Eu posso ser chato mas...: junho 2007 Archives

Pois é,

Levei como se carrega um bebê recém-nascido: com toda a atenção e cuidado. Mostrei tudo aquilo, na cidade, que o pouco tempo que me foi dado permitia. Abri as portas da minha casa e permiti, sem medo, que conhecesse a Condessa. Todos sabemos que a maior prova de carinho que podemos ter é apresentar nossos filhos. São nosso maior tesouro. E fiz isso.

Papariquei, na verdade! Corri atrás das pessoas para que conhececem. Fiz algo que sequer com a minha mulher faço: fui ao shopping para que pudesse fazer compras. Imaginem: shopping novo, desconhecido, com turista e... mulher. Poderia ter sido um pesadelo. Mas não. De tudo fiz para que se sentisse à vontade. Cuidei do filho, para que tivesse o tempo necessário para fazer boas compras.

Mas uma profunda tristeza tomou conta de mim ontem. Jamais imaginei tamanha ingratidão. É o preço que se paga, nessa vida, pelo bem que fazemos. Vê-la, assim, vestida com esse pano (um trapo, a bem da verdade), me faz ver o quanto devo revisar meus paradigmas: talvez nunca mais receba alguém por aqui. É provável que minha fase de encontros reais com gente virtual tenha, definitivamente, acabado. Quem sabe, até, encerre o Chato. Afinal, não fosse por ele e não estaria passando por essa tristeza:


Sem comentários...

Ao menos o Leo foi de uma sensibilidade inimaginável para um garoto de nove anos. Dono de uma inteligência rara, ao se despedir, no aeroporto, fez questão de me dar essa alegria:


Leo e a nova paixão....

Pois é,

Incansável essa gente da blogosfera. Creio até, mesmo contra minhas convicções de que a natureza humana (li, recentemente, um autor defendendo a inexistência de uma "natureza humana", mas isso e assunto para outro post) é má em sua essência, que a maioria o faz de boa-fé.

As aparentemente eternas correntes! Sempre elas. A da vez foi inventada por uma portuguesa (Brit), e pretende enumerar o maior número possível de blogs que "defendam" os direitos fundamentais do ser humano.

Há um comentário feito no blog dessa moça que me parece bastante pertinente. Leiam antes de prosseguir.

Talvez não haja tema, à exceção do atualíssimo meio ambiente, tão debatido na história da humanidade. E talvez não haja algo, à exceção do meio ambiente, tão desreipeitado na face da terra. Se pensarmos que o deus bíblico foi o primeiro a desrespeitar o direito das suas criaturas, ao expulsá-los do Éden por exercerem um direito que era seu, vemos que a coisa vai longe. Vai mais longe ainda, se pensarmos no primeiro "ser humano" que, deliberadamente, fez valer aquilo que julgava ser "seus direitos" perante outros da espécie...

E aí nasceu o Direito. E blá-blá-blá, blá-blá-blá até chegarmos à modernidade e à conseqüente definição, tão ficta quanto outras criações humanas, de Direitos Fundamentais do Ser Humano, ou, resumidamente, Direitos Humanos.

Balela de uns, para proteger a força e o poder; balela de outros, para defender a fraqueza diante da força e do poder. E há grandes "sábios" de ambos os lados. Vencerá sempre, o lado mais forte. E se antes a força era física, ou de um grande exército, modernamente a força é econômica. Num piscar de olhos destrói-se um país inteiro e mata-se de fome milhares de pessoas, pela pura e simples vontade de "ganhar" mais.

Simples assim. E sábio, mesmo, foi o criador da expressão "todos temos um preço". Vemos isso diariamente. Recebemos nosso preço diariamente, em pequenas exceções que abrimos à nossa moral para satisfazer coisas que julgamos "mais importantes". Fazemos isso para manter nossos empregos, para manter nossa "cervejinha" e muito mais.

Jogamos fora nossa dignidade a cada ação que fazemos para manter nosso status quo de vida. E ainda justificamos dizendo "não serei eu o joãozinho do passo certo".

Falar em direitos humanos?

Deveríamos primeiro, e antes de tudo, falar em dignidade humana. Essa sim, a meu ver, seria uma corrente com objetivo. É da dignidade humana que deriva o conjunto de preceitos que mantém a vida em sociedade, seja a Moral, seja o próprio Direito.

E é o respeito a ela, a dignidade humana, que foi para o brejo há muito tempo. E os governos, por nós eleitos, são os primeiros a ignorar a nossa dignidade. E ignoram porque se sentem a vontade para fazê-lo, pois sabem que não temos como cobrar de alguém algo que já perdemos, sendo que a maioria sequer sabe o que é isso, tamanha a condição de miséria em que vivem.

Não poderia participar de uma corrente dessas, sem antes fazer algo para dar dignidade a essa maioria que sequer vive, apenas mal e porcamente sobrevive - e sem dignidade.

Gracias, Luma, pela lembrança.

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