Recently in Blogs Category

Pois é,

Teremos festa esse ano.

O Chato comemora 6 anos de existência e 5 na Verbeat.

Bem ou mal, é uma façanha para um blog desse gênero, isto é, um blog com total falta de gênero. Não que eu não tenha pensado - e até, quem sabe, tentado - desenvolver um certa coerência, mas cada vez que tento, acabo me sentindo incomodado, pois descubro que:

1. não sou escritor ou metido a, logo, não adianta querer escrever peças literárias ou querer transformar posts em livro, ou, ainda, publicar livro em forma de posts; nada contra quem assim o faça, apenas que O Chato não foi criado pra isso;

2. a bem da verdade, até que alguns posts se salvam como crônicas, sofríveis eu sei, mas vá lá, os brutos também amam;

3. não sou jornalista, logo, não adianta querer escrever artigos comentando os fatos cotidianos, ou, como a grande maioria, simplesmente sendo nos blogs o que sempre foram nos jornais e revistas. Por sinal, essa foi a forma de a mídia tradicional se manter "no ar": publicar notícias em forma de posts, com os jornalistas pensando que são blogueiros. Não são, são apenas jornalistas escrevendo notícias. Do meio papel ao meio eletrônico, forma e conteúdo continuam os mesmos;

4. sou o pior tipo de gente, isto é, aquele que é convcto das suas ideias e acha que só ele tem razão. E nisso tenho razão! Além do mais, sou geminiano com ascendente em Leão e Lua em Gêmeos;

5. uso em demasia o blog para expressar minhas opiniões. E nisso acabo por ser muito crítico. Sou muito "duro" ao me expressar. Já chega ter que passar o dia inteiro, no trabalho, escolhendo as palavras que vou dizer ou escrever. Com isso, até para brincar acabo parecendo sério;

6. Não sou lido pela "nata" da blogosfera, por aqueles blogueiros referência, intelectuais. E não sem razão, afinal eles não têm tempo a perder com bobagens;

7. De qualquer forma, creio que hoje ao menos uma boa parte da blogosfera sabe que existe um blog chamado "O Chato", hospedado num dos mais respeitados condomínios: a Verbeat;

8. Via de regra, não entendo de quase nada, mas vivo dando meus pitacos. Certa vez comecei a desenvolver o gosto por escrever sobre música erudita. Desde adolescente gosto dela e tenho quase um milhar de LPs e CDs. Mas logo na primeira tentativa fui esculhambado por um blogueiro especialista e, claro, desisti. Era bem no início, ainda na fase que a gente quer ser "amado", visto, lido e comentado.

9. Uma das poucas incursões que ainda consigo ter certa desenvoltura é na área do meio ambiente, o que me levou a ser convidado para fazer parte do Faça a sua parte e a criar os blogs (que voltarei a atualizar com freqência esse ano) retratando a relação entre arte e meio ambiente - o Ambiarte - e o Lili faz a sua parte, para relatar os projetos e as ações realizadas nas escolas de educação infantil sobre a questão do meio ambiente. Não por outra razão, também, que cobri o template com links de meio ambiente. Mas isso vai mudar. Tudo muda, afinal, por que não o meu template?

Pois é,

Pra algo O Chato serviu e tem servido: me colocou em contato com um monte de gente por esse mundo afora. Muitos dos quais acabei conhecendo pessoalmente. Já foi mais lido, mais comentado, mas depois que em 2009 andei devagar não só com ele, mas com minhas regulares visitas a outros blogs, acabei perdendo grande parte dos féis seis leitores, hoje resumidos a dois ou três. O ano passado foi muito complicado profissionalmente, o que acabou por me tirar um pouco do tesão pelos blogs.

Essa foi outra grande descoberta que o blog proporcionou: as pessoas são por aqui assim como são por aí, na vida real. Um misto de exigência de reciprocidade com hipocrisia. Leia meu blog e comente meus posts que farei o mesmo contigo. Caso contrário, pode me esquecer. Uma coisa é alguém deixar de ler o blog por não ver utilidade ou prazer algum nele; outra é porque eu deixei de visitar. Enfim, coisas da vida.

Outra coisa parecida que a blogosfera tem com a vida real é o fato de que por aqui também existe patrulhamento ideológico. Já vi muita pendenga por causa de ideias políticas ou por alguns assuntos considerados tabus por aqueles que os defendem. Participei de um grupo que se desmanchou por causa disso. Direitos humanos, censura, liberdade de expressão e tantos outros. Aqui, como na vida real, as pessoas simplesmente perdem o equilíbrio e só o que pensam está correto. Ai de quem escreva discordando: está fadado ao ostracismo cibernético.

Só se vive (sim, porque sobreviver é possível) sendo amigo da realeza; somente se ostentar no blogroll uma lista de reis, rainhas, barões, etc. e deixar um comentário, ao menos, nesses blogs. De preferência concordando ou elogiando, porque a crítica sempre vem acompanhada da ameaça "o blog é meu, publico o comentário que quiser!"

Seguidamente sou obrigado a me lembrar da frase do Descartes, quando ele diz prefirir a autoridade do argumento ao argumento da autoridade. E é assim que tem funcionado a blogosfera: vale o argumento da autoridade, muitas delas pseudo-autoridades (?) bancadas pela mídia tradicional.

Dito isso, O Chato continuará sendo o que sendo foi: um blog com total falta de gênero.



Pois é,

Poucas deveriam ser as coisas a me tirar do "retiro" espírito-bloguístico por onde ando. Incomodar o pobre Einstein, fazendo-me relembrar sua frase, quase símbolo deste Chato, é uma delas. A cada dia passado nessa vida, maior é o número de pessoas que dão razão a que a estupidez humana não tem limites, que é infinita.

Chegado de viagem, recebo notícia de que o Milton Ribeiro está sendo processado por uma escritora. Motivo? Um post que ele escreveu expressando sua opinião sobre uma das obras dessa escritora (para um resumo da história, ver este post. Aqui a sequência.). Não foi a primeira vez que algum crítico comenta a tal obra. O Idelber Avelar, neste post, publica uma resenha feita pelo Marcelo Backes. É bom ler todos os posts e críticas, bem como todos os comentários, em ambos, Milton e Idelber.

Mas onde está, afinal, a estupidez humana nesse caso? Está na demonstração do pleno estado de barbárie que vivem essa senhora e seu representante. De um advogado, infelizmente, não poderíamos esperar outra atitude, tendo em vista que vive de fazer prosperar as pendengas humanas, notadamente aquelas que mais poderão render, por envolverem pessoas ou empresas cujas rendas são suficientes para alimentá-lo - e certamente a sua prole - por um bom par de décadas. Não são capacitados, treinados, nas faculdades, para o prévio diálogo, para a composição amigável, para o acordo. Somente enxergam a via judicial para a solução de tudo. Muito se fala do Poder Judiciário e muito se diz sobre a morosidade dos processos. Nada, porém, é dito sobre advogados. E antes que algum advogado apressadinho resolva me processar por escrever isso, aviso logo que não estou generalizando, que sei bem que existem os bons advogados.

A estupidez da senhora escritora está em não aceitar o seu lugar no mundo das letras. Um pais, cuja população tem algo em torno de 75% de seus membros considerados alfabetizados funcionais, isto é, mal e porcamente conseguem compreender um parágrafo de conteúdo simples, deve ter escritores que escrevam para esse público. Quanto a isso não há questionamentos: ela é escritora e pronto! Esses 75% gostam e entendem (e talvez não mais que isso) o que está contido no lugar-comum "cortando a noite fresca e estrelada como uma faca que penetra na carne tenra e macia de um animalzinho indefeso".

Mas daí a supor que toda a literatura nacional está nivelada por esses 75% são outros quinhentos (e não esqueçamos que nossas redes televisivas também atendem somente a esse público). Ainda temos 25% que são capazes não apenas de entender o que lêem, mas de fazer o que de mais importante as pessoas podem fazer: criticar aquilo que consomem.

É da natureza da estupidez humana o extrapolar o conteúdo de uma crítica. Assim o fez o advogado ao desviar o foco da questão, que deveria ser o conteúdo da crítica elaborada pelo Milton, para uma tentativa de desqualificação pessoal. Não tenho dúvidas que a estagiária do juiz dará boas gargalhadas ao preparar uma minuta de decisão.

Vivemos momentos perigosos. Momentos em que a defesa da liberdade de expressão só vale para os tais meios de comunicação e seus profissionais. Teça um comentário sobre um jornalista ou tente impedir a veículação de uma matéria e logo os arautos da volta da censura se atirarão por cima como abutres em carniça (certo, certo, mais um lugar-comum, tsc...). Só eles têm direito à total liberdade de expressão.

Como dizia meu falecido padrinho: "pobre humanidade!"

Das duas uma: ou esta senhora e seu representante pensavam tirar uns trocos de um desconhecido qualquer, ou não sabem quem é Milton Ribeiro. O universo e a estupidez humana são coisas infinitas, já dizia Einstein, sem ter certeza da primeira.


eday5

O dia 22 de abril está aí. Não será apenas mais um dia de postagem coletiva do Faça a sua parte. Nem deveria. Afinal, pisamos nela todos os dias. A questão é: como pisamos?

Nesse 21 de abril, véspera do Dia da Terra, apesar de ser feriado, levante cedo, como sempre faz em dias de trabalho. Mas experimente fazer algo diferente: antes mesmo da higiene ou de tomar o café da manhã, molhe um pouco de terra, um vaso que seja. Respire fundo e sinta o aroma. Pegue um pouco da terra molhada com as mãos. Esfregue. Sinta nos dedos, na palma das mãos. Passe no rosto; sinta como se fosse um beijo.

Coloque um pouco na língua. Não tenha receio! Lembre-se da infância, de quando isso era natural; de quando nada dessa nossa cultura ainda havia sido colocada em você! De quando a natureza e você eram uma coisa só. De quando você e sua mãe eram uma coisa só!

Estranho, né? Pois é assim que somos em relação à Terra. Estranhos. Como num país cuja língua e costumes não entendemos. Nesse feriado, aproveite para sentir a Terra. E depois escreva um post sobre isso. Publique no dia 22.

Escreva sobre a Terra, o que quiser, mas tente escrever, também, sobre os seus sentimentos, sobre o quanto você se sente afastado ou integrado a ela.

Como você pisa na Terra?

Comece agora a planejar o que fará naquele dia e lembre-se de convidar seus amigos, parentes, alunos, colegas de trabalho ou de escola e a sua comunidade a fazerem o mesmo. Apresente uma pesquisa, debata o assunto, prepare uma apresentação ou escreva algo que provoque à reflexão.*

Aproveite o dia 22 de abril para economizar todo tipo de energia e evite qualquer tipo de desperdício ou poluição. Desligue os eletrodomésticos e as luzes; escove os dentes com apenas um copo d'água; não fume nem acenda fogo; alimente-se de frutas e verduras cruas; beba apenas água; não faça compras; deixe o carro na garagem e aproveite para caminhar, possivelmente descalço, sobre a Terra que nos hospeda. Aja lentamente e respire com calma, fale baixo. Use o dia para meditar e descubra as atitudes que podem ajudar a preservar a Terra. E lembre-se: Você faz parte dela.*

Consulte o Calendário Verde do Faça a sua parte. Além de farto material sobre a Terra, você encontrará os posts que foram escritos para o dia da Terra em 2007.

* colaboração do Allan.


Pois é,

Hoje é o dia da blogagem coletiva para responder a pergunta aí do título.

As meninas Georgia e Meire bem que poderiam ter facilitado nossa vida, se tivessem pedido para apontar os problemas. Mas não, elas querem soluções. Mais, querem saber o que fazemos para ajudar a combater o analfabetismo.

Desde que me inscrevi na blogagem, tenho pensado muito a respeito; e descobri (talvez já soubesse, mas o "descobri", aqui, tem o sentido de "assumi") que NÃO FAÇO NADA. LIdo muito com o ensino profissional (treinamentos), mas isso não conta.

E foi a partir desse "assumi" que vejo a importância da blogagem. TÁ NA HORA DE COMEÇAR A FAZER ALGUMA COISA!

- Afonso?
- Sim, Chato?
- Que chato, hein? Ter que assumir assim, em público, que não faz nada! Logo tu, que defendes a idéia de que se cada um fizer a sua parte, é possível sim, mudar a situação.
- Pois é, mas tem uma vantagem...
- Qual?
- Pelo menos agora posso pensar em algo para fazer nesse sentido.
- O que, por exemplo?
- Não sei bem ainda, mas quem sabe se ao ler os outros posts da blogagem eu não descubro alguma idéia adequada para mim?

Faço aqui o mea culpa no tema. Sou daqueles que apontam problemas mas não levanta a bunda da cadeira para fazer algo.

É, as meninas não facilitaram...(tem mais lá no Lili faz a sua parte)


Pois é,

Não será a primeira vez que O Chato, entre o monte de abobrinhas aqui destiladas, fala de educação.

Por vezes me impressiona a capacidade que nossos meios de comunicação têm em se dedicar a uma causa. Vide o recente caso da menina jogada pela janela. Vedadeiras fortunas são gastas para cobrir a matéria. Dito de outra forma, toda uma economia se movimenta para "informar" sobre apenas um dentre os milhares de casos de crianças que morrem nesse pais.

Sem dúvida que foi terrível o que aconteceu. Não há coisa mais hedionda do que um adulto praticar seja lá que tipo de violência for contra uma criança.

Mas o que faz com que a mídia e a economia não gastem os mesmos milhões na solução do problema?

Por que não bombardeiam todos os dias as famílias brasileiras com campanhas contra o atual nível da educação brasileira? Contra o analfabetismo? Claro que sabemos a razão. E por isso mesmo, por saber que jamais poderemos contar com a mídia para isso, é que devemos fazer a nossa parte. Por pouco que seja.

E esse pouco pode ser participar da blogagem coletiva que a Georgia e a Meire estão promovendo:

:
A convite da Georgia, o P&P e a Meiroca estao colaborando e apoiando a proxima blogagem coletiva, que acontecera' no dia 18 de abril, dia do livro, com o titulo "O que voce faz para acabar com o analfabetismo no Brasil?" Esperamos contar com a adesao de muitos de voces para que juntos possamos acabar com o estigma (marca) de analfabeto. Participem e divulguem em vossos blogs, os selos estao logo abaixo. Agora com voces as palavras da Georgia.
 
"Um país se faz com homens e livros" Monteiro Lobato

Ao ler sobre o assunto aqui, tão bem escrito por Ataíde Lemos, fiquei assustada que ainda possa existir no Brasil um número de analfabetos tão expressivo.

"O Brasil foi reprovado em: Ciências, Matemática e Leitura. Ocupando o 53º lugar dentre os 55 países que foram submetidos à pesquisa, que foi feita pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).


Ele lança a pergunta: Qual será o futuro de um país onde a educação está relegada ao segundo ou terceiro plano? "


Devo confessar a vocês que esta pergunta me incomodou muito nos últimos dias. Assim, desejei fazer algo, como uma blogagem, onde pudéssemos discutir o assunto e propor soluções. Parece-me uma boa idéia, agora.


Quando eu vivia no Brasil, durante dez anos trabalhei alfabetizando as crianças de rua ali na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro. Os adultos em algumas escolas à noite e na Favela da Rocinha, durante dois anos. Fiz isso voluntariamente nos meus horários livres. Nunca recebi um centavo. Mas a satisfação veio por ter levado a leitura a quem não sabia ler e escrever.

O Brasil se ilude imaginando que o analfabetismo diminuiu, mas sabemos que não e as estatísticas provam isso.

Fora isso, a qualidade de ensino caiu muito e feio. Mesmo não vivendo mais no Brasil tenho acompanhado as estatísticas. São tantas coisas que envolvem o ensino, que não dá para separá-los. Os problemas são sérios e grandes. No fundo, eles acabam afetando sempre a classe mais pobre e aí, a criança, o adolescente e os jovens não querem ir à escola porque precisam ajudar a mãe ou o pai nas despesas da casa.

Dói-me o coração quando alguém me diz que não sabe ler nem escrever. Imagine, num tempo desses, onde tudo está ligado através de internet, onde podemos fazer tantas coisas. Mas tudo pára exatamente na escrita.


"Mais grave ainda é a situação do Nordeste, que tem o mais elevado índice de analfabetismo entre as cinco regiões do país.

"Na média, um em cada cinco nordestinos declarou que não sabe ler nem escrever um bilhete simples."

"Brasil tem segundo maior índice de analfabetismo da América do Sul" "O contingente de analfabetos no Brasil acima de 15 anos, 14 milhões de pessoas, coloca o país no grupo das 11 nações com mais de 10 milhões de não-alfabetizados, ao lado do Egito, Marrocos, China, Indonésia, Bangladesh, Índia, Irã, Paquistão, Etiópia e Nigéria."


Os dados sobre o analfabetismo são alarmantes.

A intenção da Blogagem Coletiva não é promover blog algum, mas tem por finalidade trazer novas idéias para combater o analfabetismo.

Não gostaria que ficássemos só nas críticas, reclamando que o Brasil é assim, que não tem jeito, que os políticos não ajudam. Disso, todos nós já sabemos.


Mas eu gostaria que apresentássemos soluções viáveis.
Por exemplo:

A) Como poderíamos ajudar?

B) Como a escola do meu filho, do meu neto, poderia ajudar? Poderia fazer o quê?,

C) Como eu poderia me integrar num plano desses, junto a uma escola, e ajudar voluntariamente? Talvez à noite alfabetizando...
Talvez você possa levar essa idéia para a escola mais próxima a você.

D) A própria escola poderia oferecer um curso de 3 meses noturno para a família. O próprio aluno levaria o convite para os pais e outros familiares. A escola dele estaria empenhada em termos de alfabetização dos adultos.


E) Talvez você pertença a uma igreja. Quem sabe os membros da sua igreja possam ajudar a própria membresia a aprender a ler, escrever e oferecer ao bairro essa possibilidade?

Enfim, a Blogagem Coletiva contra o Analfabetismo tem essas finalidades:

Pensarmos em soluções e apresentá-las no bairro em que vivemos.


Quem sabe até, apresentá-la ao Prefeito da sua cidade?


Fica aqui o meu apelo e minha convocação para esta blogagem, que tem o apoio total da Meire .

Foi ela quem fez estes selos lindos para a nossa blogagem.
Dia 18 de abril, dia Nacional do Livro. Dia da nossa Blogagem Coletiva contra o Analfabetismo. Pegue seu selinho, ajude a divulgar. Participe.

Muito obrigada e um grande abraço Georgia Aegerter


Pois é,

O que seriam das linhas não fossem as entrelinhas. Pois "nas entrelinhas" é o título do post da Ministra da Verbeat, Olivia Maia, no blog Forsit. O assunto é:

"na verdade, o erro do Edney, ao criar a blogagem inédita, foi pressupor, naquele primeiro momento, o "repórter", que ele, agora, quer fazer nessa nova blogagem coletiva. claro que era desse tipo de post que ele estava falando na blogagem inédita, e isso estava nas entrelinhas. mas isso era porque é essa a forma que ele -- e a mídia, digamos -- está vendo os blogs agora. é esse tipo de pensamento que causa aquele debate despropositado sobre jornalistas x blogueiros. porque essa oposição só pode existir quando existe a comparação." (leia o resto - e os já vários comentários - no link acima antes de prosseguir).

Ora, se a liberdade que queremos é uma liberdade sem adjetivos, ela também é uma liberdade para quem quer acabar com a liberdade. É um direito que, via de regra, só se impõe pela via do mais forte matando, liquidando, ou apenas enchendo de porrada, o mais fraco.

Mas aí aparecem as entrelinhas. Na blogosfera a guerra não é física e sequer econômica (não custa nada ter um blog). Mas é a velha guerra de tentar impor os seus padrões como padrões universais. A história real se repete na história da blogosfera. Poucos espertos se aproveitam dos muitos incautos. E vendem a salvação da alma, pressupondo que pertencer "à classe dos eleitos" (no caso, à classe dos daqueles que supõem serem os seus objetivos de vida o sonho e a realização de todos os demais) vai conduzir seus seguidores ao paraíso.

Como disse no post anterior, "Devo confessar que me espanta, por vezes, o cartesianismo de certos pensamentos". A história também nos mostra que "liberdade" não é a liberdade que uns poucos querem que seja, mas a liberdade que muitos fazem ser a liberdade. Daí surgem as resistências. E essa é uma resistência que começa a tomar forma. Nas entrelinhas, por enquanto...


Overdose!

| | Comments (5)
Pois é,

Overdose de Chato:

- tem Personalidade, lá no As Aventuras da Condessa Clarissa
- tem Duna - II, lá no Ambiarte
- tem Consciência, lá no Faça a sua parte
- tem Analfabetismo, lá no Lili faz a sua parte

Não cansou? Então, pra terminar de torrar a paciência de vocês, tem esse aqui:


O ano? 1986. Só desgraças. Fiquei desempregado, o Brasil eliminado da copa (talvez a mais inesquecível para mim, em função de toda a conjuntura), a primeira das separações (a primeira a gente nunca esquece), a decisão de nunca mais ver telejornal e, do que me lembro hoje, tive que dar o gato, que acabou ficando comigo. Acho que o coitado sofreu mais do que eu com a separação, mas não tinha como ficar com ele.

As lembranças começaram a aparecer ao me deparar com uma matéria no jornal Correio do Povo (edição de 23 de março), que vi ao visitar meu atual sogro (sim, sogro(a) e mulher sempre devem ser referidos como "os atuais"). O título é "Cohn-Bendit pede aos jovens que esqueçam 1968".

Diz ele, na materia: "Meu conselho é que esqueçam maio de 1968. Por quê? Porque acabou! Foi extraordinário, mudou nossas vidas, mudamos a vida. Mas não vamos voltar ao tema eternamente."

Conversando esses dias com a minha filha, Fernanda (a Condessa ainda não está preparada para esse tipo de conversa), fiquei literalmente apavorado ao ver que a geração dela (a atual, pois tem 18 anos) não tem nada do que se recordar. Nenhum movimento político, nenhum movimento cultural, nenhuma rebeldia, nada, nada que possa fazer deles pessoas que digam mais do que ela me disse, quando perguntei se estava sentindo algo diferente, importante, por ter entrado na faculdade: "pai, não mudou nada!"

homem.gifJuntei as duas coisas e foi como se estivesse num jogo de futebol ao receber uma bolada bem ali, ali onde dói mais. Uma me diz que não tem nada do que lembrar; outro me pede para esquecer! Pra completar a dor, ela ainda me sai com essa: "pai, queria ter vivido na tua época!".

Terminei de morrer ali mesmo! Percebi o pecado que cometi ao contar para ela como havia sido a minha infância e, depois, a minha juventude. A "revolução", a Jovem Guarda, os festivais de música, ver "Pra não dizer que não falei das flores" virar hino, Monterey, Woodstock, Beatles, Roling Stones, maio de 68, Chico, Gil, Gal, Bethânia, Elis, Bossa Nova, Tropicália, Cinema Novo, a revolução feminista, a Guerra Fria, a Cortina de Ferro, a Primavera de Praga, Cream, The Who, Pink Floyd, Led Zeppelin, Yes, Hendrix, Joplin, o sonho de liberdade, calça boca-de-sino, usar cabelos compridos, ver  tanques apontando os canhões pra minha casa em Brasília, o Brasil ser eliminado da copa de 66, a Sônia - primeira grande paixão (e também a única primeira grande paixão que me lembro) -, e muito, mas muito mais mesmo.

E tudo isso desemboca na entrada na UNIVERSIDADE, na década de 70. Na década da plena vigência do AI5, do 477, do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, da abertura "lenta, gradual e segura", dos senadores biônicos (Pacote de Abril), da "Disco", da guerrilha, do "Ame-me ou deixe-me!", do "Tri", das crises do petróleo, do computador, da calculadora eletrônica,

E hoje, minha filha diz que entrar na universidade é a coisa mais normal do mundo. Algo tipo "sem graça, sabe!". E o outro me pede para esquecer! Como esquecer as duas décadas mais inesqucíveis que esse país e o mundo já tiveram? (fora, claro, as que eu não vivi)

E por que 1986? Porque está entre 1984 e 1988. Porque está entre a última genuína manifestação de uma geração e a primeira manifestação (porque nascendo) de várias gerações absolutamente inexistentes.

"Diretas Já", gritávamos pelas ruas e comícios! "Impeachment", gritou a geração seguinte, movida apenas por uma mídia interessada em exorcisar "aquilo" que tinha colocado no lugar de Presidente da República. Essa mesma mídia que tratou de pasteurizar uma geração inteira e que continua a pasteurizar as atuais.

Estamos precisando de um maio de 2008 e o tal Daniel nos pede para esquecer maio de 68. Tá certo, vou esquecer. Mas o que devo dizer para a minha filha? Que esqueça os exemplos da história? Que não tenha sonhos, pois os esquecerá, quando tiver 63 anos (Daniel é de 1945)? Que não crie ideais e lute por eles? Se esquecermos de maio de 68, é bem possível que esqueçamos, também, maio de 1945 e de tudo o que representou a IIGG.

Que péssimo exemplo, seu Daniel. Espero que não tenha educado seus filhos, ensinando-os a esquecer o próprio pai.

Imagem: http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/homem.gif


About this Archive

This page is a archive of recent entries in the Blogs category.

Autobiografia is the previous category.

Brasil is the next category.

Find recent content on the main index or look in the archives to find all content.

Pages

Powered by Movable Type 4.24-en