Diário de um ex-viciado: abril 2007 Archives

Pois é,

Sai! Sai daqui! Me deixa queito. Ao menos isso.

Respeita os poucos momentos em que ainda consigo ficar lúcido comigo mesmo. Já não te bastam as tantas vezes que me acusaste de não ser homem? E queres saber por que lembro disso agora? Te digo, mesmo que nunca tenhas querido saber.

Há muito já superei a questão pela qual escrevo: se escrevo apenas para me aliviar, ou se escrevo para que alguém leia. Escrevo para que tu leias. Por mim, bastavam meus diálogos sozinho. Mas há algo em que fostes a maior de todas. Em algo que não tinhas o direito de ser.

Não podias, mesmo que em momento de raiva, fazer comparações. Traíste o código básico de um relacionamento: aconteça o que acontecer, pertence apenas às quatro paredes. Sequer nós temos o direito de saber. Menos ainda o de dizer em voz alta! Tivesses dito que eu não te satisfazia, até teria entendido. Sabia, melhor do que tu, da minha condição. Sabia da minha incapacidade de te satisfazer.

Mas não devias, por mais "brincadeira" que fosse - como cansaste de repetir depois -, dizer que eu não te satisfazia porque "era pequeno", ou que "estava pequeno", como não cansavas de dizer nas horas em que me encontrava inútil. Te dás conta, hoje - se é que estás a ler isso, que me atingistes naquilo que fomos ensinados a considerar como o maior bem da natureza, mais até que nossa personalidade?

Percebes que, mais do que a falta dos teus braços - que se recusavam a me levantar - mal maior faziam as tuas palavras ao se referir a minha incapacidade como "pequeno"? A mágoa me impõe a raiva. E pelo tempo em que fostes o meu vício, por diversas vezes estive por te perguntar:

E a ti? O que importa é tão somente o tamanho? És tão pequena quanto dizes que ele é, a ponto de ultrapassares as quatro paredes e jogares na minha cara, somente depois que caí?

E te pergunto, para que penses para o resto da tua vida: te importava mesmo o tamanho?

Pois é,

Devo lembrar tuas palavras? Palavras de um tempo novo, de um tempo de sonhos?

"um bom copo de vinho, uma música baixa, um sofá macio e longas horas de conversa em tom baixo, olhos nos olhos, mãos para segurar as outras, dedos para não deixarem as lágrimas caírem na blusa ou agilidade para correr atrás de lenços de papel, braços para envolver, carinho no cabelo..."

E o que temos hoje? Horas de discussão, quando não estás dormindo. E num tom tão alto que sequer a música se faz notar. Teus olhos insistem em fugir. Desviam-se, não para esconder as lágrimas, mas para esconder a expressão da tua incapacidade. Da tua incompreensão dos meus momentos de fraqueza, dos momentos em que caí. E que mãos eu tive nessas horas? Mãos que certamente mais queriam jogar em mim o vinho, que antes tomavas apaixonada.

Não queria tuas mãos segurando as minhas. Queria tuas mãos apenas como apoio. Levantar, sabes? Coisa simples, alguém que me puxasse pra cima. E foi aí começou teu abandono. E foi aí, também, que te transformei no meu vício. Coloquei em ti a saída dos meus problemas. Precisava dos teus braços, o fraco era eu. Tu? Sequer adjetivos tenho mais...

Pois é,

Não vais escutar, por isso mesmo falo. E falarei sempre que tiver vontade, escutes ou não. Vou escrever, mesmo sabendo que não vais ler. Estás longe para me ouvir; dormes, quando devias estar lendo o que te escrevo.

Vou aprender a não sentir a tua falta. Será minha vingança contra teu cansaço, que te rouba de mim! Contra a tua falta de vontade, que te faz dizer que queres, num falso sorriso, estar comigo.

Chega de estar a tua disposição. Chega de esperar respostas! Prefiro ejacular minhas próprias, se é isso que queres.

Tiveste de mim o que querias. Tiveste o mais importante: meu tempo! Todo para ti. E no que tem resultado? No teu sono, que dizes ser irresistível! Como mudam as situações! Outrora, dizias isso de mim. E vinhas toda, inteira, ao meu encalço. Não havia lugar na casa onde não estavas junto, a me tocar, a me provocar, a pedir.

Hoje me pedes descanso; pedes apenas algumas horas para dormir. Dorme em paz. Já não és mais meu vício!

Pois é,

Se eu tivesse ficado menos tempo olhando mulher pelada na internet, certamente teria comido um número maior delas. Ah! Mas era tão bom...

Adoro uma mijada consistente, daquelas que fazem barulho e respingam, como as que eu dava depois de beber umas quatro cervejas... Ah! Que saudade...

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