Pois é,
Poucas deveriam ser as coisas a me tirar do "retiro" espírito-bloguístico por onde ando. Incomodar o pobre Einstein, fazendo-me relembrar sua frase, quase símbolo deste Chato, é uma delas. A cada dia passado nessa vida, maior é o número de pessoas que dão razão a que a estupidez humana não tem limites, que é infinita.
Chegado de viagem, recebo notícia de que o
Milton Ribeiro está sendo processado por uma escritora. Motivo? Um post que ele escreveu expressando sua opinião sobre uma das obras dessa escritora (para um resumo da história, ver
este post.
Aqui a sequência.). Não foi a primeira vez que algum crítico comenta a tal obra. O
Idelber Avelar,
neste post, publica uma resenha feita pelo
Marcelo Backes. É bom ler todos os posts e críticas, bem como todos os comentários, em ambos,
Milton e
Idelber.
Mas onde está, afinal, a estupidez humana nesse caso? Está na demonstração do pleno estado de barbárie que vivem essa senhora e seu representante. De um advogado, infelizmente, não poderíamos esperar outra atitude, tendo em vista que vive de fazer prosperar as pendengas humanas, notadamente aquelas que mais poderão render, por envolverem pessoas ou empresas cujas rendas são suficientes para alimentá-lo - e certamente a sua prole - por um bom par de décadas. Não são capacitados, treinados, nas faculdades, para o prévio diálogo, para a composição amigável, para o acordo. Somente enxergam a via judicial para a solução de tudo. Muito se fala do Poder Judiciário e muito se diz sobre a morosidade dos processos. Nada, porém, é dito sobre advogados. E antes que algum advogado apressadinho resolva me processar por escrever isso, aviso logo que não estou generalizando, que sei bem que existem os bons advogados.
A estupidez da senhora escritora está em não aceitar o seu lugar no mundo das letras. Um pais, cuja população tem algo em torno de 75% de seus membros considerados alfabetizados funcionais, isto é, mal e porcamente conseguem compreender um parágrafo de conteúdo simples, deve ter escritores que escrevam para esse público. Quanto a isso não há questionamentos: ela é escritora e pronto! Esses 75% gostam e entendem (e talvez não mais que isso) o que está contido no lugar-comum "
cortando a noite fresca e estrelada como uma faca que penetra na carne tenra e macia de um animalzinho indefeso".Mas daí a supor que toda a literatura nacional está nivelada por esses 75% são outros quinhentos (e não esqueçamos que nossas redes televisivas também atendem somente a esse público). Ainda temos 25% que são capazes não apenas de entender o que lêem, mas de fazer o que de mais importante as pessoas podem fazer: criticar aquilo que consomem.
É da natureza da estupidez humana o extrapolar o conteúdo de uma crítica. Assim o fez o advogado ao desviar o foco da questão, que deveria ser o conteúdo da crítica elaborada pelo
Milton, para uma tentativa de desqualificação pessoal. Não tenho dúvidas que a estagiária do juiz dará boas gargalhadas ao preparar uma minuta de decisão.
Vivemos momentos perigosos. Momentos em que a defesa da liberdade de expressão só vale para os tais meios de comunicação e seus profissionais. Teça um comentário sobre um jornalista ou tente impedir a veículação de uma matéria e logo os arautos da volta da censura se atirarão por cima como abutres em carniça (certo, certo, mais um lugar-comum, tsc...). Só eles têm direito à total liberdade de expressão.
Como dizia meu falecido padrinho: "pobre humanidade!"
Das duas uma: ou esta senhora e seu representante pensavam tirar uns trocos de um desconhecido qualquer, ou não sabem quem é
Milton Ribeiro. O universo e a estupidez humana são coisas infinitas, já dizia Einstein, sem ter certeza da primeira.