Pois é,
Já lá se vão cinco dias com temperaturas em torno dos 39ºC aqui em Porto Alegre. Recorde no estado. Em Campo Bom, cidade da Grande Porto Alegre, mais de 40ºC (ontem fez 41,2ºC). E a previsão é que o calor se estenda até domingo. O recorde anterior aconteceu em 1986, com três dias de temperaturas acima dos 40ºC.
Certo, não se pode afirmar que a culpa seja dos EUA que se recusa a assinar o Protocolo de Quioto.
Tenho acompanhado de perto a questão ambiental, até por força do trabalho. FIz parte da Comissão Municipal para Implementação da Agenda 21 em Porto Alegre. Em 2004 trabalhei num projeto do Banco Mundial, desenvolvido por Brasil, Argentina e México, para o desenvolvimento de um conjunto de indicadores de aplicação e cumprimento de normas ambientais. Resumindo, estabelecer uma forma de avaliar a efetividade da norma ambiental, isto é, posta a norma, ela resulta numa melhoria da qualidade ambiental e, por conseguinte, na qualidade de vida dos seres vivos? Esses indicadores foram desenvolvidos pela OCDE, para uso nos países membros. Agora começa uma nova etapa: a aplicação do projeto. Isso siginifica muito trabalho em 2006.
O grande problema da chamada questão ambiental é a consciência. Quando, em Estocolmo (1972), surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, a idéia básica era de que seria possível alcançar um nível de satisfação material sem que isso prejudicasse a possibilidade das futuras gerações em também atingir o seu nível de satisfação.
Subjacente a isso, aidéia era a de que cada geração atual deveria ter consciência de que as gerações futuras tem o DIREITO de decidir! Não seremos nós a DETERMINAR como será a vida das futuras gerações. É a possibilidade de cada geração autodeterminar-se, sempre com base na consciência da existência de uma geração futura.
Até então - e ainda hoje - essa consciência limita-se à herança que será deixada. Seja um grande fazendeiro, ou um pequeno agricultor, estes preocupam-se, apenas, em saber que vão deixar uma grande fazenda, ou uma colônia, para seus filhos. E tratam de ensiná-los a deixarem uma grande fazenda para seus netos. Ad infinitum. A consciência limitava-se ao bem material, traduzido no sentido de uma propriedade absoluta. E, nesse caso, num pensamento individualista voltado apenas para "os seus"!
Ainda hoje não há consciência de que a propriedade não é mais absoluta! Esse é o grande problema: falta consciênca de que a propriedade não é mais absoluta. E isso é uma questão de mudança de paradigma. Demora.
Trinta e três anos passados, desde 1972, e a situação só tende a piorar. Sigo no exercício: algo melhorou nos últimos trinta anos?








































