Causos, histórias e outras mentiras: junho 2006 Archives

Pois é,

Parece simples mas não é. As pessoas têm a capacidade de, quando fazem reformas, encontrar os materiais mais obscuros possíveis. É o caso do rejunte. Talvez fosse mais fácil colocar abaixo todo o revestimento da cozinha, do que simplesmente trocar alguns azulejos.

Tenho percorrido as lojas de POA, com um pedacinho de rejunte na mão, à cata de um igual. Ninguém conhece a cor e sequer sabe de alguma marca que tenha essa cor no catálogo. E a essas alturas do campeonato, retirar o rejunte atual é impensável.

Mais uns bons dias com dor de cabeça...

Pois é,

"Está chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, e eu tenho que ir embora..."

O teste está começando. Para pessoas, como eu, juntadeiras, o maior sacrifício é fazer uma mudança. Não que não as tenha feito inúmeras vezes. Como filho de milico, já as fiz aos montes. E mesmo depois de adulto, e por conta própria, essa será a oitava. No total, quatorze. O que dá uma média de uma mudança a cada 3,5 anos. É mol?

Sou doente, admito! De qual doença não sei, mas os psi já devem ter catalogado o meu caso. E se não o fizeram ainda, faço eu, pois o Chato também ajuda os psi: quatorze mudanças acabam por gerar, inconscientemente, um certo sentimento de instabilidade, daí a necessidade de guardar tudo. É como se cada pedacinho de papel guardado, cada latinha velha, cada notinha de supermercado, cada ..., representasse a segurança de uma história de vida; de que algo ao menos se mantém. Para os outros, certamente não passa de "lixo".

Mas há um significado nisso tudo: livrar-se do "lixo" é morrer. Ou deve ser. Não nasci para Buda e admiro pessoas que, em certos momentos da vida, resolvem abandonar tudo para construir "um novo viver". Sem nada daquilo que haviam "juntado" até então.

Ainda devo voltar umas quatorze encarnações. Enquanto isso, começo a "limpeza", que é para não levar "lixo" para a nova casa...

Pois é,

Tabac, nos comentários, levanta a questão da escada. Por sorte, não havia nenhuma viga que impedisse quebrar a laje da cobertura. Assim, apelamos para a quadratura do círculo. Vamos colocar uma escada de madeira em "U" e retirar a lareira dali. Na verdade, o espaço ocupado pela nova escada será praticamente o mesmo ocupado pela anterior.

Entramos numa fase mais para "logística" do que para "obra", pois é a hora em que uma coisa deve esperar pela outra e esta por outra e assim por diante. A guarnição da cobertura (que inclui as árvores) deve vir antes da escada (senão não passa), que deve ser colocada após o piso, que só será colocado após a pintura, que só poderá ser terminada após a colocação da escada...

Se a impressão que temos, ao longo da fase "obra" já é a de que nunca há de terminar, agora, na fase dos "detalhes e acabamentos", a coisa piora. E nessas horas é que as mulheres "aprontam". Na quebradeira é com a gente. Nos detalhes é com elas. Eu uso trena; ela, os olhos.

Sem falar que a pior das piores partes ainda me aguarda: transferir o telefone, a tv por satélite e a banda larga. Acontece com todo mundo ficar sem eles por um bom tempo. Por mais que tentemos nos antecipar. Essa é uma das coisas que não dá para entender nas companhias de serviço brasileiras (na verdade, até dá para entender...): sempre deixam os usuários na mão. Todos os blogueiros que conheço que se mudaram passaram por isso. Uma, duas, três, até um mês sem conexão com o mundo.

E por falar em mundo, pego a caixinha do remédio receitado pelo dentista e começo a ler as letrinhas miúdas:

"Produto fabricado por: XXXXX - Inglaterra
Embalado por: XXXX - Itália
Distribuído por: XXXXX - Brasil"

E o laboratório, que é americano, ainda tem a cara de pau de colocar um tal de "Farmacêutico responsável", com um nome bem brasileiro. Responsável pelo quê? Pelo papelão da embalagem, única coisa brasileira (???) existente ali? E ainda tem um "Indústria Brasileira" estampado na caixa!

Parece que é para isso que serve a tal de globalização. O remédio custa R$40,00 (pobre não sente dor, não esqueçam; ou então disfarça com paracetamol) e gostaria que alguém me disse o seguinte:

- quanto, desses R$40,00, foi para cada país (EUA, Inglaterra, Itália e Brasil)?

Pois é,

A coisa toda começou por aqui:


pela escada. Muito estreita e em espiral. Um perigo pra todo mundo. "Vamos trocar a escada, Afonso?", foi o sinal de que a coisa ia começar.

- Mas se tirar a escada vai ter que mexer no piso. E tirar a lareira dali e...
- Pra te falar a verdade, Afonso, eu não gostei mesmo desse piso. Aliás, eu não gostei do banheiro, da cozinha, da área, da cor das paredes... e na cobertura tem que fazer isso e aquilo e mais aqueloutro...

Mulheres, vá entendê-las! Quando viu, adorou; depois que compramos diz que não gostou de nada e quer trocar tudo!

Simplesmente colocamos abaixo o apto. Sobraram apenas os tijolos. Há mais de um mês que vivo em função de obras. E não há coisa pior para um ser humano do que obras em casa. Menos mal que resolvemos mudar apenas depois que estivesse tudo pronto. Nem teria como ser diferente. E não há nada pior do que lidar com gente que faz obras.

Por sorte (?) temos algo em torno de 98% de afinidade em tudo. Assim, ficou combinado (?) que eu cuidaria da decoração do escritório e a Kaya do resto da casa. Bem na proporção da afinidade. E fomos às compras.

Vocês já viram uma mulher numa loja especializada em pisos e revestimentos? Claro que não! Os poucos que, como eu, se aventuraram nisso, devem estar fora do juízo normal. E quando essa mesma mulher é atendida por um arquiteto, digamos, hummm, de trejeitos politicamente corretos? O resultado é que fiquei de babá da Clarissa das nove até as dezoito, sem direito a uma palavrinha sequer. A loja foi posta abaixo. Combina daqui, tira dali. Esse tom não combina com esse, essa cor fecha o ambiente e aquela abre; assim a grega vai ficar muito baixa, assim vai ficar muito alta; esse piso escorrega muito, esse não serve pra banheiro mas serve pra cozinha; ah!, mas assim não combina com o piso do corredor, e assim foi longe... tudo em meio a gritinhos de "assim vai ficar liiiiindoooo!". E eu pensando na afinidade do meu bolso com tudo aquilo!

Por fim não resisiti e falei: quem sabe um azulejinho branco não ficaria bonito? A bich.., ops, o arquiteto quase teve um chilique (aliás, teve!). Se não estivesse com a Clarissa no colo teria apanhado da Kaya ali mesmo.

No sábado seguinte fomos em outra loja. Novamente uma bich.. quer dizer, um vendedor com trejeitos politicamente corretos nos atendeu. Como não pretendia passar mais um dia com a Clarissa no colo, deixamos com a babá. E mais uma loja veio abaixo.

Trocamos pisos, paredes, portas, janelas, toda a rede elétrica (só aqui foram 3000 metros de fios) e tudo por causa de uma simples escada. Ainda vai levar uns 20 dias para ficar pronto e podermos mudar.

Mas uma coisa eu devo admitir: não há o que pague ver aqueles olhos brilhando de felicidade pela realização de um sonho. E de quebra dei de presente pra Kaya uma orquídia silvestre (rústica) com flores amarelas e rosas, que é para que todos os dias, quando ela for tomar sol no terraço, lembre-se de que nem tudo é tão ruim assim nesse mundo.


E eu? Eu ficarei quietinho olhando os olhos que brlham ofuscarem o sol...

Pois é,

Consegui, no máximo, que a Kaya não desistisse assim tão definitivamente da cobertura. Quem sabe se ficasse como reserva, caso não encontrássemos outra. E fomos ver uma outra.

Dos deuses, eu diria. Com tudo o que queríamos. Tinha até uma adega, de uns 10 m2 e toda feita de pedra, na cobertura. Enorme o ap. E o preço era possível. Ainda conseguimos baixar R$40.000,00 nas negociações.

Só que aí bateu a consciência: possível mas inconveniente. Teríamos que apertar por todos os lados por um bom tempo. Doeu um pouco desistir, mas era o mais correto a ser feito.

Olhamos alguns outros aptos até que o corretor nos falou que tinha recebido uma cobertura que nem ele conhecia ainda. Uma barbada, pois o dono precisava de grana. Não era no bairro que queríamos, mas fomos ver assim mesmo. Algo tipo, não custa nada, né? Ainda mais que já estávamos pensando em dar um tempo nas buscas.

Foi difícil localizar. Procurávamos um edifício e o endereço que ele nos deu era de uma (aparente) casa:


Só chegando perto é que vimos tratar-se de um edifício. Seis apartamentos apenas. Comecei a gostar. Entramos e foi amor/bolso a primeira vista. Em tese estava pronto para morar. Compramos. E aí começou a correria pela papelada...

Pois é,

Não imaginei que um simples marzinho deixaria tanta gente mareada.

Puxa vida, depois de tanto buscar um fundo com o qual eu me identificasse, snif, ninguém gostou! Tá bem, eu troco. Mas não hoje, que estou viajando, para variar. Na sexta, quando retornar eu troco.

Continuando...

Encontramos uma primeira cobertura. Aqui perto, a quatro quadras daqui. A vista? É algo difícil descrever: desde o Gasômetro até o Delta do Jacuí, com direito a pousos e decolagens de todos os aviões que chegam e partem de POA. Daqui eu os vejo, embora um pouco longe. De lá seria quase se os tocasse. À esquerda o pôr-do-sol; à direita o nascer. Durante o dia sol a pleno. Cozinha pequena e sem dependência. Detalhes para os homens. De fundamental importância para as mulheres. Não sei porquê! Quebra daqui, quebra dali e teríamos um grande espaço. Tinha até piscina (tem, aliás, pois o ap continua lá, snif).

E cabia no orçamento.

Só não contava que minha mulher é mulher. Vá entendê-las. Só porque o edifício fica na esquina do maior ponto de putaria de POA, com direito a travecos andando quase pelados na rua, boate famosa e coisa e tal, ela não quis. E não houve argumentos que a convencessem do contrário.

Fizemos inúmeras visitas noturnas e em horários variados para ver se a "vizinhança" atrapalharia. A cobertura ficava no oitavo andar do prédio. Nenhum barulho se ouvia. Não houve jeito. Abri mão do princípio de que deveria ser um prédio pequeno. Ela chegou às raias da chantagem:

- imagina a Clarissa, daqui a alguns anos, chegando em casa à noite!!! Como vai ser?

Tentei levar para o lado da especulação imobiliária e da chantagem amorosa.

- Meu bem (nessas horas, chamar a esposa de "meu bem" costuma funcionar...), olha pelo copo "meio cheio", falei. Daqui a alguns anos essa zona (em qualquer sentido que se use) vai melhorar; já é quase totalmente residencial, pensa no futuro...

Neca!

- "Não quero e pronto! A cozinha é pequena, só tem um banheiro, essa piscina é um lixo, bate muito sol nos quartos, ... e, depois de milhões de desculpas, ..., "não quero morar no meio desse putedo todo!"

Ai, meu sac... Tá, vamos ver outras...

Segue amanhã...

Comentários aos comentários:

Diana e Yvonne, não dá para contar quatro meses de histórias em um único post. Seria quilométrico, hehehe. Aguardem...

Tabac, concordo planamente. Só faltou dizer uma coisa: elas mandam. Aqui pelo menos é assim. Racionalidade é algo que elas não entendem... ainda...

Ana, teus livros ganharão uma estante novinha em folha...

Sandra, não fosse São Paulo e seus habitantes, até compraria, hehehe

Pois é,

Há três meses compramos um apartamento. Uma cobertura, na verdade. Eu sempre quis uma casa; a Kaya não. Ela acha perigoso, além do fato de que casas boas, atualmente, só em bairros mais afastados. Muito complicado morar longe dos bairros centrais, segundo ela. Eu viajo muito e etc., etc...

Quando se está no início da vida é mais fácil encontrar um apartamento que satisfaça ao casal. Afinal, ainda não têm muitas coisas. Nós não. Para sair daqui, só se fosse para algo melhor e maior. Não dá pra abrir mão do que já temos. Eu, por exemplo, sempre tive meu escritório, que eu digo que é o único lugar realmente meu, pois o resto elas, as meninas da casa, já tomaram conta.

Aí começam as "dificuldades". Acertar os gostos e necessidades. Tudo bem, abri mão da casa por uma cobertura. Apartamento com sacada não resolvia, pois tenho minhas plantas e preciso de espaço para elas. Uma cobertura resolveria esse problema. Houve aceitação e acordo na proposta inicial.

Precisávamos de um quarto para a Clarissa. E mais o nosso. Ponto acertado. No mínimo três quartos. Uma cobertura com três quartos.

Saímos a campo para procurar. Primeira questão: o bairro. Ficamos nesse? Vamos para outro? Qual? Precisa ter o que já temos hoje. Moramos a meio caminho (duas quadras para cada lado) de um shopping (Total) e um supermercado (Zaffari). A uma quadra de um grande hospital (Moinhos). Dez minutos de carro do meu trabalho e do trabalho da Kaya. Perto do parcão (15 minutos de caminhada até lá) e da Redenção. ônibus para todos os locais de POA (a uma quadra, na Cristóvão). O local é quase perfeito. De tão quase perfeito que propusemos comprar o apartamento em cima do nosso. Assim daria para fazer uma cobertura, pois ele é o último. O único senão é que a rua, com tanta coisa, ficou muito barulhenta e perigosa.

Eu tinha mais uma exigência: não gosto de edifícios grandes. Sempre morei em edifícios com poucos moradores. No máximo 10 apartamentos. Mais do que isso é pombal. O atual tem nove.

Tamanho da cozinha; orientação solar; dependência ou não; churrasqueira? Piscina? Rua com pouco movimento ou muito? Segurança. Garagem. Dois banheiros. Suíte? Sem falar no mais importante: adequado ao orçamento.

Cada minuto de sobra foi ocupado com a procura. Durante o dia era difícil, pois trabalhamos. Sobravam as noites e os finais de semana para procurar.

Segue amanhã...

Pois é,

Agora já posso contar a grande razão do meu quase afastamento, ou afastamento temporário, da blogosfera.

Siso! - II

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Pois é,

Não é tão ruim assim como pintam. Menos de 10 minutos para cada um. E tem sua vantagem: 48 horas de repouso EM CASA!

Por recomendação do dentista, só posso ingerir líquidos gelados. Traduzindo: só breja. Estupidamente geladas...

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