Recently in Causos, histórias e outras mentiras Category

Elogio ao SUS

| | Comments (3)
Pois é,

Patroa foi notificada com a H1N1. Possibilidade, claro, pois para saber, só se morrer. Aí então fazem o exame.

De qualquer forma, parabéns para o atendimento do SUS. Perfeito. Sexta-feira, 20 horas, rápido. Consulta tranquila, médica passando todas as orientações, medicação receitada. No dia seguinte fomos a um posto (PAM 3) para pegar o remédio (Oseltamivir - vulgo Tamiflu). Bastou mostrar o boletim de notificação e a receita para sair com ele na hora. Primeira dose tomada ali mesmo.

Todos atenciosos e tudo de graça.

Devo admitir que, levados pelo preconceito contra o SUS, primeiro procuramos atendimento particular em um hospital. Resultado? Espera prevista de 12 horas para ser atendido. Fomos, então, para uma clínica de convênio. Duas horas de espera.

UAU! Viva o SUS! O posto? O Modelo, de POA. Ali, na João Pessoa.

De sobra, sobrou trabalho forçado pro chefe aqui. Cuidar da casa, da Condessa, dos gatos e, claro, da patroa. Tem portância não, depois eu peço férias...


Pois é,

Há várias maneiras, imagino eu, de estudar História. Uma, que acho interessante, é através dos nomes. Ao acompanhar o nome AFONSO, por exemplo, é possível entender a queda do império romano, quem eram os chamados "bárbaros", a invasão mulçumana na Península Ibérica, quem foram os godos, visigodos, ostrogodos, celtas, suevos, e tanta gente que se misturou para formar nossa chamada "civilização" e, claro, a história da Espanha e de Portugal. Afinal, devemos a um Afonso, D. AFONSO HENRIQUES (D. Afonso I, o Conquistador), a formação da pátria portuguesa. A ele somam-se outros 5 reis Afonso em Portugal, 11 reis das Astúrias, Leão e Castela, e 5 de Aragão e Navarra, todos, claro, na Península Ibérica.

O mais interessante, é que AFONSO é um nome de origem visigótica, isto é, dos visigodos. Mas quem eram os visigodos, que por centenas de anos dominaram a Península Ibérica? Por que D. Afonso Henriques chamava-se Afonso? Por que D. Afonso I, o Católico, primeiro rei das Astúrias, chamava-se Afonso?

Está feita a História. O Reino das Astúrias nos leva aos mulçumanos, que nos levam aos visigodos, que nos levam aos suevos, que nos levam ao império romano, que nos leva à linguística, que nos leva a tentar aprender outras línguas... que nos leva... às vezes ao cansaço...

O mesmo acontece para LUIZ. E lá se vão mais um tanto de reis de França (19, para ser exato)...

O mais apaixonante nessa linha de pesquisa é que acabamos por não saber - caso não tenhamos perguntado a tempo para nossos pais - por que razão eles escolheram esse nome para nós. Afinal, que significado tinha "Luiz Afonso" para que a mim fosse dado?

Se bem me recordo e não estou enganado, dizia o escritor Moacyr Scliar, que nomes condicionam destinos (se estiver errado, por favor corrijam). Juntando todos os reis havidos com LUIZ e AFONSO, temos nada menos que 40 reis. Só me falta descobrir rei do que eu devo ser...



Pois é,

Mulheres, que eu saiba ou conheça, não fazem coleções. Para elas, e pra começo de conversa, coleções são porcarias que a gente guarda. É o que elas pensam. Só servem pra encher algum armário ou gaveta. E não adianta estarem guardadas, pois elas sempre dirão: "essas porcarias jogadas por aí...".

Imagino que seja por ciúmes. Talvez se sintam trocadas por objetos que consideram sem valor algum, quando, no fundo, elas deveriam ser o único objeto de valor nas nossas vidas. Deve ser algo realmente insuportável ver alguém dedicar tanto tempo e cuidado a um monte de latas de papel higiênico, ou a caixas de papelão (por falar nisso, já viram a quantidade infinita de caixas que há por aí? De todos os tamanhos, estampas...), vidros de comida para crianças, chaveiros, selos e, claro, as canetas, minha principal e maior coleção, com mais de mil atualmente.

Guardar. Verbo que será abolido quando o mundo for dominado pelas mulheres. Dependesse o mundo das mulheres e não teríamos história para contar. Mulheres são muito utilitaristas: ou serve agora ou vai para o lixo. Devem pensar o mesmo de nós (por precaução, conheço todos os depósitos de lixo da minha cidade).

Há um velho ditado, naturalmente desconhecido das mulheres, que diz: "quem tudo guarda, quando precisa tudo tem!" Coleções são um caso particular, com a característica de não serem "utilizáveis". Não, ao menos, no sentido que as mulheres dão ao termo. Devo abrir uma exceção: mulheres donas/diretoras de escolas infantis. Elas adoram coleções "utilizáveis". Recentemente doei minha coleção de vidrinhos de comida (mais de cem) para crianças, para a escola da Condessa. Não preciso dizer que em casa era motivo de "briga". Na escola, fui recebido como grande colaborador, um pai "participativo" e por aí vai.

Em casa?

Grande guardador de lixo.




Pois é,

Sabe aquela camiseta velha, surrada, com furinhos, que a gente não tira sequer para dormir quando está frio? Pois é outro alvo preferido das mulheres. E não adianta dizer que foi presente dela. Se bobear, vai pro lixo. Camisetas são um dos primeiros presentes que as namoradas nos dão e uma das primeiras coisas que colocam no lixo quando - e se - casam com a gente. Não servem sequer para pano de chão. Incrível a capacidade das mulheres de não reaproveitarem as coisas: ou serve (e aqui entra a doação) ou vai para o lixo.

Uma das minhas "ex's" dava-se ao salutar hábito (para ela, claro) de, uma vez por ano, ter um ataque de qualquer coisa e rasgar todas as minhas camisetas. Outras, simplesmente esculhambavam o meu "gosto" para camisetas (o que não deixava de ser, de certa forma, uma maneira de dizer que eu andava mal vestido), talvez imaginando que eu as teria ganho das "ex's".

Das mais de uma centena de camisetas que já tive, consegui manter apenas uma. Mantenho-a a salvo apesar das diversas tentativas de exterminá-la. E já dura, sem mentira alguma, mais de 30 anos. Era de uma namorada dos tempos de guri. Achei bonita e pedi. Ganhei e nunca mais larguei.

Recentemente fui pego ao secar o chão do banheiro com uma camiseta velha. Ganhei, claro, dela (o "dela" refere-se aos tempos atuais...). Havia pouco ela reclamara de eu estar usando a dita. Chegou ao extremo de dizer que, se por acaso eu morresse com a camiseta, ela não me reconheceria, que era um trapo que não servia sequer para doar. Pois bem, apenas dei outra destinação mais "ecologicamente correta" para o pedaço de pano. E não adiantou argumentar que era um simples pedaço de pano...

Mulheres não entendem de camisetas velhas...


Pois é,

Não creio que as mulheres tenham pelas cuecas o mesmo fetiche que os homens têm pelas calcinhas (ver aqui, aqui, aqui). Ou será que os homens não vêem as cuecas da mesma forma que as mulheres vêem as suas calcinhas?

Tenho uma vizinha que só lava as calcinhas uma vez por semana. Deve ter oito, pois todos os domingos pendura sete para secar, no terraço da cobertura. Até pouco tempo eram todas iguais e da mesma cor: beje. Acredito que o marido deve ter dado um ultimato: ou usa outra cor ou troco de mulher, pois começaram a aparecer calcinhas pretas e brancas. Nada que signifique uma grande mudança, algo tipo calcinhas vermelhas, verdes, amarelas, mas já é um começo. Antevejo o dia que estarão pendurados modelitos mais ousados.

Uma calcinha jogada ao chão. A imaginação corre solta: é obra nossa; num rompante de tesão tiramos ali mesmo e sequer temos tempo para pensar em dobrá-la direitinho e colocá-la em cima da cômoda (por sinal, se fizéssemos isso, sabe-se lá do que seríamos chamados). Mas não importa a hora e a razão. Uma calcinha à mostra, seja onde for, é sempre motivo de alegria.

Que atire a primeira pedra o homem que nunca abriu a gaveta da cômoda onde a mulher guarda as calcinhas, só para vê-las dobradinhas e imaginá-las atiradas ao chão. Que atire a primeira pedra a mulher que sempre abre a gaveta do armário onde guarda as cuecas do homem, e que nunca reclamou que é sempre ela quem tem que fazer isso.

Uma cueca jogada ao chão. Pobre do coitado que fez isso: é um porco relaxado que não tem consideração com a mulher. A imaginação corre solta: "filho da puta, depois eu que tenho que juntar e lavar. Tua mãe não te ensinou que cueca suja a gente coloca no cesto?" Tudo isso e muito mais por um simples ato da mais pura essência da natureza masculina: atirar roupas ao chão. É algo que remonta aos tempos da caverna, quando tínhamos apenas uma pele de animal para tirar. As mulheres pensam que não evoluímos, quando, na realidade, apenas mantemos nossas tradições ancestrais. Tenho que as mulheres forçaram o tal de desenvolvimento só para terem gavetas e prateleiras onde guardarem as roupas. Dentre elas, as gavetas para cuecas.

Mulher quando deixa a calcinha pendurada na torneira do chuveiro é porque esqueceu. Homem, pra começar, não esquece; deixa porque quer; porque não vê problema nisso. Porque é um porco relaxado...

E aquela cueca preferida, mantida e usada há anos, já meio "gastinha"? Elas não entendem porque gostamos de usá-la. Cuecas novas pinicam. Por isso coçamos, até que se tornem "já meio gastinhas". Vez por outra aparecem com um presente: uma cueca nova. E quando a gente vai guardar (é claro que guardamos nossas cuecas, nem que sejam as novas), descobre que a cueca preferida foi jogada no lixo. Sim, no lixo, porque nem pra doar serve. Por sinal, este é um preconceito puramente feminino: roupa íntima não se doa. Vai pro lixo. Até parece que pobre, ou gente de rua, não usa cuecas ou calcinhas. Poderíamos, em vez de ficar reclamando do Congresso, lançar uma campanha; "POBRE TAMBÉM TEM FANTASIAS: DOE SUAS CALCINHAS".

Devo confessar, por fim, que nunca comprei uma cueca na vida. As mulheres com as quais me relacionei sempre gostaram de me presentear com cuecas. Como nunca fui a uma loja comprar, também não sei o que quer dizer aquele "P" que tem nas etiquetas... 


Pois é,

Mulheres devem ter algum tipo de relação com os panos. Não sei qual é, mas que deve ser uma relação difícil para elas, lá isso deve! Panos de prato, panos de chão, camisetas velhas que gostamos de usar, lençóis e até cuecas.

Bem que eu tento me preparar para o dia - e quiçá não chegue nessa encarnação - que as mulheres mandarão no mundo. Há pelo menos dez anos que a cozinha é minha aos finais de semana. Vou ao super, lavo a louça, cozinho, coloco e tiro a mesa e, ao final, lavo novamente a louça. A pia fica sequinha e brilhante. Toda a louça e talheres guardados nos seus devidos lugares.

O preço? Panos. De prato. Que, casualmente, servem até de pano de chão, se necessário. E a terceira guerra mundial a cada sábado e domingo. Se os norte-coreanos imaginassem como é fácil arrumar uma guerra, não precisariam investir tanto em bombas nucleares, bastava utilizarem mais panos.

As mulheres (e a generalização, aqui, é proposital) não entendem que um pano é somente um pano e serve apenas para ser utilizado. Em qualquer necessidade. E são que nem bombril: têm mil e uma utilidades. Mas não, na cabeça delas cada pano serve para uma única coisa: limpinhos, dobrados e guardados em alguma gaveta. Ou pendurados, sempre com o lado bordado para a frente. Algumas chegam ao cúmulo de passá-los a ferro. No máximo, usam para secar a louça.

Pois aqui em casa utilizo um sistema de rodízio: o pano que estava pendurado serve para secar a pia. Pego outro para secar a louça; quando termino, uso para secar as mãos. Afinal, como vou cortar a carne, depois de cortar a cebola, sem que antes limpe as mãos? E o alho, depois da carne? E o tomate? Não se pode misturar os sabores na hora de prepará-los. E a faca que cortou a carne? Não posso usá-la sem antes limpá-la. E se um pingo cai no chão? Um pouco de azeite ou água? Vai o pano da pia. E o pano da louça vai para as mãos e o pano das mãos vai para a pia. Como vou lavando os talheres e louças que uso, vai mais um pano para secar a louça. E o pano que serviu para limpar o chão vai para o tanque. E assim segue o rodízio.

É tão simples que não entendo a razão de tanta confusão ao final de cada almoço. E para o churrasco? Usar panos de prato em churrasco é o limite de qualquer mulher. Comprei dez - isso mesmo, dez - panos de prato para usar na hora de fazer um churrasco. Boicote total. Simplesmente sumiram. Sempre que faço churrasco, tenho que usar os panos "limpinhos, passadinhos e guardados". E não adianta ter máquinas de lavar e de secar. Panos de prato são tão especiais que merecem, antes, ficar de molho em um balde, por horas a fio mergulhados em clorifina. Parece que só depois de estarem desimpregnados do nosso ser é que podem ir para a máquina.

Avental? Tenho cinco. Bastou usar uma vez e "já pra máquina"! Camisetas?

Bueno, camisetas velhas merecem outro post.



Os gatos

| | Comments (2)
Pois é,

Minha história com os gatos até parece coisa de novela indiana, tipo essa que anda nas telinhas atualmente.

Devo ter encarnado como "dalit" nessa vida, e minha vingança parece ter se voltado para os pobres bichinhos. Confesso que não recordo, mas quando adquiri um mínimo de consciência, passei a ouvir as tais histórias de família. E as preferidas, nos encontros, tinham sempre os mesmos protagonistas: eu e os gatos.

Seria lindo não fosse o fato de que as histórias versavam sobre como eu, criança de cinco, seis ou sete anos, nem lembro, havia me tornado um expert em jogar os gatos na sanga que havia nos fundos da chácara dos meus tios, onde passávamos o verão.

Requintes de crueldade até, diria um adulto. Mas como era feito por uma criança, não passavam de "coisa de criança". Pegar os gatos pela cauda, rodá-los o quanto os pequenos braços suportassem e, depois, jogá-los na água. Para dizer o mínimo.

Como que a pagar os pecados supostamente cometidos contra os bichanos na infância, jamais passei um dia sequer sem ter um gato por onde morei. São cinquenta anos de vida e todos eles acompanhados por gatos.

E hoje em dia são seis. O pai chama-se Joseph Afonso. Claro que numa auto homenagem (ou será auto-homenagem?). A mãe? Natasha, ou Naná, como ela mesma se identificou e atende. Pois Joseph Afonso e Naná eram pequenos gatos impúberes quando resolvemos viajar para entregar os convites do casamento. Meu e da Kaya, claro. Afinal, os gatinhos tinham apenas oito meses. Mesmo assim, e preocupados, consultamos o veterinário sobre a possibilidade de que algo acontecesse na nossa ausência (uma semana), embora tivessemos contratado uma baby-cat (yes, isso existe!). O pai (sim, afinal foi dele a culpa), quer dizer, o veterinário nos garantiu que ela era muito novinha para fazer essas coisas (o que ele esqueceu de nos dizer é que ele não era tão novinho assim, apesar de ter a mesma idade) e que poderíamos viajar tranquilos.

Na volta? Um brinde pra quem advinhar! Naná estava grávida! Mas já estou a me perder em meio a tantas histórias. O que queria contar aconteceu há duas semanas. Só para saberem, a história do nascimento, por si só merece um post. Em todos os casos, vieram ao mundo e estão miando enquanto escrevo: Mimoso (vulgo Mimi), Fafá, Frederico (vulgo Fred ou Demo, dependendo do comportamento) e Joseph Afonso Junior (vulgo JJ - tadinho, sempre acho que ele é meio retardadinho... vai ver puxou...)

Enfim, a história é sobre Fafá. A começar pelo nome. Fafá nasceu menina. A Fafá. E assim permaneceu até que, duas semanas após, o veterinário nos mostrou a realidade: Fafá tinha duas bolinhas. Invisíveis para leigos, mas não para mãos experientes. Pronto! A Fafá virou "O" Fafá.

Dia desses:

- Afonso?
- Sim, Kaya?
- O Fafá tá meio esquisito. Parece que está com dificuldade de respirar.
- Vai ver é a mudança do tempo. Deixa ele quieto que passa. Amanhã a gente vê como ele está.
- Sei não, tá muito estranho. Nunca vi ele assim.

Passado uns minutos, escutei uns miados diferentes. Subi (os gatos ficam na parte de cima do ap) para ver o que era e vi algo que espero não ver novamente: o Fafá, com os olhos arregalados, me encarou e soltou um miado profundo. E assim ficou a me olhar, como a dizer, "Tchê, fui!"

Aquele olhar me paralizou pelo tempo em que fiquei pensando: esse gato tá pedindo ajuda!

- Kaya, o Fafá tá muito mal!
- Como assim?
- Sei lá, ele ficou me olhando de um jeito...
- Vamos levá-lo ao veterinário agora mesmo!

Resultado: um dia a mais e o coração do Fafá teria explodido dentro dele. Isso mesmo "explodido"! Foi a expressão que o veterinário utilizou. Fizemos uma ecografia que mostrou que o coração estava aumentado em cinco vezes, em relação ao tamanho normal.

Diagnóstico: morte nas próximas vinte e quatro horas!

Resultado: ter que lidar com a Kaya. Ela pariu os gatos. Ajudou a Naná. Tirou um por um. Pariu o Fafá. Quase lambeu a todos no lugar da Naná. Sou capaz de dizer que morro e ela não vai chorar tanto quanto certamente irá chorar o dia que qualquer um dos gatos morrer.

Uma semana na UTI. Já viram gato em UTI? Pois eu vi! Até tubo de oxigênio tinha, caso a respiração faltasse.

Parece incrível, mas sobreviveu. E tem que tomar remédio para o coração todos os dias pelo resto da vida. Todos os dias, pela manhã, a Kaya dá um comprimido para ele. E o mais interessante é que ele toma direitinho, como se soubesse que isso é a vida dele.

E toma no colo, porque, no fundo no fundo, o colo é que cura!

(já vai Fafá, já vai. Espera eu terminar de contar a tua história...)

-




Links Ambientais

Pages

Powered by Movable Type 4.24-en

About this Archive

This page is a archive of recent entries in the Causos, histórias e outras mentiras category.

Brasil is the previous category.

Chimarrão is the next category.

Find recent content on the main index or look in the archives to find all content.