Causos, histórias e outras mentiras: março 2007 Archives

Pois é,

Saí de Porto Alegre, em direção à J@guarão, com a péssima notícia de que uma frente fria estava estacionada sobre o Uruguai, esperando sei lá o quê para entrar, triunfalmente, no Rio Grande do Sul, trazendo tudo o quanto nós, gaúchos, conhecemos do que seja uma frente fria vinda da Banda Oriental, ou, como a conhecemos, da Província Cisplatina.

(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "cis" - e seu oposto "trans" -, "platina" e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "província")

Verdade seja dita, mas quem nos manda essas frentes frias são los hermanos da província transplatina. Hay quem goste deles. Pessoalmente mantenho uma relação trúbia (sim, pois se uma relação com dois aspectos é dúbia, com três só pode ser trúbia) com los hermanos.

Primeiro, porque já fui muito mal tratado quando fui a Buenos @ires. Em plena Guerra das Malvin@s. Quem sabe foi por isso, sabe-se lá. Mas de qualquer forma, brasileiros por lá eram tidos quase que como ingleses, isto é, deviam ser mortos. Os brasileiros que moram acima da divisa entre Santa Catarina e Paraná sabem (mas sabem de ouvir falar apenas) da antiga e interminável rixa existente entre nós, gaúchos e catarinenses (que, no fundo, no fundo, são gaúchos desgarrados) e los hermanos. A coisa é tão grave, que qualquer gaúcho sabe que a expressão "los hermanos" refere-se a los hermanos transplatinos. Não precisa dizer mais nada.

Segundo, porque uma das pessoas mais maravilhosas que conheci foi um "hermano". Meu orientador (essa passagem da minha vida, por si só, daria um livro. Não que alguém fosse comprar e ler, mas daria!). Talvez porque não fosse portenho, mas do interior. De Córdob@. Pessoa sobretudo honesta e ética. Bastaria dizer isso de um ser humano nos dias de hoje para dizer tudo, pois essas qualidades já fazem parte de qualquer lista de extinção. Quando resolvi abandonar tudo - e sequer avisei que havia largado tudo -, me mandou uma carta (já havia retornado para a província transplatina, que guardo até hoje) perguntando se poderia passar a pesquisa para outro estudante, visto que era a minha pesquisa e não queria fazer isso sem a minha expressa autorização. Mais do que simplesmente uma carta, guardo um exemplo de ser humano que passou a nortear toda a minha vida.

(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "portenho" - e seu oposto "nãotenho" - e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "tenho")

Terceiro, porque parte da minha família é de lá. Dos quatro irmãos franceses que vieram para a América do Sul, três foram para Buenos Aires e um veio para o Brasil, donde originou este que vos fala. Alías, a coisa é recente, pois sou apenas a terceira geração nascida no Brasil. Coisa de cem anos, mais ou menos. E BASCO, com muito orgulho. Enfim, mantemos contato com os primos portenhos. Mais, pelo lado materno guardo comigo dois diplomas e medalhas concedidos pelo governo de los hermanos, lá pelos idos de 1800 e poucos, para ascendentes diretos meus, por bravura em guerras.

- Mas Chato...
- Sim, querido leitor@?
- O que tem a ver "los hermanos" com a tua ida à J@guarão?
- Nada! Apenas estou com vontade de falar. E quando a gente fala é assim, um assunto vai despertando outro, que puxa outros e ... Mas onde estava mesmo?
- Na frente fria que vinha do Uruguai.

Sim, sim, frente fria. Pois é, poucas vezes vejo televisão. E essas poucas vezes acontecem justamente quando estou viajando. São viagens cansativas. Muito trabalho em pouco tempo e muita estrada. Adoro dirigir, mas cansa. Quatro horas de ida, mais quatro horas de volta, sozinho num automóvel, acompanhado somente de mim mesmo, é algo que nem eu agüento. Eu sou muito chato, que o diga o Chato!

A televisão. Raramente saio à noite nas cidades que visito. Sou um homem sério. Não traio minha mulher (coisa de babaca, eu sei. Afinal, perdido lá nos cafundó quem iria saber?). Posso ser chato, mas não traio! Só me resta, então, ficar no quarto vendo televisão. E ontem resolvi ver o tal de JN. Da novela das oito (que começa às nove) sequer vou falar, de tão vagabunda que é. Basta um capítulo para saber (novela da platinada é assim: num único capítulo já sabemos tudo o que aconteceu, o que ainda irá acontecer e como vai terminar).

(por favor, consultem o amansa chato para saber o que é "platinada" - e seu sinônimo "merda" - e, até mesmo, se o seu caso for grave, o que é "perda de tempo")

Diálogos fraquíssimos, as mesmas personagens de sempre: a riquinho vilão, o pobre que batalha e sofre nas mãos dos ricos, a menina remediada que dar dar golpes pra ficar rica... sempre a mesma coisa! Quando será que a platinada vai aproveitar tudo que tem para fazer algo que preste?

Mas como dizia o JN, o tempo previsto era feio. Chuva forte, por causa da frente fria que estava no Uruguai, em toda a região sul do RS.

E eu estava lá. E olhava para o céu. E o céu estava estrelado! Trinta e sete (37) graus no estado. Fronteira com o Uruguai. De um lado do rio, Brasil; do outro, Uruguai. E a frente fria devia estar lá. Ousei atravessar a ponte para vê-la!

E qual não foi a minha surpresa ao constatar que a frente fria estava parada na ponte aguardando que a greve da PF terminasse. Parece, também, que ela trazia mais do que os US$ 250 permitidos. Eu, quando fui pego pelo aduana, fui logo falando:

- Seo guarda!
- Guarda não! Porque quem guarda não perde! Me disse ele, rindo.
- Seguinte, ó, só tô levando umas lembrancinhas pra patroa.
- Abre aí preu vê!
- E aí mostrei!


- Mas duas!? Me disse ele, com cara de espanto.
- É que a patroa gosta... E eu sempre levo uma lembrancinha pra ela...

E a chuva não veio, e o calor continua... Melhorou. Agora faz apenas 33 graus. às dez da noite!!!

Pois é,

- Chato?
- Quié, Afonso?
- Seguinte: agora nós vamos ver quem é que manda por aqui!
- Como assim? Disso eu não tenho dúvidas, ora. Sou eu, todos sabem!
- Então tá! Estou viajando e na sexta-feira não vai ter post. Até porque, no hotel onde vou ficar não tem computador disponível para os clientes.
- Sim, e daí?
- Daí que, se realmente mandas aqui, publicas um post só teu. Quero ver!
- Grande coincidência, Afonso!
- Como assim?
- Também estou com viagem marcada pra sexta-feira. Acho que vai ficar pra outra vez te mostrar quem é que manda.
- Mentira! Não queres admitir que sem mim não existes!
- Afonso, Afonso. Quantas vezes já te falei para parar com essa mania de achar que eu sou cria tua!
- E não és? Tens aí a oportunidade de provar pra todo mundo que tens existência própria!
- Tá bom! Mas deixa eu te fazer umas perguntinhas. Posso?
- Pode!
- Tens certeza?
- Claro que tenho!
- Vamos lá. Quantas vezes por dia a Kaya te faz a seguinte pergunta: "Vocês estão em reunião?"
- Umas três ou quatro. E daí?
- Daí que ela já percebeu quando estás conversando comigo. O que prova a minha existência independente da tua. Mas vamos a outra pergunta: quantas vezes, por dia, teus colegas de trabalho te chamam de chato?
- Um monte!
- Então, mais uma prova! Eles sabem que sou eu na maior parte do tempo.
- É só uma coincidência. Além do mais, Chato e chato tem diferença. Não és tu mesmo que vives te vangloriando de que chato com "C" maiúsculo só existe um?
- Acabas de dar a prova definitiva da minha existência. E nem preciso mais publicar posts por minha conta.
- Como assim?
- Claro! Disseste que me vanglorio. Será que quem não existe pode se vangloriar de algo? Se me vanglorio, penso. Se penso, logo existo! Cabal, meu caro!
- Bueno, existindo ou não, dá licença que vou dormir, pois amanhã cedito estou com o pé na estrada.
- Pé não, né Afonso? Pneu do carro!
- Larga de ser chato!
- Viste? Eu existo. Só pode deixar de ser, quem é! hahahahahaha

Pois é,

Não que eu reclame, que não sou disso, mas anda meio apertado o negócio por aqui.Tô escrevemdo aqui mais por louco que por falta de juízo, pois tenho que terminar diversos trabalhos e ainda vou viajar na quinta-feira.

Jaguarão novamente. Caso sério. Como sérias são todas as situações em que allguém tem nas mãos a vida profissional de outra. E por tabela a vida pessoal. Mas quê fazer, né? Faisshhhhh parrrrtiiii, como diriam nossos amigos daquela cidade que eu ainda aguardo notícias de uma defintiva revolta popular. Até quando agüentarás, povo?

Oitocentos quilômetros, ida e volta. Vou na quinta, pernoito e volto na sexta. Algumas encomendas das bandas orientais, não muitas, pois a grana anda controlada pelo BCK (Banco Central da Kaya) e a chefa aqui é pior que diretor do FED.

(claro que dou um jeitinho de trazer uma surpresinha pra ela. Uso minhas moedinhas, que guardo num lugar que ela não sabe. Em todas as cidades que vou, sempre trago algo. Tem uma coleção com mais de 60 canecas, de todas as cidades que visitei. Canecas representativas das cidades.

- Alo? Sim? Quem fala?
- Sou eu, Chato. Quero te mandar uma caneca da minha cidade. Como é que eu faço?
- Assim, ó: embrulha bem em jornal, depois em plástico-bolha. Aí, vai até o correio e coloca numa daquelas caixas especiais, escreve meu nome e endereço e manda, tá?)

Sou geminiano. Já disso isso por aqui. O que ainda não disse, é que o meu ascendente é Leão. E dizem as más línguas que depois dos quarenta quem manda é o ascendente. Pois é, mas continuo com essa mania de abraçar o mundo com as mãos, de fazer trocentas coisas ao mesmo tempo, coisa de geminiano, não de leonino. A única coisa de leão que tenho, é que aqui em casa quem manda é a leoa.

(- Alô? Sim? Quem fala?
- É teu chefe! Porra, vais terminar esse relatório ou não?
- Calma, chefinho! Tava só dando uma pausinha. Ainda tenho a madrugada toda pra terminar!
- Acho bom, pois quero ele amanhã. Sem falta!)

Maldita mega sena que não sai pra mim. Aliás, depois dos últimos acontecimentos ando meio sestroso com esse negócio de virar milhonário. Dia desses chamei a patroa e fui logo propondo:

- Quanto queres?
- Como assim, quanto eu quero?
- É! Pra não me matar!
- Mas quem disse que eu quero te matar?
- Vives dizendo isso!
- Sim, mas é um matar retórico. Coisa de mulher que não agüenta marido chato como tu és às vezes.
- Pode ser retórico agora. Quando eu ganhar na mega sena, bem podes trocar a retórica por uma bala de revolver. E ainda vais pensar que saíste ganhando. Quanto queres? Diz logo que o sorteio é daqui a pouco...

(por via das dúvidas, saí de perto...)

Mas não adiantou!

Perceberam que houve uma interrupção de duas horas na escrita do post? Não? Incrível, pois houve. E dêem graças a Deus que foram apenas duas horas de conversa.

(não sei qual a razão, mas penso que ela anda mais contida. Hummmm! Algo hay. No creo en brujas, pero que las hay, las hay...)

E por falar em bruxas, certa feita caí na asneira de trazer, de presente, dois caldeirões. Um grande, para a bruxa-mãe e um pequeno para a filhota de bruxa. Resultado: todo mês, em dia de lua cheia, tenho que ficar quieto ouvindo-as uivando para a lua cheia.

É, pasmem! A Condessa já sabe uivar para a lua cheia! Todo dia chega em casa e vai direto para o terraço aos gritos: "a lua, papai, a lua!". E fica ali, com o dedinho apontado para o celeste astro inspirador.

E eu "que arrelie ou me zangue!". Duas fêmeas que uivam para a lua, em casa. Eu, hein!

Imagem de: http://www.ventania-desvairada.com/

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