Pois é,
Hoje é dia de "
Blog Action Day 2009", desta vez com o tema "Mudança Climática".
Minhas filhas pertencem ao século XXI. Nasceram sabendo operar computadores sem que eu as tivesse ensinado. A
Condessa, com quatro anos, sequer imagina o que seja uma máquina de escrever, mas pediu-me um "note" de presente do dia das crianças.
Fico cá imaginando como será o dia em que ela, ao pesquisar algo na internet, deparar-se com uma foto dessa tal coisa, a máquina de escrever. Quem sabe esse seja "dos males o menor". Difícil será fazê-la acreditar nas histórias que contarei da minha infância/juventude e de não muito tempo atrás, já adulto.
Histórias verdadeiras, de um tempo que o Rio Grande do Sul e Santa Catarina não tinham tornados, ciclones, casas destruídas, pessoas desabrigadas, enchentes e mortes. Ou, por outro lado, secas, estiagens, plantações destruídas e famílias e mais famílias (grandes ou pequenas) perdendo tudo por causa da falta de chuva.
Ou demais, ou de menos. Assim caminhamos por aqui. E não tenho dúvidas de que "Assim Caminha a Humanidade"...
Já vi, nesses poucos cinquenta e dois anos, de tudo, mas nada tem se comparado com o que vem acontecendo nos últimos anos. Já perdemos o senso das estações. Equinócios e solstícios, que na minha infância/adolescência era datas de fato marcantes, hoje são apenas efemérides mal e porcamente lembradas nos calendários. Confesso que tem sido tarefa difícil explicar para a Condessa o que são as estações.
Claro que faz frio no verão e calor no inverno. Mas até nisso havia uma certa regularidade. Tínhamos até o já quase esquecido "veranico de maio", lembram? Quinze dias, mais ou menos, de "verão" em pleno Outono. Foi-se, assim como estão indo o nosso verão, cada vez mais frio, e o nosso inverno, cada vez mais quente. Mas a inversão não é assim tão linear. Quem mora em zonas antigamente chamadas de "temperadas" sabe bem o que é ter que sair de casa, de manhã cedo, para trabalhar. Roupa para frio, para calor e para chuva. Tudo no mesmo dia. Todos os dias, por sinal.
Esse post não é baseado em estudos científicos, estatísticas ou seja lá o que for, proveniente da tal racionalidade. Esse post é baseado na dor que sinto na pele; dor que até a pouco não sentia. Dor do frio e do calor intensos; dor da chuva e da seca intensas. E da dor de que já não é mais possível prever o tempo.
Nem mesmo as coitadas das formigas que comigo dividem a morada conseguem. Saem a qualquer dia, a qualquer hora, em busca de alimentos, enganadas que estão pela atuação humana. E que não me digam os "doutos" de que ainda há dúvidas sobre se as mudanças do clima são causadas por nós.
Vinte, dos cinquenta e dois, me bastam para ter certeza. A mesma certeza que hoje não tenho de que a
Condessa vai acreditar quando lhe contar que um dia a primavera era a estação das flores.
- Flores, papai? O que são flores?