Pois é,
Teremos festa esse ano.
O Chato comemora 6 anos de existência e 5 na Verbeat.
Bem ou mal, é uma façanha para um blog desse gênero, isto é, um blog com total falta de gênero. Não que eu não tenha pensado - e até, quem sabe, tentado - desenvolver um certa coerência, mas cada vez que tento, acabo me sentindo incomodado, pois descubro que:
1. não sou escritor ou metido a, logo, não adianta querer escrever peças literárias ou querer transformar posts em livro, ou, ainda, publicar livro em forma de posts; nada contra quem assim o faça, apenas que O Chato não foi criado pra isso;
2. a bem da verdade, até que alguns posts se salvam como crônicas, sofríveis eu sei, mas vá lá, os brutos também amam;
3. não sou jornalista, logo, não adianta querer escrever artigos comentando os fatos cotidianos, ou, como a grande maioria, simplesmente sendo nos blogs o que sempre foram nos jornais e revistas. Por sinal, essa foi a forma de a mídia tradicional se manter "no ar": publicar notícias em forma de posts, com os jornalistas pensando que são blogueiros. Não são, são apenas jornalistas escrevendo notícias. Do meio papel ao meio eletrônico, forma e conteúdo continuam os mesmos;
4. sou o pior tipo de gente, isto é, aquele que é convcto das suas ideias e acha que só ele tem razão. E nisso tenho razão! Além do mais, sou geminiano com ascendente em Leão e Lua em Gêmeos;
5. uso em demasia o blog para expressar minhas opiniões. E nisso acabo por ser muito crítico. Sou muito "duro" ao me expressar. Já chega ter que passar o dia inteiro, no trabalho, escolhendo as palavras que vou dizer ou escrever. Com isso, até para brincar acabo parecendo sério;
6. Não sou lido pela "nata" da blogosfera, por aqueles blogueiros referência, intelectuais. E não sem razão, afinal eles não têm tempo a perder com bobagens;
7. De qualquer forma, creio que hoje ao menos uma boa parte da blogosfera sabe que existe um blog chamado "O Chato", hospedado num dos mais respeitados condomínios: a Verbeat;
8. Via de regra, não entendo de quase nada, mas vivo dando meus pitacos. Certa vez comecei a desenvolver o gosto por escrever sobre música erudita. Desde adolescente gosto dela e tenho quase um milhar de LPs e CDs. Mas logo na primeira tentativa fui esculhambado por um blogueiro especialista e, claro, desisti. Era bem no início, ainda na fase que a gente quer ser "amado", visto, lido e comentado.
9. Uma das poucas incursões que ainda consigo ter certa desenvoltura é na área do meio ambiente, o que me levou a ser convidado para fazer parte do Faça a sua parte e a criar os blogs (que voltarei a atualizar com freqência esse ano) retratando a relação entre arte e meio ambiente - o Ambiarte - e o Lili faz a sua parte, para relatar os projetos e as ações realizadas nas escolas de educação infantil sobre a questão do meio ambiente. Não por outra razão, também, que cobri o template com links de meio ambiente. Mas isso vai mudar. Tudo muda, afinal, por que não o meu template?
Pois é,
Pra algo O Chato serviu e tem servido: me colocou em contato com um monte de gente por esse mundo afora. Muitos dos quais acabei conhecendo pessoalmente. Já foi mais lido, mais comentado, mas depois que em 2009 andei devagar não só com ele, mas com minhas regulares visitas a outros blogs, acabei perdendo grande parte dos féis seis leitores, hoje resumidos a dois ou três. O ano passado foi muito complicado profissionalmente, o que acabou por me tirar um pouco do tesão pelos blogs.
Essa foi outra grande descoberta que o blog proporcionou: as pessoas são por aqui assim como são por aí, na vida real. Um misto de exigência de reciprocidade com hipocrisia. Leia meu blog e comente meus posts que farei o mesmo contigo. Caso contrário, pode me esquecer. Uma coisa é alguém deixar de ler o blog por não ver utilidade ou prazer algum nele; outra é porque eu deixei de visitar. Enfim, coisas da vida.
Outra coisa parecida que a blogosfera tem com a vida real é o fato de que por aqui também existe patrulhamento ideológico. Já vi muita pendenga por causa de ideias políticas ou por alguns assuntos considerados tabus por aqueles que os defendem. Participei de um grupo que se desmanchou por causa disso. Direitos humanos, censura, liberdade de expressão e tantos outros. Aqui, como na vida real, as pessoas simplesmente perdem o equilíbrio e só o que pensam está correto. Ai de quem escreva discordando: está fadado ao ostracismo cibernético.
Só se vive (sim, porque sobreviver é possível) sendo amigo da realeza; somente se ostentar no blogroll uma lista de reis, rainhas, barões, etc. e deixar um comentário, ao menos, nesses blogs. De preferência concordando ou elogiando, porque a crítica sempre vem acompanhada da ameaça "o blog é meu, publico o comentário que quiser!"
Seguidamente sou obrigado a me lembrar da frase do Descartes, quando ele diz prefirir a autoridade do argumento ao argumento da autoridade. E é assim que tem funcionado a blogosfera: vale o argumento da autoridade, muitas delas pseudo-autoridades (?) bancadas pela mídia tradicional.
Dito isso, O Chato continuará sendo o que sendo foi: um blog com total falta de gênero.



