Brasil: março 2007 Archives

Pois é,

Ontem deu pau no servidor onde hospedo meus arquivos de musicas (que não é a Verbeat) e o post ficou o dia todo sem a música que o acompanha. Agora taí. Se alguém quiser rever...

Eu revejo, vejo e revejo, e não me canso! Aliás, essa é a única razão que ainda me prende nesta cidade: a emoção de ver e rever, sempre que quiser, estes lugares das fotos e tantos outros, que não dá pra colocar num só post. E ouço, reouço, e canto essa música maravilhosa.

Porto Alegre tem por característica, além de ser a capital mais meridional do Brasil, um clima sui gêneris: temos as quatro estações bastante marcadas. Aqui verão é verão. Domingo estava vendo um programa no Discovery, falando de mortes na França, por causa de um calor de 36 graus. Por aqui é a coisa mais comum e ninguém morre por isso. Vivemos e convivemos com 38, 40 graus com a maior tranqüilidade.

Vamos a cinco, três, zero grau com alguma freqüência. Até neve já tivemos. Tá certo que não aquela neeeeeve que os europeus, norte-americanos e outros por aí estão acostumados. Mas é a única capital brasileira com registro de neve. E temos o Minuano, esse ventro desgraçado de frio, que desce dos Andes em direção ao mar e regela qualquer alma que se aventure a sair na rua. É de "renguear cusco", como dizemos por aqui. Mas, também, é uma sensação inigualável , neste mundo, a que nos proporciona o Minuano. Não há coisa melhor do que dormir ao som do chiado que ele faz pelas frestas.

É a estação da elegância. A estação da beleza gaúcha, tão desejada por esse mundo afora. É no inverno que essas flores desabrocham. Se no verão sao gostosas, no inverno são belas. O inverno é das mulheres. E é com elas - e nelas - que buscamos o calor para enfrentar o frio.

E a primavera? Algumas das fotos do post anterior foram tiradas na primavera. Porto Alegre é a cidade mais arborizada do Brasil. São 17 m2 de verde para cada habitante. Mais de um milhão de árvores nas ruas. Na primavera os jacarandás, os ipês e tantas outras florescem. É como se Porto Alegre, de uma hora para outra, fosse atravessada por um arco-iris. E o céu da primavera? De um azul indizível, tamanha a transparência e leveza do ar.

O outono é a estação do repouso. O externo, exibido no verão, prepara-se para o interno, a ser resguardado durante o inverno. A transformação. Por isso a melancolia característica do outono. A cigarra vira formiga. É o início do recolhimento, dos ambientes fechados, dos primeiros vinhos, das primeiras lembranças da lareira, das primeiras combinações de idas a Gramado/Canela e à serra. E dos primeiros nevoeiros em Porto Alegre.

Ontem, como que um presente da natureza pelo seu aniversário, Porto Alegre ganhou seu primeiro nevoeiro:


E mesmo assim passamos o dia com 30 graus. E agora chove (escrevo segunda à noite). Um temporal de raios, trovões e relâmpagos. Porto Alegre é assim.

Porto Alegre é demais!

Não sei se vou conseguir sair daqui...



Pois é,

Porto Alegre comemora, nesta segunda-feira, 235 aninhos de vida. Põe som na caixa que o post é musicado.


Porto Alegre é que tem


Um jeito legal


É lá que as gurias etc e tal


Nas manhãs de domingo


Esperando o GreNal


Passear pelo Brique


Num alto astral


Porto Alegre me faz


Tão sentimental


Porto Alegre me dói


Não diga a ninguém


Porto Alegre me tem


Não me leve a mal


A saudade é demais


É lá que eu vivo em paz


Quem dera eu pudesse


Ligar o rádio e ouvir


Uma nova canção


Do Kleiton & Keldir


Andar pelos bares


Nas noites de abril


Roubar de repente


Um beijo vadio


Porto Alegre me faz...




É aqui que eu vivo em paz...

Porto Alegre é demais. Letra e música de José Fogaça (atual prefeito de Porto Alegre). Canta: Isabela Fogaça (atual Primeira-dama de Porto Alegre).



Pois é,

No post do Edu, reproduzindo texto do Leo Jaime (Blônicas) - é aconselhável ler o post antes, seja no Edu, seja no próprio Blônicas -, deixei o seguinte comentário:

O tema é espinhoso e, no meu entender, deve ser encarado da forma menos emocional possível (se é que isso é possível). A humanidade, independente de credo, cultura, raça, etc., sempre estabeleceu limites de idades como parâmetros para que o ser humano tivesse acesso a patamares “superiores” dentro da convivência social. A maturidade não se manifesta de forma una. Pelo contrário, podemos ser muito “maduros” diante de certas situações e completamente imaturos diante de outras. Quer queiramos, ou não, o crime sempre foi diferenciado pelas sociedades. Não há como comparar o voto com um crime. O Léo Jaime faz uma análise sob uma ótica teleológica, isto é, dos resultados. Votar em um político pode ter resultados tão perenes na nossa vida quanto matar alguém. Mas há outra. E essa outra é a ótica da origem. E é por essa ótica que os parâmetros são definidos. A pergunta que se faz é: estará, realmente, um ser humano, em pleno séc. XXI, apto a compreender o que seja um crime? Não devemos, a meu ver, propugnar pura e simplesmente a mudança de um limite de idade, pelo resultado produzido, mas, sim, se os estudos do comportamento humano (psicologia e afins) demonstrarem que nas atuais circunstâncias da sociedade humana (leia-se “evolução”) seres com 16 anos são plenamente capazes de entender TODOS os atos que praticam, inclusive os criminosos.

A lei é posterior ao social. Primeiro o fato, depois a norma que o regula. Dá-se o mesmo nas relações homoafetivas, por exemplo: elas existem (fato) e o Direito apenas (depois de muita briga) deverá regulá-las (não a relação em si, pois essa refoge ao âmbito do Direito, mas as suas conseqüências na sociedade). Assim também o é com a maioridade penal: havendo entendimento social de que esta deva se dar aos 16 anos, a lei certamente há de regular. Não parece, no entanto, ser esse o pensamento atual da sociedade, não importa que tipo de influências sofra.

Há que se estudar um pouco mais da história de como a sociedade brasileira tratou e trata das questões relativas à infância e à juventude. Veja o que era o Código do Menor (que vigiu até a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente); veja como era antes, ao tempo do Império ou da República Velha. Não podemos retornar à barbárie somente porque uma minoria (sim, é uma minoria) de adolescentes comete crimes que aos olhos da mídia parecem hediondos. Não podemos, sob hipótese alguma, esquecer que a pena é, precipuamente, um meio de reintegrar a pessoa ao convívio social. Não podemos alegar as falhas do sistema penitenciário para, com isso, esquecer os princípios que norteiam a sociedade.

A solução talvez seja uma ideia que já está proposta: aumentar o período de reclusão para adolescentes que cometam atos infracionais.

Last but not least, é muito mais fácil sair às ruas para mudar os resultados, do que fazê-lo para mudar as causas. É cômodo para todo mundo: para quem reclama, para quem escreve, para os governantes, para os ricos e remediados. A toda essa gente, porque tem dinheiro para pagar segurança particular, para colocar alarmes e cercas elétricas na casa; aos governantes, porque assim não precisam parar de investir na próxima eleição e dedicarem-se a resolver os problemas, razão única para terem sido eleitos.

E a mim (e para a maioria dos internautas), porque não tenho vergonha na cara e também fico me escondendo atrás de posts e de comentários. Muito cômodo!

(em tempo: Ainda bem que tem gente que não tem nada pra fazer a não ser fazer aquilo que a gente não tem tempo pra fazer. Mas são poucos ainda...)



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