A culinária do Chato: outubro 2006 Archives

Pois é,

Nada como retornar de uma viagem disposto a enfrentar a cozinha. A receita de hoje é do Anonymus Gourmet, um programa local de culinária. Estava no hotel, em Passo Fundo, quando vi a apresentação na televisão. O Chato, como sempre, vai mostrar, passo a passo e com fotos, como se faz esta deliciosa "Torta de Lingüiça".

Primeiro, minha (meu) querid@ leit@r, se você chegou até aqui por uma pesquisa no G@@gle, querendo saber "como fazer para transformar uma mandioca num aparato de uso sexual", desista! Há, no mercado, utensílios bem mais práticos, feitos de plástico e prontos para o consumo. São fáceis de lavar e guardar. Mandioca, apesar da forma, não se presta muito para essa solitária atividade.

Em todos os casos, se a vontade for muito grande, não esqueça de colocar a camisinha na mandioca. Não, não! Não há risco de pegar AIDS. É que ela pode quebrar. Já imaginou o constrangimento se você precisar ir a um pronto socorro e explicar o que aconteceu? Principalmente se você for do sexo masculino!

Enfim, passemos ao preparo. Os ingredientes? Parece óbvio: um quilo de mandioca, pra começar. Os demais estão aí na foto.

Atenção:Como há muitas fotos nesse post, resolvi diminuí-las para facilitar.

- 1 Kg de mandioca

"Mandioca, de nome científico Manihot esculenta, é um arbusto originário dos Andes peruanos. Possui muitos sinónimos, usados em diferentes regiões, tais como aipi, aipim, aimpim, candinga, castelinha, macamba, macaxeira, macaxera, mandioca-brava, mandioca-doce, mandioca-mansa, maniva, maniveira, moogo, mucamba, pão-da-américa, pão-de-pobre, pau-de-farinha, pau-farinha, tapioca, uaipi, xagala.

Foi cultivada por várias nações indígenas da América Latina que consumiam suas raízes, tendo sido exportada para outros pontos do planeta, principalmente para a África, onde constitui em muitos casos a base da dieta alimentar. No Brasil o hábito de cultivo e consumo continua, com a raiz.

A origem do nome mandioca (manioca) seria de uma lenda Tupinambá sobre a deusa Mani, de pele branca, que encontrou sua morada (oca) na raiz desta planta."1

Viram? O Chato, além de chato, é cultura!!

- 700 g de lingüiça calabresa

Por que chamamos esse tipo de lingüiça de "calabresa"? O Chato conta. Reza a lenda que um dos primeiros imigrantes italianos, Paolo, ao vir para o Brasil, estava em dúvida sobre se trazia, ou não, a chata da sua mulher, de nome Bresa. Bresa não parava de falar no Brasil e no lindo futuro que teriam juntos na nova terra. Certo dia, Bresa exagerou e não parava mais de falar na viagem. Foi quando Paolo pegou a lingüiça que tinha na mão e enfiou na boca da Bresa, dizendo "te cala Bresa, não agüento mais te ouvir!". Daí pra frente, toda vez que alguém precisava mandar a mulher calar a boca, ameaçava com uma lingüiça, dizendo: "olha a calabresa!".

Não falei que o Chato é cultura?

- 1 cebola
- 3 dentes de alho
- 2 tomates
- 2 colheres de extrato de tomate
- meio copo de azeite de oliva ou óleo (já disse uma vez por aqui: larga de ser pobre e passa a usar somente azeite de oliva)
- 3 colheres de azeite de oliva
- meio copo de leite
- 3 ovos
- sal
- 1 tablete de caldo de carne, ou de galinha

Pra modis de perpará a gororoba:

Descasque a mandioca e coloque para cozinhar.

Uma breve consideração "acerca da arte de cozinhar e de como são as mulheres", em dois tomos e cinco volumes. Se você é preguiçoso, desista de ambas. Comidas e mulheres são iguais, quanto mais trabalho no preparo, maior será o prazer depois.

Assim, meus caros, resistam à tentação de comprar aquelas mandiocas já descascadas e embaladas a vácuo. Peguem a mandioca com as mãos e sintam o prazer que é descascá-la. Ops, mudei de assunto!

Deixe a mandioca cozinhar até que esteja bem macia, quase se desmanchando. Coisa chata cozinhar mandioca. Nos programas e nos sites simplesmente te dizem isso: cozinhe a mandioca. Ninguém vai te confessar, a não ser o Chato, que para cozinhar mandioca tem um truque.

- E quanto custa esse truque, Chato?
- Nada, é "di grátis" para os meus seis leitores.
- E qual é?
- Assim ó! Depois que a água ferver, deixa fervendo por aproximadamente mais cinco minutos. Retira a panela do fogo e despeja a água quente na pia. Dá um banho (choque) de água fria na mandioca e coloca novamente no fogo. Simples, né?

Descasque o alho e pique.

- Mas, Chato?
- O que foi agora? Quem é o chato aqui, afinal?
- Eu não gosto de descascar alho!
- Tudo bem, respeito as preferências de cada um. Descascar alho é pra quem gosta. Vá ao super e compre aqueles potinhos com alho descascado e picadinho. É ruim mas serve.

Descasque a cebola e pique bem picadinha. E, por favor, aproveite para chorar. Chore bastante! Chorar é o melhor remédio que nos resta, com esses Poderes que temos no país (mais ainda agora que a Yoda ganhou a eleição por aqui. Sinto que passarei os próximos quatro anos chorando. E nem vai precisar de cebola!). Esse é o grande lançe da arte de cozinhar. Ao chorar cortando a cebola, evitamos passar para a comida todas as nossas mágoas, tristezas, frustrações... sobrarão apenas as alegrias para a comida. Não desperdice a oportunidade. É mais barato que o valor que os psi andam cobrando para ficarem te olhando chorar na frente deles. Vai por mim, entre uma cebola e um psi, opte pela cebola. Você ainda estará contribuindo para o desenvolvimento dos plantadores de cebola de São José do Norte, cidadezinha que, por sinal, fica no sul do RS, apesar do nome.

Viram? O Chato também é Geografia!! E faz orientação de auto-ajuda para os outros nas horas vagas.



Corte o tomate e a lingüiça.

Coloque as três colheres de azeite para esquentar numa figideira de ferro.

- PQP!, quando é que vocês vão se convencer de que a comida preparada em panela de ferro é mil vezes melhor? Esse negócio de teflon é coisa de americano preguiçoso e obeso. Façam as contas comigo: uma panela de ferro custa algo em torno de R$ 60,00. MAS DURA A VIDA TODA!. Uma porcaria de alumínio, custa uns R$20,00 e DURA MUITO POUCO!.

Façam uma pausa e contem quantas panelas de alumínio vocês já compraram na vida? Tenho certeza de que já poderiam ter comprado uma três ou quatro de ferro com esse valor. Invistam na felicidade! Comprem e usem panelas de ferro (panelas, aqui, é termo genérico, serve para frigideiras e demais utensílios que vâo ao fogo).

Claro que panelas de ferro dão um pouco mais de trabalho para conservar. Mas já disse antes: panelas de ferro, comidas e mulheres são iguais: quanto mais trabalho...

Atenção: Dica do Chato para conservar suas panelas de ferro por toda vida (e deixá-las para que seus herdeiros briguem por elas na Justiça: lave-as normalmente. Seque-as no fogo. Não use pano e nem as deixe secando ao ar. Após estarem bem secas, despeje um tanto (não me pergunte o quanto é "um tanto", por favor) de azeite de oliva (larga de ser pobre!) e espalhe bem com um pedaço de papel toalha. Cuide para que todo o interior da panela - inclusive a tampa - fique untado com o azeite. Isso evita a oxidação e conserva a sua panela.

Nesse caso, abri uma exceção para cozinhar a mandioca.

Quando o azeite estiver quente, coloque o alho para fritar. Em seguida, coloque a cebola.

Aqui vai um ácréscimo do Chato, que não consta da receita original: coloque uma colher de Shoyo. Ajuda a quebrar a acidez do tomate. E por falar em acidez do tomate, cresci vendo meus pais cozinhando. Minha mãe era uma cozinheira de mão cheia. Usei o "era" porque, apesar de ainda viva, tadinha, sofre de Alzheimer e sequer lembra mais quem eu sou. Meu pai, já falecido, tomava conta da cozinha aos domingos. Era daqueles conzinheiros que gostava de inventar. Minha mãe ficava de auxiliar para anotar o que ele ia inventando. Adorava fazer massa caseira. Ainda guardo até hoje, 33 anos passados, as formas que ele usava para fazer ravioli.

Tenho comigo os cadernos de receitas da minha mãe. Quem sabe um dia não publico? Um belo título seria "As Receitas da Mamãe". É algo que está se perdendo. O quê? Mamães que saibam cozinhar. O mundo é outro; os tempos são outros. Pena!

É o difícil equilíbrio entre o atual e o "antigo".

Pois foi em casa que aprendi sobre essa tal de acidez do tomate. E até bem pouco tempo ainda usava o truque de colocar uma colherinha de açucar para queimar no óleo. Além de ajudar a escurecer o molho, quebrava a acidez do tomate. Hoje em dia tenho usado o Shoyo. Tem outra coisa que gosto de usar, mas a Kaya não gosta quando uso: o molho inglês.

Interessante como até bem pouco tempo a gente aprendia tudo em casa. Os exemplos. Ah! os exemplos dos pais. Se hoje sei cozinhar e costurar; se gosto de boa música e devoro livros; tudo isso se deve a ter crescido vendo meus pais fazendo o mesmo. Bons tempos esses.

Bueno, seguindo...


Coloque a lingüiça para fritar. Quando estiver pronta, despeje o tomate e as duas colheres de extrato de tomate e misture tudo. Deixe cozinhar em fogo brando.

Atenção: coloque pouco sal, pois o caldo de carne já tem o suficiente.

Quando a mandioca estiver cozida, mantenha a água do cozimento e desmache a mandioca com um garfo até ficar um purê. Assim como na foto:

Coloque os ovos, o azeite, o leite e o tablete de caldo de carne no liquidificador e bata bem. Misture tudo no purê de mandioca. Misture bem até ficar um creme uniforme.

Despeje parte do conteúdo num refratário. Espalhe a lingüiça por cima e cubra com o restante do purê de mandioca. Leve ao forno (previamente aquecido) por mais ou menos 40 minutos.

E, então, bom apetite:


Pra quem não quer se incomodar com a mandioca, pode usar batatas. Fica bom do mesmo jeito. Pra quem gosta de queijo ralado, pode colocar um pouco por cima pra gratinar.

Ficou uma delícia. Comi no sábado e no domingo, acompanhado de um belo vinho branco de garrafão, trazido lá do Vale dos Vinhedos.

1http://pt.wikipedia.org/wiki/Mandioca

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