Pois é,
"Que venham os próximos cinqüenta, então!".

Para os que vieram na festa, trouxe um bolinho. Quem vai querer uma fatia?
Entrem, entrem.
Tragam as crianças.
Hoje teremos palhaço para elas. Vejam, até faz mágica: 
Chapéuzinhos pra todo mundo. Vamos, coloquem e divirtam-se. 
E, enquanto eu sopro as velinhas, podem cantar "parabéns a você ..." 
Mas não saiam sem levar uma lembrancinha. 
Levem, tem bastante por aqui:

Não é todo dia que podemos fazer 50 anos. Há não muito tempo, essa seria uma data inalcançável. Muito próxima de quem já passou; muito longe de quem ainda chegará nela.
Olho - e tenho olhado diariamente - para o espelho! Há dias em que converso com a imagem. Não para reclamar da aparência - que esta não há como mudar -, mas para saber se realmente algo vai mudando com o passar dos anos e que possa estar ali refletido. A imagem me responde - traiçoeiramente - que nada mudou.
O recurso às fotos talvez tenha sido um pouco mais eficiente do que minhas conversas com o espelho. Um método terápico - que me perdoem os "psi" pelo uso da expressão - que ajuda a resgatar os exatos momentos em que vamos perdendo. O quê? Não sei!
Sim, as fotos - quer queiramos ou não - registram as nossas mudanças. Registram a diferença entre o que olhamos no espelho, hoje, e o que éramos, ou o que ainda pensávamos que queríamos ser.
Se é que algum dia eu soube o que queria ser!
As fotos, na verdade, registram nossas perdas. Registram pessoas perdidas, pessoas que já não somos mais; abandonadas, "aos trancos e barrancos", no dia-a-dia. Fotos não registram o que ganhamos, somente o que perdemos!
Dedico esse dia não a mim, mas para minhas filhas, que não têm outra escolha a não ser me agüentar, e à Kaya, que, por escolha, me agüenta (só não sei se por mais 50 anos...)!
"Não dá para zerar. Então, que venham os próximos cinqüenta!".








































