Pois é,
Sai! Sai daqui! Me deixa queito. Ao menos isso.
Respeita os poucos momentos em que ainda consigo ficar lúcido comigo mesmo. Já não te bastam as tantas vezes que me acusaste de não ser homem? E queres saber por que lembro disso agora? Te digo, mesmo que nunca tenhas querido saber.
Há muito já superei a questão pela qual escrevo: se escrevo apenas para me aliviar, ou se escrevo para que alguém leia. Escrevo para que tu leias. Por mim, bastavam meus diálogos sozinho. Mas há algo em que fostes a maior de todas. Em algo que não tinhas o direito de ser.
Não podias, mesmo que em momento de raiva, fazer comparações. Traíste o código básico de um relacionamento: aconteça o que acontecer, pertence apenas às quatro paredes. Sequer nós temos o direito de saber. Menos ainda o de dizer em voz alta! Tivesses dito que eu não te satisfazia, até teria entendido. Sabia, melhor do que tu, da minha condição. Sabia da minha incapacidade de te satisfazer.
Mas não devias, por mais "brincadeira" que fosse - como cansaste de repetir depois -, dizer que eu não te satisfazia porque "era pequeno", ou que "estava pequeno", como não cansavas de dizer nas horas em que me encontrava inútil. Te dás conta, hoje - se é que estás a ler isso, que me atingistes naquilo que fomos ensinados a considerar como o maior bem da natureza, mais até que nossa personalidade?
Percebes que, mais do que a falta dos teus braços - que se recusavam a me levantar - mal maior faziam as tuas palavras ao se referir a minha incapacidade como "pequeno"? A mágoa me impõe a raiva. E pelo tempo em que fostes o meu vício, por diversas vezes estive por te perguntar:
E a ti? O que importa é tão somente o tamanho? És tão pequena quanto dizes que ele é, a ponto de ultrapassares as quatro paredes e jogares na minha cara, somente depois que caí?
E te pergunto, para que penses para o resto da tua vida: te importava mesmo o tamanho?








































