, de qualquer maneira, curte Porto Alegre". É o Poanet. Vocês todos (eu sei que são todos) que adoram Porto Alegre, não deixem de visitá-lo. E seguimos...
Libertas philosophica é a liberdade, ou o direito, de pensar, de sonhar e filosofar. A expressão foi cunhada pelo autor (figura) da seguinte frase, dita em 8 de fevereiro de 1600:
"Talvez seja maior o vosso temor de pronunciar contra mim essa sentença do que o meu de submeter-me a ela".
A 17 de fevereiro do mesmo ano ele seria queimado na fogueira. O acusador do Santo Ofício foi o mesmo que, anos mais tarde, conduziria o processo contra Galileu Galilei. A esse grande acusador, a Igreja tornou santo: São Roberto Bellarmino, o Cardeal Bellarmino.
Um dos filmes que vi, em 1974, e que ainda guardo a lembrança das fortes emoções despertadas, foi Giordano Bruno, estrelado por Gian Maria Volonté. Vale a pena ver. Tem em DVD.
O filme retrata a vida e o processo de oito anos imposto pela Igreja contra Giordano Bruno, considerado um dos maiores filósofos do renascimento, alem, é claro, de um pouco das suas idéias e de sua morte na fogueira.
Eis a sentença assinada por "São Roberto Bellarmino", a qual Giodano respondeu com a frase acima citada:
"Decidimos, pronunciamos, sentenciamos e te declaramos, frade Giordano Bruno, ser herege impenitente, pertinaz e obstinado, e por isto deves incorrer em todas as censuras eclesiásticas e penas dos santos cânones, leis e constituições tanto gerais como particulares que se impõem a tais hereges manifestos, impenitentes, pertinazes e obstinados; e como tal te degradamos verbalmente e declaramos que deverás ser degradado de fato, como ordenamos e mandamos, de todas as ordens eclesiásticas maiores e menores em que hajas sido constituido conforme as disposições dos santos cânones, e deverás ser separado, como te separamos de nosso foro eclesiástico e de nossa santa e imaculada Igreja, de cuja misericórdia tens demonstrado ser indigno; e deverás ser entregue, e te entregamos ao tribunal secular, a Corte del Mons. Governador de Roma, aqui presente para castigar-te com a pena devida, contudo rogando-le ao mesmo tempo eficazmente que digne mitigar o rigor das leis concernentes à pena de tua pessoa, que esteja isenta do perigo da morte ou da mutilação de membros.Ademais, condenamos, reprovamos e proibimos todos os livros e escritos teus acima mencionados e outros, como heréticos, errôneos e abundantes de muitas heresias e erros, ordenando que daqui em diante todos os que se encontrem agora ou se encontrarem no futuro em mãos do Santo Ofício sejam desfeitos e queimados publicamente na praça de São Pedro, diante da escada, e como tais sejam postos no Índice de livros proibidos, e façasse como ordenamos.
Assim dizemos, pronunciamos, sentenciamos, declaramos, degradamos, mandamos e ordenamos, excomungamos, entregamos e rezamos, procedendo nisto e no resto de um modo incomparavelmente menos duro que de rigor podemos e devemos."
Ao não dizer da pena de morte, a Igreja apenas visava eximir a Inquisição, pois sabia que a justiça secular o faria.
Giordano Bruno foi condenado, dentre outras razões, por defender o sistema de Copérnico e por acreditar que o universo era infinito e que nele existiriam outros mundos habitados.
Segundo Voltaire Schilling (portal Terra),
"A execução do filósofo e cientista Giordano Bruno pelas chamas da Inquisição Romana no ano de 1600, foi um dos acontecimentos mais dramáticos da época do Renascimento. Para alguns representou o fim da tolerância da Igreja Católica para com a dissidência representada por alguns sábios, para outros foi o sinal do recomeço dos tempos obscurantistas que opuseram a fé contra a ciência num confronto que não teve mais fim".
A Igreja, diferentemente do que fez com Galileu, ainda não reabilitou Giordano Bruno, apenas condenou sua execução.








































