Pois é,
Não se trata de estar "chupando limão de novo" como disse a Sandra, no comentário ao post anterior Trata-se da simples aceitação de uma verdade. E, por favor, não me venham os chatos de plantão dizer que não existe verdade. Às favas com isso!
E qual é essa verdade? Os homens são os dinossauros da vez. Simples assim!
Estamos prestes (em termos relativamente cósmicos, claro. O que pode significar mais algumas poucas centenas de anos) a desaparecer da terra. Não pelas anunciadas mudanças climáticas, que contra isso saberemos bem nos defender, mas pelas mãos dos próprios homens.
Só não vê quem não quer! Por mais exagerados que possam parecer os números anunciados por aí, quase a metade da humanidade não deverá sobreviver por falta de alimento e/ou de água. É a natureza a causa disso? Apesar de detestar essa palavrinha, sou obrigado a usá-la: óbvio que não!
Se falta comida e água é tão somente pela ganância dos homens. Ou de alguns poucos, melhor dizendo. A pobreza e a morte em massa de seres humanos pela falta de coisas tão fundamentais é necessária para que uma minoria possa usufruir de supérfluos. E com direito a defender com unhas e dentes o direito de usufruir dos supérfluos como legado divino.
Aliás, só inventaram deus para justificar a meritocracia: "Deus me fez assim, superior aos demais. Logo, posso ter o que quero e o resto - coitados dos que pertencem ao resto, só lhes resta a misericórdia divina, que Deus os tenha ao seu lado direito - que siga seu destino já traçado ao nascerem pobres e desprovidos daquilo que eu tive ao nascer!".
A fortuna acumulada pelos 500 mais ricos é suficiente para alimentar com dignidade 3 bilhões de pessoas, o que os faria viver pelo menos uns 70 anos. O lucro das maiores empresas alimentaria mais 3 bilhões.
E querem me falar de humanidade?
Algo com o 90% das mortes de seres humanos são causadas por outros seres humanos. Guerras; acidentes de automóvel; miséria; falta de remédios - ou porque os governos não dão (seres humanos que "entendem" que não devem dar), ou porque a indústria está mais preocupada com seus lucros -; por falta de atendimento de saúde pública (seres humanos que "entendem" que não devem dar); etc., etc., etc...
Mata-se por idéias!
E querem me falar de humanidade?
Ah! Chato! Pensa no lado positivo da coisa. E a solidariedade onde fica?
Não fica! A solidariedade ajuda alguns poucos milhares de pessoas mundo afora. E o que dizer das bilhões que nada recebem? E morrem por todos os motivos citados?
Não existe espécie sem predador na face dessa terrinha depredada. Desde há muito, quando descobriu que poderia dominar tudo na natureza, o homem voltou-se contra o homem, tornando-se seu único predador. Parece idiota dizer isso, mas é assim mesmo.
No reinado desse sistema, em que muitos se fodem para que poucos possam foder tranqüilamente, não há esperanças para a sobrevivência da espécie.
Somos os dinossauros da vez! Alguma dúvida?
Tem sido difícil o equilíbrio entre o discurso da indignação e o discurso da solução. Até mesmo porque não há solução à vista, parece-me.
Notas: 1. A imagem do início do post é uma reprodução do quadro "Hypnos and Thanatos" de John Willian Waterhouse (1849-1917). Não sei quem é, pois peguei na internet. Hypnos, deus do sono (pai de Morpheus, deus dos sonhos) e Thanatos, deus da morte. Ambos filhos de Nix, deusa da noite e de Érebos, deus das trevas. Nix e Érebos eram irmãos - além de irmãos do Caos -, o que significa que a putaria já rolava solta até em meio aos deuses. Érebos, por vezes, é associado a Hades, o deus dos infernos. Simpática essa família: sono, morte, sonho, inferno, caos... só gente fina...
"Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano."
Arma-se, no momento em que começo a escrever este post, uma tempestade aqui em Porto Alegre. Depois de um dia em que a temperatura atingiu os agradáveis 36 graus, assisto, do terraço, a passagem de um dos fenômenos mais bonitos e intrigantes da natureza.







































