Brasil: agosto 2009 Archives

Pois é,

Fechemos o Poder Judiciário. Qualquer jornalista, agora, pode dizer o que é ou não é constitucional. Pra que pagar subsídios de mais de R$20.000,00 se podemos ter qualquer "mané" mal pago dizendo o Direito?

Não é a primeira vez - e certamente não será a última - que a mídia esperneia com a questão da "censura prévia", esquecendo que também é um direito constitucional alguém pedir - e um juiz dar - liminar para evitar a publicação de matérias. Para os que se sentem contrariados, também existe o caminho legal - QUE CERTAMENTE NÃO É SAIR POR AÍ DIZENDO QUE DECISÕES JUDICIAIS SÃO INCONSTITUCIONAIS - que é "derrubar a liminar".

O caso que vem à tona (e não importa o caso em si, qualquer um vale) foi a proibição, em sede de liminar - de que o jornal O Estado de São Paulo publicasse matérias QUE ESTIVESSEM SOB SEGREDO DE JUSTIÇA sobre a Operação Boi Barrica, que investiga o filho do presidente do Senado.

A ANJ declara que

"Liminar contra O Estado de S.Paulo é inconstitucional"


Não é isso que eles querem? Não é essa a campanha feita contra o Poder Judiciário, quando bombardeia a opinião pública com a "lentidão da justiça"? Esquecendo que grande parte dos problemas do Poder Judiciário é externo (Poder Executivo que não cumpre com a sua parte, obrigando os cidadãos a "procurarem seus direitos na justiça"? Que a outra grande parte dos processos é originária do desrespeito com que as companhias telefônicas - FINANCIADORAS DA MESMA MÍDIA QUE RECLAMA - e outras prestadoras de serviços públicos tratam os cidadãos?)? Claro, isso eles fazem questão de esquecer, ou de não lembrar.

Querem que o direito de "(des)informar" seja supremo. Acima da própria Constituição que eles tanto citam. Alegam, (ajudadas pela OAB, nas palavras do seu presidente: "Se alguém se sente prejudicado com o conteúdo de matéria jornalística, a medida adequada deve ser a de processar civil e criminalmente o responsável, mas jamais qualquer pessoa tem o direito de retirar a expressão do seu pensamento" daqui) que as pessoas que se sintam atingidas podem procurar reparação após a veiculação das matérias. Esquecem que também existe o direito de tentar impedir mal maior ANTES QUE ELE ACONTEÇA!

Que substituam, definitivamente nesse país, juízes por pessoas ligadas à atividade jornalística. Acabaremos, assim, com toda a hipocrisia. Poderemos assumir, com tranquilidade, nosso papel de palhaços.

Utilizando uma frase de Leonardo Boff (é outro contexto, mas serve): "Quer dizer, extrapolamos os limites e rumamos para um colapso".

Afinal, chegamos ao fundo poço!