Pois é,
Fatos são fatos e com fatos não se discute. João morreu. É fato, não há o que discutir. Pode-se, até, debater a forma como ele morreu, mas não o fato de que João está morto. Assim, partimos de três fatos:
(1) O olfato humano é capaz de discernir mais de 10 mil cheiros diferentes. O olfato salvou a humanidade. As informações recebidas pela mucosa nasal, e que por via de uma estrutura chamada bulbo olfatório são transmitidas ao cérebro, são processadas muito mais rapidamente que os estímulos visual e auditivo. Foi o cheiro que permitiu aos humanos (e ao animais em geral) distinguir, na natureza, o que era comestível do que não era e, portanto, não apenas garantir a sua sobrevivência, como desenvolver todo um sistema econômico-exploratório baseado na agrucultura-da-propriedade-privada-da-terra. Donde se poderá concluir, em capítulo próprio, ao final deste pequeno tratado, que calcinhas e propriedade privada são fenômenos históricos intimamente ligados;
(2) Calcinhas respiram. Sim, meninas, elas respiram tanto quanto vocês. E mais, transpiram!
(3) Experimentos científicos já demonstraram que o cheiro é determinante na escolha do parceiro sexual e, como diz Susan Schiffman, da Universidade Duke: "um casal pode sobreviver a toda sorte de diferenças, mas quando um deixa de gostar do cheiro do outro o relacionamento está arruinado".
Aí começam alguns problemas. O primeiro deles é o perfume. Mulheres, induzidas tão somente pela indústria, derramam-se, diariamente, gotas e mais gotas de perfume (isso quando não espargem pelo corpo inteiro), impedindo, dessa forma, que os homens percebam, desde logo, se haverá compatibilidade (histocompatibilidade) ou não.
Impedidos de sentir o cheiro da mulher, os homens caem como patinhos, levados, como nos desenhos animados, pelas ondas flutuantes de um cheiro artificial. Sim, pois apesar de poder distinguir mais de 10 mil cheiros, os perfumes são feitos com substâncias especiais que anulam essa capacidade, em especial nos homens.
Mas toda verdade tem sua hora. E a hora é aquela. De nada adiantará ter aprendido as lições dos volumes I e II, do Tomo I, deste Pequeno Tratado, porque depois de sentir a calcinha com o tato, chega a hora de sentí-la com o olfato. Que precede, na verdade, em poucos segundos, a prova do sabor.
Mas esses poucos segundos são determinantes. Equivalem ao levantar a tampa da panela. É nesse pouco tempo que decidiremos se vamos comer ou não aquela bela comida que ali se encontra. A comparação é por demais óbvia para que nos estendamos nela. É o olfato que nos faz comer e, portanto, sobreviver. Ou garantir a sobrevivência da espécie.
E é aí que a calcinha se torna importante. Os mais experientes poderão pular esse parágrafo. No entanto, é muito recomendável para os que se iniciam na lide. Após as carícias com a mão e dedos, deve-se fazer o mesmo procedimento com a boca. Sempre com a calcinha posta. O que foi dito para os dedos, faz-se com os lábios e a língua. Mas isso é assunto para o próximo volume. O grande problema é que, antes da boca chegar, o nariz chega primeiro.
Rendas e lycra respiram infinitamente menos que o algodão. Em compensação, absorvem muito mais o cheiro dos produtos utilizados na sua lavagem. E impedem a transpiração. Logo, são altamente acumuladores dos cheiros femininos, que, como é sabido, se não chegam aos 10 mil, em algumas anda próximo. A indústria, no entanto, lança milhares de produtos "especiais" para lavar calcinhas. Se já compraram joguem fora. Apenas - e tão somente - utilize água e sabão neutro.
Nela também. Só assim é possível fazer valer o dito popular "lavou, tá nova!" Quanto mais freqüentes as lavagens melhor. As mulheres levam de tudo na bolsa, menos o mais importante: uma pequana necessaire de plástico contendo uma toalhinha e um sabonete neutro. Para quem passa o dia no trabalho e quer estar sempre pronta para aquela rapidinha de surpresa no elevador, este é um item indispensável.
Pena que a indústria da construção civil, no afã de aumentar seus lucros pela diminuição do espaço comercializado nos apartamentos, a primeira coisa que fez foi eliminar uma das peças mais importantes que a humanidade já inventou: o bidê!
Sábias eram nossas avós, que se utilizavam do bidê para os não menos famosos "banhos de assento". Para os mais jovens, publico aqui uma foto raríssima de um exemplar:
Quer que o fato (3) aconteça com você? Não? Então use algodão, água e sabão neutro...
Na seqüência: o paladar.