Brasil: setembro 2006 Archives

Eleições - III

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Pois é,


Parece que a Ana tem razão no seu comentário: "Céus, onde vamos parar? É, acho que o seu imposto não vai ser devolvido este ano não!!!"

Sinceramente? Até gostaria de acreditar quando dizem que a democracia brasileira é "jovem" e que, portanto, os problemas que acontecem são os típicos da juventude. Que seja! Mas a continuar assim, dá para imaginar o adulto que teremos.

O desencanto vem dessa percepção que temos de que a situação, em vez de melhorar, piora. Imagino que seja a mesma sensação que sente um pai ao ver o filho entrando no caminho das drogas. E que, por mais que tente afastá-lo (no nosso caso, votando), nada consegue. Deve existir um momento em que esse pai pensa: quer saber de uma coisa? Cansei, que se atire de vez!

Pois assim anda o Brasil. Por mais que busquemos uma solução, o que vejo é, a cada ano, piorar a qualidade das pessoas que pretendem ser nossos representantes. E mesmo quando aparece algum "mais ou menos", acaba sendo cooptado por algum partido que não presta.

Não temos renovação. A última acaba de morrer. O PT cavou a própria cova no governo federal. O Rio Grande do Sul, tradicional reduto do PT, vê seu canditado perder a possibilidade do segundo turno para uma canditada do PSDB. Inimaginável, até bem pouco tempo.

Por quase vinte anos Lula foi o mais votado no RS. Hoje? Perde feio para o Alckmin.

E não temos renovação de pessoas. São sempre os mesmos: os conhecidos, que nada fazem; e os desconhecidos, que nada acrescentam. Há pouquíssima vocação na atual política e muito interesse privado, quando não, escuso. Falta consistência e falta movimento estudantil para formar gente que saiba lutar por causas.

Há muita paixão e pouca razão. E na política, paixão e razão devem andar juntas, pois isso é uma "causa".

E falta o que é mais importante: UM OBJETIVO! As pessoas e os políticos esqueceram-se dos objetivos da nação.

Retiro o que disse. Há sim um objetivo: a reeleição. Todos querem apenas se manter no poder para poderem aproveitar tudo o que esse poder lhes proporciona: vida boa e aposentadoria depois de quatro anos de trabalho. Mesmo o mais honesto dentre eles quer apenas isso.

Não há escolha depois que o sujeito se elege: ou entra para o time ou passa quatro anos sem poder fazer nada, pois acaba sendo desconsiderado para as comissões e outros trabalhos que acabam rendendo "mídia" e "reeleição". Assim, muitos querem apenas a vida boa. Pergunta-se: dos quinhentos e tantos deputados federais, quantos participam de comissões e CPIs? Sempre os mesmos, os que "são do time". Os mais de quatrocentos que não conseguem nada, também não fazem nada e apenas "ganham" uma vida boa, além da aposentadoria. A verdade é que meia dúzia acaba fazendo o "estrago" por todos.

Votar para quê? Para manter esse monte de gente sem fazer nada durante quatro anos?

Quando fiz esse slogan "Em 2006 quero meu imposto de volta", tão gentilmente desenhado pela Ana, a idéia era de que, conseguindo com que esses caras trabalhassem, um pouco do meu imposto seria devolvido em forma de retorno social.

Infelizmente termino tendo que admitir que ela tem razão.

Eleições - II

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Pois é,


Até a última eleição ainda podia fazer uma tranqüila análise entre candidato vs partido. Havia uma associação unívoca entre Lula e o PT. Hoje não mais.

Muitas vezes votei num candidato independentemente do partido a que ele pertencia. É o caso do senador Pedro Simon, do PMDB. Fosse pelo partido, jamais teria meu voto. Mas a voz individual falava mais alto que a voz coletiva.

Lula conseguia reunir, em torno de si, essa característica: Lula e PT eram sinônimos.

Deixaram de ser. E Lula virou um político como qualquer outro. O que é uma pena.

Tem um candidato de quem gosto há muitos anos. Cristóvão Buarque. Pena que mudou-se para o PDT. Candidato bom, partido imprestável. Só de pensar que gente do PDT poderá assumir cargos de importância no país me dá arrepios!

Embora ainda acredite na pessoa do Lula, o partido virou ruim. E é o partido que dá apoio, no final das contas.

Heloísa Helena? Tem futuro a moça, mas precisa de preparo. Para ser presidente não basta ter razão, tem que ter consistência.

Alckmin? Pode ate ser honesto nas suas intenções (???) mas é o representante de um continuismo de 500 anos.

Essa é a dúvida: candidato vs partido.

O debate de candidatos virou um produto comercial da platinada. Palhaçada pasteurizada que vende e dá lucros. Mais nada. O de ontem beirou as raias do ridículo. Amiguinhos garantindo amiguinhos para obter alianças, num improvável segundo turno.

As perguntas de sempre com as respostas vazias de sempre. Absolutamente nada de concreto.

Sequer foram convincentes na malhação a Lula. Até mesmo a estratégia da platinada (certamente com apoio dos demais candidatos) de manter as perguntas ao candidato ausente resultou, para quem tem um pouco de neurônios sobrando, a favor do Lula, que, na minha opinião, saiu vencedor do debate, dado o vazio do que foi apresentado.

Estamos definitivamente perdidos nesse circo. E somos os palhaços.

Eleições

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Pois é,


Em menos de dez anos, o que é muito pouco tempo se comparado aos 80 que espero viver, passei de um ser que andava pelas ruas carregando bandeira de partido, participava de passeatas e comícios, era um desses "engajados", para a total apatia e descrédito com política e seus feitores.

As razões? Bem que eu gostaria de saber.

Ainda tento me agarrar a um leve resquício dos meus tempos de civismo, quando acreditava piamente que o voto era a única "arma" do povo para não sucumbir ao desejo de anular o voto, ou votos.

Não vejo problemas nesse monte de denúncias, de escândalos, de CPIs. Sou dos que pensam que isso faz parte do crescimento, do amadurecimento de uma nação. Que bom que essas coisas estejam aparecendo. Até bem pouco tempo, sequer sabíamos dessas coisas.

Não seria por essa razão que eu deixaria de votar. Mais, apesar de ser a favor do voto facultativo, continuaria votando.

A questão, para mim, não é o que estão fazendo mas, sim, o que estão deixando de fazer. Elegemos representantes para que façam leis. E boas leis.

A verdade é que, numa análise das casas legislativas, o que se vê é um completo vazio de boas leis. Em alguns casos até de leis.

Há um círculo vicioso instalado no país: políticos querem apenas a manutenção dos mandatos pelo tempo que for possível. CPIs são verdadeiros showmícios onde os integrantes querem apenas aparecer na mídia, pois eles já descobriram que uma CPI vale mais que qualquer campanha - e é "de grátis"...

Uma das razões para votar nulo seria não querer pagar salário para vagabundo.

E sigo amanhã, pois agora tenho que ir pro trabalho. Afinal, não sou político.

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