A culinária do Chato: outubro 2005 Archives

Salsicha

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Pois é,

Tu sabes o que é salsicha, ô vivente? Não? Pos o Chato te ensina, tchê! Conheces alguém que não gosta de salsicha? Não? O Chato também não! Sabes fazer um molho de salsicha decente, daqueles da piazada ficar babando na camisa branca e as mães xingando a dona da festa? Não!!??? O Chato te ensina, então!

Corta as salsichas em rodelinhas. Olha na foto, lá no fim, e vê se aprende! "Mas assim dá muito trabalho, Chato!". Claro, querias o quê? Quem gosta de moleza é deputado, que finge que trabalha de terça a quinta. Não te esquece de quando tu eras criança: criança come com os olhos e não com a barriga. Teus pais nunca te encheram o saco com aquela frasezinha idiota "tens mais olhos que barriga"? Te disseram é? E o que é que tu respondeu, bagual? Se não foi "claro, eu tenho dois olhos e uma barriga", é porque tu já nasceu velho!

Bueno, intervalo de cultura, que o Chato tem que obedecer a sua função social.

A história da salsicha remete a mais de 3.000 anos atrás, época em que os babilônios recheavam tripas com carne moída. O nome salsicha vem do latim salsus, que significa salgado. Foi apenas bem mais recentemente, em 1852 na cidade alemã de Frankfurt, que um açougueiro batizou suas salsichas com o nome do cachorro bassê (dachshund). (cultura inútil é phoda!)

A tal de salsicha tem até regulamento, de tão importante que é nas nossas vidas. Vai dizer que nas festinhas de piá tu não ficas furando a fila das crias pra pegar um cachorrinho? Tá, conta outra!! Como descobri que só o Chato tem um tal de Google, vou facilitar pra vocês:

"REGULAMENTO TÉCNICO DE IDENTIDADE E QUALIDADE DE SALSICHA

1. Alcance (diz respeito à distância que uma salsicha alcança se lançada com a mão direita, nas CNTP)

1.1. Objetivo: Fixar a identidade e as características mínimas de qualidade que deverá apresentar o produto cárneo industrializado denominado Salsicha. (Viu só? Isso é pra salsicha não ter crise de identidade, que nem o Chato teve)

1.2. Âmbito de Aplicação: O presente regulamento refere-se ao produto Salsicha, destinado ao comércio nacional e/ou internacional. (isso é um aviso pra que ninguém use a salsicha fora desse âmbito. Mas se tu, vivente, não resistir a tentação, sugiro o uso da salsicha tipo Bock. Deve dar mais prazer!)

2. Descrição

2.1. Definição: Entende-se por Salsicha o produto cárneo industrializado, obtido da emulsão de carne de uma ou mais espécies de animais de açougue, adicionados de ingredientes, embutido em envoltório natural, ou artificial ou por processo de extrusão, e submetido a um processo térmico adequado. (eu, se fosse tu, nunca mais comia salsicha. Com uma definição dessas, eu hein? Carne de uma ou mais espécies de animais de açougue? Assim no más, sem dizer quais? Vale ratos? Baratas? Gatos? Esses também são animais de açougue!)

Nota: As salsichas poderão ter como processo alternativo o tingimento, depelação, defumação e a utilização de recheios e molhos. (igualito as mulheres: tingem, depilam, se enchem de perfume e recheios no peitos. E o molho? Essa o Chato não vai ensinar!)

2.2. Classificação

Trata-se de um produto cozido. (se é cozido, pra que a gente perde tempo cozinhando depois?)

De acordo com a composição da matéria-prima e das técnicas de fabricação:

Salsicha - Carnes de diferentes espécies de animais de açougue, carnes mecanicamente separadas até o limite máximo de 60%, miúdos comestíveis de diferentes espécies de animais de açougue (Estômago, Coração, Língua, Rins, Miolos, Fígado), tendões, pele e gorduras. (o processo de separação mecânica de carnes foi desenvovido pela indústria pesqueira japonesa na década de 1940. Esse é um nome bonitinho pra "aproveitam até o guincho do rato". E tu já viste a quantidade de otras cosas que tem dentro da tua salsicha? Significa dizer que também aproveitam até as anteninhas das baratas)

Salsicha Tipo Viena - Carnes bovina e/ ou suína e carnes mecanicamente separadas até o limite máximo de 40%, miúdos comestíveis de bovino e/ ou suíno (Estômago, Coração, Língua, Rins, Miolos, Fígado), tendões, pele e gorduras.

Salsicha Tipo Frankfurt - Carnes bovina e/ ou suína e carnes mecanicamente separadas até o limite de 40%, miúdos comestíveis de bovino e/ ou suíno (Estômago, Coração, Língua, Rins, Miolos, Fígado) tendões, pele e gorduras.

Salsicha Frankfurt - Porções musculares de carnes bovina e/ ou suína e gorduras.

Salsicha Viena -Porções musculares de carnes bovina e/ ou suína e gordura.

Salsicha de Carne de Ave - Carne de ave e carne mecanicamente separada de ave, no máximo de 40%, miúdos comestíveis de ave e gorduras."

Bueno, findo o "Momento Cultural do Chato", "retornemos, como diria Honório Lemos" (pra quem vive no Brasil ou em outros países, isso é um ditado gauchesco), ao prato principal.

Coloca todas aquelas coisas de fazer molho numa panela e junta a salsicha. Deixa cozinhar até ficar pronto! Viu? Rapidinho de fazer essa receitinha exclusiva, colher de chá do Chato. Usa como te der na telha. Eu fiz um bela macarronada ao molho de salsichas. Claro que antes de escrever esse post, que o Chato não é bobo, só é chato!

Pois é,

Antônio Prado, colônia fundada em 1886, tem o maior e o mais completo conjunto arquitetônico da colonização italiana no Brasil. O acervo, englobando 46 edificações, forma a história da vida dos primeiros imigrantes italianos. As casas, com seus lambrequins - as nervuras de madeira em suas portas e janelas - ressaltam o desenho do passado.

Confesso que não sou muito chegado em peixe, mas como a Kaya gosta, resolvi experimentar, domingo passado, a receita que o Cláudio Costa - Pras Cabeças - deixou nos comentários. Além de simples e rápida, é deliciosa. Há um porém: como o linguado anda caro, R$34,00 o quilo, dá pra substituir por pescada, bem mais barato.

Na sua arquitetura, nos seus usos e costumes e em sua gastronomia, Antônio Prado é uma cidade muito hospitaleira para com todos os seus visitantes. Os vênetos, imigrantes vindos da região de Veneza, representam quase que a totalidade da população de Antônio Prado e fizeram dessa cidade o que se chama de "Paraíso da Serra Gaúcha".

Disponha os filés em um pirex (quando utilizei essa expressão, não sei porque e Kaya me chamou de velho. Ué, e como é que se chama pirex hoje em dia?) e tempere. Limão e sal ao gosto do freguês. Até pouco tempo, não gostava muito de usar temperos prontos. Coisas de querer ser meio natureba, vontade de ter uma hortinha de temperos, coisa e tal. Mas fui vencido pela globalização e resolvi experimentar o tempero pronto para peixes Kitano. Muito bom. Acrescentei uma novidade na receita: um pouco de shoyu. Deixe descansar e vá descansr um pouco também, pois até aqui o preparo foi cansativo. Não esqueça da cervejinha

Antônio Prado tem o melhor conjunto arquitetônico urbano da imigração italiana, com casarões antigos, originais e bem conservados. Quarenta e seis deles estão tombados desde 1989 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Desses, quarenta são grandes sobrados de madeira. Com seus velhos casarões, as ruas centrais da cidade preservam a mesma configuração do final do século passado e início deste, quando a cidade foi ocupada pelos imigrantes italianos.

Pegue uma lata de creme de leite e misture a um molho de tomate. Ainda na linha natureba, descobri um molho de tomate temperado, produzido por uma cooperativa de agricultores ecologistas. Sabem de onde? Pois é, de Antônio Prado. E sabem o nome? Pois é, coincidência: receita passada por um mineiro governado pelo Aecio, molho de tomate Aecia, ehehe. Acrescentei um pouco de pimenta de cheiro ao molho. Despeje a mistura sobre os filés e leve ao forno por 20 minutos

Antônio Prado foi o local escolhido por Fábio Barreto para rodar o filme O Quatrilho, baseado na obra do gaúcho José Clemente Pozenato, que é quem, no final do filme, tira a foto da família. É possível que alguém, de passagem por aqui, ainda não tenha visto o filme. Assim, uma pequena sinopse:

"Rio Grande do Sul, 1910. Em uma comunidade rural composta por imigrantes italianos, dois casais muito amigos se unem para poder sobreviver e decidem morar na mesma casa. Mas o tempo faz com que a esposa (Patricia Pillar) de um (Alexandre Paternost) se interesse pelo marido (Bruno Campos) da outra (Glória Pires), sendo correspondida. Após algum tempo, os dois amantes decidem fugir e recomeçar outra vida, deixando para trás seus parceiros, que viverão uma experiência dramática e constrangedora, mas nem por isto desprovida de romance."

Bueno, a Kaya disse que ficou tão bom, que comeu quase todo o peixe sozinha. Fiz acompanhar apenas de um arroz branco. Coisinha simples para não tirar a estrela do prato principal.

E quando vierem ao sul visitar os encantos da serra gaúcha, não pensem que é só Gramado e Canela. Visitem Antônio Prado e região, também. O vale do rio das Antas oferece paisagens simplesmente maravilhosas. E aproveitem, é claro, para levar uns vidros do excelente molho de tomate Aecia (a propaganda é "de grátis").

Antônio Prado: http://www.riogrande.com.br/turismo/antonioprado.htm
O Quatrilho: http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/quatrilho/quatrilho.htm
Molho de tomate: http://www.aecia.com.br/
Prato: receita de Cláudio Costa e fotos minhas, hehehe

Pausa prévia

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Pois é,

Este é Frederico, o Demo, dindo animal da Condessa Clarissa. Durante toda a gravidez, dormia encostado na barriga da Kaya. Agora dorme ao pé do berço, sempre cuidando. Deu pra ver o por quê do apelido, hehehe. Apesar da carinha, que foi sacanagem minha na hora de tirar a foto, é o bichinho mais dócil e carinhoso do mundo.

Por outro lado, devo preencher com alguma delícia o prato de hoje:

Pois a receita é do amigo Dom Cláudio Costa. É uma receita de louco, e sem trocadilho, visto que Dom Cláudio, além de ter um do melhores blogs desse mundão virtual, é Psiquiatra. Logo, entende do riscado (e como é que eu sei? Porque ele tem uma paciência de santo com os comentários chatos do Chato, hehehe). Sem esquecer que é filho do Soié, que nos faz pensar que é possível, sim, viver em eterna paixão pela mulher, e pai da Ana Letícia. É a mineirada, uai!, mandando ver na blogosfera.

Claro que o resultado eu mostro depois, hehehe. Ah! Não é a receita que está no post dele, é outra.

Atualização 1: quem será que me visita a partir de Leeds, England? Estou vendo daqui, hehehe. Impossível se esconder hoje em dia. Onde vamos parar...

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