Pois é,
Das duas, uma: ou desisto das minhas pretensões gastronômicas, ou peço aulas para a Cláudia. Cláudia, para quem ainda não sabe, é a esposa do MIlton Ribeiro. É certo que ele vive alardeando os dotes culinários da Cláudia, mas outra coisa é, pessoalmente e sem representantes, experimentar as delícias que ela preparou para receber os amigos para uma despedida - "como manda o figurino" - para D. Cláudio e D. Amélia.
Não há nomes para os pratos, segundo admitiu a autora dos crimes. Sim, verdadeiros crimes, pois os comete quem não come e também quem, como eu, extrapola a cota do que poderiamos chamar de "educada" e repete diversas vezes.
Que as fotos, tiradas por D. Cláudio, falem por si:

De entrada, sobre uma base de rúcula com molho de mostarda, um pão tostado com queijo de minas (trazido diretamente das Gerais pelo mineiro casal). Até eu, que detesto mostarda e rúcula, comi. O pão e o queijo, claro!
Outra surpresa nos esperava:

E foi surpresa mesmo, pois os conchiglie (sim, sim, massa em formato de conchas) tinham dois tipos de recheio: bacalhau e nozes com ricota. Mui esperto que sou, tratei logo de identificar os recheados de bacalhau, embora os com recheio de nozes com ricota fossem tão bons quanto.
Imaginando que os conchiglie fossem último e principal prato, tratei de saboreá-los com a devida vênia. Qual minha maior surpresa, quando surge, à mesa...

... um filé de salmão. Um crime inafiançável. Eu, devorador de vaca quase crua que sou - leia-se picanha mal passada -, cedi aos encantos, não só aos estéticos, mas aos olfativos, gustativos, sonhativos e a tantos outros - se é que sentidos mais há, que possam descrever o sabor - do tal peixe. Mesmo parecendo ser "sem graça", devo dizer que é "de dar água na boca". Babar. isso, babar. Por sorte havia um guardanapo por perto...
Tudo isso regado a vinhos vários... tintos...
Como se não bastassem os crimes gastronômicos, o casal ainda cometeu vários outros. Imaginem que a Condessa, uma chata digna de receber o título do pai, sentiu-se à vontade tão logo entrou na casa. Tão à vontade que tratou de derramar um copo de vinho no sofá assim que pode (uma pequena explicação, antes que os defensores da Infância e da Juventude saiam a minha cata: o copo estava nas mãos da mãe e foi atingido por uma almofada lançada pela Condessa).
Aconchegante é pouco para definir a casa. Acolhedora talvez se aproxime mais. Acolhedora é uma definição que envolve os donos, e é assim que eles são. Como também foram os demais convidados, todos da família, diga-se de passagem: a irmã e o cunhado do Milton; o irmão e a cunhada da Cláudia. Combinou, né? Sem falar, é claro, nos minúchos, que, a essas alturas, até gauchês estavam falando (tem foto deles pilchados como testemunha de que se renderam a nós...). Sentimos carinho de todos eles. E isso foi importante.
Isso é um dom: receber pessoas e fazê-las felizes. Algumas poucas horas pelas quais esquecemos o dia-a-dia. Algumas poucas horas que nos fazem pensar que ainda resta uma salvação para a humanidade. E não estou exagerando ou apelando. Foi tão bom que ficamos até passada a meia-noite, e com a Condessa acordada e aproveitando. Raro, muito raro isso...
Uma foto para atestar:

Por fim, a despedida no aeroporto:









































