Condessa: setembro 2005 Archives

Pois é,

A Condessa parece estar mostrando que não há de se contentar apenas com este título. Veio para reinar. Ontem não pude sequer comentar nos blogues participantes do Nós na Rede, o que dirá comentar os comentários ao meu post. Considero isso, diga-se de passagem, a pior falta. Imperdoável para com as pessoas que aqui vieram ler meu post irado. Irado, sim, pois apesar de não ter deixado transparecer (ou transpareceu?) ele foi, em parte, produto de experiência própria; produto de participar ativamente da situação. De acompanhar do início (a trepada) ao fim (sair da clínica amparando a mulher) todo o processo de um abortamento. E de saber como é, efetivamente, o sofrimento das pessoas envolvidas, inclusive o meu, à época. E por que sofrimento? Porque lutamos contra uma moral absurda e contra um medo de uma lei mais absurda ainda. Uma lei que faz com que nos sintamos criminosos já em pensamento.

E não se pense que não há medo da lei, ou de que não há medo da prisão. Não há nada de hipotético no pensamento de uma mulher em vias de abortar. Há, sim, uma realidade. Bandidos até podem pesar na balança as possibilidades. Em aborto isso é o que menos importa. O medo existe! Mulheres que abortam não podem ser comparadas a bandidos.

Por isso a raiva contra os que defendem a criminalização do aborto ou aqueles que são contra o aborto baseados apenas na fé. São coisas diferentes, eu sei, aborto e direito ao aborto, ou direito à escolha, à opção. Enfim, já passou.

Lia os blogs em pé em frente ao computador e com a Clarissa no colo. Dispunha tão somente da mão direita para clicar o mouse. Bendito seja o inventor do mouse. Faço aqui, então, um comentário geral:

Tirando o meu, que, como disse a Su, foi o mais pragmático post que ja fiz (gentileza dela, o post foi irado mesmo), todos os demais foram, para mim, vedadeiras aulas de bem desenvolver e escrever sobre um tema tão polêmico. Mais que simples posts, verdadeiros ensaios. Equilibrados nas críticas aos posicionamentos meramente religiosos ou jurídicos, sempre respeitando o direito a fé dessas pessoas; equilibrados também na defesa da criminalização, sem o uso da costumeira hipocrisia.

Verdade seja dita, e aqui não é uma crítica, apenas uma constatação, não vi nehuma novidade que pudesse diferenciar o tema, a menos das manifestações da jucimara, no seu blog, e da Yvonne, em comentário feito ao post da Viva no Nós por Nós. Também assisti a aula do prof. Goldim, a que o Gejfin referenciou, e não posso concordar. Foi uma saída fácil em meio a alunos sem o mínimo conhecimento do assunto. Na verdade ele não disse nada. Mas não era esse o objetivo da tarefa a que todos se propuseram. O objetivo foi plenamente alcançado: dar um sentido superior à blogosfera, trazendo para a rede os nós que devemos desatar para que um dia esse país seja, de fato, um país feito por nós.

E um país não se faz apenas de leis, de religião, de moral. Um país se faz a partir da construção de afetos; afetos que constroem identidades. Identidade é a palavra chave. Identidade na semelhança e identidade na diferença, mas, principalmente, identidade no afeto. Por piegas que possa parecer, só o afeto é não discriminador. Afetar é não ver, é olhar.

No primeiro semestre (não fui buscar o dia certo) fizeram um comentário em um post meu. Sendo piegas mais uma vez, mas a vida só dá oportunidades a quem dá oportunidade para a vida. Fui lá ver de quem era o blog. Afinal, no começo "somos sedentos" por leitores. Cresci em meio militar e em famílias extremamente tradicionais, além de ter estudado no Colégio Militar, o que poderia ter feito de mim uma pessoa severamente preconceituosa.

Contrariamente ao que seria esperado, o fato de viver "em constante mudança" (em função das mudanças do meu pai) proporcionou-me a oportunidade do convívio com a diversidade, com o constante fazer novas amizades. E quando a vida nos impõe esse desafio, quando crianças, a primeira coisa que aprendemos é a valorizar afetos, acima de qualquer coisa. Quando aprendemos que precisamos das pessoas, desaprendemos o preconceito.

E assim foi que visitei e passei a freqüentar a casa do Edu. E foi assim, dando oportunidade à vida, que se estabeleceu - nem mais rápido nem mais devagar do que o justo tempo em que a natureza amadurece - um grande afeto. Não virtual, como podem pensar alguns, pois que a internet tem essa capacidade de nos fazer sentir como se perto estivéssemos. Um carinho, um respeito, uma admiração pela pessoa que ele é. E somos, todos os que escrevemos na internet, muito mais do que os posts possam representar. A coragem de enfrentar um meio que, quer queiramos ou não, é preconceituoso; um meio que talvez valorize mais quem bem escreve ou quem veio "de berço profissional" na esfera real; um meio segregado como "diarinho de adolescente". Pois foi a esta coragem que admirei. Coragem que talvez não tivesse; coragem que por vezes penso não ter quando procuro saber o que é, afinal, o Chato.

E foi por essas qualidades de gente, de gente em sentido maiúsculo: de gente que sei ter suas idiossincrasias, que não é perfeito, que é bom quando é bom e é mau quando é mau; qualidades de gente que vive e não de gente que se esconde, que de coração o escolhi como padrinho virtual da Clarissa. Há tempos aprendi a diferença entre "homossexualidade e "homoafetividade". Passei a utilizar a segunda por pensar ser mais representativa de uma realidade; por pensar que utilizando-a estaria sendo "politicamente correto". Ledo engano, mostrou-me o Edu. Com ele aprendi que não existe nem "homo" nem "hetero" afetividade. Afeto não tem classificação.

Sou pequeno, confesso, para avaliar a energia que o moveu a materializar nos presentes enviados para a Clarissa (ursinho com os sapatinhos), todo um amor. Fico aqui a imaginar as possíveis cenas: o contato com a Yvonne para obter o endereço; o sair para procurar um presente que se adequasse ao seu desejo; o entrar e sair de lojas; tudo, tudo até que encontrasse algo do qual pudesse dizer a si mesmo: "É isso! Esse sou eu ao lado dela! Esse sou eu que, quando estiver nos bracinhos dela, estarei feliz". Não exagero se pensar que ele deve ter dado alguns beijos no ursinho antes de embrulhar e mandar! Foram dados, Edu. Muitos e muitos.

E não se preocupem, Yvonne e Edu: não há coincidências no mundo. Há, sim, energia. Vocês irão conhecer pessoalmente a Clarissa. Se não por mim, por ela mesma, que irá crescer aprendendo a amá-los.

"Dindinhos,

Só sei chorar, por enquanto, e quando estou com fominha, ou quando trocam minha fraldinha sujinha e eu fico com friozinho. É assim mesmo, pois sou petinininha! Papai me falou que ganhei uns presentinhos de vocês. Não sei ainda o que é isso, mas senti na voz dele que era algo muito importante. Papai falou com carinho de vocês, deu até vontade de dormir de tão feliz que fiquei. E sabe por quê que eu não dormi? Não contem pro papai, mas eu gosto de fazer manhinha só pra ficar no colo dele. E um dia vou ficar no colinho de vocês também. Mamãe tá muito feliz. Ela não imaginava que eu pudesse ser tão querida pelos meus dindinhos. Agora vou nanar pra crescer bastante e um dia poder viajar e conhecer vocês. beijinhos e fiquem com todo o meu carinho. Clarissa."



Desculpa não fazer os links.

Pois é,

Interrompemos a série sobre livros para uma notícia importante e urgente:

Cuidem-se! Há uma louca perambulando pelo Rio de Janeiro. Dessas "de atar" com se diz por aí. Comete os atos mais insanos que se possa imaginar. Pois acaba de cometer um que é capaz de mudar o mundo. Chamem a Samu, usem camisa-de-força se necessário, e garanto que será!


De tão louca que é, será um perigo enorme para a frieza desse mundo consumista.
De tão louca que é, é capaz de provar,
com provas de A + B,
que ainda existe amor no mundo.
Ora, louca, isso não dá!
Amarrem essa louca, que de tão louca que é, me faz chorar;
Amarrem essa louca, pois já não nos é mais permitido chorar.
De tão louca que é, nos faz sonhar,
Sonhar que é possível acreditar num mundo melhor.
Em que mundo essa louca pensa que está?
Não aprendeu que não se pode mais conjugar certos verbos?
Daqui a pouco vai querer ensinar a dar.
Estás louca de atar!
E agora, sua louca, como vou ensinar pra Clarissa,
que o mundo em que ela nasceu
não é ruim?
Que o mundo em que ela nasceu,
de severinos, de jefersons e bushs,
de furacões e tsunamis,
de fome, de dor,
é também um mundo de yvonnes?
Como ousas perverter a ordem do mundo?

Pois não é que a louca de atar mandou um presente pra Clarissa?


e olha o cartão! Coitada, louca de atar.



Yvonne,

Talvez, se eu tivesse parado para pensar, teria escrito um post melhor. Mas não deu prá agüentar. Saiu assim, na hora, tomado da alegria e da surpresa que causaste, sua louca! De atar.

Amarrem essa louca, senão ela é capaz de mudar o mundo, de tão louca que é!

Não deu pra vestir, pois ainda é meio grandinho pra pequerrucha. Mas deixa estar, que no auge do verão, certamente ela usará.

Pois é,


Condessa Clarissa tem sua nobre vida ligada aos dias pátrios. Nasceu no dia sete de setembro e tomou seu primeiro banho no dia vinte, hehehe


Claro que depois de pronta,

foi pro colinho pedir a merecida porção lactea de alimento.

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