Pois é,
Tarefa das mais difíceis é explicar a um jovem o que é "aposentadoria". Aposentar-se ainda é sinônimo de morrer. Fomos, os de meia idade pra cima, criados num mundo sem alternativas para a chamada "velhice". E a velhice chegava com a aposentadoria. Era o que nos ensinavam.
Todo um mundo foi criado em cima disso. As pessoas queriam "fazer carreira" para chegar ao fim da vida (leia-se aposentadoria) em situação de "bem viver a velhice". Poupança, segurança para si e para a família, planos de saúde que só pensavam nos "anos tristes", carro, casa própria, eram todos objetivos da nossa felicidade.
Felicidade que duraria pouco, pois não restaria muito a fazer, a não ser ajudar a (des)criar os netos, fazer festas de fim de ano para reunir a família e rezar para não ficar doente.
Quando comecei a vida, lá pelos 20 anos, aposentadoria era uma palavra desconhecida. Talvez por ter começado em uma atividade puramente intelectual, a Física - e depois a Astrofísica -, não imaginava o cérebro "parando" de trabalhar.
Trinta anos passados e o que percebo é que não há como fazer o cérebro parar. Ao contrário, não há tempo suficiente para o cérebro funcionar o tempo todo.
Há tanto o que fazer na internet, que 24 horas são, definitivamente, insuficientes.
O ponto de mutação entre as últimas gerações se deu entre o "não ter o que fazer" e o "ter demais o que fazer". Antes os pais colocavam os filhos para "tocar" o negócio que eles criaram e desenvolveram. Hoje? Hoje os pais tentam tocar os filhos pra fora de casa, para que se virem. Os filhos da internet não sabem mais o que fazer diante de tantas escolhas.
Dito de outra forma: "não tenho o que escolher" e "tenho que escolher". O que antes significava o "justo descanço", agora significa "o justo estresse". A "falta de escolha' contra "não sei o que escolher".
A internet trouxe estresse. Comunidades, grupos, comunicadores instantâneos, necessidade de estar "a par de tudo", de estar sempre on-line para não perder nada, não tem idade. O que antes era a busca pela segurança virou o estresse da falta de segurança.
Quem tem um blog sabe o quanto é difícil escolher sobre o que escrever. Lembrando, claro, que toda regra tem exceções.
O Chato passou, ou passa, por essa crise. Ou se aposenta, ou segue em crise!