Pois é,
Não recordo se já contei essa aqui, em todos os casos...
- Afonso?
- Sim, Kaya?
- Com quem andavas hoje pela manhã?
O simples tom da pergunta me fez estremecer por dentro. Assim, sem mais nem menos, na chegada do trabalho e pego de surpresa, minhas memórias matinais simplesmente sumiram.
Nunca traí a Kaya, mas a minha cara deve ter encarnado o maior dos cafajestes.
- Com ninguém, falei. Estava no trabalho, como sempre.
- Não mente pra mim, eu sei que não estavas no trabalho!
A situação estava piorando...
- Não era eu. Devia ser algum sósia. Já sei! Deve ter sido o Kiko (uma amigo parecido comigo).
- Não era o Kiko.
Nesse momento ela começou a tortura:
- Te viram tomando um refrigerante num bar assim, assim... e começou a descrever a cena.
- Mentira de quem te contou. Decerto alguma não muito amiga tua que tá afim de te azucrinar...
E o pior de tudo é que não me lembrava de absolutamente nada, mas tinha que manter a pose de inocente. Afinal, nossa pose de inocente é o que nos salva, sempre. Resistir até o fim. Funciona. Chega um momento que as mulheres desistem e acabam acreditando. No meu caso, ao menos, era a pura verdade: eu não tinha traído a Kaya.
E a sacana continuou a descrever o que eu tinha feito pela manhã. E eu, atormentado pelo "flagrante", não conseguia vislumbrar uma saída.
- E sei, também, que só chegaste no trabalho as onze horas.
Aí eu apelei: - Ah, tá! Agora resolver mandar me seguir. Qualé, hein? Eu nunca fiz nada para merecer essa desconfiança toda, e blá, blá, blá... Quando ela viu que eu ia ficar brabo, resolver abrir o jogo.
- Seu babaca, tu estavas comigo a manhã toda! Não lembra? E desatou a rir...
(lembrei-me dessa história ao ler o post de ontem do Tiagón, onde ele relata que os neurônios dele demoram para se dar conta de que ele estava paquerando a própria namorada...)








































