Pois é,
Um BO não resolveria o caso. Não tínhamos elementos probatórios suficientes para levar o caso adiante. Para a Polícia, o Ministério Público e mesmo para o Judiciário, não passariam de "meras desconfianças". E, no fundo, isso nos traria muito mais incomodação do que solução. A solução mais correta era simplesmente afastar a pessoa.
Se ela vai fazer isso com outra criança? Querem saber? Talvez não mais do que isso. A razão é que o motivo que a impulsionou era a iminente e previsível cura da Clarissa. Desde o início, quando a contratamos, foi dito que duraria algo em torno de 10 a 11 meses e que assim que a Clarissa ficasse curada do refluxo não seriam mais necessários cuidados especiais ou, dito de outra forma, não precisaríamos mais dela.
Assim, o jogo era manter a necessidade de cuidados especiais. Ela queria demonstar a necessidade da sua permanência. Não mais que isso, embora os métodos utilizados.
E por isso a inteligência do mal: fazer as coisas no limite necessário, não mais. O mal, quando utilizado de forma inteligente, não "liquida" a sua vítima; a mantém viva, dependente dele. O mal conta com a inocência do bem, com a ingenuidade das pessoas em insitir que "o bem sempre vence". Assim agimos no cotidiano quando buscamos sobreviver, utilizando doses homeopáticas de maldade. É o que chamamos de "sistema", ou quando dizemos "o sistema é assim".
A natureza da Natureza é a predação. A única diferença está no grau: maior ou menor dose. Todas as espécies se alimentam das outras para sobreviver. A cooperação só existe intra-grupos e tão somente com o objetivo de se defender de outros grupos, ou mesmo de extinguí-los, caso representem uma ameça constante. E mesmo no ambiente de cooperação - característica mais externa do que interna, existe a predação materializada na disputa pelo poder, pela liderança do grupo e, até mesmo, pelas melhores fêmeas.
Sob a carapaça de uma pessoa querida (imagina, até fazia coisas para mim) escondia-se uma pessoa que, no fundo no fundo, buscava defender-se das necessidades da vida. Não que isso seja motivo para agir assim - mesmo por que a maioria das pessoas que passam por necessidades não saem por aí fazendo coisas do gênero a toda hora - mas sabe-se lá deus que outras razões a levam a escolher esse tipo de comportamento.
A vida que levamos nós mesmos escolhemos e construimos. Ninguém mais o faz por nós. De certa forma - e é uma maldade minha dizer isso - ela vai continuar o resto da vida na vila onde mora. Nós não!
Ps.: devo atualizar diversos links, mas isso farei aos poucos...








































