A culinária do Chato: fevereiro 2007 Archives

pois é,

Qual o melhor prato do mundo? (depois do prato cheio, é claro). Pra mim é esse:


esta bela lazanha que fiz domingo retrasado e ainda não tinha mostrado. Por mim, comeria lazanha todos os dias...

Pois é,

Pessoal,

O Alexandre Mansur, editor de Ciência & Tecnologia da revista Época, fez a gentileza de me entrevistar para o blog de ecologia da revista, o Blog do Planeta. Vão lá, vão lá, hehehe

Mail do dia

Hoje vamos responder aos mails enviados pelos nossos queridos leitores. O primeiro é um jovem chamado Aloysio, morador de Tucuruçu do Oeste:

"Caro Chato,

Tenho lido todos os teus posts sobre culinária e hoje criei coragem pra te escrever. Vou fazer dezoito anos agora em março e ouvi dizer que homens prendem as mulheres pelo estômago. Tenho tentado aprender a cozinhar, mas ainda tenho algumas dúvidas. Por exemplo, quanto é, mesmo, uma pitada de sal? E fogo brando? Qual a diferença, se meto a mão em qualquer deles e sempre acabo me queimando?

Responda, por favor, pois quero muito arranjar uma namorada!"

Querido consulente! Devo te dizer, de início, e talvez para tua decepção, que as mulheres, em geral, são presas pelo bolso e não pelo estômago. Não que o estômago não faça diferença, mas essa diferença só conta em restaurantes finos, que é onde elas sempre querem que a gente as leve. E aí vais ter que usar o bolso. E não te iludas quando elas sugerirem que adorariam provar da tua comida. É só para não precisarem ir para a cozinha. Depois que elas decobrirem que sabes cozinhar, nunca mais terás os teus domingos livres (não esquecendo que a maioria irá exigir, inclusive, que laves a louça, dizendo "deixa tudo direitinho como eu sempre faço!").

Para a tua outra colocação, devo te dizer que és o reflexo da educação que dão nas escolas brasileiras. Se tivessem te ensinado, nas aulas de história, o que realmente interessa, saberias que a "pitada de sal" e o "fogo brando" foram invenções das mulheres da idade média, mais precisamente das bruxas. Essa, inclusive, era uma das mais fortes razões pelas quais elas eram queimadas. As bruxas que, mesmo depois de torturadas, não confessavam o quanto era uma pitada de sal, acabavam na fogueira. Foi aí, também, que nasceu fogo brando.

O pessoal da idade média não tinha muita experiência com queimar pessoas. As primeiras bruxas que foram queimadas gritavam desesperadas "o fogo tá brando, o fogo tá brando", querendo dizer, com isso, que estavam demorando muito para morrer. A expressão "fogo brando" acabou sendo utilizada para referir-se àquele fogo que cozinha a comida devagar. Pelos século seguintes, os cientistas tentaram desenvolver um método para medir exatamente a temperatura do famoso fogo brando das bruxas. Sem sucesso, é claro, pois havia uma dificuldade inerente: nenhuma delas jamais voltou para dizer como era o tal fogo brando.

Foi aí que um cientista americano do século passado, de saco cheio com essa história toda, inventou uma escala para o fogo: baixo, médio e alto. Segundo os originais do trabalho desse cientista, nem mesmo ele conseguiu definir onde ficava o fogo brando nessa escala. Há uma nota de rodapé, na página 357, onde ele sugere que o fogo brando fica entre o baixo e o médio.

Até hoje, também, a pitada de sal permanece um segredo das bruxas, ou sogras, como são conhecidas atualmente, pois nenhuma bruxa jamais voltou para dizer quanto era a tal da pitada de sal. E sogra que se preze não entrega o ouro pro bandido.

Foi aí que um cientista americano do século passado, de saco cheio com essa história toda, inventou um saquinho com três gramas de sal e as pessoas usam como se fosse uma pitada de sal. Não é, pois há uma dificuldade inerente: americano não entende nada de comida, só de fast food.

Um conselho para terminar, querido consulente: arranja uma namorada que goste de McD@nal... Dá menos trabalho!

Receitinha do dia

Sou dos que não sentem gosto em macarrão. O gosto será sempre do molho. Confiando nisso, resolvi comprar um macarrão que dizia ter gosto de salmão. Esse da foto lá em cima, importado do Uruguai. Como macarrão não tem gosto, repito, fiz um molho de galinha e mandei ver. Resultado: não é que o tal do macarrão tem mesmo gosto de peixe? E forte.

Eca! Estragou meu molho!

Pra quem gosta até é uma boa pedida. Mas façam com um molho de camarão, por exemplo.

Tão bonito que ficou...

Pois é,

- Ecochato?
- Sim, Chato?
- Eu se fosse tu não lia esse post...
- Por quê?
- Porque ele é um post cheio de metano!
- Como assim, "cheio de metano"?
- É que eu aproveitei o carnaval para fazer algumas comidinhas com ingredientes que poluem o meio ambiente.
- E não teve sequer uma saladinha? Uma folhinha de alface que seja?
- Não, nada. Só derivados da vaca. E como bem sabes, já que és um ecochato, as vacas produzem muito metano.
- Pô Chato, quando é que vais aproveitar aquele baita terraço e plantar umas verdurinhas?
- Tô pensando, tô pensando. Enquanto isso, deixa eu te dizer uma coisa.
- O quê?
- Embora os entendidos digam que a verdade é uma coisa que não existe, vou te dizer três verdades a respeito do churrasco.
- Churrasco, Chato! Não vai me dizer que fizeste outro churrasco...
- Não só um churrasco. Um churrasco, um carreteiro e uma lazanha! Farta comilança no carnaval.
- Eca! Tens razão. Tudo isso só leva carne e derivados da vaca. E ainda por cima arroz, que também ajuda no aquecimento global. Como dizemos por aqui, Chato, "toma tento, guri"! Tá na hora de botar uns verdinhos nesse corpo. Mais tarde vais sentir falta...E quais são as verdades sobre o churrasco?
- A primeira delas é que, embora cariocas e paulistas pensem que sabem fazer churrasco, só gaúcho mesmo é que sabe fazer.
- Tá comprando briga, Chato. Depois ninguém aparece por aqui e vais ficar triste.
- A verdade dói, meu caro!
- Dor eu já estou sentindo no estômago, só de imaginar tanta carne em tão pouco tempo... E a segunda?
- A segunda é o seguinte: mulher não sabe fazer churrasco!
- Perdeste metade do teu eleitorado com essa!
- A verdade dói, meu caro. Em cinqüenta anos nunca vi uma mulher fazendo churrasco. Ora, é uma questão de lógica. Veja: se em 50 anos nunca vi uma mulher fazendo churrasco, segue que elas não fazem por que não sabem. Caso contrário, eu já teria visto alguma fazer, não concordas?
- Sei não. Dá uma vasculhada aí pela net. Vai que encontras alguma que faça! E a terceira grande verdade?
- Bom, excluídas as mulheres e as crianças, só nos resta algo como uns três milhões de homens adultos no Rio Grande do Sul. Desses, metade só sabe dar palpite no churrasco dos outros. E não tem coisa pior do que fazer um churrasco com peru do lado.
- Pelo que eu tô vendo, Chato, não vai sobrar muita gente...
- É mesmo. Mas o mais importante, é que todos esses um milhão e meio de churrasqueiros pensam que sabem fazer um churrasco. E sabes como a gente sabe que fez um bom churrasco?
- Diz logo, pô!
- Existem milhares de formas diferentes de fazer um churrasco, uma para cada um desses um milhão e meio. Pesquisa que vais ver. Cada um faz o melhor churrasco. Há a turma que defende o sal antes; a turma que defende o sal depois. Tem a turma que usa salmoura e até a turma do sal um pouco antes de servir. Tem de tudo por aí. Tem, ainda, os "especialistas" em cortes. Te dão mil e uma aulas sobre como escolher a "melhor" carne para o churrasco. A verdade é que só existe um "melhor churrasco" e esse é sempre o segundo churrasco!
- Não tô entedeeeennnndo!
- Olha aqui, Ecochato de merda! Se vais falar com sotaque por aqui, o post está encerrado!
- Nem uma chiadinha, Chato?
- Pior ainda!
- Bueno, que seja! Mas continuo sem entender!
- Além de Ecochato, é ignorante o bagual!
- Sem ofensa!
- E quer saber? Enchi o saco! Cansei! Quem sabe amanhã eu termino.
- Puta sacanagem! Vais me deixar curioso?
- Vou!

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